Ele perdeu quantos dedos ? 😂😂😂 pic.twitter.com/epLhguEda2
— Van Patriota // Van Liberdade (@Vanpatriota) November 25, 2023
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Teresa de Benguela nasceu em princípios de 1700, na região de Benguela, atual República de Angola. Líder quilombola, liderou uma revolta no Quilombo do Quariterê (ou Quilombo do Piolho) na Capitania de Mato Grosso; tornou-se “rainha” no início dos anos 1750, e se manteve por 20 anos, quando o quilombo foi destruido em meados de 1770.
Sua origem é controversa. Há registros portugueses que afirmam se tratar de uma escravizada angolana, embarcada para o Brasil no porto de Benguela. Mas há historiadores que afirmam ter nascido no Brasil. O Quilombo foi criado em 1740 por seu marido José Piolho e tornou-se um núcleo de resistência de negros fungidos da escravidão. Sua localização na selva amazônica, além de dificil era perto da fronteira pemitindo fugas para o lado espanhol. Tais condições permitiram uma resistência mais prolongada.
Por volta de 1750, deu-se a morte de José Piolho e ela, na condição de rainha viúva, assume seu lugar. A mudança ocorrida no Quilombo não foi apenas no comando. A rainha Teresa passa a governar ao modo de um Parlamento, com um local apropriado e reuniões em dias fixos todas as semanas com seus “deputados” e os convidados, presididos pela rainha. Segundo a pesquisadora Edir Pina de Barros, junto ao aspecto “democrático’ era mantida uma rígida disciplina afim de garantir sua defesa e sobrevivência.
Ainda segundo a pesquisadora, o Quilombo Quariterê contrastava com a escassez na região: “Tal abundância relacionava-se à forma de apropriação da terra (pelo trabalho), disponibilidade de mão de obra e, sobretudo, trabalho cooperativo e solidariedade social… Através de relações mantidas com a sociedade ‘branca’, obtinham ferro, além de sal e outros artigos”. A prosperidade e o crescimento do Quilombo alertaram o governo português, que passou a se preocupar com seu exemplo entre outros quilombos existentes no período colonial.
O Quilombo foi invadido pelos portugueses em 1770. A rainha Teresa comandou a resistência, mas após alguns combates muitos quilombolas morreram e 79 negros e 30 indígenas foram capturados e levados para Vila Bela da Santíssima Trindade, atual estado de Mato Grosso, e devolvidos aos seus proprietários. Entre eles estava a rainha, que, segundo o sociólogo Clóvis Moura, ingeriu umas ervas venenosas e faleceu. Teve a cabeça decepada e pendurada no centro do Quilombo para servir de exemplo.
Mas este ainda não foi o fim do Quilombo Quariterê. Muitos quilombolas que fugiram do ataque se esconderam na mata e se reorganizaram noutro assentamento. O final do quilombo se deu em 1795 com outra investida dos portugueses, guiados por um negro forro capturado na invasão de 1770. Por essa época ainda se falava na liderança da rainha Teresa. Mas aos poucos foi caindo no esquecimento e tornou-se umas das mártires menos conhecidas do período colonial.
Sua memória foi resgatada pelos historiadores e em 1994 a Escola de Samba Viradouro, do Rio de Janeiro, desfilou no carnaval com o enredo “Teresa de Benguela, uma Rainha Negra no Pantanal”. Antes disso ela foi lembrada em 1992 no I Encontro de Mulheres Negras da América Latina e do Caribe, realizado na República Dominicana. Em 2014, o dia 25 de julho foi instituído como “Dia Nacional de Teresa de Benguela e da Mulher Negra”, através da Lei nº 12.987/2014.
Mais uma homenagem ocorreu em 2020, em São Paulo, feita pela Escola de Samba Barroca Zona Sul, no desfile de carnaval com o samba-enredo “Benguela… A Barroca Clama a Ti, Teresa’. A historiadora Thais de Campos Lacerda realizou uma pesquisa que pode ser vista como um bom ensaio biográfico – Tereza de Benguela: identidade e representatividade negra -, publicado na Revista de Estudos Acadêmicos de Letras da UNEMAT, vol. 12, nº 2, de 2019, à disposição na Internet. Clique aqui para acessar.
Vila Pasteur
O cosmopolita bairro Jamacaru em Missão Velha, era um dos três mais antigos da cidade. Os primeiros moradores do bairro foram também os primeiros a chegar, antes mesmo da emancipação municipal, ocorrida em 8 de novembro de 1864.
Vindos, todos, numa leva trazida por um navio espanhol, sabe-se que teriam vindo da Armênia e, assim, culturalmente viviam apegados uns aos outros, até pelas dificuldades de relacionamento em função do dialeto usado na cidade de origem.
