PENINHA - DICA MUSICAL

MAURINO JÚNIOR - SEM CRÔNICAS

TRATADO BREVE SOBRE VERMES DE TERNO

Um estudo quase científico acerca da fauna política nacional

Há países que cultivam jardins. Outros, bibliotecas. Alguns erguem monumentos para celebrar seus heróis, suas vitórias, seus poetas e suas revoluções. E há o Brasil. O Brasil cultiva vermes. Não os discretos habitantes da terra úmida, cuja humilde função ecológica consiste em devolver fertilidade ao solo. Esses, ao contrário de certos homens públicos, possuem utilidade mensurável e honestidade biológica. Os vermes aqui tratados pertencem a outra categoria: rastejam sobre tapetes caros, alimentam-se de verbas públicas, multiplicam-se em gabinetes refrigerados e possuem extraordinária capacidade de sobreviver a qualquer escândalo, investigação, CPI, delação, operação policial ou vergonha. São criaturas resilientes. A vergonha, aliás, é substância fatal para organismos superiores. Para eles, entretanto, funciona como adubo. Não possuem ideologia; possuem metabolismo. A bandeira muda conforme o vento. O discurso muda conforme a pesquisa eleitoral. O caráter muda conforme o inquérito. Apenas a fome permanece. E que fome. Há vermes que devoram orçamentos inteiros enquanto discursam sobre patriotismo. Há os que transformam hospitais em ruínas enquanto sorriem diante das câmeras segurando criancinhas desnutridas. Há os que falam em educação com a eloquência de quem jamais frequentou uma biblioteca sem fotógrafos presentes. São especialistas em três ciências nacionais: a retórica vazia, a sobrevivência institucional e a arte barroca de jamais responder objetivamente a uma pergunta simples. Nenhuma espécie conhecida pela zoologia consegue produzir tantas palavras para dizer absolutamente nada.

I — O Verme Hipócrita-Comum: Espécie abundante. Habita parlamentos, comissões, entrevistas televisionadas e redes sociais administradas por assessores pagos com dinheiro público. Seu comportamento é fascinante. Condena ferozmente aquilo que praticará na semana seguinte. Defende austeridade viajando em jatos oficiais. Combate privilégios enquanto amplia os próprios. Fala em sacrifício nacional com a boca ainda úmida de lagosta institucional. É um verme adaptável. Sobrevive tanto à direita quanto à esquerda, tanto ao centro quanto ao subterrâneo. Seu habitat ideológico é o oportunismo. Quando acuado, utiliza mecanismos defensivos sofisticados: “Fui mal interpretado.” “Tiraram do contexto.” “A imprensa distorceu.” “Isso é perseguição.” Jamais diz: “Sim. Eu menti.” Porque a mentira, para essa espécie, não constitui falha moral. Constitui método administrativo.

II — O Verme Nepotista: Este não governa. Coloniza. Sua visão de Estado lembra um almoço de família. O primo torna-se assessor. A esposa assume secretaria. O cunhado coordena contratos. O sobrinho administra licitações. O amigo da pescaria recebe cargos estratégicos. O país converte-se em herança de mesa de jantar. Seu grande sonho não é construir uma nação. É transformar o orçamento público numa empresa familiar sem concorrência. Esse verme aprecia fotografias. Sorri ao lado de obras inacabadas. Corta fitas de hospitais sem médicos. Inaugura estradas que terminam no nada. Adora placas com seu nome. Se pudesse, gravaria o próprio rosto na lua.

III — O Verme Messiânico: Talvez o mais perigoso. Não deseja apenas votos. Deseja fé. Fala como profeta, gesticula como mártir e exige devoção absoluta. Seus seguidores não apoiam ideias; praticam liturgia. Qualquer crítica transforma-se em heresia. Qualquer dúvida torna-se traição. Qualquer pergunta é considerada conspiração. Ele divide o mundo entre puros e inimigos. Entre patriotas e traidores. Entre iluminados e demônios. E enquanto multidões brigam entre si nas ruas e nas redes sociais, o verme sorri discretamente em salas climatizadas, cercado por seguranças, privilégios e acordos subterrâneos. Nada alimenta mais certos parasitas do que povos emocionalmente inflamados. O fanatismo é o combustível premium da corrupção.

IV — O Verme Retórico: Este é particularmente elegante. Fala difícil para esconder o vazio. Produz frases longas, rebuscadas, empilhadas como móveis antigos numa casa sem moradores. Cita filósofos que jamais leu. Pronuncia “democracia”, “institucionalidade”, “resiliência”, “governabilidade”, “arcabouço”, “pluralidade” e “compromisso republicano” com a solenidade de um sacerdote egípcio. E ao final do discurso, ninguém sabe exatamente o que foi dito. Sua grande habilidade consiste em transformar fumaça em pronunciamento oficial. É um mágico sem coelhos.

