PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

PINTURA ADMIRÁVEL DE UMA BELEZA – Gregório de Matos

Vês esse sol de luzes coroado?
Em pérolas a aurora convertida?
Vês a lua de estrelas guarnecida?
Vês o céu de planetas adorado?

O céu deixemos; vês naquele prado
A rosa com razão desvanecida?
A açucena por alva presumida?
O cravo por galã lisonjeado?

Deixa o prado; vem cá, minha adorada:
Vês desse mar a esfera cristalina
Em sucessivo aljôfar desatada?

Parece aos olhos ser de prata fina?
Vês tudo isso bem? Pois tudo é nada
À vista do teu rosto, Catarina.

Gregório de Matos, Salvador-BA, (1636-1696)

DEU NO JORNAL

A ARTE BRASILEIRA DE COLOCAR TUDO DEBAIXO DO TAPETE

Jocelaine Santos

Ei, você sabe o que está acontecendo no Brasil? Ou é daqueles que acha que fingir que está tudo bem é a melhor estratégia para que um problema desapareça? Porque, no Brasil das realidades, como diria Guzzo, parece que todo mundo prefere a máxima de que “os olhos não veem, o coração não sente”. Nossa democracia morreu, somos governados por uma juristocracia, enterramos o devido processo legal e a Constituição? Melhor fingir que não sabemos de nada.

Há algumas semanas, a Gazeta do Povo revelou algo gravíssimo – ao menos, que seria gravíssimo se reportado em alguma democracia decente. A notícia de que no Brasil ninguém sabe quantas vozes foram caladas à força pelo Judiciário, quantos perfis e contas nas redes sociais foram varridos do mapa por conta de canetadas dos ministros supremos, faria tremer os poderes e chacoalhar as instituições no mundo civilizado.

Numa democracia, seria inadmissível que uma revelação assim passasse despercebida – como um dos poderes poderia simplesmente se furtar a prestar contas sobre uma ação de tal gravidade, como impor a censura a cidadãos protegidos pelas leis nacionais e internacionais sobre liberdade de expressão e pensamento? Poderia o Judiciário de algum país democrático se negar a informar a sociedade sobre suas ações, como omitir informações sobre quantas vezes e por quais motivos – se é que houve algum – obrigou uma rede social a excluir ou remover uma conta qualquer?

“Ah, mas por aqui não somos uma democracia”, dirão. E é verdade: poderes supremos mandam e desmandam no Brasil há um bom tempo; escolhem qual é a “direção correta”, fazem qualquer coisa – qualquer coisa mesmo – para nos “recivilizar”. No próximo ano, demonstrarão total zelo em fazer com que “votemos bem”. É esta, infelizmente, a realidade – temos personagens que jamais foram eleitos governando de fato o país e que se autocolocaram como salvadores da pátria, empurrando goela abaixo dos brasileiros o que bem entenderem.

Mas o pior mesmo é o silêncio quase sepulcral da sociedade, que assiste a tudo isso, percebe os rumos do país, mas continua inerte, fingindo que não há nada de errado. Como disse o articulista Edemir Bogesky von Schörner, no artigo A ditadura por escolha: o Brasil está renunciando à liberdade – e ao futuro, “o país caminha para um modelo de controle autoritário não por imposição, guerra civil ou por uma ruptura violenta, mas por decisão institucional, silenciosa e progressiva” – e não parece haver alguém disposto a fazer nada para evitar isso.

Denunciar os arbítrios – e são muitos – é só um primeiro passo e se torna inócuo quando não gera uma onda de indignação e, especialmente, ações concretas para colocar um ponto final nos abusos que temos vivido. A alternativa é permanecer inerte – e ajudar, com nosso próprio silêncio, a calar cada vez mais vozes no Brasil.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

TERESA PAIVA DE OLIVEIRA – NATAL-RN

Caríssimos leitores,

Tão somente após compreender ser o direito de retratação uma via de mão dulpa da qual jamais devemos esquecer que existe. Um povo sem o exercício da autocorreção e da misericórdia no futuro, inevitavelmente, torrnar-se-á uma sociedade em uma crise civilizatória cronificada.

Pois bem, no momento presente e usando de um espaço perfeitamente adequado para o exercício deste DEVER, a saber, no jornal do intelectual pernambucano Luiz Berto, escritor conhecido e reconhecido Brasil adentro e afora, a quem, de pronto, agradeço a gentileza de sempre. Reitero a honra de, neste instante, estar sendo mais uma vez editada pelo melhor e maior romancista da atualidade. No momento em que Berto cede espaço a esta escritora, minhas esmeraldas (ilustres personagens) dividem a bancada com ninguém menos que Alexandre Garcia, Jessier Quirino, Jesus de Ritinha de Miúdo, Rodrigo Constantino. Generosidade e partilha! Isso sim nos leva a crer em na humanidade mais uma vez.

Em 2024, assinei a autoria de uma obra com a vida de vinte médicos anônimos e devotados ao Sistema Único de Saúde Brasileiro. Intitulou-se Esmeraldas ao Vento.

Contrariando as recomendações dos Professores Francisco Nunes, Misael Dourado, Rafael Rosas, Irami Araújo Filho, Ariano José de Oliveira, Isabel Pinheiro de Almeida, André Luiz de Oliveira e dos para sempre queridos personagens mais jovens Marina Rêgo, Ubitatan Wagner e Wender Batista, deixei de incluir no meio dos colegas homenageados, penso eu que senão a maior, mas uma das melhores e maiores referências de todos aqui citados e fonte inesgotável de inspiração para aqueles que com ele aprenderam a essência verdadeira da excelência, da técnica e da responsabilidade com a metodologia científica aplicada aos casos concretos.

O Professor Dr. Abires Arruda Júnior é o cirurgião que, por falta de atenção ou insistência desta escritora, esteve à margem da publicação, mesmo estando imerso no coração dos seus.

Preâmbulo à parte, segue o texto que deveria ter sido ao Dr. Abires dedicado foi escrito da mesma forma pela qual fizemos o do Professor Francisco Nunes, no eu lírico dele.

Lá vai:

* * *

Adentro o centro cirúrgico como quem atravessa um templo silencioso, carrego nos olhos a calma de quem conhece o corpo humano como um sacrário inviolável, por assim dizer. Há rumores afirmando a precisão de minhas mãos, a segurança de minhas condutas. Não sei! Apenas tenho consciência dos meus anos de estudo, alguns poucos reconhecimentos e uma habilidade um tanto peculiar: a de enxergar antes de toda e qualquer incisão, um coração acelerado a clamar por abrigo uma uma alma desnudada para além do corpo diante de minhas limitações e genialidades. O avesso no concreto e no abstrato, literalmente!

O Professor Francisco Nunes, certa feita, disse em publico que seria eu um remomado cirurgião em minha área de atuação, todavia, malgrado sentir-me lisonjeado por tamanha deferência, peço a Deus que vaidades fugazes sejam menores que a magnitude da técnica e da tática, irrelevantes perante à humanidade presente em meus gestos, invisíveis disnte da certeza de minha humanidade e do reconhecimento de minha impotência.

O medo faz tremer o corpo, acelera a frequência respiratória. As fragilidades aparecem em cada paciente, em cada familiar, aparecem também em mim. Sou humano!

Nessas horas, aprendi com os antigos ser comum oferecer um copo de água comaçúcar, mas prefiro oferecer palavras convertidas em versos, sonoridade materializada nas rimas, poesias simples falando de manhãs claras, de rios que seguem apesar das pedras, de gente especialista em se refazer.

A ansiedade, aos poucos, encontra um ritmo mais lento, embala-se na cadência de minha voz que jamais ordena, acolhe. A poesia, ali, não é adorno — é anestesia da alma.

E assim, entre bisturis e metáforas, costuro mais do que tecidos: teço confiança. Em cada cirurgia, um encontro comigo mesmo e com o ofício que escolhi exercer até o final dos meus dias, em cada poema, a certeza de que a ciência pode até querer ser exata, mas não tem o direito de ser desumana.

Em cada alta assinada, meu paciente leva cicatrizes no corpo. Isso é fato! Mas a relevância maior de tudo isso é algo imenso e intenso tanto no mundo visível quando no invisível — a lembrança de ter sido cuidado por inteiro e a marca de minha alma para senpre tatuada naquela sutura que, para além de minha assinatura, é também minha história construída e escrita no corpo de todos aqueles que a mim confiaram não apenas suas vidas e seus corpos, mas, sobretudo, suas esperanças.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

A PALAVRA DO EDITOR

UM DOUTOR ARRETADO

Hoje, dia 18 de dezembro, meu querido amigo Maciel Melo, grande nome da música nordestina na atualidade, recebe o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Pernambuco.

