DEU NO JORNAL
PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA
CARAVELAS – Florbela Espanca
Cheguei a meio da vida já cansada
De tanto caminhar! Já me perdi!
Dum estranho país que nunca vi
Sou neste mundo imenso a exilada.
Tanto tenho aprendido e não sei nada.
E as torres de marfim que construí
Em trágica loucura as destruí
Por minhas próprias mãos de malfadada!
Se eu sempre fui assim este Mar-Morto,
Mar sem marés, sem vagas e sem porto
Onde velas de sonhos se rasgaram.
Caravelas doiradas a bailar…
Ai, quem me dera as que eu deitei ao Mar!
As que eu lancei à vida, e não voltaram!…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)
DEU NO X
GLOBO DIVULGANDO PESQUISA DATAFOLHA. PODES CRER
Globonews anunciando que pesquisa Datafolha apresenta a Direita como MAIORIA no país.
Glo-bo e Da-ta-fo-lha. pic.twitter.com/De3cIKgCAV
— Paulo de Tarso (@paulodetarsog) December 26, 2025
CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA
OS DONOS DA AVENIDA
Em 1918, terminou a Primeira Guerra Mundial. Alagoas não foi à Guerra, mas um filho seu, valoroso guerreiro, o então prefeito de Maceió, Firmino Vasconcelos comemorou com três dias de festas a Paz Mundial. O povo dançou e bebeu na Praia do Aterro, no centro da cidade. Maceió é talvez a única capital que tem praia no centro, no início da Rua do Comércio.
Durante o discurso, emocionado e empolgado com as doses de cachaça, das boas, que distribuiu para o povo, o alcaide prometeu que ali, naquela praia do aterro, extensa areia branca, construiria uma urbanização e daria o nome de Avenida da Paz. Como o prefeito era cabra decente, diferente desses de hoje, que fazem mil promessas e depois esquecem, logo cumpriu a promessa.
Duas calçadas paralelas, uma junto à pista de calçamento, outra do lado da praia; jardins gramados com desenhos arabescos, bancos de concreto e postes de ferro trabalhado, beleza de arte da Fundição Alagoana. Quando anoitecia, o acendedor de lampião iluminava a bela Avenida.
Tempos depois, o médico e poeta Jorge de Lima, morador da Praça Sinimbú, vizinha à Avenida da Paz, inspirou-se naqueles momentos para construir um dos mais belos poemas da língua portuguesa:
O ACENDEDOR DE LAMPIÃO
Lá vai o acendedor de lampião da rua!
Este mesmo que vem infatigavelmente
Parodiar o sol e associar-se à lua
Quando a sombra da noite enegrece o poente!
Em 1927, o prefeito de Maceió era o competente Amphilóphio Melo- como poeta, Jaime de Altavila- construiu o imponente e belo coreto e ampliou a urbanização da Avenida da Paz. Além de excelente administrador, Jaime de Altavila, morador da Avenida, era um dos grandes intelectuais de Alagoas. Entre tantos poemas, nos deixou esse legado:
SOBRE A AREIA DA PRAIA
Minha terra possui sete léguas de Praia
Que El’Rei doou por alvará
Sete léguas de renda e de cambraia
Por sobre a faixa verde dos coqueirais…
Após a Revolução de 1930, devido à pressão, o prefeito Abdon Arroxelas mudou o nome da Avenida da Paz para Avenida Duque de Caxias, e por muito tempo ela assim foi denominada. Mas o povo, que é sábio, continuou chamando-a de Avenida da Paz. No final dos anos 80, o vereador, batalhador, Ênio Lins conseguiu aprovar projeto na Câmara de Vereadores, retornando o nome antigo, definitivamente, para Avenida da Paz.
Nos anos 1940-1950, a elite alagoana descobriu a beleza da Avenida da Paz, que passou a ser moradia de comerciantes, industriais, intelectuais, políticos, militares, comunistas, famílias tradicionais, aventureiros, usineiros; davam um tom eclético entre moradores. \muitos investidores, compraram e construíram mais de uma dezena de casas e bangalôs. Era o grande locatário.
Apesar de tantas figuras cheias de saberes e poderes, éramos nós, os moleques de praia, adolescentes seminus, queimados de sol e sal, os verdadeiros donos da Avenida.
