JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A SERENATA DOS APAIXONADOS

Seresteiro antigo repete a cena do filme Romeu & Julieta

As mulheres!

Ah, as mulheres, esses seres inigualáveis que ajudaram na construção física do homem, e, ainda hoje, continuam inabaláveis na construção da família, como peça de argamassa, de moldura e de sustentação.

O que seria dos homens, pobres coitados, não fossem as mulheres.

Não há quem, por maior tentativa, que encontre uma explicação, que arquitete e conduza a família de forma mais digna e completa que a mulher. A mulher é, ao mesmo tempo, a massa, o tijolo e o cimento que edificam e fortalecem a construção.

Assim, elogios merecidos, mas, à parte, mulher é alguém que “se derrete” toda com as boas preliminares. E, nesse caso, não estamos falando nem pensando em sexo. Estamos falando de viver. Tratar bem uma mulher é viver bem as preliminares.

E se me lembro bem, ainda consigo ver, bem ali na primeira esquina da vida, os galanteios preliminares que cada dia uniam mais um casal de namorados enamorados. Cada dia e cada noite. Independentemente de qualquer balcão de Julieta, a seresta noturna para a namorada, era como um buquê de rosas vermelhas e sem espinhos.

Falo das serenatas. Feitas com respeito e limites. As serenatas marcaram época de romantismo e ternura. Qualquer jovem que se prezasse, em vez de “tablet” ou celular, tinha a sua radiola portátil. Movida a pilha e tocada sem chip, mas com muito amor.

Os anos 50/60 vividos em Fortaleza – naquela época uma cidade muito distante da metrópole que é hoje – foram vividos com sabedoria. Usufruir a vida e a juventude tinha um conceito diferente de hoje, onde muitos jovens se envolvem com práticas e valores que os afastam ainda mais da maturidade. Hoje, trocar alhos por bugalhos virou algo normal.

Muitos trocam o amanhã pelo hoje, por conta de definições as mais irreais possíveis. Os jovens de hoje (rapazes e moças) não namoram mais, não sonham mais, não vivem mais. Cedo estão envolvidos com situações que acabam por não resolver e jogam a solução para os pais. O jovem de hoje não namora mais. Não namora mais na sala, na frente da casa da namorada. Vai direto para o quarto e o namoro acaba virando sexo – e quase sempre com situações que ele não está capacitado para resolver.

A serenata (ou seresta) era um momento mágico e de aproximação entre os casais enamorados, e muitas vezes, a música falava por ambos. Era ali também, que, muitas vezes amadurecia um pedido de casamento – sempre no dia seguinte.

“Maria” foi minha primeira namorada. “Maria” estudava na Escola Normal de Fortaleza, naquele tempo, localizada próximo do Colégio Militar, na Aldeota. Cedo nos apaixonamos e namoramos alguns anos. Não deu em casamento. Se tivesse dado certo, hoje eu não estaria aqui em São Luís.

Aí entrei na gandaia, e ao mesmo tempo namorava (frequentando a casa de todas quase todas as noites) cinco jovens. Todas muito bonitas. Eram a Célia, a Dinaci, a Antônia e a Carolina, além claro, da “Maria”.

Carolina é hoje uma conceituada médica, além de Jornalista, Professora de Jornalismo e Diretora de um curso na área de Comunicação de uma conceituada instituição de ensino de Fortaleza. Todas gostavam de música e das serenatas que, todos os meses, eu e um ou dois amigos fazíamos.

Atenção: Os nomes aqui apresentados são todos fictícios. Mas os namoros foram verdadeiros.

* * * 

DIA DE FESTA

Érica Luíza a aniversariante

Não consigo enganar ninguém. Dói, quando tento fazer isso e, graças à Deus, sou impedido de fazê-lo.

Estou repetindo esta crônica, publicada aqui mesmo, faz tempo.

Desde ontem (sábado) resolvi me envolver com uma data festiva. 11 de fevereiro é aniversário da minha caçula. 34 anos!

Enfermeira graduada na UFMA (Universidade Federal do Maranhão), Érica Luíza é prestativa sem ser da Cruz Vermelha. Tem virtudes e defeitos (e, um desses defeitos: é flamenguista). Solteira por escolha. Entendeu que teria problemas na família trabalhando em hospitais.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

UM PAÍS DE MENTIRAS

São mais de 8 milhões de quilômetros quadrados perdidos no meio do nada! O nada parece um pântano de areia movediça que engole o caráter das pessoas e as transforma em simples fantoches. Já há algum tempo venho externando minha indignação com isso tudo e tudo que vejo é um cerco jurídico se fechando cada vez mais em torno de alguns e deixando, outros, totalmente livres. A sensação é de confinamento, para alguns, num grande círculo, enquanto outros apenas observam do lado de fora. A claustrofobia de uns será o remédio para a autofobia de outros.

