JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Ênio Silveira

Ênio Silveira nasceu em 18/11/1925. Renomado editor, comandou a prestigiada Editora Civilização Brasileira por uns 50 anos. Com sua visão não elitista do livro, provocou uma revolução no mercado livreiro no Brasil, particularmente nas áreas da sociologia, economia e política, propiciando a edição entre nós dos clássicos autores nestas áreas.

Estudou na Escola Livre de Sociologia, da USP-Universidade de São Paulo, e após formado buscou emprego numa editora. Através de amigos foi apresentado a Monteiro Lobato, que por sua vez apresentou-o ao seu amigo e ex-sócio Octalles Marcondes Ferreira, dono da Companhia Editora Nacional. Com tal indicação, obteve o emprego em 1944 e passa a conviver com grandes escritores e intelectuais, dentre os quais o sociólogo Fernando Azevedo e o pedagogo Anísio Teixeira, assessores culturais da empresa.

Em 1946 mudou-se para Nova Iorque York, onde realizou o curso de editoração na Universidade de Columbia e fez estágio na importante editora Alfred Knopf. Lá, aprendeu as modernas técnicas de produção e divulgação de livros, muito úteis para sua atuação inovadora no mercado editorial brasileiro. De volta ao Brasil, no início da década de 1950, entrou em contato com seu antigo patrão e recebe a proposta de assumir a editora Civilização Brasileira, no Rio de Janeiro. Sob seu comando, a editora deslancha. Seu crescimento vertiginoso é atribuído a uma visão inovação em termos de divulgação, como a publicidade de livros em outdoors, algo inédito no mercado livreiro do Brasil.

A editora possuía um amplo catálogo, que contemplava desde de grandes obras literárias até livros universitários. Foram as publicações nos campos da sociologia, da economia e da política que transformaram a Civilização Brasileira em referência na área política. Vale dizer que, apesar de ser declaradamente comunista, seu desejo era contribuir para a transformação da realidade nacional e pela independência de pensamento. Por isso, suas publicações não se restringiam aos clássicos marxistas, mas contemplavam autores que, em sua opinião, pudessem contribuir para “o arejamento dos espíritos” e para novas formas de pensar o país.

A partir de 1964, com a ditadura militar, editou diversas publicações de oposição ao regime e periódicos que promoviam o livre debate de ideias numa época de restrição democrática, como a Revista Civilização Brasileira. Foi perseguido; teve os direitos políticos cassados; preso 7 vezes e foi alvo de alguns inquéritos policiais. Milhares de exemplares de livros da editora foram apreendidos e destruídos e seu patrimônio foi dilapidado. Porém, nada disso foi o suficiente para intimidá-lo.

A partir de 1966, a editora passou por graves problemas financeiros e teve que pedir concordata. Com dificuldades de se manter, resistiu mais algum tempo e em 1985 decide procurar Manuel Bulhosa, banqueiro português e dono da editora Bertrand, que tinha interesse em expandir seus negócios no Brasil. Desse modo, a editora Civilização Brasileira foi adquirida pela editora Bertrand, assumindo o compromisso de não descaracterizá-la. A negociação garantiu que ele permanecesse como conselheiro da Bertrand e diretor da Civilização Brasileira até 11/1/1996, quando faleceu vitimado por um edema pulmonar.

No mesmo ano, Bulhosa vendeu a editora ao grupo editorial Record. A editora Civilização Brasileira lançou mais de 2 mil livros e ficou conhecida por seu perfil combativo, destacando-se no campo da resistência à ditadura militar instaurada no Brasil após o golpe de 1964. Além de sua enorme contribuição para a cultura brasileira, Ênio Silveira teve protagonismo no cenário político, lutando incansavelmente pela democracia, a despeito de todas as violências das quais foi vítima.

Em termos biográficos, contamos com 2 livros, que retratam a saga da editora e do seu editor: Ênio Silveira: o editor que peitou a ditadura, de Sérgio Franco, pela Alameda Editorial em 2025 e Ênio Silveira: Coleção “Editando o Editor” vol. 3, organizado por Jerusa Pires Ferreira, lançado pela Editora EDUSP em 1992.

Clique aqui para assistir vídeo sobre Ênio Silveira.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

DEIXE O POETA CANTAR

Doutor, não cale o poeta,
Deixe o poeta cantar!

