PABLO LOPES - PEIXE NA ÁGUA

BREVE ENTREVISTA COM ADONIS OLIVEIRA

Anos atrás, a revista Superinteressante da editora Abril tinha uma sessão chamada “Páginas Amareladas” (não sei se ainda existe) e trazia sempre uma “entrevista” com alguma personalidade já falecida. O nome era uma referência às Páginas Amarelas da revista Veja, da mesma editora.

A entrevista consistia em perguntas elaboradas pela revista, e as respostas eram tiradas de textos deixados pelos falecidos em livros, cartas e outras publicações antigas. Era muito legal.

Pois bem. Já faz algum tempo que eu vinha matutando a ideia de fazer algo assim por aqui. A vontade de fazer aumentava todas as vezes que ocorria um novo escândalo, pois a primeira coisa que me vinha à cabeça era a pergunta: O que o saudoso Adônis Oliveira teria a dizer sobre isso?

Pus a ideia em prática. O que segue abaixo é uma “entrevista” fictícia com o querido “língua ferina”. As perguntas foram elaboradas por mim, e as respostas foram tiradas, quase ipsis literis, dos poucos textos que consegui encontrar de Adônis.

Alguns textos encontrei em sessões de comentários aqui da Besta, outros em blogs espalhados pela internet e alguns em cartas publicadas aqui. Fiz apenas pequenas adaptações de tempos verbais e concordâncias aos temas tratados.

Espero não ofender a memória do Mestre. Vamos lá.

* * *

Obrigado senhor Adônis por me conceder esta entrevista. Desculpe por atrapalhar seu descanso celestial, já que o senhor precisou descer até aqui, uma vez que não possuo credenciais para ir até o senhor. Mas vamos às perguntas, prometo ser breve:

O que achou do escândalo do roubo das aposentadorias?

Entre toda a miríade de casos semelhantes, a rainha inconteste dos charlatães, picaretas, trambiqueiros, vigaristas e estelionatários do mundo é, sem a menor sombra de dúvidas, a famigerada Previdência Social do Brasil. Este conto do vigário se destaca por ser patrocinado pelo nosso Governo Federal, mesmo isto sendo claramente um crime; e por ter tornado obrigatória a participação de todos aqueles que trabalham no Brasil, mesmo indo frontalmente contra uma das disposições claras da Constituição Federal de 1988. PREVIDÊNCIA SOCIAL – Nunca tantos foram tão roubados por tão poucos e por tanto tempo!

Creio que tem acompanhado o recrudescimento da perseguição àqueles que não aceitam que homens sejam considerados mulheres trans. O que pensa desta “novidade?

Considero ridículos, patéticos, grotescos, aberrantes, e bizarros os arremedos de trejeitos femininos praticados por humanos com genótipo masculino, especialmente se lhes tiverem sido agregados artificialmente alguns fenótipos femininos. Eu seria esquartejado e teria os pedaços jogados aos urubus por dizer isso, mas agora não me alcançam mais.

O que acha dos processos movidos contra aqueles que chamam mulheres trans de, digamos, ‘baitolas”?

Sinceramente, eu não esperava viver o suficiente (tanto quanto posso estar vivo) para ver um conterrâneo meu, cidadão brasileiro, vir a ser processado porque chamou um outro, comprovada e assumidamente homossexual, de qualira (Pará), de baitola (Ceará), de frango (Pernambuco), de bicha (Rio de Janeiro), de veado, de perobo, de boneca, ou de qualquer outro regionalismo com o qual nós brasileiros costumamos designar os gays (USA). Aliás! Costumamos, não. Costumávamos! Hoje, costumamos cada vez menos.

A que o senhor atribuiu a volta do PT ao poder?

As multidões de filhos da puta que perderam as mamatas mil propiciadas pela proximidade com o governo ficaram muito putos e fizeram todo tipo de coisa para voltar ao poder, sem se importar de afundarem o Brasil Foi assim que Lula e sua gangue voltaram ao poder. Foi um desastre provocado.