Um fato que foi destacado pelo colunista fubânico Xico Bizerra, em postagem aqui no JBF:

PRA DOUTOR MACIEL

Não apenas cantador
Muito mais que um Poeta
Das palavras um esteta
Um caboco sonhador
É também um escritor
Pra ele tiro o chapéu
Eu falo de Maciel
Que agora é mais, é Doutor!

Canta a Paz e o Amor
Desde os tempos do sertão
Traz no peito o violão
Pra espantar toda dor
Mostra ao mundo seu valor
Aqui no chão e no céu
Eu falo de Maciel
Que agora é mais, é Doutor.

Me valendo do título de uma de suas brilhantes composições, eu afirmo que “Isso vale um abraço”, grande Maciel !!!!

Continue brilhando e fazendo sucesso.

Você merece! 

Este Editor com Maciel Melo, num evento musical em Recife

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ALEXANDRE GARCIA

DOSIMETRIA PASSOU NO SENADO

esperidião amin dosimetria

Esperidião Amin, relator do PL da Dosimetria no Senado

O governo não assume acordos, mas acho que acertaram algo com Donald Trump. Ele tirou Alexandre de Moraes da Magnitsky, para tirar o primeiro bode, e o governo ajuda depois; há outros bodes: as tarifas, os vistos americanos de ministros do Supremo… o governo não mexeu uma palha contra o projeto de lei da dosimetria, que é um primeiro passo para se chegar à anistia. Lula diz que, para examinar, “vai se aconselhar com Deus”, e Deus é justo e misericordioso.

* * *

Stanford mostra associação entre vacina de mRNA e miocardite

A Universidade de Stanford tem um estudo comprovando que as vacinas com base no tal mRNA, aquelas que mexem com a genética, podem causar inflamação no músculo cardíaco, ou seja, miocardite. É perigosíssimo: se o músculo do coração parar de comprimir e soltar, a pessoa morre. Isso é algo que a prática já vinha demonstrando, mas agora está sendo estudado por cientistas de universidades renomadas como Stanford.

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STF insiste em ignorar conceitos básicos de interpretação de texto no marco temporal

Eu estava conversando com duas professoras de Português a respeito da falta de aprendizado que chegou ao Supremo, a incapacidade de perceber qual é o tempo de um verbo. A Constituição, no artigo 231, diz que “são de propriedade dos indígenas as terras que tradicionalmente ocupam” – é presente do indicativo, terceira pessoa do plural. Presente do indicativo é aquele momento; não é nenhum presente continuado, que seria o gerúndio, é aquele momento específico. Não diz “que tiverem ocupado” ou “que vierem a ocupar” – um se refere a um tempo passado; o outro, a um tempo futuro. Não, a Constituição usa o presente. E qual é o presente da Constituição? É o dia em que ela foi promulgada: 5 de outubro de 1988.

Mesmo assim estava havendo dúvidas. Por causa disso, fizeram uma lei, e agora o Supremo decide dizer que a lei é inconstitucional, ainda que ela estivesse baseada na Constituição. Quer dizer que a Constituição é inconstitucional? Nem o Congresso pode mudar certas cláusulas da carta magna; e o Supremo, que é o guardião da Constituição, não preserva nada: está alterando o texto, colocando o verbo em um tempo diferente do presente do indicativo. E isso traz completa insegurança fundiária. Não sei se foi por isso que temos 10 milhões de toneladas a menos previstas para o ano que vem, no agro.

O Senado, por sua vez, se prevenindo e sabendo que isso estava em marcha lá no Supremo, tratou de aprovar uma emenda à Constituição para deixar ainda mais claro isso, que o marco temporal é 5 de outubro de 1988. Essa nova redação do artigo 231 já foi aprovada no Senado, só falta a Câmara votar duas vezes, aprovar e acabar com a insegurança fundiária, que gera insegurança econômica.

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Quatro em cada dez brasileiros acham que a economia piorou

Em uma pesquisa da Genial/Quaest, 38% dos pesquisados dizem que a economia brasileira piorou; só 28% dizem que melhorou. Além disso, 57% acham que em novembro os alimentos ficaram mais caros em relação a outubro. Alimento é produção da terra, produção do agro. Percebam como esse país parece que trabalha contra si próprio. Temos de pensar nisso no ano que vem, quando seremos chamados para eleger nossos representantes. Eu sei que vão me dizer “mas eu não sei se o meu voto vai ser contado”. Pois é, essa é uma outra questão que ainda não está resolvida.

DEU NO X