Mote de Zé de França

Seu doutor, não prive a fala
Que ecoa nas emoções…
Dos sofridos corações
Cujo a solidão faz sala.
Não cale aquele que cala
O sofrer e o penar…
De quem sofreu por amar
E foi taxado de pateta,
Doutor, não cale o poeta,
Deixe o poeta cantar!

Jr. Adelino

Deixe que as suas rimas
Sigam pela amplidão,
Que as cordas do bordão
Façam duetos com as primas.
Deixe falar sobre climas,
De sertão, agreste e mar,
Da beleza do luar,
Das orações do profeta.
Doutor, não cale o poeta,
Deixe o poeta cantar!

Wellington Vicente

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

DEU NO X

DEU NO JORNAL

NÃO É COM ÓRGÃOS E COMISSÕES QUE SE RACIONALIZA O GASTO PÚBLICO

Editorial Gazeta do Povo

editorial gasto público

Burocracia e máquina administrativa consome boa parte da arrecadação, prejudicando a oferta de serviços públicos

Em 20 de janeiro de 2012, a então presidente Dilma Rousseff editou um decreto que dava nova forma à Secretaria de Gestão Pública (SGP), vinculada ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Essa secretaria já havia existido com outros nomes e com estrutura e atribuições diferentes; a própria Dilma já havia criado, em 2011, um órgão similar com o nome de Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade (CGDC), vinculada diretamente ao Conselho de Governo, cujo objetivo central era focar suas ações na qualidade do gasto público e na eficiência administrativa.

O exemplo citado é um caso extremo de crença na burocracia para resolver um problema clássico da administração pública brasileira, mas a verdade é que todos os governos anteriores desde a redemocratização – Lula, Fernando Henrique, Collor e Sarney – também criaram algum órgão, programa ou grupo de trabalho com a missão de racionalizar e melhorar a eficiência do governo e a qualidade dos serviços e obras públicas. Depois de Dilma, os governos Temer e Bolsonaro também promoveram medidas similares, focadas em reduzir ou mudar órgãos, alterar funções e mudar algumas estruturas funcionais, ao lado de tentativas de reduzir ineficiências e aumentar a qualidade do governo. Era uma admissão, ainda que implícita, e vinda de governantes de matizes ideológicos diferentes, de que o Estado brasileiro entregava pouco ao cidadão em comparação com o que retirava dele em impostos.

Os resultados de tais esforços, porém, têm sido inexpressivos. O governo retira cerca de um terço de toda a renda nacional para oferecer serviços públicos como defesa, Justiça, segurança, educação, saúde e assistência social, além de investimentos em obras de infraestrutura física e social, tais como transportes, portos, aeroportos, energia, armazenagem, hospitais, escolas e equipamentos urbanos de uso coletivo. No entanto, com algumas poucas exceções resumidas a ilhas de excelência em algumas áreas, o retorno ao pagador de impostos brasileiro tem sido bastante pífio.

A baixa produtividade do gasto público, percebida quando se coteja a elevada carga tributária e os gastos em serviços e investimentos, tem como causa principal o fato de que, para cumprir as funções a cargo do governo, o setor estatal mantém uma gigantesca máquina envolvida nas tarefas de impor tributos, efetuar a arrecadação, operar a administração governamental e executar as obras e os serviços para os quais a sociedade paga os impostos. Quando a estrutura de governo é muito grande e cara demais, consumindo boa parte dos tributos pagos pela sociedade, os indicadores de eficiência e desempenho acabam revelando a baixa produtividade dos impostos, dando à população a convicção de que paga caro demais por obras e serviços de baixa qualidade.

Órgãos, leis, medidas administrativas e o modo de funcionamento do governo devem ser confrontados de forma permanente com sua organização, métodos de trabalho, fluxo de processos, racionalização de atividades e adoção de princípios de gestão científica na execução de atividades e projetos. Todos esses assuntos já fazem parte da rotina de empresas privadas por imposição da necessidade de enfrentar a concorrência e obter resultados positivos para crescer, investir, gerar empregos e pagar impostos. Como o governo não sofre as pressões típicas do mercado privado, a ineficiência se eterniza e isso, ao lado da alta corrupção, contribui para manter os índices de pobreza.