Foram morar em Jamacaru, e ali construíram uma vila de casas, a qual deram o nome de Vila Pasteur, para facilitar as entregas de correspondências e encomendas que chegavam pelos Correios. E assim ficou: Vila Pasteur, bairro Jamacaru, em Missão Velha.
Mas, pela distância que ficava do centro da cidade, apesar do aspecto cosmopolita, os demais moradores da cidade diziam que a Vila Pasteur ficava na “Baixa da égua”!
Construída de forma proposital numa rua que só tinha entrada (todos entravam e saiam pelo mesmo local), dando a impressão do que hoje chamam de Condomínio Fechado.
Duas fileiras de casas, divididas por uma alameda central. As casas do lado direito de quem entrasse, tinham os números pares, e, as que ficavam do lado esquerdo, os números ímpares. Na alameda central foram plantadas mudas de ipês amarelos e brancos e, de forma organizada, mudas de acácias rosas.
As pessoas que ali moravam, faziam parte (provavelmente) da quarta ou quinta geração dos fundadores da Vila. Quase ninguém atingira 100 anos de idade.
Alzira, uma senhora que havia anos ficara viúva de Alcides, tinha apenas um filho Aristeu – que viajara para o interior de Minas Gerais, onde cursava uma escola de formação de sargentos do Exército – o que obrigou Alzira a viver praticamente só naquela casa. Adquirira o hábito de passar boa parte da tarde na janela da casa, observando o cântico dos passarinhos que viviam e se reproduziam nos ipês e acácias da alameda central da Vila.
Alzira, diziam, dava conta da vida de todos que ali moravam. Dava cumprimento de “bom dia” a quem passasse na calçada da porta próxima da janela onde se debruçava. E tinha o hábito de cobrar respostas para o cumprimento.
A meninada da Vila passou a chama-a de “cabra velha” – por ela morar na casa de número 6.
Na Vila Pasteur, todos conheciam todos. O carteiro dos Correios também conhecia todos pelo nome e sabia exatamente onde cada um deles morava – o número da casa. Fazia anos ele entregava correspondências – já era conhecido e amigo até dos cachorros que, quando o viam agitavam o rabo em sinal de alegria, retribuindo um carinho qualquer.
Nos sábados pela manhã, os moradores se reuniam em mutirão para a limpeza da alameda, poda de alguns galhos envelhecidos e, por vezes, também se reuniam em mutirão para a pintura da parte frontal de alguma das casas da vila. Todos eram amigos – desde os primeiros que ali chegaram.
As casas de numeração par, seguiam até o número 12. Do lado esquerdo de quem entrava na vila, as casas seguiam até o número 11.
No número 9, moravam Bráulio e Iraci, aparentados de um político que se candidatara com o objetivo de facilitar a convivência dos seus e de alguns que tivessem motivos para votar nele – eles, os descendentes dos armênios, não praticavam a política do “toma lá, dá cá”, mas passaram a admitir que “gentileza gera gentileza”.
Todos que ali nasceram e moravam, sabiam das dificuldades que os antepassados enfrentaram desde a saída da Armênia, o embarque quase clandestino num navio espanhol e, mais ainda, a liberação para viver no Brasil. Foi lhes oferecido e indicado um pedaço de terra de marinha em Jamacaru, Missão Velha. A oferta lhes pareceu um presente dos céus de uma nova terra prometida.
Vestes e hábitos chamaram a atenção, o que praticamente os obrigou a viver do nada ou do quase nada que trouxeram. Resistiram. Persistiram. Cresceram, e hoje são uma pequena parcela dos mais de 200 milhões de brasileiros.
Alzira viveu boa parte de tudo isso. O que não presenciou, ouviu dos pais e avós. As mágoas que trouxeram da quase fuga, foram transformadas em fertilizante para a vida e o bem comum entre todos. Inclusive os da Vila Pasteur, com raízes que continuavam crescendo por conta das gerações atuais.
OBSERVAÇÃO: Viver fora do nicho, certamente não é coisa boa. Aqui mesmo no Brasil, a cidade de “Treze Tílias”, em Santa Catarina, é um dos melhores exemplos de adaptação e crescimento de estrangeiros numa “terra prometida”. Sem que tenha sido uma leve pretensão de equiparação com Israel e a defesa do seu estado contra a Faixa de Gaza.
A cidade de Jamacaru, a Vila Pasteur e a Faixa de Gaza ficam todas na “baixa da égua”.
E então o Reich é consolidado. Que momento para estar vivo, amigos! pic.twitter.com/GNTAEG6qh3
— Debs (@olabocos) November 25, 2023
Lançamento do livro de Zé Vicente da Paraíba, saudoso pai deste colunista.
Agradecimentos.
O ponta-pé inicial foi dado para a divulgação da obra do Poeta Zé Vicente da Paraíba.