Buscando frases de Roberto Campos para colocar no rodapé de uma lista de exercícios (sempre coloco em lista de exercícios, provas ou atividades, uma frase de alguém, algumas das vezes, frases minhas) e me deparei com uma frase de Roberto Campos que dizia: “Haverá salvação para um país que se declara “deitado eternamente em berço esplêndido” e cujo maior exemplo de dinâmica associativa espontânea é o Carnaval?”

Ao deitar-se em berço esplêndido, o gigante tornou-se algo diferente daquilo que preconizava a coragem do filho que não foge à luta. A sensação é que ou não existe luta, ou chegamos atrasados ou estamos nos recusando a participar e enquanto isso somos conduzidos de forma bem comportada para dentro do círculo do qual só sairemos curados.

Não sei ao certo qual a fobia que nos contagia, mas os sintomas são bem específicos e estão associados com a rejeição à: corrupção, aparelhamento do estado, justiça seletiva que libera corruptos e prende inocentes, poder absoluto da lei que desrespeita o “quantum” de 1/3 da república. Sim, ter tais sintomas nos transforma em doentes desenganados. Somos a reencarnação dos leprosos que há dois mil anos eram apedrejados nas ruas e precisavam se abrigar nas cavernas. Talvez seja isso: vamos isolar quem pensa diferente e tratar como se tratavam os leprosos.

Confesso que passa pela minha cabeça que a instrumentalização para a cura é o bisturi cirúrgico da lei. Vi um vídeo (no grupo do zap do Cabaré do Berto) que me assustou: um programa desenvolvido especificamente para o STF captar nas mídias sociais tudo que se referir ao órgãos, ao seus deuses e quiçá, aos órgãos dos seus deuses e dependentes também. Liberdade de expressão? Teremos, desde que não pronunciemos tais palavras ou que não chamemos um ladrão de ladrão.

Fica cá com meus pensamentos restritos que teimam em se materializar na forma de perguntas, mas as respostas me assustam, posto que, alguma delas eu deduzo facilmente. Não encontro resposta para “o que fazer?”. Não estou incitando a balbúrdia, a desobediência civil, nada disso, mas o que deve ser feito quando os órgãos institucionais se ergueram contra um governo legitimamente eleito e seus membros, que constitucionalmente deveria ficar isentos de partidarismo, foram os principais responsáveis por esse estado de incerteza?

Vamos fazer uma breve recapitulação: em 1988 o colégio eleitoral elegeu Tancredo Neves presidente com a proposta de fundar uma Nova República, mas quem governou foi José Sarney que vinha de um partido que deu sustentação ao governo militar que ora se findava. Em 1989, Sílvio Santos entrou na disputa pela presidência e deixou Collor de Melo em segundo lugar nas intenções de votos. A diferença era superior a 20 pontos percentuais. A campanha de Sílvio Santos durou dez dias e mediante decisão do TSE a candidatura foi cassada. O resultado é que Collor foi eleito porque naquele tempo o PT de Lula assustava até o bicho papão. Tratava-se de um governo de direita, mas com o impeachment assumiu Itamar que colocou Fernando Henrique Cardoso no ministério da fazenda, que convidou uma equipe – competente – de economistas para implantar o Plano Real e que com isso ganhou a eleição para Lula, em duas ocasiões. Resultado: de 1994 a 2018, o Brasil foi governado por partidos de esquerda.

Eu acredito que o pessoal que se diz de direita não consegue compreender e aproveitar as oportunidades que surgem. Bolsonaro montou um gabinete digno de referência. Teresa Cristina, Tarcísio Freitas, Moro, Paulo Guedes, mas tinha outros bem fracos em outras áreas prioritárias com saúde e educação. Perdeu tempo, dedicou parte do seu tempo a confrontos bobos e com isso perdeu a oportunidade de transformar o pensamento do país e continuar com a política econômica de Guedes que se apoiava na redução da inflação, no equilíbrio fiscal e no crescimento da economia com a redução do tamanho do estado.

Se você observar, Milei está fazendo algo extremamente parecido na Argentina e em poucos meses de governo já se vê protestos da população com medidas que deveriam ser adotadas de modo gradual. Já trocou um ministro por, supostamente, ser um “espião”. A Argentina é uma ilha na América do Sul: cercada de governos de esquerda por todos os lados!

Finalizo, chamando a atenção para a frase do Roberto Campos. Os fatos são assim mesmo: a única expressão espontânea é o carnaval. Talvez o poder espere que ele refresque a cabeça dos rebeldes. Talvez, quando a quarta-feira de cinzas chegar, tenha somente as cinzas de sonho ousado. Até o próximo carnaval vamos dizendo: “louco? Eu já fui louco! Me trancaram num quarto com ratos e os ratos me deixam louco”. Repete isso diariamente até o carnaval de 2025. É melhor.