Sei que o senhor jamais foi de esquerda. O que pensa sobre quem deseja que todos o sejam?

Para mim, ser de esquerda é feito dar a bunda. Seja de esquerda o quanto quiser, SÓ NÃO ME ENCHA O SACO QUERENDO EMPURRAR ESSA MERDA DE COMUNISMO GOELA ABAIXA DA POPULAÇÃO INTEIRA, PORRA!!! Quererem que todos sejam enquadrados no seu bando, até que seria aceitável e compreensível. A bronca começa a partir dos métodos que a esquerdalhada adota: MENTIR, MENTIR e MENTIR MAIS AINDA! Enganar, atraiçoar, forjar, manipular etc. Tudo é válido, desde que seja útil e contribua para a implantação da CAUSA COMUNISTA!

Tem alguma recomendação sobre o que fazer com os que tentam implantar a ideologia por este expediente?

Todos vocês são testemunhas das inúmeras vezes em que eu pugnei pela aplicação da pena de morte por guilhotina extensivamente, acho que os que agem assim passam a ser plenamente merecedores da pena de morte, imediata e sem piedade. Vão implantar o comunismo através desse método diabólico no inferno.

Quero lhe perguntar sobre um certo togado. Em sua onisciência o senhor sabe de quem estou falando. O que acha dele?

Trata-se do maior ignóbil, que contribuiu para a expansão da canalhice e da imbecilidade em nosso país, muito além dos maiores píncaros da imbecilidade já registrados em nossa nação. O conjunto da sua obra transcende em muito os piores exemplos de cafajestice já vistos em nosso país. Isso se estende a toda a classe política que escolheu cavalgadura de tal jaez para compor aquela corte.

Para encerrar, teria algum recado aos amigos da comunidade fubânica?

Hoje, após o encantamento, posso dizer: A única coisa que faz a vida valer a pena de ser vivida é a convivência com gente iluminada, tal qual a maioria absoluta de nossos amigos fubânicos.

Obrigado pela entrevista, Senhor Adonis, espero que não se chateie com a hermenêutica que os leitores usarão para avaliar suas respostas.

Hermenêutica é a bola esquerda do meu saco, fui!

P.S. Certa vez tive um bate-boca com Adônis, na sessão de comentários, em razão de uma questão de hermenêutica jurídica. A última resposta dele neste texto foi dada a mim naquela discussão. Depois nos encontramos no Cabaré do Berto e demos muitas risadas. Era um gentleman “pessoalmente”, ao menos comigo.

Desejo sinceramente que o Rio Tejo também corra pelas planícies do Céu e ele tenha realizado o sonho de viver num barco ancorado em uma de suas curvas; sonho impedido neste mundo em razão da pandemia, conforme ele nos disse no Cabaré. Também espero que tenha feito às pazes com Altamir Pinheiro…

Deus o tenha Adônis, você faz falta. E perdoe este escriba pela ousadia.

PENINHA - DICA MUSICAL

A PALAVRA DO EDITOR

FORMAÇÃO DE MÉDICOS NO BRASIL

João Veiga é um amigo muito querido, um médico pernambucano de grande competência.

Tem uma matéria interessante feita sobre ele há alguns anos.

Quem quiser ver depois de ler esta postagem, basta clicar aqui.

O que quero dizer é que ontem ele me mandou um áudio, com a gravação de uma entrevista que deu à Rádio Jornal aqui do Recife.

Ele fala sobre a atual situação das escolas de medicina e a formação dos médicos no Brasil.

Muito interessante.

Vale a pena ouvir.

DEU NO JORNAL

CRISE NO IBGE FURA BOLHA DA MÍDIA

Guilherme Fiuza

A crise no IBGE, sob Márcio Pochmann, expõe o risco de politizar a estatística: demissões, suspeitas sobre o PIB e a volta da mistificação populista nos dados oficiais

A crise no IBGE é um dos problemas mais preocupantes da atual conjuntura — que já é, em si, problemática. A ciranda da inversão de valores foi longe demais, num regime que chama todo mundo de antidemocrático para ficar à vontade nos seus desmandos. Colocar os indicadores socioeconômicos do país nessa névoa é uma temeridade.

Às vésperas da divulgação dos dados do PIB, a presidência do instituto tomou medidas drásticas. A demissão sumária da coordenadora de Contas Nacionais levou a pedidos de demissão em série de funcionários graduados do setor. O presidente do IBGE, Márcio Pochmann, é tradicional integrante da ala mais ideológica do PT — e mesmo a equipe de Dilma Rousseff, no período da derrocada de sua administração, lutou contra a influência de Pochmann no governo.

Entregar uma área técnica a um estilo administrativo sempre dividido entre a conduta acadêmica e a militância partidária é arriscado. Ou talvez tenha sido premeditado. O PT iniciou sua primeira gestão no governo federal (2003) seguindo as diretrizes da responsabilidade fiscal. O populismo e as tentações fisiológicas foram, naquela época, contidos e controlados em favor de uma administração pragmática. Mas isso não durou muito.

O petismo raiz logo se arrependeu de tentar pensar grande e retomou o fisiologismo como filosofia de segurança. As incertezas de uma administração meritocrática são muitas para quem acha que a maior chance de ter poder é se agarrar a ele. Na época do mensalão — denunciado em 2005 — ocorria também a guinada macroeconômica, verificada a partir da chegada de Guido Mantega à Fazenda. E, nessa época, os olhares petistas se voltaram para a Argentina.

Transcorria o governo de Néstor Kirchner, com algumas inovações interessantes para os adeptos da mistificação como fator de governança. Serviços essenciais tinham suas tarifas espetacularmente reduzidas, para produzir o efeito da aparente bondade que depois viria a ser bancada de forma menos perceptível pelo contribuinte. E surgiam também as mudanças de cálculos dos indicadores nacionais.

Kirchner alterou várias metodologias para inflação, crescimento econômico, emprego e outros índices essenciais à fotografia da sociedade. Chegou a decretar interferências explícitas nos órgãos oficiais de estatística para “modernizar” as aferições. Naturalmente, os dados foram ficando mais positivos para o governo — e a ruína populista do kirchnerismo ganhou uma fantasia bonita.

Esse tipo de mistificação “oficial” sempre encantou os fisiológicos brasileiros. Se o grande objetivo é viver pendurado na máquina estatal, fica bem mais seguro e confortável poder encher o peito para declarar que essa máquina está trabalhando bem — e ostentar bons resultados “oficiais”. O que pode atrapalhar nessas horas é a imprensa — tanto que Lula sempre convidou seu público a desconfiar do que lia nos jornais. Nos últimos anos, com a imprensa mais dócil ao PT, o problema passou a ser as redes sociais.

A novidade agora é que, aparentemente, a imprensa está mostrando sem filtros a crise no IBGE. Quem sabe isso não seja um bom sinal? Chega uma hora que a mistificação cansa até o mistificador. Com um pouco de sorte, ainda veremos os economistas do Plano Real que apoiaram a nova aventura petista tendo um choque de consciência. E ajudando o país a rejeitar o caminho da enganação.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO X

DEU NO JORNAL

TUDO NOS CONFORMES

Aos 63, Heloisa Helena (Psol-RJ) segue a mesma.

Disse ao podcast de Magno Martins ser filha de pedreiro no Rio, mas o chefe da sua família de classe média era um fiscal de rendas, elite do serviço público.

Ainda senadora, ela disse à Folha de SP que pegou “no cabo da enxada”.

Mas frequentou ótimos colégios particulares e se formou em Enfermagem.

* * *

Normal, normal.

Agiu conforme o regulamento.

Esperar que uma esquerdóide psolista fale a verdade, é o mesmo que dar conselho a doido: pura perda de tempo.