Outro ponto relevante a considerar é a necessária revisão sobre qual deve ser o papel do governo nas diversas áreas e setores, incluindo a questão da privatização de empresas estatais em áreas que o governo deve deixar a cargo da iniciativa privada. A revisão dos processos e a melhoria das funções e atos de governo devem ser constantes e ininterruptas, pois o gigantismo estatal brasileiro e alta carga de impostos já passaram do tamanho que pode ser considerado razoável.

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

CARTAS QUE ALERTAM E PREVINEM

Vivemos uma gigantesca crise social nos quatro cantos do mundo, afetando mais aquelas nações que se encontram recheadas de eleitores alienados, políticos patifes de todas as espécies, analfabéticos de nível superior, populistas disfarçados de democratas, governantes apadrinhando abertamente parentes e afilhados, um sistema educacional sem consistência humanística, uma classe média só desejando levar vantagem em tudo, além de canais televisivos que apenas exibem assaltos, feminicídios, novelostas e auditórios altamente ruminantes, para não falar de crendices recheadas de “se deus quiser” e “deus quis”, “sempre será” e “amanhã vai ser outro dia”, além de bets lotéricas engabeladoras que vitimam ainda mais as finanças dos todosfus.

Se eu fosse financeiramente abastados, enviaria para milhares de pessoas o último volume de uma coleção intitulada A CÓLERA DOS IMBECIS, editado em 2019, 423 p., elaborado por Olavo de Carvalho. um intelectual brasileiro conservador (1947-2022), que se autoproclamava filósofo e escritor, identificado como o principal ideólogo da nova direita brasileira e o “guru” do bolsonarismo. Seu pensamento era fortemente embasado no conservadorismo, no anticomunismo visceral, no liberalismo econômico e no catolicismo tradicional.

Apesar de ser um autodenominado reacionário, Olavo de Carvalho tinha um nível cultural bastante elevado e seus livros costumam conter recados e sugestões para os esquerdopatas de sempre, que se imaginam Donos Únicos da Verdade, fixados em ideologias há muitas e muitas décadas superadas, sem um mínimo de pós-modernidade.

Do seu livro último explicito, abaixo, algumas considerações dele, oportunas para sectários que não conseguem enxergar o panorama mundial como um todo. Ei-los, pedindo a vênia aos leitores amigos deste JBF sempre muito arretado de ótimo:

. “A luta de classe, no Brasil, não é entre operários e patrões. É entre o lumpenproletariat que Marx abominava e a maioria da população, especialmente a classe média, aí incluída uma boa parcela do operariado, senão ele todo.”

. “Como é possível que tantas pessoas, aparentemente racionais, amem e aplaudam os governos mais perversos e genocidas do mundo e se recusem a enxergar a liberdade e o respeito de que elas próprias desfrutam nas democracias ocidentais, ao mesmo tempo que continuam acreditando, com todas as evidências, que são moral e intelectualmente superiores aos que não seguem o seu exemplo.”

. “Houve uma época em que não se podia escrever sátira no Brasil porque tudo o que acontecia era satírico em si mesmo. Hoje tornou-se impossível escrevê-las porque tudo está passando rapidamente do ridículo ao deprimente, do deprimente ao aterrador.”

. “Pessoas normais podem superar seus erros porque apreciam a inteligência superior e desejam aprender com elas, ao passo que o imbecil genuíno não percebe superioridade nenhuma ou, quando a percebe, deseja achincalhá-lha ou exorcizá-la para libertar-se de toda obrigação de melhorar.”

. “A cultura pessoal é a condição primeira v e indispensável do julgamento objetivo. A incultura aprisiona as almas na subjetividade do grupo, a forma mais extrema do provincianismo mental.”

Tenhamos muito cuidado, neste ano eleitoral e de Copa do Mundo, com as fadigas que destroem sociedades democráticas: a Fadiga Civilizatória, a Fadiga da Criticidade, a Fadiga do Saber, a Fadiga do Pensar e a Fadiga da Resiliência Reestruturadora. Fadigas que hipnotizam os mais jovens, favorecem os demagogos, terminando por eleger mandatários que dão o dedo publicamente para quem deveria merecer o maior dos respeitos, a Gente Brasileira!!!

PENINHA - DICA MUSICAL

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