O governo Lula (PT) já torrou mais de R$ 55,5 milhões com os chamados “cartões corporativos”, somente até julho deste ano.
Desde meados de junho, as despesas dos “Cartões de Pagamento do Governo Federal” saltaram mais de R$ 22 milhões.
Só a Presidência da República de Lula (PT) foi responsável por R$ 3,5 milhões de gastos com seus 12 cartões corporativos, este ano; mais de R$ 1,2 milhão no último mês.
Praticamente todas as despesas realizadas pelos cartões corporativos da Presidência de Lula são mantidas sob sigilo. Por “segurança”, claro.
Em 2025, os cartões corporativos custaram R$ 105,4 milhões aos pagadores de impostos, recorde histórico para esse tipo de gasto.
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A nota aí de cima termina dizendo que estes gastos estratósfericos sairam dos bolsos dos pagadores de impostos.
Dos nossos bolsos.
O ideal seria que fossem cobertos apenas por quem fez o L.
Há algo mais corrosivo do que o erro humano: o erro humano blindado por sacralidade. Quando a fé — que deveria ser espaço de humildade — é usada como escudo moral, ela deixa de ser transcendência e se torna mecanismo de impunidade. Não é Deus que está ali. É o poder vestindo incenso. O verdadeiro escândalo nunca foi o pecado. O verdadeiro escândalo é a institucionalização do perdão seletivo.
Porque o pecado, quando assumido, ainda pode ser humano. Mas quando escondido atrás de dogmas, cargos e batinas, ele se torna sistema. A retórica é sempre a mesma, refinada ao longo de séculos: “É preciso preservar a instituição.” “O escândalo seria maior.” “A fé dos fiéis não pode ser abalada.” “O sacerdócio é maior do que o indivíduo.”
Tradução honesta: a dignidade humana é negociável.
O corpo do outro vira detalhe. A dor do outro vira dano colateral. A vida do outro vira problema administrativo. A fé, então, não é vivida — é gerida. O hipócrita religioso não é aquele que falha. É aquele que prega pureza enquanto terceiriza a culpa. É aquele que transforma o erro em estatística, o sofrimento em silêncio, a vítima em inconveniente. A moral que ele defende é sempre vertical:
• dura para quem está embaixo • flexível para quem está no topo
E quanto mais rígido o discurso público, mais obscura a prática privada. A castidade vira obsessão. O pecado vira espetáculo. A redenção vira privilégio corporativo. Quando a instituição se coloca acima da dignidade humana, ela trai qualquer valor espiritual que diga defender. Não importa o nome da religião. Não importa o livro sagrado. Não importa o ritual. No momento em que a pessoa real — concreta, vulnerável, sangrando — é sacrificada para preservar uma imagem abstrata, a espiritualidade morreu.
O que resta é teologia como engenharia social. É fé como ferramenta de controle. É Deus como álibi. O mais perturbador é que isso raramente vem acompanhado de crueldade explícita. Vem com voz calma. Com justificativas sofisticadas. Com frases “pastorais”. O mal aqui não grita.
Ele administra. Ele convoca reuniões. Redige comunicados. Pede discrição “pelo bem de todos”. E segue dormindo em paz.
A fé autêntica sempre foi um problema para as instituições. Porque ela exige coerência. E coerência é cara demais para quem vive de aparência. Por isso os verdadeiros espirituais quase sempre foram perseguidos, silenciados ou canonizados depois de mortos — quando já não incomodam mais. O sistema não teme o ateu. O sistema teme o ético. Denunciar isso não é atacar a fé. É defendê-la daquilo que a corrompe.
Porque nenhuma divindade digna desse nome precisa ser protegida pela mentira. E nenhuma instituição merece sobreviver ao custo da destruição humana. Se uma estrutura só se sustenta esmagando pessoas, ela não é sagrada. É predatória. E não há ritual, batina, dogma ou incenso que lave isso. A pergunta final não é religiosa. É moral: Quem você protege quando erra?
A pessoa ferida — ou a imagem do poder?
A resposta a isso define tudo. E o mundo, cansado de demagogia, já começou a escutar.
Daniel Ortega anunciou que não haverá mais eleições na Nicarágua, para que a direita não volte ao poder
Algumas ditaduras tentam manter alguma aparência de democracia realizando eleições, que nunca são livres nem justas – normalmente elas são fraudadas, como na Venezuela bolivariana ou na Rússia de Vladimir Putin, ou apenas os “candidatos” aprovados pelo regime podem concorrer, como em Cuba, na Coreia do Norte, na China ou no Irã. Na Nicarágua, Daniel Ortega foi “reeleito” em 2021 em uma “disputa” que teve vários candidatos presos e acusados de “traição à pátria”; mas, dias atrás, o ditador resolveu abandonar de vez o teatro e assumir o que apenas os muito ingênuos ou os muito cegos politicamente continuavam sem perceber.
Em Manágua, capital do país, em evento que marcou o aniversário da Revolução Sandinista, Ortega anunciou que “aqui não haverá mais eleições para que eles [a oposição] não tentem tomar o governo, tomar o poder”. O próximo pleito (que, salvo alguma surpresa, também seria feito sob medida para garantir a vitória da esquerda) ocorreria no fim deste ano, mas tinha sido adiado para 2027 após uma reforma constitucional que ampliou o mandato presidencial. A mesma reforma, aliás, havia consolidado os superpoderes do presidente-ditador ao reduzir o Legislativo e o Judiciário a “órgãos” do Estado, coordenados pelo Executivo.
