PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

No meu grande otimismo de inocente,
Eu nunca soube por que foi… um dia,
Ela me olhou indiferentemente,
Perguntei-lhe por que era… Não sabia…

Desde então, transformou-se de repente
A nossa intimidade correntia
Em saudações de simples cortesia
E a vida foi andando para frente…

Nunca mais nos falamos… vai distante…
Mas, quando a vejo, há sempre um vago instante
Em que seu mudo olhar no meu repousa,

E eu sinto, sem no entanto compreendê-la,
Que ela tenta dizer-me qualquer cousa,
Mas que é tarde demais para dizê-la…

Raul de Leoni, Petrópolis, (1895-1926)

Um comentário em “HISTÓRIA ANTIGA – Raul de Leoni

  1. Raul, menino tímido, frágil, de amor platônico, que não conseguia expor seus sentimentos, então recorria aos versos quase infantis.

    Sou mais Castro Alves, ou Florbela Espanca, que morreram cedo também, mas viveram intensamente suas paixões.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *