LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PIXOTE – LIMEIRA-SP

Senhor editor:

Está cumprida minha obrigação para com o melhor jornal do Brasil.

Segue o comprovante do depósito

Sucesso sempre para o nosso site, minha página predileta.

Um grande abraço.

R. Ótimo rever você por aqui, caro leitor fubânico.

Gratíssimo pela doação.

A generosidade de vocês é que mantém esta gazeta escrota avuando pelos ares, cobrindo as despesas que temos com a empresa Bartolomeu Silva, que nos hospeda e dá suporte técnico.

A secretária de redação Chupicleide está relinhcnao de felicidade, se preparando para cair na gandaia no final do expediente, nesta sexta-feira de sol aqui no Recife.

Ela manda um beijo para os fubânicos que fizeram suas generosas doações nos últimos dias.

E, pra fechar a postagem e alegrar nosso dia, uma gostosa roda de choro!

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

ALEXANDRE GARCIA

VORCARO VAI ENTREGAR ATÉ QUEM PODERÁ JULGÁ-LO DEPOIS?

daniel vorcaro delação

Daniel Vorcaro pode negociar delação premiada no caso Master

Se Daniel Vorcaro fizer uma delação premiada, a grande pergunta é: qual seria sua atitude? Que garantias ele terá, se tiver de mencionar pessoas que vão julgá-lo, o procurador-geral da República, ministros do Supremo, essas ligações que todos já conhecem. Ou se tiver de falar de Davi Alcolumbre, Hugo Motta, políticos que ele mencionava nas conversas com a namorada… É um dilema: “eu entrego, mas depois ele acaba comigo na hora do julgamento”. É difícil.

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CPMI confirmou que Vorcaro mandou mensagens para celular funcional do STF no dia em que foi preso

Como deve ser difícil para o Supremo, agora, atender ao ofício do presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana, sobre o número de telefone para o qual Vorcaro mandou mensagens o dia inteiro quando foi preso pela primeira vez. As respostas desse número se apagavam depois de serem vistas, porque quem estava usando esse número tomou o cuidado de capturar a tela com um texto feito em bloco de notas, e depois mandar a mensagem na condição de ter uma única visualização. Então, quem mandou queria esconder a mensagem.

Esse número para o qual Vorcaro mandou tantas mensagens foi identificado como um telefone funcional do Supremo, que é distribuído a ministros. Então agora a CPMI pediu que o STF informe qual ministro estava naquele dia com aquele telefone. Não sei como o Supremo vai sair dessa, já que na quinta-feira homenagearam Alexandre de Moraes por estar completando nove anos na corte, e o próprio Edson Fachin já se referiu a Moraes como “intimorato”, ou seja, sem medo.

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Depoimento de ex-namorada de Vorcaro não pode servir de distração

Estão anunciando a presença de Martha Graeff, ex-namorada de Vorcaro, na CPMI do INSS e na CPI do Crime Organizado, talvez de forma remota. Muito cuidado com isso, porque pode servir para desviar as atenções. Ninguém está investigando Martha, ninguém quer saber com quem Vorcaro dormiu, com quem namorou, com quem fez festa, com quem conversou. O que interessa são detalhes, como quando ela reclamou: “você não está me dando atenção hoje, está sendo meio frio nessa ligação”, e ele respondeu “Não, é que estou recebendo aqui o Hugo, o Ciro e o Alexandre”.

São essas coisas que ela pode ajudar a esclarecer. Queremos saber se autoridades da República foram às festas em Trancoso, queremos saber para que servir o contrato de R$ 129 milhões, queremos saber dos negócios com o Tayayá. E o advogado de Vorcaro disse que ele tem muito mais a contar além do que já foi descoberto. Não caiam nessa de “Martha Graeff não sei o quê”, porque isso não é importante; isso é acessório, tanto que ela vai depor como testemunha. Isso é só um caminho para se chegar à corrupção da grossa, da grande.

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Trump compara surpresa no ataque ao Irã com Pearl Harbor

Donald Trump recebeu na Casa Branca a primeira-ministra do Japão, a conservadora Sanae Takaichi, e estava ao lado dela quando os jornalistas começaram as perguntas. Havia muitos repórteres japoneses, e uma deles perguntou a Trump: “Por que os Estados Unidos não avisaram seus aliados sobre os planos em relação ao Irã?” Vejam que divertida a resposta dele: “Não queríamos abrir indícios, queríamos surpreendê-los. Agora, quem sabe sobre surpresa é o Japão. Por que não nos avisaram antes de Pearl Harbor?” Sete de dezembro de 1941, o “dia da infâmia”, no dizer de Franklin Roosevelt. Essa foi na lata.

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Atacar centros de fornecimento de energia é coisa comum na guerra

Os iranianos estão atacando depósitos de gás e petróleo do Catar e da Arábia Saudita, e estão noticiando isso como se fosse uma grande novidade, como se nunca tivessem feito isso antes. Quanta ignorância histórica! Ploiești, na Romênia, e Baku, no Azerbaijão (que na época pertencia à União Soviética), eram alvos preferidos da aviação dos Estados Unidos, da Royal Air Force e até dos soviéticos durante a Segunda Guerra Mundial, porque era grandes centros de abastecimento dos alemães. Os alemães haviam ocupado Baku, e a Romênia estava afinada com os alemães por causa das reservas de petróleo. Eram alvos óbvios.

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Confirmado: sai Fernando Haddad, entra Dario Durigan

Lula confirmou: Fernando Haddad está de saída. Haddad nem sabe direito para quê: ele deve ser candidato ao governo de São Paulo, mas quer saber onde ele tem alguma chance. No seu lugar como ministro entra um desconhecido para todos nós, mas conhecido lá dentro: o número dois do ministério, o secretário-executivo Dario Durigan. Ele trabalhou para a Meta, que, como vocês sabem, é dona do Facebook e do Instagram; Durigan trabalhava no WhatsApp. Eu pensei: “puxa, veio da iniciativa privada, ficou na Meta de 2020 a 2023”. É, mas ele também foi assessor jurídico da Casa Civil no governo Dilma, de 2011 a 2015.

DEU NO X

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

ONDE ARDE AO RUBRO

É sempre bom ver os problemas, sobretudo em um país complicado como o Brasil, a partir das três dimensões do tempo – passado, presente e futuro. E já começo lembrando a frase admirável de George Orwell (em 1984), “quem controla o presente, controla o passado; e quem controla o passado, controla o futuro”.

Aproveito e lembro, também, a talvez frase mais copiada do mundo, escrita por Teixeira de Pascoaes (Cantos indecisos, publicado em 1921), “tenho, às vezes, saudades do futuro”. É o caso de muitos de nós (imagino), ao querer deixar para trás esse momento deprimente que vivemos hoje, em nossa história. Com saudades de um futuro que, todos esperamos, venha logo e seja benfazejo.

O passado, ensina o mestre Diógenes da Cunha Lima em livro memorável (Aforismos, talvez), “sabe esperar”. Será mesmo? Seja como for essa ideia de começar o texto falando no passado veio do fato de que, como no domingo passado (só que muitos anos atrás), tomaria posse, como presidente da República, Tancredo Neves. Voltemos a essa data, com um pouco de história, começando no dia anterior.

14/03/1985. Véspera da posse que seria de Tancredo, chegamos no aeroporto de Brasília e a Polícia Federal me esperava (fora da programação)

– O ministro (Fernando Lyra) pediu para ir direto ao gabinete de Dornelles.

Maria Lectícia e os pais, dona do Carmo e dr. Armando, foram para o hotel; e, eu, para a Esplanada. Gabinete de Francisco Dornelles, sobrinho de Tancredo, futuro ministro da Fazenda e homem forte do seu governo. Perplexidade no ar, pelas incertezas do momento.

Na sala de espera se amontoavam assessores, militares, quase todos os futuros ministros. O baiano Carlos Santana (da Saúde) ficava olhando para o alto, imóvel, como se estivesse congelado. O gaúcho Pedro Simon (da Agricultura) rodava em volta dele mesmo, como um peru, sem parar. E Fernando

– Vai assumir (a presidência da República) Ulysses (Guimarães), como presidente da Câmara dos Deputados.

– Não pode, Fernando (como a doença de Tancredo era pública, já tinha examinado as questões jurídicas). Sarney presta compromisso como Vice-Presidente, perante o Congresso. Tancredo não, que está no hospital e tem 10 dias para isso. Até mais, por haver “motivo de força maior” (Constituição da época, art. 78). O Congresso declara momentaneamente vago, seu cargo, e assume o vice. Esse o caminho.

– Mas assume Ulysses.

– Então pode escolher outro para meu lugar (o de Secretário Geral), amigo. Que nosso primeiro gesto, no Ministério, seria uma ilegalidade. E não farei parte disso.

Algum tempo depois, Dornelles chamou cinco ou seis para reunião na sala dele (já com muitos outros personagens, por lá). O resto ficou onde estava. Na saída, Fernando contou como foi. Dornelles

– Affonso Arinos disse haver um antecedente, com Rodrigo Alves; que, doente, assumiu seu vice Delfim Moreira. Brossard e Saulo Ramos defendem a mesma tese. Fosse pouco, o próprio Ulysses prefere Sarney, repetindo sempre “é isso que a Constituição manda”. E Leitão de Abreu (que coordenava a transição por João Figueiredo, último presidente militar) garante que Sarney assumirá sem contestações.

O futuro ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves, pediu a palavra.

Aqui, paremos um pouco a narrativa dessa reunião para falar da natureza daquela transição, de uma ditadura sombria para a Democracia florescente com que todos sonhávamos.

Tudo foi negociado, amigo leitor. Inclusive os votos no colégio eleitoral. Em verdade se diga num estilo que, mesmo agora, continua vigendo. Essa relação com as elites políticas foi até simples. Incluindo troca de votos, no plenário, com ministérios e órgãos públicos.

Cito só um caso, como exemplo de negociação, no terraço de apartamento na Avenida Atlântica (Rio). Em que deputado pediu a SUDAM, já prometida a outro, e aceitou a SUFRAMA (Zona Franca de Manaus). Tancredo fazia isso bem. E Maluf dançou, graças.

Já com relação aos militares, as conversas foram mais complicadas. Que pediam algo não tão fácil de atender. É que o Congresso havia aprovado projeto, do presidente João Figueiredo, preparando a transição imaginada por Golbery do Couto e Silva.

De um lado com perdão a todos os condenados por crimes políticos (parte deles presos), alguns até em prisão perpétua, inclusive com o retorno dos exilados (entre os quais Leonel Brizola e Miguel Arraes). Nessa troca, seria garantida impunidade para os agentes do Estado responsáveis por torturas, mortes e desaparecimentos forçados. E assim se deu com a Lei 6.683, de 28/08/1979, aprovada por um Congresso que não era capaz de dizer não.

Ocorre que o atentado no RioCentro se deu só mais tarde, em 30/09/1981. Segundo me confessou o ministro do SNI, general Ivan de Souza Mendes, obra de tenentes, capitães e majores, sem autorização ou conhecimento prévio de patentes superiores. A ver isso melhor, algum dia. E muitos dos que usavam fardas poderiam ser ainda punidos. Os militares queriam uma nova anistia, incorporando todos os fatos ocorridos a partir da tal lei.

Tancredo entendeu que voltar à Democracia valia o preço pedido e assumiu esse compromisso. De alguma forma, com isso, garantindo a transição. E Sarney o cumpriu, em seu lugar, com a Emenda Constitucional 26, de 27/11/1985 (art. 4º). Votada por um Congresso livre. O mesmo que elegeu Tancredo/Sarney.

Não houve apenas uma Lei de Anistia, portanto. Foram duas, amigo leitor. Bom lembrar disso. A segunda, incorporada na própria Constituição. Cumprindo ainda lembrar que nossa transição ocorreu de maneira bem mais tranquila que a de nossos vizinhos, no continente americano.

Agora, voltemos à reunião no Gabinete de Dornelles. Estava dizendo que o General Leônidas pediu a palavra. Era comandante do 3º Exército – conhecido como “Divisão Encouraçada”, situado no Rio Grande do Sul. E contava com o apoio incondicional de parte muito expressiva das Forças Armadas. Mostrou uma Constituição cinza, edição de bolso (quem viveu em Brasília, naquele tempo, sabe qual era) e falou

– Devemos seguir o que diz esse livrinho.

Fernando Lyra

– Meu Secretário-Geral também diz que deve assumir Sarney, como vice.

Muitos outros confirmaram esse entendimento. E Leônidas, depois de dar um tapa forte na mesa,

– Então está resolvido, assume Sarney. Alguém é contra?

Silêncio na sala

– E não se fala mais nisso.

Ninguém teve disposição, ou coragem, para contradizer. A palavra das forças armadas, numa hora dessas, é forte. Mais tarde, já na casa de Sarney, a transição seria sacramentada em ata por todos assinada. Dia seguinte, assumiu Sarney sem nenhuma contestação. E morreria Tancredo, em paz, alguns dias depois (21/04/1985).

Esse o passado. Já nosso triste presente revela que o autoritarismo trocou de mãos. Escândalos se sucedem e os responsáveis se sentem inatingíveis. Como se deu, antes, com os militares. Nesse quadro incluindo o próprio Supremo, com ministros se considerando homens castos, puros, acima do bem e do mal. Não acham nada demais, por exemplo, enriquecer por conta do cargo. Talvez até considerem ter direito a isso. Que mereçam mesmo a grana hoje nas contas deles e de seus familiares.

Pior é que tudo se dá com o apoio explícito de parte das elites políticas, no Congresso. Entre elas o presidente do Senado, que simplesmente se recusa a por em votação os pedidos de impeachment de ministros do Supremo que se amontoam na sua mesa. Como se fosse parte interessada, nesse deixar para lá. Como se também tivesse responsabilidade, nos fatos. E com direito de usar o cargo para proteger, e blindar, a si mesmo e a seus parceiros.

Nossa Rachel de Queiroz chegou a dizer (Crônicas escolhidas) que “a grande chaga de nosso tempo é não se contar com o futuro”. Mas o futuro existe, senhores, podem acreditar. E devemos contar com ele. Com novos tempos que serão sem dúvida melhores e mais promissores que nossos passado e presente recentes. Evoé!!!

Faltando só dizer que o título desse texto vem de como Pessoa (Caeiro, O guardador) via o Ocidente, “Onde arde ao rubro/ Tudo que talvez seja o futuro/ Que eu sem conhecer adoro”. Viva, então, esse futuro que o Brasil merece.

P.S. Segunda-feira passada, minha mãe teria feito 100 anos. E como dói, ainda hoje, essa perda. Saudades de dona Maria Lia.