JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

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Comentárioa sobre a postagem SÓ ISSO???

Marcelo Agnuspoulin:

Essa Quaest, o proprietário, Felipe Nunes, foi estrategista político de Dilma (PT) e Fernando Pimentel (PT), em 2014.

O Banco Genial, com o qual a Quaest tem parceria, geria um fundo de investimento, do qual o PCC se utilizava para lavar dinheiro.

No final das contas, tem muita gente acreditando em pesquisas que podem estar sendo manipuladas, para favorecer políticos de interesse do crime organizado.

MAURINO JÚNIOR - SEM CRÔNICAS

A MÃE DO IDIOTA ESTÁ SEMPRE GRÁVIDA

Há frases que, de tão precisas, deveriam ser esculpidas em mármore e colocadas na entrada de todas as repartições públicas, parlamentos, assembleias, escolas, fóruns e — por que não? — nas portas das redes sociais, esse grande manicômio global sem muro nem enfermeiro.

Entre elas, a velha sentença que costuma circular como advertência e lamento:

“A mãe do idiota está sempre grávida.”

O mundo, afinal, parece uma imensa maternidade onde a cada hora nasce mais um cidadão determinado a provar que a ignorância é hereditária, multiplicável e, sobretudo, impávida.

Vivemos numa era em que a burrice deixou de ser um acidente e se tornou carreira, com direito a seguidores, hashtags, discursos inflamados e lives diárias em que o intelecto é frito em óleo grosso.

A Ciência fala — e é vaiada. Os fatos gritam — e são ignorados. Os especialistas alertam — e são chamados de elitistas, conspiradores, globalistas e todas as demais palavras terminadas em “-ista” que os imbecis colecionam como se fossem figurinhas de álbum.

E o mais fascinante: o idiota moderno não é apenas teimoso; ele é missionário.
Quer converter o planeta inteiro à sua gloriosa devoção ao nada.

O Idiota e a Política: Uma História de Amor doentio

Políticos? Ah, esses são apenas o capítulo intermediário da epopeia. A verdadeira genialidade está no eleitor que vota sem ler, sem pensar, sem saber, mas com a convicção fervorosa de um profeta. Ele não escolhe representantes — ele escolhe espelhos. E assim acaba elegendo exatamente aquilo que mais teme: versões ampliadas de si mesmo.

Depois reclama. Protesta. Bate panela. Publica textão. Mas na urna, age com a profundidade de um pires rachado.

O idiota político não deseja debate — deseja barulho. Não quer soluções — quer slogans. Não busca governança — busca guerra, desde que travada em comentários de internet, onde coragem é barata e coerência é supérflua.

O Idiota Anticiência: A Espécie Mais Barulhenta da Criação

Toda geração teve seus tontos, mas a atual tem um diferencial competitivo: Wi-Fi.
A internet deu megafone aos que, outrora, só tinham direito a falar com quem estivesse sentado na mesma mesa de bar e bêbado o bastante para ouvir. Agora os negadores da Ciência florescem como fungo em ambiente úmido.

Eles rejeitam vacinas, mas rezam para curas milagrosas. Negam a esfericidade da Terra, mas confiam no GPS do celular. Chamam pesquisadores de mentirosos, mas acreditam cegamente em vídeos feitos num porão com uma lâmpada queimada. Esses não apenas duvidam da Ciência — eles se ofendem com ela, como se a gravidade fosse um insulto pessoal.

O Fanático: Guardião do Nada com Orgulho

Há também aquele tipo raro, o fanático por bobagens — o gladiador da irrelevância. Ele se apega a detalhes minúsculos, a ídolos de papelão, a querelas medíocres e as defende com a ferocidade de um cão velho guardando um osso já sem gosto. Para esse, o debate não é exercício de razão — é exercício de fé. E fé mal direcionada, como sabemos, produz desastres: alguns históricos, outros apenas cômicos, mas todos igualmente inúteis.

