Caríssimos leitores,
Tão somente após compreender ser o direito de retratação uma via de mão dulpa da qual jamais devemos esquecer que existe. Um povo sem o exercício da autocorreção e da misericórdia no futuro, inevitavelmente, torrnar-se-á uma sociedade em uma crise civilizatória cronificada.
Pois bem, no momento presente e usando de um espaço perfeitamente adequado para o exercício deste DEVER, a saber, no jornal do intelectual pernambucano Luiz Berto, escritor conhecido e reconhecido Brasil adentro e afora, a quem, de pronto, agradeço a gentileza de sempre. Reitero a honra de, neste instante, estar sendo mais uma vez editada pelo melhor e maior romancista da atualidade. No momento em que Berto cede espaço a esta escritora, minhas esmeraldas (ilustres personagens) dividem a bancada com ninguém menos que Alexandre Garcia, Jessier Quirino, Jesus de Ritinha de Miúdo, Rodrigo Constantino. Generosidade e partilha! Isso sim nos leva a crer em na humanidade mais uma vez.
Em 2024, assinei a autoria de uma obra com a vida de vinte médicos anônimos e devotados ao Sistema Único de Saúde Brasileiro. Intitulou-se Esmeraldas ao Vento.
Contrariando as recomendações dos Professores Francisco Nunes, Misael Dourado, Rafael Rosas, Irami Araújo Filho, Ariano José de Oliveira, Isabel Pinheiro de Almeida, André Luiz de Oliveira e dos para sempre queridos personagens mais jovens Marina Rêgo, Ubitatan Wagner e Wender Batista, deixei de incluir no meio dos colegas homenageados, penso eu que senão a maior, mas uma das melhores e maiores referências de todos aqui citados e fonte inesgotável de inspiração para aqueles que com ele aprenderam a essência verdadeira da excelência, da técnica e da responsabilidade com a metodologia científica aplicada aos casos concretos.
O Professor Dr. Abires Arruda Júnior é o cirurgião que, por falta de atenção ou insistência desta escritora, esteve à margem da publicação, mesmo estando imerso no coração dos seus.
Preâmbulo à parte, segue o texto que deveria ter sido ao Dr. Abires dedicado foi escrito da mesma forma pela qual fizemos o do Professor Francisco Nunes, no eu lírico dele.
Lá vai:
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Adentro o centro cirúrgico como quem atravessa um templo silencioso, carrego nos olhos a calma de quem conhece o corpo humano como um sacrário inviolável, por assim dizer. Há rumores afirmando a precisão de minhas mãos, a segurança de minhas condutas. Não sei! Apenas tenho consciência dos meus anos de estudo, alguns poucos reconhecimentos e uma habilidade um tanto peculiar: a de enxergar antes de toda e qualquer incisão, um coração acelerado a clamar por abrigo uma uma alma desnudada para além do corpo diante de minhas limitações e genialidades. O avesso no concreto e no abstrato, literalmente!
O Professor Francisco Nunes, certa feita, disse em publico que seria eu um remomado cirurgião em minha área de atuação, todavia, malgrado sentir-me lisonjeado por tamanha deferência, peço a Deus que vaidades fugazes sejam menores que a magnitude da técnica e da tática, irrelevantes perante à humanidade presente em meus gestos, invisíveis disnte da certeza de minha humanidade e do reconhecimento de minha impotência.
O medo faz tremer o corpo, acelera a frequência respiratória. As fragilidades aparecem em cada paciente, em cada familiar, aparecem também em mim. Sou humano!
Nessas horas, aprendi com os antigos ser comum oferecer um copo de água comaçúcar, mas prefiro oferecer palavras convertidas em versos, sonoridade materializada nas rimas, poesias simples falando de manhãs claras, de rios que seguem apesar das pedras, de gente especialista em se refazer.
A ansiedade, aos poucos, encontra um ritmo mais lento, embala-se na cadência de minha voz que jamais ordena, acolhe. A poesia, ali, não é adorno — é anestesia da alma.
E assim, entre bisturis e metáforas, costuro mais do que tecidos: teço confiança. Em cada cirurgia, um encontro comigo mesmo e com o ofício que escolhi exercer até o final dos meus dias, em cada poema, a certeza de que a ciência pode até querer ser exata, mas não tem o direito de ser desumana.
Em cada alta assinada, meu paciente leva cicatrizes no corpo. Isso é fato! Mas a relevância maior de tudo isso é algo imenso e intenso tanto no mundo visível quando no invisível — a lembrança de ter sido cuidado por inteiro e a marca de minha alma para senpre tatuada naquela sutura que, para além de minha assinatura, é também minha história construída e escrita no corpo de todos aqueles que a mim confiaram não apenas suas vidas e seus corpos, mas, sobretudo, suas esperanças.
Gratíssimo pela generosa apreciação que você fez sobre este modesto editor, minha querida leitora.
Ganhei o dia com essa!!!!
Um xêro nordestino!!!
Um imenso prazer ler Teresa. Apareça, querida!
Estamos saudosos.
Estamos com você, Teresa, como sempre estaremos.
Excelente leitura, um deleito de magia digno de um personagem humano e cumprindo c seu ofício terreno.