V — O Verme Predador de Esperanças: Talvez o mais abundante de todos. Alimenta-se de gente simples. Promete dignidade a quem perdeu quase tudo. Promete segurança a quem vive atrás de grades. Promete prosperidade a quem já desistiu de sonhar. Promete honestidade enquanto negocia silenciosamente sua próxima aliança obscena. Ele conhece perfeitamente o sofrimento popular. Porque vive dele. A miséria é seu palanque. O caos é seu marketing. A tragédia social é seu capital eleitoral. Quanto pior estiver o país, maior a necessidade de salvadores improvisados. E assim o ciclo continua. O verme cria o incêndio e depois vende baldes d’água diante das câmeras.

VI — O Verme Camaleônico: Raríssimo exemplar de elasticidade moral. Ontem defendia uma bandeira. Hoje combate exatamente a mesma bandeira. Amanhã jurará que jamais esteve em qualquer dos lados. Muda de partido com a naturalidade de quem troca gravatas. Seus discursos antigos desaparecem misteriosamente. Vídeos evaporam. Publicações somem. Convicções dissolvem-se. É o evolucionismo aplicado à ausência de caráter.

VII — O Verme Aristocrático: Esse despreza o povo enquanto afirma amá-lo. Acha-se iluminado. Considera o cidadão comum uma criatura estatística cuja função principal é votar, pagar impostos e desaparecer em silêncio. Fala sobre pobreza com a delicadeza antropológica de quem observa animais exóticos através de vidro blindado. Jamais enfrentou fila de hospital. Jamais entrou num ônibus lotado. Jamais precisou escolher entre comprar comida ou remédio. Mas possui opiniões fortíssimas sobre “o povo”. Sempre possui.

VIII — O Grande Ecossistema: O mais impressionante, contudo, não é a existência dos vermes. Vermes sempre existirão. O espantoso é o ecossistema que os protege. Empresários oportunistas. Influenciadores alugados. Militâncias cegas. Jornalistas domesticados. Intelectuais seletivos. Torcedores políticos. Todos participam da grande compostagem nacional. Cada grupo fingindo indignação apenas quando o verme rival está no poder. A corrupção do adversário é crime. A corrupção do aliado é contexto. A mentira do outro é escândalo. A própria mentira é estratégia. E assim a nação vai apodrecendo lentamente sob perfumes institucionais e discursos cerimoniais.

IX — A Liturgia da Impunidade: No Brasil, certos homens públicos não caem. Flutuam. Sobrevivem a áudios, vídeos, malas de dinheiro, escândalos internacionais, obras fantasmas, delações cinematográficas e promessas descumpridas. Porque aprenderam o segredo supremo da política nacional: O tempo destrói a memória pública mais rápido do que qualquer tribunal. Basta esperar. A próxima crise virá. O próximo escândalo surgirá. O próximo circo ocupará as manchetes. E então o verme reaparece sorridente, penteado, renovado, falando sobre ética e reconstrução nacional. Como se nunca tivesse participado da demolição anterior.

X — Considerações Finais Sobre a Lama: Dizem que toda nação possui os governantes que merece. Talvez. Mas certas sociedades também produzem sistemas tão profundamente deteriorados que a honestidade torna-se exceção folclórica. Eis a tragédia. Não a existência de vermes. Mas a normalização deles. A aceitação cotidiana da sujeira. O conformismo elegante diante do absurdo. O cidadão que já não se revolta. O eleitor que já não acredita. O jovem que já não espera. Esse é o verdadeiro colapso. Porque países não morrem apenas pela ação de corruptos. Morrem quando o cinismo substitui completamente a esperança. Ainda assim, há algo poeticamente irônico em tudo isso. Os vermes acreditam devorar eternamente o corpo da nação. Ignoram, porém, uma verdade biológica elementar: Todo verme depende da existência do organismo que consome. E quando o organismo finalmente entra em colapso, os próprios parasitas perecem junto com ele. Talvez seja essa a única justiça silenciosa da História. Lenta. Implacável. E inevitável.

DEU NO JORNAL

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

SONETO – Carlos Pena Filho

Por trás do musgo silencioso e espesso,
que cresce no teu ventre desolado,
nasce um mundo obscuro e inusitado
que eu não sei se mereço ou desmereço,

Sei apenas que às vezes, quando teço
canções noturnas do prazer frustrado,
sou, nem sei por que sombras,
exilado para além do meu fim e meu começo.