Às vésperas de uma eleição presidencial, Lula poderá até dizer que se distanciou de Ortega em 2024, quando houve a expulsão mútua dos embaixadores de Brasil e Nicarágua, mas não pode negar que ele ajudou a criar o monstro e o apoiou até não poder mais. A “reeleição” de Ortega em 2021 foi celebrada pelo PT com nota oficial (posteriormente removida) e, na sequência, o então pré-candidato Lula defendeu o fim da alternância de poder na Nicarágua comparando Ortega a líderes europeus que conquistaram várias reeleições em eleições livres e justas, como a alemã Angela Merkel, a britânica Margaret Thatcher e o espanhol Felipe González. Na campanha de 2022, quando Ortega já estava começando a se tornar “tóxico” graças à perseguição ostensiva aos cristãos, Lula tentou (e conseguiu) censurar publicações nas mídias sociais – inclusive da Gazeta do Povo – que descreviam a aliança entre o brasileiro e o nicaraguense.
No poder, o petista ainda deu mostras de solidariedade ao colega de esquerda ao longo de 2023, especialmente quando se absteve de assinar uma declaração do Conselho de Direitos Humanos da ONU denunciando os crimes cometidos por Ortega. E, mesmo depois do rompimento, a diplomacia brasileira, sempre tão disposta a lançar notas de repúdio e condenação, tem se mantido bastante silenciosa (ou seja, omissa) diante de situações como o desaparecimento do bispo católico Juan Abelardo Mata, que já dura três semanas. Além disso, o PT continua a ser parceiro da Frente Sandinista de Libertação Nacional, o grupo de Ortega, no Foro de São Paulo.
Obviamente, não é pelo esquerdismo nem pelo autoritarismo de Ortega que Lula se afastou do nicaraguense – afinal, o petista continua bajulando todos os outros ditadores socialistas mundo afora –, mas apenas porque o custo de seguir defendendo um perseguidor de cristãos se tornou alto demais em um país no qual o eleitorado católico e evangélico é decisivo. Ortega não teria chegado aonde chegou sem a parceria de inúmeros outros líderes e organizações da esquerda latino-americana, e Lula e o PT não são meros coadjuvantes nessa lista. São laços que o eleitor brasileiro não pode ignorar quando for às urnas em outubro.
Novo episódio polêmico de Janja: primeira-dama diz que foi a primeira a trabalhar efetivamente
Janja disse que, antes dela, o Brasil nunca teve uma primeira-dama que trabalhasse. A declaração foi dada numa entrevista ao portal UOL. A esposa de Lula parecia bem segura do que dizia — tanto que fez questão de se classificar como a primeira esposa de chefe de Estado a trabalhar “efetivamente”.
Ou seja: trabalho de verdade, na história das primeiras-damas brasileiras, só ocorreu com Janja da Silva (segundo ela própria).
A afirmação contundente não gerou polêmica na entrevista. Janja chegou a ser perguntada sobre sua agenda de trabalho ou em que consistia essa atividade considerada por ela pioneira para o posto. Respondeu que vai “quase todo dia” ao Palácio, citou parcerias e programas em que atua junto a outros países e ficou tudo bem.
O centro da argumentação da primeira-dama brasileira era uma autodefesa contra os que a consideram “gastadeira”. As despesas em viagens internacionais com hospedagens em hotéis de luxo e comitivas numerosas não foram inventadas pelos críticos. Mas Janja afirmou que sempre procura primeiro a estadia nas embaixadas. Não deixa de ser um consolo.
A questão principal, porém, é menos inocente do que essa polêmica ou disse-me-disse sobre shoppings, hotéis e cartões. A primeira-dama brasileira afirma — e fez questão de enfatizar na entrevista ao UOL — que as críticas ao seu nível de gastos são “misoginia”. Considerando que está em tramitação um projeto de lei sobre a matéria, criminalizando os atos misóginos, e, a prevalecer o juízo de Janja sobre o assunto, muito em breve quem eventualmente chamá-la de “gastadeira” estará em maus lençóis.
Ela mostrou ao mundo sua preocupação com o assunto ao lado de ninguém menos que o presidente da China, Xi Jinping. Lula e Janja pediram ajuda ao líder máximo do regime de partido único (que controla o ambiente digital em seu país com mão de ferro) para a regulação das mídias sociais no Brasil. Sem dúvida alguma, no regime chinês ninguém deve se aventurar a chamar uma autoridade ou figura palaciana de “gastadeira”.
Talvez o Brasil já esteja a meio caminho desse padrão. A declaração de que nenhuma primeira-dama antes de Janja “trabalhou efetivamente” não comoveu os meios de comunicação, nem gerou ao menos a saudável sequência de contrapontos — como qualquer assunto no mínimo polêmico merece numa democracia.
O insulto a D. Sarah Kubitschek, com seu proverbial legado em várias formas de assistência social, saiu de graça. A Rede Sarah de hospitais deve ter sido batizada dessa forma por acaso. Se não foi trabalho, deve ter sido numerologia. O famoso programa Comunidade Solidária, elaborado e implementado com eficiência e discrição pela então primeira-dama Ruth Cardoso, vai ver também não é mais considerado trabalho na historiografia moderna. Quem sabe não foi um golpe de sorte?
Parabéns a todos os entusiastas e apoiadores, tácitos ou explícitos, desse discurso. Esqueçam a história e a liberdade de crítica. O poder é a verdade. Desse jeito a gente chega lá.