gostaria de comunicar, através do JBF, que as reuniões do Cabaré do Berto entrarão num período de recesso.
Não apenas por questões de ordem laboral de minha parte. Atualmente, eu estou com duas orientações de doutorado, das quais uma deve ser defendida até fevereiro próximo e neste mesmo prazo terei mais duas dissertações e as outras 5 em março de 2024.
Além disso, no início de janeiro viajo para Santarém e só volto dia 27/01/2024.
Considerando tudo isso, acredito também que o Cabaré precisa de uma reformulação estrutural, visto que não tenho tido a capacidade de atrair audiência.
Convidei vários poetas e poetisas, mas não tive sucesso com suas agendas, de modo que, aos poucos, as reuniões foram se esvaziando e perdendo o espaço para conhecer outros talentos.
Acredito que Neto Feitosa poderá encampar a ideia, gerar um link ou usar o espaço que aluguei para estendermos nossas reuniões por mais de uma hora.
Assim peço a compreensão dos amigos que sempre responderam ao nosso convite e como o Cabaré de Berto é um patrimônio cultural, acredito que uma readequação no rumo poderá dinamizar mais.
Agradeço a você e a todos os cabarelistas que desde 20/08/2020 disponibilizaram, semanalmente, um pouco do seu tempo para rir e quebrar a tensão de um país tão sem rumo.
R. Sem problemas, meu caro.
Entendemos perfeitamente suas colocações.
Sentiremos falta mas teremos paciência.
E ficaremos no aguardo de uma solução, com a ajuda do fubânico Neto Feitosa.
Fique tranquilo. Aqui o espaço é todo seu. Você é quem manda.
Na terra paraibana foi onde eu pus os meus pés. Caminhei pintando os lírios dos majestosos painéis, que formam telas sedosas nos aromáticos vergéis.
Vi os dias infantis, cheguei na adolescência, cantei olhando pra o céu, bebendo divina essência dos frutos que Deus espreme na taça do inocência.
No tempo da mocidade fui ídolo dos cantadores; dos cantadores que foram meus fãs, admiradores, e hoje me negam bom-dia pra magoar minhas dores!
Eu sei que não estou seguro nesta profissão que estou: sou ferido sem ferir, chorando pra festa vou, sofro, mas só deixo o palco depois que termina o show.
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Dimas Batista Patriota:
Velha viola de pinho, companheira De minh’alma, constante e enternecida, Foste tu a intérprete primeira Da primeira ilusão da minha vida. Eu, contigo, cantando a noite inteira, Tu, comigo, tocando divertida. Sorrias, se eu louvava a brincadeira, Choravas se eu cantava a despedida. Nas festas de São João, nas farinhadas, Casamentos, novenas, vaquejadas, Divertimos das serras aos baixios. Perlustrando contigo pelo Norte, Foste firme, fiel, feroz e forte, No rojão dos ferrenhos desafios.
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Biu de Crisanto
Da visão desta janela Eu vi os sonhos perdidos A vida passou por mim Causando dor e gemidos E a esperança morreu No vale dos esquecidos.
O mundo esqueceu de mim Neste cubículo imundo Onde mergulhei nos livros Hora minuto e segundo E fiz diversas viagens Pela vastidão do mundo
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Antônio Pereira de Morais
Quem ama sofre calado, Ausente de seu amor! Tornando-se um sofredor… Porque não vê ao seu lado, Seu coração é magoado! Pra viver não tem ação… Seu mundo vira ilusão… A tristeza a mente invade… No silêncio da saudade! Só quem fala é o coração.
Se a saudade matasse No túmulo eu já vivia Há muito eu já residia Mas continuo no impasse Se o meu amor voltasse Essa saudade morria A mim não perturbaria A vida era um mar de rosa Cantando e falando prosa Na vida eu tinha alegria…
Quem ama sofre calado Seu peito é tristeza e dor Tornando-se um sofredor… Porque não tem ao seu lado, Seu amor mais desejado Pra viver não tem ação… Seu mundo vira ilusão… A tristeza a mente invade… No silêncio da saudade! Só quem fala é o coração.
