O universo político de Gonzaga era incolor, totalmente desprovido de matiz ideológico. Discutível, dizem alguns. Não importa muito diante de seu baião, sua música, seu talento, uma bandeira desfraldada acima de qualquer regime dominante à sua época. Amizades e compromissos por ele assumidos durante a ditadura devem ser atribuídos à inconsistência de sua formação política e à vontade de, através de apoios pontuais, trazer ao seu chão progressos por ele desejados. Conseguiu. Nunca misturei essas querelas tão pequenas com a grandeza artística do Rei. Nem acho que se deva misturar. São coisas distintas, a meu modesto ver.
Transportando para os dias atuais, diante da imensidão da obra poética e literária de Chico Buarque, é de se perguntar: seu conceito diminui ou cresce ante o posicionamento político por ele adotado? Nem uma coisa nem outra. Lógico que não se pode desprezar a convicção ideológica do Buarque, homem de esquerda, defensor consciente e intransigente de pautas favoráveis ao povo brasileiro. Mas pouco importa a cor de seu coração partidário. Ele, por sua obra, é imenso e muito maior que qualquer discrepância de princípios. Como imenso seria se outra preferência tivesse seu poético coração. Francisco e Luiz, cabeças e pensamentos talvez conflitantes, diferentes entre si, são imensamente iguais no talento. Viva Chico, Viva Luiz, corações semelhantes, talentos similares.
Belíssima conclusão chegamos: O PT nunca teve culpa de nada.
A constituição diz que “todos são iguais perante a lei” e o professor Assuero o confirma, mas um craque de ludopédio desconfirma (que palavra horrorosa):
‘Não pode botar mulher para apitar’, diz jogador do Bragantino. Porém, entretanto, todavia, portanto e para tanto, uma mulher pode sim arbitrar uma pelada das mais sem graças, como foi o jogo do SPFC contra o time do energético.
“Eu acho que a Federação Paulista tem de olhar para os jogos deste tamanho e não colocar uma mulher. Com todo respeito às mulheres do mundo. Eu sou casado, eu tenho a minha mãe. Desculpa se eu estou falando alguma coisa para as mulheres, mas do tamanho dela eu não acho que ela tem a capacidade de apitar um jogo desse.”
Mulheres de meu Brasil varonil, uni-vos! Perseverem, apitem jogos de futebol, façam a diferença junto aos homens e mulheres de suas vidas dia após dia. Juntas, somos mais fortes! Quem ganha não somos nós. É a sociedade.
Mas, por favor, sem suvacos cabeludos, afinal axilas, pernas ou virilhas peludas não nos caem bem. Não tenho a mínima vocação para ursa peluda.
Belíssima análise sobre relações pecaminosas, senhor Assuero.
O que me leva a indicar, para leitura dominical, o livro “Les liaisons dangereuses“, de Pierre Choderlos de Laclos.
DARK HORSE – Titulo do Filme sobre JAIR MESSIAS BOLSONARO – Este termo usado nos EUA também para pessoa pouco conhecida que emerge para destaque em uma situação, especialmente em uma competição envolvendo vários rivais, que é improvável ter sucesso, mas que tem chance de lutar e vencer. Esse Termo vem do jargão das corridas de cavalos, com suas apostas para qualquer cavalo novo e promissor. Desde então o Termo é usado em outros esportes, apostas esportivas, jornalismo esportivo, em ambientes de negócios emergentes, como empresas de tecnologia experimental e startups.
O presidente Lula no Sambódromo, durante o desfile da Acadêmicos de Niterói
A fantasia do carnaval dura pouco. Um enredo sobre Lula não podia ter mesmo nada de verdadeiro… Ou não seria uma “homenagem”. Seria mais uma forma de afirmar que o Brasil estaria muito melhor, se Lula nunca tivesse entrado para a “política” e criado o PT. E, infelizmente, não é exatamente uma surpresa ver uma escola de samba homenageando gente ruim… O ex-governador do Rio Anthony Garotinho foi enredo da Acadêmicos de Santa Cruz, em 2003. Getúlio Vargas, um ditador, um fascista, já foi homenageado algumas vezes, inclusive pela Unidos do Viradouro, que venceu o carnaval do Rio de Janeiro este ano. Em 2023, Lampião, um criminoso cruel, foi celebrado pela Imperatriz Leopoldinense, que levou o título… Não, não é à toa que o diabo é enaltecido nos desfiles pelo país, enquanto Jesus Cristo é ridicularizado…
Pelo menos, a Acadêmicos de Niterói ficou em último lugar e foi rebaixada. Não importa se acabou fazendo uma desastrosa campanha eleitoral antecipada para o Lula, e com dinheiro dos pagadores de impostos. Foi campanha eleitoral antecipada, e pronto. Vamos ver se os ministros do TSE terão a coragem dos jurados do carnaval do Rio para também punir Lula. Seria apenas um consolo ter o petista inelegível, quando se sabe que ele deveria ter cumprido duas penas longas por corrupção e lavagem de dinheiro. Em junho, Kassio Nunes Marques toma posse como presidente da corte eleitoral, com André Mendonça na vice-presidência… O que se pode esperar deles? Nada que lembre uma “ilusão de carnaval”, por favor.
Jair Bolsonaro foi tornado inelegível porque fez uma reunião com embaixadores estrangeiros. Foi uma resposta a um encontro anterior do então presidente do TSE, ministro Edson Fachin, com os mesmos diplomatas. E quem dos dois criou um enredo fantasioso? Fachin jurou que o nosso sistema eletrônico de votação e apuração dos votos era infalível… Bolsonaro disse que não era bem assim. E eu fico pensando como nenhuma escola de samba ainda não teve a ideia de fazer um enredo sobre as nossas urnas… No futebol, elas já foram homenageadas. O TSE pegou de novo dinheiro deles, dos pagadores de impostos, e mandou fazer urnas eletrônicas gigantes infláveis, que foram montadas no meio do gramado durante jogos do Brasileirão e da Copa do Brasil de 2022…
Que TSE teremos este ano, com a mudança no comando da corte? Não pode ser aquele que, há quatro anos, proibiu a campanha de Bolsonaro de usar imagens de sua visita a Londres, do seu discurso na ONU, do 7 de Setembro em Brasília. Não pode ser aquele tribunal que proibiu Bolsonaro de fazer lives do Palácio da Alvorada, que mandou remover outdoors de apoio a ele no Distrito Federal. Aquele que perseguiu e censurou apoiadores do então presidente, que proibiu exibição de documentário sobre o atentado contra Jair Bolsonaro, que mandou remover vídeos que associavam Lula a esquemas de corrupção, à defesa da censura, do aborto, de criminosos, de ditadores como Nicolás Maduro e Daniel Ortega.
O que o TSE, comandado por Nunes Marques e André Mendonça, vai permitir a Lula, se ele for mesmo candidato? O petista vai poder chamar, de novo, Jair Bolsonaro de “genocida”? Vai conseguir derrubar vídeos com críticas pertinentes a ele? Vai poder chamar um veículo de comunicação de “braço mais estridente do bolsonarismo” e conseguir que o TSE abra uma “investigação”, como foi feito contra a Jovem Pan, em 2022? Quem não lembra que a corte eleitoral mandou a emissora excluir o vídeo em que a senadora Mara Gabrilli associava Lula à morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel?
Nada do que vimos na campanha de 2022 pode se repetir agora. O anseio dos brasileiros deve ser um só e incansável. É preciso que tenhamos uma campanha justa, equilibrada, dentro das leis. E “pau na máquina”, se me permitem a expressão… Ninguém pode aceitar um TSE “carnavalesco”, bufão, farsesco, canastrão, hipócrita… Quero muito acreditar que não teremos a repetição da tragédia de 2022, quando Alexandre de Moraes pintou e bordou. E o resultado, tenho, sim, esse sentimento, será a morte política de Lula. E a imagem que me vem é aquela da alegoria que representou o petista no carnaval sendo arrastada e se despedaçando no asfalto, depois do desfile na Sapucaí.
Sou os olhos da Belle de Alceu Sou a voz toda rouca de Ariano Sou Capiba cantado por Germano Sou garçom que ao Rossi atendeu. A coragem de Arraes no apogeu Sou o sonho mais belo do artista A sombrinha, no frevo, da passista, Oração de Dom Hélder pela paz Sou o vento envergando coqueirais Sou o Bar Acauã, da Boa Vista!
Eu sou Zeto da viola afinada Sou caboclo lançando pelos ares Sou a Besta Fubana de Palmares Sou o Galo que sai de madrugada. Sou a roda de coco d’embolada Sou Antônio Marinho declamando Sou Lirinha num palco encantando Eu sou Xico Bizerra, e estou certo Que sou Bar Acauã sempre aberto Na Mamede Simões lhe esperando!
Sou a fúria cruel de Virgulino Chico Science e seu maracatu Sou Leão, sou Santinha, sou Timbu, Sou boneco nas mãos de Vitalino. Sou Bandeira no verso mais divino Vida e morte escrita por Cabral Breno Lira num solo maestral Todo Duro e sua bofetada Sou as mesas expostas na calçada Lá do Bar Acauã num happy hour.
Sou Brennand preservando nossa arte Sou o Rei do Baião e sou xaxado Sou Nabuco, o líder respeitado, Sou o sol sobre a cruz no estandarte. Sou o tiro que dá o bacamarte No repente eu sou Louro Batista Da divina trindade repentista Sou o Lorde de Olinda desfilando Sou Josébio, sorrindo, lhe chamando Vem pro Bar Acauã, da Boa Vista!