E Enquanto Isso… a Mãe do Idiota Continua em Trabalho de Parto

A Terra gira, o Sol nasce, o Universo expande-se e, pontualmente, mais um idiota vem ao mundo acreditando que traz revelações inéditas, verdades revolucionárias, teorias inéditas que já foram refutadas antes mesmo de ele nascer. E a mãe dele — essa entidade metafórica e eterna — segue grávida, serena, prolífica, garantindo que a espécie continue, que a burrice se renove e que o espetáculo jamais acabe. Afinal, se o mundo fosse habitado apenas por pessoas sensatas, críticas, racionais… — talvez fosse um lugar melhor, sim. Mas, reconheçamos: seria infinitamente menos divertido testemunhar o absurdo cotidiano. E assim continuamos, equilibrando-nos entre a lucidez e a paciência, enquanto a humanidade segue em fila indiana para o berçário universal:

“Próximo! Mais um idiota recém-nascido! Pesa três quilos e já veio com opinião formada.”

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X

DEU NO JORNAL

OS CANCELADORES MAIS RÁPIDOS DO OESTE

Guilherme Fiuza

A crise da imprensa se revela no caso BBC: distorções passam sem escândalo, o público se fragmenta, o senso comum se perde e as redes substituem a mídia por julgamentos apressados

A crise da imprensa talvez seja mais profunda do que parece. A parte mais visível é óbvia: veículos tradicionais de comunicação usam sua credibilidade para fazer propaganda enganosa — como no caso recente da BBC, que editou uma fala de Donald Trump para tentar incriminá-lo. Já a parte menos visível da crise parece ter a ver com a forma como se consome informação hoje em dia.

A segmentação exagerada do público pode estar acabando com o que se chamava de senso comum. O caso da BBC, cuja gravidade deveria ter jogado sumariamente toda a imprensa no divã — e, consequentemente, sacudido a opinião pública —, o vento levou.

A tentativa de uma das maiores emissoras do mundo de interferir na eleição presidencial dos EUA, por meio de uma fraude grosseira (forjando uma tentativa de golpe de Estado), nem ganhou status de escândalo. Aparentemente, a parte expressiva do público que ainda confia no jornalismo tradicional (apesar de expedientes como esse) serve de anestésico para os absurdos.

O controle de qualidade da imprensa sempre veio da ressonância dos erros. Os tradutores da realidade não podiam aparecer, de jeito algum, como traidores do fato. Manchetes que afastassem o público da verdade eram o pecado do jornalismo — e, se fosse por má-fé, eram o pecado capital. Por que absurdos como esse da BBC, com relação a Trump, estão saindo tão barato? Porque o absurdo só é lido como verdadeiramente absurdo pela parte do público que já não confia em veículos como a BBC.

Para a parte que ainda consome a imprensa tradicional sem pulgas atrás da orelha, notícias envolvendo personagens como Trump — ou qualquer um dos vilões de plantão — já entram no seu radar com o selo da execração permitida (ou até desejada).

O sumiço do escândalo da BBC parece vir de uma licença pública para a distorção. Simplesmente, a cadeia da indignação e do repúdio não se fecha.

Ao mesmo tempo, algo estranho passou a acontecer com a parte do público que perdeu a confiança na mídia tradicional. A excessiva fragmentação das redes sociais — e a multiplicidade de fontes substitutas do velho jornalismo — trouxe a necessidade de uma nova espécie de opinião pública: as ondas autorreferentes.

Com a ausência da grande imprensa como referência do que seja verdadeiro no noticiário, o público passou a buscar o crivo em si próprio. Por um lado, esse fenômeno tem trazido um avanço democrático — com as viralizações e os resultados de trending topics se contrapondo e, eventualmente, corrigindo o rumo do noticiário.

Por outro lado, esse poder difuso de mobilização ampla e instantânea levou à disseminação de alguns venenos modernos. A tentação do julgamento apressado é um deles.

A coletividade, desprotegida pela ausência de uma grande imprensa confiável, desenvolveu mecanismos de autodefesa arriscados. A imediata adesão em bloco a uma tendência dominante de crítica pode ser anticorpo, mas também pode ser infecção — especialmente se ao julgamento apressado sobrevier a condenação sumária.

Claro que situações assim acabam ficando na faixa estreita entre a redenção e o linchamento. E o que se tornou uma arma democrática de autoproteção do consumidor moderno — pela denúncia, repúdio e boicote legítimo — vai ficando na fronteira dos movimentos obscuros da chamada “cultura do cancelamento”. No universo da mídia, o perigo de fuzilar primeiro e pensar depois é matar justamente quem poderia salvá-lo.

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

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