Obrigado a todos que compareceram, especialmente, aos amigos Herbert Lucena e José Mauro de Alencar, responsáveis diretos para que os escritos, fotos, relatos, discografia, saíssem da gaveta e ganhassem o Mundo.
Viva Zé Vicente da Paraíba!
Vendas e envio:
Whatsapp: (83) 9-9661.3228
De uma amiga carioca recebi, semana passada, pelos correios, um presente cultural dezoito quilates: a REVISTA BRASILEIRA da Academia Brasileira de Letras, Ano II, No.116, julho/setembro de 2023. Excelentemente editada, o número trouxe alguns textos que, de bate pronto, chamou logo a minha atenção. E o primeiro deles foi o do fubânico imortal pernambucano José Paulo Cavalcanti Filho, com reflexões sobre Cantorias, a merecer nota máxima, se possível acima de 10. O primeiro item do seu estudo merece ser neste JBF reproduzido, com as devidas bênçãos do Luiz Berto, comandante geral fubânico:
“Nenhum personagem representa melhor o Nordeste. O cantador é seu rosto e sua voz. A resistência, a cultura (levemente inculta), a astúcia – que, segundo mestre Ariano Suassuna, é a ‘coragem dos pobres’. Para Carlos Drummond de Andrade ‘o verdadeiro profissional de poesia, no Brasil, é o poeta popular’. Sílvio Romero, fundador da Academia Brasileira de Letras, foi mais longe. Comparando a poesia clássica de seu tempo a ‘banho morno em bacia com sabonete simples e esponja’, enquanto dos cantadores é ‘água farta, rio que corre, mar que estronda’. E num discurso que lá fez em 1913, ‘Se vocês querem poesia, mas poesia de verdade, entrem no povo, metam-se por aí, por esses rincões, passem uma noite no rancho, à beira do fogo, entre violeiros, ouvindo trovas de desafio’”.
E o notável jurista pernambucano, um para lá de especialista na vida e obra do poeta luso Fernando Pessoa, de nome completo Fernando Antônio Nogueira Pessoa, com seus trocentos heterônimos, termina sua análise citando o cearense Geraldo Amâncio Pereira, de Cedro-CE, que opinou sobre a relação entre a ciência do Brasil oficial e os cantadores de nossa região:
“O mundo se encontra bastante avançado
A ciência alcança progresso sem soma
Na grande pesquisa que fez no genoma
Todo corpo humano já foi mapeado.
No mapeamento foi tudo contado
Oitenta mil genes se pode contar.
A ciência faz chover e molhar
Faz clone de ovelha, faz cópia completa
Duvido a ciência fazer um poeta
Cantando galopes na beira do mar.”
E o sempre estimado Zé Paulinho termina seu texto dizendo: “Eu também duvido.”
E me vi extasiado exclamando: E quem é doido para não duvidar?
O segundo texto me fez compreender mais significativamente o existencial de todo pensante conscientemente solidário com os anseios sociais planetários. É de de um biólogo e jornalista moçambicano nascido na Beira. em 1955, autor de muitos livros esplendidamente sedutores, de prosa arretada e poesia de fôlego: Mia Couto. Seu texto Escrever tem um porquê? merece ser lido em todas as salas de aula do Ensino Médio brasileiro, favorecendo uma enxergância binoculizadora para todos aqueles que sonham edificar uma boa caminhada escritural pela vida afora. Para quem nunca leu Mia Couto, seus livros foram editados pela Companhia Das Letras, o mais recente, 2023, intitulado AS PEQUENAS DOENÇAS DA ETERNIDADE, ainda não por mim recebido, mas já bastante comentado positivamente nos meios literários.
O último texto por mim lido, que recomendo com entusiasmo, intitula-se O Brasil não cabe no Brazil e é da autoria do Joaquim Falcão, que deixou saudades na Fundação Joaquim Nabuco, quando lá dirigiu uma das suas áreas mais representativas, ele atualmente ocupando a Cadeira 3 da ABL, cujo patrono é Artur de Oliveira. No seu trabalho, ele revela uma opinião da reitora da Sorbonne, Hélène Ahrwweiler, que certa feita nos visitava, sobre se aqui existia racismo: “Considero o Brasil racista. Assim como os Estados Unidos. Mas com uma diferença. A política de superação do racismo do Brasil tem sido a da igualdade através da integração das raças. A dos Estados Unidos, a igualdade através da política que hoje, diríamos, é a das cotas de separação.” E Joaquim Falcão termina seu texto com uma quase profética estratégia social: “A miscigenação no Brasil é um dos caminhos que temos para fazer o elogio das diferenças. E assim sermos todos iguais.”