Esse teu mundo, concha que é morada
de anêmonas e polvos, é mais raro
que a luz de Deus na noite abandonada.

E é por isso talvez que não se entrega
e me deixa a esperar teu corpo claro
de fêmea esquiva que ao prazer se nega.

Carlos Souto Pena Filho, Recife-PE, (1929-1960)

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SÉRGIO – SÃO PAULO-SP

Hoje 13 de Maio é um dia de muita luz e espiritualidade.

Que a fé de Nossa Senhora de Fátima ilumine os caminhos e que a sabedoria e a força dos Pretos Velhos tragam o acolhimento, a cura e a proteção necessária.

Adorei as almas e Salve a Santa! Que tenhamos muita paz, saúde e amor.

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós! Que a Virgem de Fátima, revelada aos pastorinhos, nos cubra com seu manto de amor e nos guie a Jesus.

Salve as Santas Almas e Pretos Velhos! Que as ervas e a reza tragam cura, renovação e força, aprendendo com a paciência dos velhos sábios.

Filhos de Fé. Que no dia de hoje as bençãos de Oxalá, Nossa Senhora de Fátima dos Pretos Velhos , Ogum e de todos Santos, Anjos e Orixás desçam sobre nós!🙏🏻

DEU NO JORNAL

A SOMBRIA MISSÃO DE LULA NOS EUA

Guilherme Fiuza

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Casa Branca, Washington, D.C.

O encontro entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos na Casa Branca teve vasta cobertura da imprensa. Afinal, ali está supostamente um grande foco de tensão política. Se Donald Trump fez o que fez com Nicolás Maduro, a princípio todos os aliados do ex-ditador venezuelano estão nessa incômoda berlinda.

E o que essa vasta cobertura da imprensa mostrou sobre o tão aguardado encontro? Nada. Ou melhor: mostrou uma coletânea de especulações obtidas pelo buraco da fechadura dos vazamentos mais ou menos confiáveis. Tudo aconteceu nas sombras.

Não deixa de ser curioso que a imprensa brasileira dedique tanto espaço a um evento que, na última hora, foi sonegado à própria imprensa. A decisão de barrar toda e qualquer cobertura jornalística antes, durante e depois da reunião entre Lula e Trump foi atribuída a um pedido do governo brasileiro — segundo uma dessas fontes pelo buraco da fechadura. E não foi isso que dominou as manchetes na tal vasta cobertura. Incrível…

Ao contrário: a imprensa barrada agiu como mulher de malandro. Mesmo sem o direito a uma entrevista coletiva dos dois presidentes após a reunião, ou, pelo menos, a uma oportunidade de fotografá-los juntos e fazer-lhes perguntas breves antes da reunião, boa parte dos veículos saiu cantando vitória para Lula.

O presidente brasileiro não poderia sonhar com uma mídia mais compreensiva. Fez seu stand-up sozinho na Embaixada do Brasil em Washington, ajeitou sua “narrativa” sobre o encontro fechado do jeito que bem entendeu e emplacou manchetes de todos os tipos: mandou Trump sorrir mais, disse que o colega americano ainda vai fazer um pix etc. E a decisão grave de barrar a imprensa no grande encontro? Deixa pra lá.

Isso foi manchete na grande mídia — essa mesma que teve de se contentar com migalhas especulativas sobre o encontro na Casa Branca após a blindagem pedida pelo governo do Brasil, o país-sensação da liberdade de imprensa.

Esse coquetel de especulações e deduções aproximadas — típico de quando o jornalismo é barrado na porta — tem dado conta de que o encontro Lula-Trump foi marcado pelo empresário Joesley Batista. Então, além de driblar o circuito da imprensa, aparentemente o Brasil adotou também um circuito diplomático “alternativo”, por assim dizer. Sai o Itamaraty, entra a picanha. Muito saudável para a democracia.

Mesmo depois de todos esses sinais de movimentação subterrânea, a vida seguiu seu curso no faz-de-conta da grande mídia: Lula é a resistência democrática contra o fascismo imaginário. Jornalistas são impedidos de discutir um projeto de lei, e moradores são obrigados a retirar faixas de suas varandas. Mas está tudo normal.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

INVERSÃO TOTAL DE VALORES

Hoje eles choram “lágrimas de crocodilo”, mas lá no fundo, são muito gratos a essa desgraça que quase inviabilizou o Governo de seu adversário, a ponto de permitir sua volta ao “comando” da nação.

Agora eles tentam ressuscitar o único trunfo que pode lhes dar alguma chance nas próximas eleições.

Eles são piores do que o vírus!