DEU NO JORNAL
HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE
NAS CINZAS DO FIM DO MUNDO
Hoje as nuvens denunciam
Que no céu há explosão
Humanos se digladiam
Nação combate nação.
A estupidez humana
Embrutecida e insana
Do poço chegou ao fundo…
Em meio a tanto estampido
Arde o amor abatido
Nas cinzas do fim do mundo.
Cheiro de morte na esquina
Onde o amor não prospera
Cresce o ódio entre a ruína
O corpo se dilacera.
Irã ataca Israel
Línguas de fogo no céu
Assassinam num segundo…
Morre a paz de uma criança
Queima os restos da esperança
Nas cinzas do fim do mundo.
DEU NO X
ABRASILULEIRAR O PREÇO
Quantas vezes alguém precisa prometer a mesma coisa antes de você parar de acreditar? pic.twitter.com/oEO0ZdP4ZB
— Julio Schneider 🇧🇷🇺🇸 (@juliovschneider) March 20, 2026
LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA
BRACHINASIL
DEU NO JORNAL
POSTURA
CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA
APARELHAMENTO VENENOSO
Aparelhamento político
Entende-se por aparelhar: equipar um escritório, um veículo de transportes, introduzir pessoas com capacidade para a execução de determinadas tarefas ou organizar estruturas amplas, a fim de se cumprir a execução de determinado planejamento, sem tempo estipulado.
Nos dias atuais se define como a contratação de pessoas no Serviço Público Federal – notadamente – sem a devida prestação de concursos de provas, criando cargos de assessoramento temporários e que acabam se tornando definitivos.
Via de regra se tornou o aparelhamento de pessoas nos serviço público – nas três esferas de poder – venenosa norma para dar suporte “ideais partidários”, a fim de perpetuar políticos em determinados cargos e ampliar sua hierarquia, transferindo poderes a filhos e netos.
E, como prova incontestável, sem mácula, temos o exemplo de um ilustre Senador pela Bahia: Antônio Carlos Magalhães, que elegeu o filho: Luiz Eduardo Magalhães, Deputado Federal e um neto, Antônio Carlos Magalhães Neto, que se iniciou como Prefeito da Capital.
É bem verdade que o caso representa a força do voto, o valor das pessoas e as realidades do momento. Nada contra!
Todavia, qualquer Presidente da República que for assumir o cargo em nossos dias, pode estar certo de que a sua tarefa mais difícil será o desaparelhamento partidário, porque é um vírus venenoso que está entranhado na administração pública brasileira.
Ou seja, vivemos na eterna luta contra a praga incrustada há várias décadas: o aparelhamento venenoso.
DEU NO JORNAL
GUERRA FAZ COPOM TATEAR NO ESCURO
Editorial Gazeta do Povo
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu pelo corte mínimo na taxa Selic, de 0,25 ponto porcentual, para 14,75% ao ano, em sua reunião encerrada na quarta-feira. O mercado financeiro dava como certo um corte de meio ponto, até que estourou a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, com todas as suas consequências econômicas sentidas mundialmente, especialmente com a disparada do preço do petróleo. Assim que o conflito começou, ficou evidente que já não havia condições para a redução inicialmente prevista. Assim, o corte de 0,25 ponto apareceu como o afrouxamento possível – embora uma decisão que mantivesse os juros em 15% ao ano não fosse de todo absurda; foi o que fez, por exemplo, o Fed, o banco central norte-americano, que manteve seus juros na faixa de 3,5% a 3,75%, apesar das reclamações de Donald Trump.
Em sua linguagem habitualmente polida, o Copom afirma que o “ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais”, um cenário que “exige cautela” devido a “efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil”. Petróleo em alta significa energia e combustíveis mais caros, o que por sua vez encarece, em maior ou menor grau, inúmeros outros produtos e serviços, especialmente os que dependam de transporte terrestre para sua distribuição, além de outros itens, como passagens aéreas. O resultado é um repique da inflação, que a política contracionista do BC havia conseguido ao menos trazer para dentro da banda de tolerância da meta para o IPCA.
Ninguém sabe, no entanto, quanto tempo a guerra durará, nem se os Estados Unidos e Israel conseguirão seus objetivos (a bem da verdade, não há muita clareza nem mesmo sobre quais seriam esses objetivos, que variam da aniquilação da capacidade nuclear iraniana a uma mudança de regime); tampouco há como prever se e quando os norte-americanos e seus aliados conseguirão liberar a passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, o que já aliviaria bastante a pressão sobre os preços do petróleo. Neste ambiente de incerteza total, o Copom optou pelo corte mínimo em vez da manutenção da Selic, afirmando que “o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica”, evidenciada pelo PIB zerado do segundo semestre de 2025.
De forma prudente, desta vez o Copom escolheu não antecipar nada a respeito do que pode decidir na próxima reunião, no fim de abril. Limitou-se a dizer que é necessário “serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”. De fato, não há como prever nada nas atuais circunstâncias, pois não sabemos se estamos diante de um choque temporário ou se a guerra, tenha que desfecho tiver, deixará alguma marca permanente, por exemplo com um novo patamar para os preços internacionais do petróleo.
Nisso tudo, só uma coisa é certa: se os juros estão altos no Brasil, não é por causa dos “tiros que o Trump deu no Irã”, mas por causa da bomba atômica fiscal que Lula armou para as contas públicas brasileiras. Sua gastança sem limites tem resultado em déficit público (para o qual os R$ 30 bilhões de seu pacote para segurar o preço do diesel contribuirão) e disparada da dívida pública como porcentagem do PIB, indicadores que resultam em “expectativas desancoradas” e “projeções de inflação elevadas”, dois dos principais fatores que provocam a elevação dos juros. O Copom “segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros” e, se Lula pisar no acelerador do gasto público em ano eleitoral, nem uma paz rápida no Oriente Médio será capaz de jogar a Selic para baixo.
PENINHA - DICA MUSICAL
ROBERTO CARLOS
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
JOÃO FRANCISCO – RIBEIRÃO PRETO-SP
Está difícil para as mulheres encontrar homens para casar?
No carnaval é que não irão encontrar.
A população mundial vai diminuir drasticamente em uns 50 anos.
Quem casou, casou. pic.twitter.com/m3uO6nbGU3
— Tumulto BR (@TumultoBR) March 18, 2026
CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA
A MULHER DA CAPA PRETA
Adalberon cursava a Faculdade de Direito no Recife nos anos 50. Orgulhava-se de ser universitário, vestia-se bem, adorava se exibir. Fazia sucesso entre as garotas quando chegava a Maceió.
No último ano do curso, ele aproveitou as férias juninas. Foi convidado para uma festa de 18 anos muito badalada na sociedade alagoana. O pai da moça, um rico fazendeiro, morava numa bela casa na praia de Pajuçara. Decoração suntuosa, mesas espalhadas no quintal, muita bebida e comida. A Orquestra animava o aniversário de Margarida.
Os jovens dançavam no salão iluminado por um vistoso lustre. Adalberon bem vestido em seu terno; como chovia, ele levou sua capa preta longa, deixou-a pendurada no cabide na entrada.
Cumprimentou os donos da casa, a aniversariante, bebeu, comeu. A orquestra tocava uma bonita música quando Adalberon avistou uma jovem loura no canto da sala com olhares insistentes para ele. Num impulso caminhou em direção à bela moça de vestido cor de rosa. Aproximou-se; antes de ele convidá-la para dançar, a moça abriu os braços dizendo que já o esperava. Rodopiando o salão com um abraço, dançaram. Os dois se olhavam como se uma paixão momentânea houvesse surgido.
Ela se chamava Carolina, a melhor amiga de Margarida, a aniversariante. Ele se apresentou dizendo que no final do ano se formava em Direito no Recife. Carolina respondeu apertando a mão de Adalberon com sua mão fria. – “Eu já sabia!”.