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A CRISE E A CORRUÇÃO – João Inácio de Lima (Escrito em 1933)
Ao Leitor chamo atenção Caso não ficar massado Vou fazer um ABC Me referindo ao passado Quando o mundo era um jardim Não havia gente ruim Não se via um flagelado
Basta a gente se lembrar Como era tudo contente Volta a mente ao presente Da vontade de chorar Vendo tudo se acabar À falta de remissão Até mesmo o próprio pão É difícil se arranjar Por esta causa está Sacrificada a nação
Confesso meu pensamento Não sei se estarei errado Vivo tão contrariado De ver tanto sofrimento Se Deus lá no Firmamento Não socorrer a nação Vai morrer sem remissão Sem ninguém poder dar jeito Porque tudo tá sujeito A trabalhar só pelo pão
Deus como Pai Criador Tenha dó dos desgraçados Olhai tantos flagelados Pelo mundo a sofrer dor Lutando sem ter valor Lamentando a triste sorte Pelo Sul e pelo Norte Levando o tempo em pedir Se Deus não os acudir Vão terminar com a morte
Parabéns, brasil! Você paga a lua de mel mais cara do mundo, de todos os tempos!
Diretamente da cadeia para os mais caros hotéis do planeta.
E viva o socialismo! pic.twitter.com/qa7eg7gvYD
Lula não vai à posse de Javier Milei e enviará como representante o chanceler Mauro Vieira
Domingo é dia de manifestações políticas nos dois principais países da América do Sul. No Brasil, em várias capitais; na Argentina, em Buenos Aires, com a posse do novo presidente, Javier Milei. Estarão lá o ex-presidente Jair Bolsonaro e governadores como Tarcísio de Freitas (São Paulo), Ronaldo Caiado (Goiás) e Jorginho Mello (Santa Catarina). Lamentavelmente, quem não vai estar presente é o presidente do Brasil, do principal país do Mercosul, que tem a Argentina como seu principal parceiro comercial na área – em todo o mundo, a Argentina é o terceiro parceiro comercial do Brasil, com muitos interesses em comum.
Seria um voo rápido de Brasília, não é como ir a Dubai. Em três horas e meia, no máximo, já se chega a Buenos Aires. Lula poderia marcar presença e voltar no mesmo dia. Mas não vai mandar nem mesmo o vice-presidente Geraldo Alckmin; no lugar está indo o ministro de Relações Exteriores, é uma representação, digamos, menor. Dizem que é o temor de vaias, enquanto Bolsonaro seria ovacionado pela multidão de partidários de Milei, que é muito parecido com Bolsonaro e muito diferente de Lula. De qualquer forma, seria uma oportunidade de demonstrar grandeza.
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Se Lula não dissuadir Maduro, os americanos farão o trabalho Outra oportunidade que está sendo oferecida a Lula – e cavalo encilhado não passa duas vezes – é a questão da Venezuela com a Guiana. Lula é quem tem mais possibilidades de demover Nicolás Maduro. Vou recordar uma história de dezembro de 2002: Lula, presidente eleito, foi à Casa Branca conversar com George W. Bush. O norte-americano confidenciou que invadiria o Iraque e pediu que Lula não se metesse, porque os Estados Unidos também não se meteriam na Venezuela, e Lula que cuidasse de Hugo Chávez. Quer dizer, o próprio presidente dos Estados Unidos pôs nas mãos de Lula essa responsabilidade, que agora é muito maior, porque Lula é um defensor de Maduro e Maduro deve muito a ele; então, ele tem poder de demover Maduro – poder e dever, porque é responsabilidade do Brasil evitar uma guerra.
Não há como imaginar o tamanho de uma guerra que vai literalmente envolver um estado brasileiro, Roraima. Não falo dessa “teoria da passagem”, em que eu não acredito, porque Venezuela e Guiana têm 500 quilômetros de fronteira terrestre, seca, ninguém precisaria passar por território brasileiro. Seria a grande oportunidade de Lula aparecer como pacificador, mas pelo jeito a pacificação virá dos Estados Unidos, que estão fazendo manobras na Guiana, avisando, dissuadindo Maduro, que por sua vez está imitando outro ditador, Marcos Pérez Jiménez. Em 1958, ele anunciou – exatamente como Maduro – que invadiria a Guiana para recuperar Essequibo, mas foi deposto por causa disso. Os militares venezuelanos não quiseram guerra e o depuseram. Outro ditador, o argentino Galtieri, inventou uma guerra com a Inglaterra, invadindo as Malvinas ou Falklands, foi derrotado e deposto, acabando com o ciclo militar na Argentina. Este é um argumento que Lula poderia usar com Maduro. Aliás, em 2006 Hugo Chávez botou uma estrela a mais na bandeira da Venezuela, representando Essequibo, e agora Maduro colocou a região no mapa da Venezuela. Na burocracia está tudo pronto, já está no mapa.
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A lógica estranha de quem defende criminoso nas ruas
Uma prova de que o Brasil está maluco: a agência noticiosa oficial brasileira entrevistou um pesquisador e ele disse que quanto mais preso houve, mais crime tem. Não dá para entender. O sujeito que assassinou a argentina em Búzios estava com 15 anos de condenação por estupro e roubo, já tinha seis passagens na polícia, e estava solto! Ele tinha sido preso em regime fechado e depois foi para o semiaberto. Esse é o Brasil. E há quem se queixe quando as pessoas se armam para se proteger… é todo dia invasão de terra, invasão de prédio, quebra-quebra; alguém quer se vingar, vai lá e joga pedra, quebra o bar, quebra a loja. O país está ficando sem lei e o Estado não está cumprindo seu papel – o Estado não, que Estado é uma abstração: são os agentes do Estado.
Osvaldo Carlos do Rego Couto, de apelido Capixaba por ter nascido no Espírito Santo, filho do Coronel Couto, criou-se praia da Avenida da Paz. Forte, musculoso, xodó das meninas, cuidava de seu corpo. Foi meu colega na Escola Preparatória de Cadetes em Fortaleza, atleta de primeira grandeza, excelente ponta direita, não quis continuar a carreira militar. Desde cedo apreciou boas mulheres, bons papos, inteligência e raciocínio rápidos lhe davam o toque de bom humor e alegria. Contador de história nato; prendia atenção ao contar suas aventuras.
Mudou-se para Brasília, nunca perdeu o contato com os companheiros de juventude, gentil, quando visitava Maceió distribuía presentes entre os amigos. Tinha simpatia e alegria, inatas, um ser humano de bem com a vida. Na última vez que almoçamos juntos, festa de fim-de-ano do Cáu, relembramos grandes noitadas, aventuras de jovens cheios de sonhos e até irresponsabilidades. A vida de Capixaba é um livro bem humorado, ainda não escrito.
Capixaba gostava de carnaval, certa vez nós estávamos fazendo o passo no Bloco Cavaleiro dos Montes numa manhã quente de Banho de Mar à Fantasia, a moçada enlouquecia ao tocar o frevo Vassourinhas. Eu vi quando Capixaba recebeu uma cotovelada na cara, caiu no asfalto, atordoado. Ao recuperar-se da pancada identifiquei o agressor, mas não tive a petulância de partir para briga contra o agressor de meu amigo, era nada mais, nada menos que Porreta, um baiano, alto, forte, arruaceiro de zona, certa vez lutou e bateu em três policiais na Boate Tabariz em Jaraguá. Porreta, conhecido nas baixas rodas por ser briguento e homossexual, era o “Madame Satã” de Maceió. Todos tinham medo de Porreta, bicha macho para ninguém botar defeito. Capixaba inconformado, desafiou o baiano para um duelo, tipo Vale Tudo dali a um mês, na Praça Sinimbu à noite. Porreta não refugou, topou a parada.
