DEU NO JORNAL

A NOSSA ESCOLHA

Roberto Motta

A nossa escolha

Vivemos em uma época em que a Justiça está sendo pervertida, não só no Brasil, mas em todo o mundo. Quem perverte a Justiça – seja por ação ou omissão – sabe muito bem o que está fazendo. É uma época em que a verdade está sendo virada pelo avesso, não só aqui, mas em toda parte. Essa é uma época na qual dizer a verdade – e dizer aquilo que é óbvio – é atividade de alto risco. Nunca foi tão perigoso ser filósofo, pensador, escritor ou jornalista.

É importante entender que isso não acontece só no Brasil. Exatamente a mesma coisa está acontecendo na Austrália, nos Estados Unidos, no Canadá e até no Reino Unido, um país que pode ser considerado o berço do liberalismo e dos direitos civis, terra da Magna Carta e da Revolução Gloriosa. Em todas essas nações, pessoas estão sendo censuradas, intimidadas, canceladas, difamadas e até processadas e presas porque pensaram, disseram ou publicaram alguma coisa em redes sociais. O que era impensável até pouco tempo se agora se tornou rotina. No mundo inteiro.

Eu posso adivinhar o que você está pensando: “Mas, Roberto, aqui tem o fulano de tal, que é a encarnação do mal”. Claro. Da mesma forma, em outros países, há outras pessoas cumprindo funções semelhantes, e fazendo coisas iguais ou piores.

A Escócia acaba de aprovar uma lei que determina até 7 anos de prisão para quem fizer postagens politicamente incorretas. A inacreditável lei escocesa – que vem sendo denunciada por vozes como a de J. K. Rowling, autora da série Harry Potter, e pelo escritor Douglas Murray, autor de A Guerra Contra o Ocidente – criminaliza comentários ou atitudes que “incitem o ódio” contra características consideradas protegidas como idade, deficiência física, religião, orientação sexual ou identidade transgênero. Uma postagem mal interpretada pode terminar com a polícia escocesa batendo na porta.

Na mesma semana, a Alemanha “legalizou parcialmente” a posse e o porte de maconha. O porte de menos de 25g ou a posse em casa de até 50g de maconha foram descriminalizados. Cada adulto pode agora “cultivar” até 3 três plantas de cannabis em sua residência. A lei proíbe o consumo por menores ou na frente de menores, e será proibido fumar a menos de 200 metros de escolas, parques infantis e campos de esporte.

Ao mesmo tempo em que “descriminaliza” a droga, o governo alemão vai lançar uma campanha educativa sobre os riscos de seu uso. O ministro da saúde alemão afirmou que a lei ajudará a acabar com o mercado negro da marijuana. Como eu mostro no meu livro A Construção da Maldade, exatamente o contrário aconteceu no Canadá, na Califórnia e em vários outros estados americanos que “descriminalizaram” a maconha. Em todos os esses lugares, o mercado negro – um eufemismo para o tráfico de drogas – aumentou.

Nos Estados Unidos continua a perseguição judicial a Donald Trump, com o objetivo descarado de retirá-lo da disputa eleitoral. Trump, que já responde a 91 acusações criminais, foi o primeiro ex-presidente americano a ser fotografado e fichado em uma delegacia de polícia. A maioria da mídia americana e das redes sociais se transformou em um consórcio de propaganda do Partido Democrata e do estamento burocrático – o chamado DeepState – e em máquina geradora de narrativas contra Trump e a direita americana.

A conclusão é evidente: estamos assistindo a um fenômeno mundial. Isso talvez não sirva de consolo, mas é importante entender que a insanidade jurídica, a venalidade midiática, o abandono da lógica e do bom senso e a opção por um “progressismo” tirânico, sectário e destruidor não ocorrem apenas aqui.

Não é possível prever o que vem a seguir. Analistas e “especialistas” vivem cheios de explicações, mas nenhum deles conseguiu prever qualquer um dos grandes eventos do passado recente: a pandemia, a ressurgência do autoritarismo, a guerra na Ucrânia ou o apoio da esquerda aos terroristas do Hamas. Ninguém sabe o que acontecerá amanhã ou no próximo mês.

Na impossibilidade de prever os acontecimentos, nos resta escolher entre a esperança e o desespero, entre a apatia e a ação. Podemos ajudar quem precisa. Agir para corrigir as injustiças. Levar conhecimento e informação ao maior número possível de pessoas. Ou podemos nos entregar às lamentações.

O dia de amanhã pode ser pior do que o dia de hoje? É evidente. O dia de amanhã pode ser melhor que o dia de hoje? É claro que pode. Mas talvez – e esse é um grande talvez – a probabilidade das coisas melhorarem será um pouco maior se nós soubermos aprender a lição do nosso tempo – se transformarmos o que temos vivido em aprendizado, se construirmos um relato heroico do quanto lutamos pela liberdade nesses dias de desesperança e medo.

Para que nossos filhos e nossos netos entendam e nunca esqueçam. Para que as coisas que estão acontecendo hoje, no Brasil e no mundo, jamais aconteçam de novo.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

NOTÍCIA BOA

Após implorar por vários dias para ser recebido por Lula, a insistência de Jean Paul Prates em se manter na Petrobras já constrange.

Lula dá ao ex-senador tratamento dispensado a guardanapo de papel usado.

* * *

Este é o tipo de notícia que a gente lê se rindo-se.

Achando bom.

Depois de uma semana repleta de coisas que nos  dão desânimo, aparece uma informação jocosa.

Ótimo pra começar bem a semana.

Fecho a postagem com outra nota:

Aloizio Mercadante, Miriam Belchior, Bruno Moretti e Clarice Copetti estão em alta para substituir Jean Paul Prates no comando da Petrobras. O governo concluiu que Prates é desqualificado e o submete a fritura.

XICO COM X, BIZERRA COM I

PRA VER A BUNDA PASSAR …

Estava à toa na vida. Não havia qualquer sinal que me obrigasse a parar, mas parei para dar passagem àquela moça que atravessava a rua. Sequer percebi se ela era bonita – nem precisava ser, ante a beleza anatômica de que se revestia a jovem quando observada de costas, da cintura para baixo. Faceira e apressada, falava e ria ao celular e, pela justeza da calça que trajava, devia estar indo para a Academia.

Tão à toa estava que não vi o carro no sentido perpendicular. O outro motorista, por certo, não teve o privilégio do ângulo de visão a lhe favorecer, senão teria parado para olhar a moça que passava. Impossível não parar ante a ‘redondice’ perfeita daquela moça, preenchendo as mais rigorosas exigências estéticas porventura existentes. Batemos os carros. Terá sido castigo? Não acho. Castigo seria se meu olhar não fosse repleto de bons sentimentos, de boas intenções, um olhar artístico, um olhar puro. Nada restou a fazer a não ser ligar para o seguro.

Tudo porque eu me abestalhei apenas para ver a bunda passar, como se fosse um pornográfico Chico Buarque de Holanda … Ante o ocorrido, obrigo-me a dar razão ao especialista, profundo conhecedor do assunto – Vinícius de Moraes que, em sua Receita de Mulher, decreta como condição de beleza, dentre outros requisitos, que a mulher ‘seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo’. Parodiando o sábio Poeta eu ouso dizer: as desbundadas (não-calipígias para os eruditos) que me perdoem, mas o ‘dernière’ é fundamental …

DEU NO X

PENINHA - DICA MUSICAL

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AQUELES QUE QUEREM MATAR O BRASIL

Luís Ernesto Lacombe

O destino dos pedidos de impeachment de ministros do STF e das assinaturas da CPI do Abuso de Autoridade, se depender dos presidentes da Câmara e do Senado.

O destino dos pedidos de impeachment de ministros do STF e das assinaturas da CPI do Abuso de Autoridade, se depender dos presidentes da Câmara e do Senado

Alô, Rodrigo Pacheco! Alô, Arthur Lira! Vocês estão por aí? Procurem em suas gavetas, naquelas propositadamente quase inatingíveis, abandonadas numa bagunça estratégica. Nelas tudo se perde, tudo fica esquecido. Talvez já tenham feito uma limpeza, pode ser… Ou talvez nada do que importa para o Brasil de verdade tenha sido mesmo guardado nelas. As lixeiras podem ter parecido menos perigosas, mais adequadas, mais sedutoras, mais oferecidas como destino ideal de pedidos de impeachment de ministros do STF, de abertura da CPI do Abuso de Autoridade. Sem escalas, sem repouso eterno em gavetas malfadadas, e com reciclagem impossibilitada, claro.

Alô, Procuradoria-Geral da República! Alô, Polícia Federal! Os documentos divulgados por três jornalistas sobre a censura imposta a usuários do antigo Twitter não merecem investigação? Que gente é essa que está acima das leis, da Constituição, do Marco Civil da Internet? Não houve abuso de autoridade? Utilização excessiva do poder? Ninguém agiu de forma indecorosa, de forma excessiva ou desviada de sua função original, da finalidade legal do cargo que ocupa? Parece que esqueceram o que é crime de responsabilidade, aquilo que pode levar a um processo de impeachment.

Em que delírio estão metidos agentes da Polícia Federal e técnicos do TSE que investigam hashtags? Parecem todos felizes com o próprio sequestro… A Advocacia-Geral da União também, a Anatel, a OAB… Parecem todos apaixonados pelo sequestrador, agindo de bom grado como reféns, num órgão fiscalizador, de censura que a corte eleitoral não poderia ter criado, seguindo leis que o TSE também não poderia inventar. Na sua Síndrome de Estocolmo, esses reféns encantados levam um país inteiro para o cativeiro.

Alô, Congresso Nacional! Tem alguém nas casas? Ou estão todos preocupados com as eleições municipais, com os bilhões do Fundo Partidário, do fundo eleitoral, com as emendas parlamentares, com as boquinhas no governo? Ou estão com medo dos supremos? Assim, em breve, deputados e senadores poderão ser dispensados. Se é para referendar, para permitir tanta desgraça, sem resistência, sem pressão, abrindo mão da sua imunidade, de todas as suas prerrogativas… Esse Congresso atropelado deveria entender que empurra um país inteiro na direção do caminhão-betoneira desgovernado.

Alô, assessoria de imprensa da gangue no poder! Que tal voltar a usar critérios jornalísticos para escolher as histórias que vai contar e aquelas que vai abandonar? E que tal contar as suas histórias com base nos fatos, na busca pela verdade? Continuar nessa artimanha de decidir suas pautas com a preocupação de ajudar amigos, aliados, cúmplices e prejudicar “adversários” só empurra o Brasil para o abismo… O jornalismo decidiu se matar e encaminha um caso único de suicídio seguido de homicídio, o assassinato do Brasil. Ainda há tempo para se arrepender.

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