O Rapaz ficou impressionado com a beleza pálida da jovem. Contou suas histórias e fanfarronice na Faculdade. Ela mostrou-se bastante interessada, juntou seu corpo, e assim ficaram dançando por muito tempo, mudos, apenas se afastando algumas vezes para se olharem. Caso de paixão fulminante. Certa hora, Carolina falou que devia ir para casa, tinha prometido chegar antes da meia-noite. Ele se ofereceu para levá-la. Na saída da casa apanhou a capa pendurada. Como a chuva era intensa, num gesto elegante, Adalberon cobriu sua companheira com a capa protegendo-a da chuva, correram em direção ao ponto de ônibus.
Tomaram o ônibus “Pajuçara–Trapiche da Barra”, estava quase vazio. Sentaram-se num banco do fundo, conversaram como se conhecessem há muitos anos. De repente Adalberon puxou o rosto de Carolina e deu um beijo ardente em seus frios lábios, percebeu que ela chorava. Continuaram aos beijos e abraços durante o resto do percurso.
Perto da Praça Afrânio Jorge, ela tocou a campainha, o ônibus parou, eles desceram. A jovem pediu para não acompanhá-la, morava perto, no dia seguinte devolveria a capa.
Adalberon seguiu-a com olhar até ela desaparecer na escuridão da rua, no oitão do Cemitério Nossa Senhora da Piedade.
Pela manhã o rapaz acordou-se com a figura de Carolina gravada na cabeça e no coração. Passou o dia pensando na jovem. Lembrou-se que não havia marcado hora com Carolina. Às sete horas da noite Adalberon estava na Praça olhando os passantes em busca de um vulto parecido com sua amada. Deu voltas no quarteirão, passou dezenas de vezes na rua em que ela desapareceu. Perguntou a algumas pessoas se conhecia Carolina. Até que uma senhora se assustou-se quando indagada, informou que ela havia morado naquela casa, apontando para um bangalô.
Adalberon encheu-se de coragem, bateu à porta. Atendeu uma senhora com aparência triste. Ficou trêmula e assustada quando o rapaz perguntou se Carolina estava em casa.
A velha mulher sentou-se numa cadeira da varanda e perguntou quem era o rapaz. Ele disse ser amigo de sua filha, contou como havia conhecido, não havia marcada encontro com ela, por isso estava procurando a jovem.
Adalberon arrepiou-se do dedo do pé aos cabelos da cabeça quando a triste senhora respondeu que no dia anterior tinha completado um ano de sua morte num desastre de carro. O marido da triste senhora ao ouvir a história, desmaiou na cadeira.
Quando acalmaram-se, os três resolveram ir ao cemitério. Entraram pela alameda principal até à capela, havia um velório noturno, uma família chorava seu morto. Desviaram para direita onde estava a sepultura de Carolina. Ao se aproximarem deu-se o inesperado assombro: a capa preta cobria o túmulo de Carolina. Os três emocionados ficaram no cemitério até mais tarde quando Adalberon retirou-se para casa. Só conseguiu dormir ao tomar oito doses de uísque conversando com o pai.
Contam no bairro que uma misteriosa mulher com vestido rosa perambula pelos arredores do cemitério depois da meia-noite. Muitos moradores do Prado e do Trapiche juram ter visto a mulher à noite circulando pelas ruas.
Anos se passaram desse acontecimento, o Doutor Adalberon todos os anos, cumpre a obrigação em colocar um buquê de rosas brancas e rezar no túmulo de Carolina, onde alguém colocou uma capa de mármore preto por cima da cruz.
A lenda se alastrou na cidade.
O boêmio e carnavalesco, Marcos Catende, morador da região organizou um bloco carnavalesco. Durante o Carnaval o “Bloco da Mulher da Capa Preta” desfila pela cidade, arrastando multidão, com dispersão em frente ao Cemitério.