Ao acordar, vestíamos o calção de banho, direto para o mergulho matinal naquele mar azul turquesa. Se havia aula, depois do café, pulava no estribo do primeiro bonde, viajava em pé até o casarão do Colégio Diocesano. Na parte da manhã, aprendia as lições dos Irmãos Maristas. À tarde não havia aula, retornávamos à praia ou ao Riacho Salgadinho, com água cristalina, pescávamos de tarrafa, tomava banho no riacho.
Moleques de praia, depois de jogarmos futebol na areia, nadávamos até perto dos navios fundeados esperando vagas para atracar. Gritávamos pedindo cigarro. Os passageiros jogavam os maços, agarrávamos com cuidado para não molhar. Ao voltar, fazíamos um roda no coreto, fumávamos os cigarros lançados pelos passageiros.
À noite, o calçadão da Avenida era uma festa: jogar ximbra, pião, garrafão, gata parida, bicicleta, patins. Éramos os donos da Avenida. Donos do Mundo.
DEU NO X
TENHA CUIDADO…
DEU NO JORNAL
UM ANO QUE AINDA NÃO ACABOU
Marcel van Hattem
Sexta-feira, 26 de dezembro de 2025, e o ano definitivamente ainda não acabou. Marcada para a próxima terça-feira, 30 de dezembro, a acareação determinada de ofício pelo ministro do STF Dias Toffoli entre o dono do banco Master, Daniel Vorcaro, um diretor do Banco Central, Ailton de Aquino, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) continuará sendo motivo de notícias na última semana do ano. E será por motivos nada republicanos.
A corrupção e fraude do banco Master são daquelas tão grandes que, por atingirem potencialmente tanta gente poderosa, pode derrubar a república. Ou, melhor: já dão motivos suficientes para duvidarmos que, de fato, vivamos em uma república. O contrato de quase R$ 130 milhões firmado entre o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e a instituição financeira fraudulenta, é peça principal deste enredo, revelado pela imprensa também nesses últimos dias do ano: o marido poderoso da contratada teria pressionado o representante máximo da autoridade monetária nacional, o presidente do Banco Central Gabriel Galípolo, para que autorizasse o negócio entre o contratante Master e o banco estatal BRB.
As notas de parte a parte, tanto de Alexandre de Moraes como do Banco Central, foram insuficientes: não desmentem categoricamente as matérias jornalísticas quanto à existência de encontros e ligações entre Moraes e Galípolo, nem excluem a possibilidade de que, de fato, tenha ocorrido algum tipo de pressão. Mais: a atitude de Dias Toffoli de marcar a acareação entre representantes do BC, BRB e Master em pleno recesso, em um processo que tramita em sigilo absoluto na Corte, aumenta as suspeitas de que os investigadores têm mais a temer do que os próprios investigados.
A pergunta que a grande imprensa brasileira – excetuados poucos jornalistas e meios dentre os quais esta Gazeta – finalmente começa a se perguntar é como chegamos a este ponto e se é possível o país continuar convivendo com este nível de corrupção e arbitrariedade no Supremo Tribunal Federal. Os editoriais e artigos de opinião variam entre uma afetada ingenuidade envergonhada até ao cinismo explícito da justificação das ilegalidades e abusos de Moraes contra a direita brasileira como necessários mas, agora? Chega.
Não se esconde, portanto, que os abusos do STF durante os últimos seis anos, desde a abertura dos inquéritos ilegais, foram todos perpetrados com a finalidade de perseguição política, pura e simples. Porém, assim como foi utilizada como justificativa para a abertura dos primeiros inquéritos ilegais a matéria da Crusoé sobre as propinas da Odebrecht que teriam supostamente chegado a Dias Toffoli – o “Amigo do Amigo do meu Pai” -, é também para a autoproteção de potenciais ilegalidades dos altos escalões da nem-tão-república que se está a dar continuidade a esse modus operandi judicial de exceção.
A perseguição política que tantos aplaudiram como justificável para os excessos da Corte é na verdade para parte relevante da elite no poder apenas um subterfúgio para um objetivo muito maior: a ação nas sombras e sem nenhum tipo de controle sobre as suas próprias atividades ilícitas. O despertar tardio de parte da imprensa e da opinião pública a esse fato não deixa de ser salutar, mas a dificuldade para reverter a situação criada será tão grande quanto o poder amealhado em demasia em tão pouco tempo por quem deixou de fazer justiça para cuidar prioritariamente de seus próprios interesses.
DEU NO JORNAL
LADROAGEM
A CPMI que investiga a ladroagem no INSS encerra o ano como uma das que mais recebeu requerimentos.
Nos poucos meses de funcionamento e investigação, já são quase 3 mil pedidos protocolados.
* * *
Uma quantidade de pedidos proporcional ao tamanho da ladroagem.
Aguardemos pra ver o que vai dar no final.
DEU NO JORNAL
DEU ATÉ NA FOLHA…
CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA
CALENDARIANDO
Calendário de folhinhas
Depois das festas dezembrinas há, em muitos de nós, uma busca intensa por um utensílio, até decorativo, que facilite nossa orientação. Tem tanto valor quanto o relógio. Torna-se elemento de grande utilidade nas residências e escritórios: o calendário.
E qual a origem da denominação: calendário e os porquês de sua adoção pela humanidade?
A palavra “calendário” se origina do latim: calendarium, que significava o “Livro de Contas”; ou seja aquele onde se atualizavam os pagamentos e recebimentos, começando no primeiro dia de cada mês e agrupando-se os demais, em sequência matemática.
Daí vem a ideia de um registro do tempo: o “Livro de Contas” organizado. Na sequência, passou-se a registrar as estações e os ciclos naturais, havendo a necessidade de se controlar o tempo através de cadernos, que foram sendo adotados, não somente pelos homens de negócio, mas pelas escolas e famílias.
Nos tempos de meu avô circulavam nas casas de família e escritórios, as “Folhinhas”. Eram calendários sui-generis apresentados em um pequeno bloco, com 365 páginas que a cada dia, eram retiradas do bloquinho, aparecendo nova data.
Vivi o tempo em que nos finais de ano a gente comparecia às livrarias para comprar um bloco de “Folhinhas”, e nas farmácias das quais éramos clientes, recebíamos gratuitamente o “Almanaque Capivarol”.
Almanaque Capivarol
O almanaque era uma publicação distribuída pela indústria do tônico farmacêutico “Capivarol”, que era fabricado com o óleo da gordura de um animal chamado capivara e servia para alívio de qualquer dor. O produto não faltava na “farmacinha” que havia na casa dos meus pais.
Mamãe – sempre brincalhona – costumava dizer que o elixir “Capivarol” eliminava até “dor de corno”.
O folheto era bastante atrativo porque continha informações sobre curiosidades, receitas domésticas, horóscopos, ditos populares e anedotas, servindo como um documento cultural da mais alta valia para colecionadores e a própria História de cada região do Brasil.
O tempo e a evolução dos meios de comunicação, porém, não fizeram desaparecer, de todo, os calendários, que passaram a ser adaptados à modernidade.
Compramos, em 1961, um marcador eletrônico, de cabeceira, um rádio-relógio calendário “Philco” – que indicava a data e a hora, além de servir como despertador musical.
Rádio-relógio “Philco”
Ainda hoje tenho o cuidado de obter, junto ao meu Banco, um desses calendários de propaganda, onde a gente pode ir passando as folhas, mês a mês.
Outro dia, nas minhas buscas, encontrei os porquês dessa tão útil peça e descobri, através de vários livros, que calendários de papel existem desde os tempos antigos; ou seja: há mais de 400 anos e jamais caiu de moda.
Os Sumérios, 2.700 anos antes de Cristo, se orientavam com calendários lunares, que foram aprimorados por Caldeus e pelos Egípcios, que inventaram um outro, o lunar, mais preciso, até que surgiu o Calendário Gregoriano, instituído pelo Papa Gregório XIII, em 1582.
O mesmo sacerdote, considerado um sábio, aperfeiçoou o Calendário Juliano, em 1582, criando o sistema atual, para aproximar o ano civil do ano solar, com regras precisas para os anos bissextos.
Assim, cheguei à conclusão que na versão utilizada globalmente, o calendário atual é um legado de diversas civilizações.
Em suma, a contagem dos dias que formaram o calendário atual, ocorreu há 440 anos. Faz muito tempo que desejo divulgar estes fatos com meus leitores e contar aos meus bisnetos.
Por isso, estivemos juntos, aqui, “calendariando”.
PENINHA - DICA MUSICAL