ALEXANDRE GARCIA

O CASO MASTER

Banco Master

Sede do Banco Master, em São Paulo

Hoje eu começo com fatos policiais, porque a Polícia Civil no Rio de Janeiro e em São Paulo está atrás de um grupo. Já prendeu alguns, todos jovens, da geração Z, gente que nasceu neste século, neste milênio. Eu acho que começaram com brincadeira, brincadeira sobre assunto sério, de jogar bombas na Avenida Paulista, no dia 2 de fevereiro, e na frente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, também no dia 2 de fevereiro. O fato é que a polícia apreendeu explosivos quando fez busca e apreensão na casa de muitos deles. Isso se dissemina pela rede social, tem gente que calcula 7 mil pessoas, “gente” que eu digo é a polícia, 7 mil pessoas no Brasil inteiro. Lá em São Paulo seria uns 600, no Rio uns 700, tem 12 presos em São Paulo, 17 no Rio de Janeiro.

Já que estou falando de Avenida Paulista, em São Paulo, ontem, houve um tiroteio na Faria Lima. Só que não tem nada a ver com o Master. Acontece uma coisa na Faria Lima que não tem a ver com o Master. É que bandidos que… eu não sei como, mas jornalista gosta de elogiar bandido. O Estadão escreveu que são “especializados” em assaltos a residências. Ora, especializado é um adjetivo positivo e elogioso. Num país em que tem pouca gente especializada, eles dizem que o bandido é especializado. Não! São ladrões de residência, meu Deus do céu! Bandidos que assaltam residências. Não tem nada de especializado. Fizeram uma refém, ainda fugiram de carro e foram perseguidos. Na Faria Lima, um deles atirou na polícia e foi morto. Tem outro que está baleado na perna e outro que se entregou. E a refém saiu ilesa. Não aconteceu nada. Agora, foi interrompido o trânsito na Faria Lima, o que significa movimento numa região importante de São Paulo, que foi muito, muito prejudicado.

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Dinheiro de aposentados no Master

Mas também teve prisão do sujeito que presidia o fundo de pensão dos funcionários estaduais do Rio de Janeiro. Ele e mais dois, esses dois, diz também a imprensa, que estão foragidos. Não, eles não estão foragidos, eles não foram presos. Eles estão sendo procurados para serem presos. E puseram quase R$ 1 bilhão do dinheiro dos funcionários do fundo no Master. Quanto será que levaram, hein?! Porque o preso já tinha transferido a propriedade de dois carros, já tinha apagado provas nos computadores e nos celulares, então, ele tem muito a esconder. Aliás, tem muita gente aí que tem muito a esconder. Tanto é que tem um sigilo sobre o inquérito na Polícia Federal do Master. Foi levantado um pedacinho mostrando trechos do depoimento do Vorcaro, mas as pessoas querem ver o que está nos celulares do Vorcaro, as provas que foram conseguidas, as anotações, os arquivos. Isso sim, porque se tem gente graúda envolvida, aí interessa mais ainda ao povo. Mais interessa ao povo porque o povo – essa é a democracia – é que é a fonte do poder. E essas coisas têm que ficar claras, tranquilas.

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Sigilo e CPI

Só que o presidente da Câmara disse “Não. Não pode fazer uma CPI.” Por que querem uma CPI? Por que não querem uma CPI? Porque a CPI torna tudo isso público. E na Polícia Federal é possível haver um controle. Não houve? O inquérito não ficou parado um tempão? O inquérito dos aposentados da Previdência ficou parado, até que caiu nas mãos do ministro André Mendonça, que mandou tocar. Toffoli estava segurando. Estava nas mãos dele e não acontecia nada. Estava parado, simplesmente. Então, é isso que precisa ser investigado. O presidente da Gazeta do Povo, festejando os 107 anos da Gazeta do Povo ontem, disse que uma das saídas disso é fazer uma CPI de abuso de autoridade do Supremo, por exemplo. Seria uma saída.

Bom, só para terminar, o irmão do Bolsonaro, o Renato, foi retirar o prêmio, devido a ele, na Mega-Sena da Virada, que é jogo de azar, porque o jogo de azar é aquele que depende da sorte. Foi retirar na Caixa Econômica, era pouca coisa, R$ 216. Teve 308 mil ganhadores, só que ele foi informado que o prêmio dele já tinha sido retirado. Que coisa, né?!