Os outros textos, eu os deixo para os leitores fubânicos deitarem e rolarem de satisfação intelectual, buscando apoiar iniciativas que possibilitem a divulgação da Revista da Academia Brasileira de Letras em um site específico da Internet, todo mundo tendo acesso sem qualquer ônus. Favorecendo uma inadiável desmediocrização geral de toda nossa gente.
Leonardo Coutinho

O presidente Lula e o ministro da Justiça, Flávio Dino
A semana foi marcada por uma onda de ataques ferozes à imprensa, por parte de membros do governo, lideranças petistas, seus porta-vozes nas redes sociais e sites-assessoria que prestam serviço ao antifascismo, vamos dizer assim.
No caso, a vítima da vez foi o jornal O Estado de S.Paulo e sua editora-executiva Andreza Matais, chefe direta dos jornalistas que revelaram que a primeira-dama do Comando Vermelho no Amazonas, condenada por prestar serviços à organização criminosa chefiada pelo marido, passeava lépida pelo Congresso e por dois ministérios.
A “dama do tráfico”, como o Estadão a batizou, chegou a ter passagens pagas pela pasta dos Direitos Humanos para ir a Brasília se queixar das agruras impostas pelo sistema prisional aos subordinados de seu maridão, que tiveram o azar de serem presos.
A reportagem do Estadão seria absolutamente ordinária se não fosse a reação do governo e de quem esperneia por ele.
O ministro da Justiça, Flávio Dino, entrou em parafuso. Acostumado com os afagos recebidos nos primeiros meses do governo – em que virou uma espécie de popstar, com suas lacradas treinadas em sessões de media training que fizeram sucesso diante de parlamentares bolsonaristas atordoados –, ele inexplicavelmente se sentiu ofendido. Embora o jornal e sua equipe jamais tenham relacionado o seu nome à “dama do tráfico”, deu-se início a uma operação que obrigou o PT a voltar a ser o PT, para tirar o foco do ministro.
O partido e seus aliados jamais souberam lidar com a imprensa livre. Muitos jornalistas acham que foi a ala manicomial do bolsonarismo que inventou a estupidez e covardia de ficar perseguindo as pessoas, vasculhando a vida delas e fazendo ameaças ou xingamentos por estarem em desacordo com reportagens algumas vezes corretas, outras vezes nem tanto.
Um engano fatal. Muito antes disso PT e PCdoB já faziam isso com muito mais eficiência e brutalidade. Essas legendas e seus membros resolveram posar de fofinhos nos anos do governo Bolsonaro, pois para eles era útil se comportar assim para reforçar a ideia de que o Brasil sem o PT no poder havia se transformado em uma terra de políticos selvagens que estavam prestes a devorar a democracia.
Lula foi eleito acreditando-se que ele era o salvador da democracia. Mas ele nunca disse qual “democracia” pretendia defender. Ainda como presidente eleito, sua equipe de transição negociou com Jair Bolsonaro o fim da proibição da entrada de Nicolás Maduro e dos membros de seu regime no Brasil. Lula não aceitava a ideia de ser empossado sem a presença de Maduro. O ditador venezuelano não apareceu, mas mandou uma comitiva com longa ficha de violações de direitos humanos para representá-lo.
Mas não demorou para Maduro aparecer e Lula se confraternizar com ele e soltar uma expressão que se tornaria famosa: “democracia relativa”. Lula também está movendo mundos e fundos para ajudar Cuba e se juntou aos autocratas. Fez o seu mise-en-scène de votar contra a Rússia em comitês sem nenhum efeito prático, ao mesmo tempo em que trabalhava contra a Ucrânia. Como votou contra Vladimir Putin na ONU, fica o argumento de que o Brasil é neutro. A “neutralidade relativa”.
Mesmo truque que vale para a maioria das ações da polícia externa do petismo. Finge ser neutro em público, mas por trás das cortinas…
Mesmo antes de ser eleito, Lula se mostrou completamente comprometido com as autocracias. Irã, China, Rússia, Nicarágua, Cuba e Venezuela formam a lista de regimes escolhidos como aliados pelo petista. Ele nunca escondeu.
Seu partido e seus ministros estão dando ao Brasil um aperitivo do que é viver sob o tacape de seus aliados. À medida que a reação autoritária ao caso “dama do tráfico” evolui, e Lula se mantém em silêncio, ficam mais claros os compromissos de Lula com a democracia. Ou melhor, com a “democracia” – assim mesmo, com aspas.
Já chegamos a um ponto em que ministros do STF, como Gilmar Mendes, se gabam de terem enfrentado a Lava Jato e garantido a eleição de Lula e dezenas de outros políticos, como se isso fosse um trunfo do qual eles se orgulham e pelo qual os brasileiros devem ser gratos pic.twitter.com/0875W9MJSj
— Deltan Dallagnol (@deltanmd) November 25, 2023