Capixaba começou a preparar-se para grande luta. Boêmios, prostitutas, policiais, políticos, desocupados, estudantes, comentavam o duelo marcado, causou a maior expectativa na cidade.
Capixaba começou a treinar. Corria diariamente às cinco da manhã do coreto da Avenida ao Morro Tom Mix, uma linda duna demolida na praia do Trapiche pela Salgema (Braskem).
Naquela época, Nezito Mourão, um dos maiores beques do Brasil, jogou pelo CRB, depois jogou no Santos com Pelé, campeão do mundo em 61-62, havia aberto uma Academia de Boxe. Capixaba matriculou-se, recebeu aulas técnicas de murros e defesas, preparando-se para enfrentar o Porreta. Certa vez “brigaram” em treinamento, Capixaba de repente aproveitou uma guarda aberta de Mourão, deu-lhe um soco no olho, zonzou, Nezito tentou dar o troco no indisciplinado aluno, entretanto, Capixaba com medo do revide correu em disparada foi bater em Marechal Deodoro. Fez parte do treinamento.
Certa manhã, nós estávamos conversando sentados num banco da Avenida da Paz, quando Capixaba avistou dois marinheiros ingleses caminhando em direção ao cais do porto, ele gritou “Son of bich”, os marinheiros não gostaram, continuaram a caminhada, Capixaba correu atrás, provocando, deu uma tapa em cada inglês. Iniciou no calçadão uma briga de cinema, dois contra um. Lutaram até cansar. Certo momento Capixaba correu da luta, dizia ser treinamento para enfrentar Porreta.
Afinal, chegou a noite esperada ansiosamente pela população de Maceió. Alguns amigos acompanharam nosso herói até a Praça Sinimbu. Ao se aproximar do local, Capixaba ouviu o grito provocativo do Porreta com as mãos nos quartos, “Preparou-se para levar a maior surra de sua vida?”
Capixaba tirou seus sapatos, a camisa, o relógio, me pediu para guardar. arregaçou a calça. A assistência formou um círculo deixando os dois lutadores no centro. Aconteceu uma das maiores lutas presenciadas nas Alagoas e alhures. Primeiros movimentos, os adversários se estudando, alguns ataques, outras defesas, jogo de pernas. De repente rápidos murros, socos na cara, na barriga, às vezes se atracavam, se soltavam, não havia juiz para separar. Esmurraram-se, se digladiaram por mais de uma hora, suavam, sangravam.
Estavam cansados, Capixaba distraiu a guarda, Porreta aproveitou, acertou um soco desconcertante na cara, nosso amigo caiu no chão, jorrando sangue pela boca. A raiva subiu para cabeça, Capixaba num ímpeto surpreendente levantou-se num pulo dando cabeçada no peito do atônito Porreta. “Madame Satã” caiu de costas, abriu a cabeça no calçamento, sangrou. Ato contínuo, Capixaba montou em Porreta, não perdoou, esmurrando-o incessantemente.
Retiraram Capixaba de cima de “Madame Satã” nocauteado, sangrando. Imediatamente levaram-no para o Pronto Socorro, quatro dentes quebrados, muito sangue. Assim terminou o reinado de Porreta, o baiano mais macho do Brasil.
Capixaba também acabou seu reinado nesse mundo, foi-se embora meu querido amigo. Resta agora lembranças, contar suas histórias, ou dançar um tango.
Corrupção corrói a democracia e vácuo gerado em seu combate gerou ascensão da extrema-direita, diz Moraes.
Em evento do Ministério Publico Federal, ministro do STF afirmou que vácuo gerado no combate à corrupção permitiu surgimento de uma “extrema-direita com sangue nos olhos”. pic.twitter.com/VhAs6X1BAg