DEU NO X

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

CEGO ADERALDO

O poeta Sebastião Dias contava que em uma cantoria no Mercado de Fortaleza, Cego Aderaldo cantava com um cantador jovem que, sabendo que Aderaldo, mesmo solteiro, criava sete filhos adotivos, cutucou:

Não sei por que este cego
Nunca pensou em casar.

Cego Aderaldo respondeu na deixa:

Até pensei em casar
Falo a verdade, não nego!
Mas com minha experiência
Batata quente eu não pego.
Quem tem vista leva chifre
Imagine eu que sou cego!

Cego Aderaldo em foto de 1949. Publicada na revista O Malho em maio de 1953

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Antônio Maria

Antônio Maria Araújo de Morais nasceu em 17/3/1921, em Recife, PE. Jornalista, locutor esportivo, cronista, poeta, compositor, apresentador, dramaturgo, cartunista, diretor de rádio e TV no ano de seu surgimento. Foi destacado “boêmio” e figura marcante das noites cariocas nos anos 1950 e 1960. É considerado o primeiro “multimídia” brasileiro.

Filho de uma tradicional família de usineiros. Na infância aprendeu em casa a tocar piano e ler francês; na adolescência perdeu o pai e a família passa por um perrengue financeiro. Estudou no colégio Marista, onde conheceu Fernando Lobo (pai de Edu Lobo), de quem será parceiro musical mais tarde e amigo por toda a vida. Era primo do poeta Vinicius de Moraes, uma descoberta feita por acaso numa conversa familiar.

Aos 17 anos foi apresentador de programas musicais na Rádio Clube de Pernambuco; aos 19 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como locutor esportivo. Morava num prédio, onde tinha como vizinhos Abelardo Barbosa, o futuro Chacrinha, Dorival Caummy, o pintor Augusto Rodrigues e seu velho amigo Fernando Lobo. Mas não conseguiu se estabelecer no Rio; retorna ao Recife em 1944 e casa-se com Maria Gonçalves Ferreira.

Em seguida mudou-se para Fortaleza, onde foi locutor na Rádio Clube do Ceará. No ano seguinte foi morar em Salvador; assume a direção das Emissoras Associadas e passa a conviver com Jorge Amado e Di Cavalcanti. Com 2 filhos, voltou a morar no Rio em 1947 e foi contratado como diretor artístico da Rádio Tupi. Com a chegada da Televisão, Assis Chateaubriand promoveu-o a diretor de produção, em 1951. A partir daí passa a escrever crônicas diárias na imprensa, mantendo as colunas “A Noite é Grande”, “O Jornal de Antonio Maria” (O Jornal e Última Hora), “Mesa de Pista” (O Globo) e manteve o “Romance Policial de Copacabana” no jornal Ultima Hora, com crônicas e reportagens.

Tais crônicas foram reunidas e publicadas em livros após sua morte, em 15/10/1964: O Jornal de Antônio Maria (Ed. Saga, 1968); Com vocês, Antônio Maria (Ed. Paz e Terra, 1994), Benditas sejam as moças: As crônicas de Antônio Maria. (Ed. Civilização Brasileira, 2002) e O diário de Antônio Maria (Ed. Civilização Brasileira, 2002). Pouco depois foi contratado pela Rádio Mayrink Veiga, com um salário de 50 mil cruzeiros, e alavancou a vida boêmia com a compra de um cadillac. Continuou trablhando no Rádio e, em 1957, manteve parceria com Ary Barroso no programa da TV Rio “Rio, Eu gosto de você”. Manteve também shows nas boates “Casablanca” e “Night and Day” e compunha jingles publicitários.

Como compositor emplacou diversos sucessos, como Manhã de Carnaval, Ninguém me ama, Samba do Orfeu, Valsa de uma cidade, As suas mãos, Se eu morresse amanhã, Frevo nº 2 num repertório de 62 gravações. Entre seus intérpretes, contava com Dolores Duran, Elizeth Cardoso, Lucio Alves, Ângela Maria, Dircinha Batista…, além de Nat King Cole, que gravou Ninguém me ama e As suas mãos. Em fins de 1950, apaixonou-se por Danusa Leão, mulher de Samuel Wainer, dono do jornal e seu patrão. Decidiram morar juntos até 1964, quando veio o Golpe Militar e Danusa resolveu voltar a viver com Wainer e acompanhá-lo ao exílio.

O golpe foi duro e pouco depois não resistiu ao segundo enfarte e faleceu em 15/10/1964. Tinha problemas cardíacos desde a infância. Era um “cardisplicente”, como ele mesmo se descrevia. Em 2006 Joaquim Ferreira dos Santos publicou a excelente biografia Um homem chamado Maria, pela Editora Objetiva. Na contracapa, Sergio Augusto disse: “No melhor dos mundos Antonio Maria, o menino grande, estaria ainda vivo, fazendo aquilo que nenhum de seus contemporâneos sabia fazer melhor: inebriar de charme uma conversa”.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X

DEU NO X

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA