Após apenas três meses e meio neste ano de 2024, o governo Lula (PT) já conseguiu gastar mais de R$ 277,4 milhões somente em viagens de seus funcionários, incluindo comissionados, terceirizados e até “convidados”.
O total engloba as despesas com passagens e especialmente diárias, que são pagamentos feitos aos funcionários para remunerar os gastos na viagem.
Os gastos com bilhetes fazem a festa das empresas aéreas: mais de R$ 108,8 milhões. Até agora.
As diárias pagas a funcionários custaram mais de R$ 166 milhões aos pagadores de impostos, nos primeiros 105 dias do terceiro governo Lula.
Ano passado, o governo petista bateu recorde; nunca antes essas viagens custaram tanto.
Foram quase R$ 2,3 bilhões voando por aí.
As despesas não incluem gastos de Lula, Janja e de ministros de Estado.
Todos viajam de jato da FAB, com gastos mantidos sob sigilo.
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Prestem atenção no último parágrafo:
Estes números absurdos não incluem os gastos viajatórios vagabundeiros da Zero Um, nem do seu marido e nem dos ministros.
Viajam em jatinhos militares, pagos pelo contribuinte, e as despesas são mantidas em sigilo.
No grupo do zap, Cabaré do Berto, do dia 10 de abril de 2024, o sempre hilário e bem humorado comentarista Marcos Fontes, preciso e cirúrgico, comentou o seguinte a respeito da nova vencedora do concurso Miss Brasil Teen 2024, Thielle Gois, abaixo num vídeo que viralizou com ela emocionada comentando a importância da vitória de Miss Brasil 2024. Diz Fontes: “Eu tinha perdido a esperança na juventude brasileira, mas essa moça mostra que ainda há cérebros no país. Exemplo para todos os jovens, com habilidade para se comunicar, riqueza de vocabulário, concatenação de ideias e um bom alicerce de conceitos. A cereja do bolo veio no final, quando ela BATE CONTINÊNCIA!”
De beleza estonteante e inteligência surpreendente, Thielle Gois, 18 anos, linda, natural de Umbaúba, litoral sul sergipano, menor estado da federação, jovem negra, periférica, com descendência indígena, filha de mãe solteira, estudante de escola pública, se expressou em quatro idiomas em discurso antológico de agradecimento pela vitória do maior concurso Teen do país versão 2024 que ela foi vencedora, realizado no estado de Curitiba, Paraná, mês de março, contando com a participação de 28 jovens de outros estados da federação, todas de padrões estéticos e convencionais ultrapassados.
A vitória de Thielle Gois não apenas a coloca em destaque nacional, mas também orgulha o estado de Sergipe ao conquistar o título máximo no concurso de beleza teen. Sua vitória foi resultado não apenas de sua beleza estonteante, mas também de sua simpatia, naturalidade e talento, muito talento, que encantaram os jurados e o público presente.
Ao receber a coroa de Miss Brasil Teen 2024, Thielle Gois demonstrou sua gratidão e emoção, representando não apenas sua cidade natal, mas todo o estado de Sergipe com orgulho e elegância. Seu desempenho exemplar e sua dedicação ao longo da competição são um verdadeiro exemplo de determinação e superação para jovens de todo o país.
Que a vitória de Thielle Gois no Miss Brasil Teen 2024 inspire outras jovens a seguirem seus sonhos e acreditarem em seu potencial, mostrando que, com determinação e trabalho duro, é possível alcançar grandes conquistas.
A maior surpresa desse evento de magnitude nacional e internacional, foi a ausência da Globo Lixo e outros meios de comunicações bosteis do país de ideologia comuna. Em prisca era, William Bonner e Renata Vasconcelos se mijam de emoção ao falarem ao vivo diretamente da cidade de Umbaúba para o Cansástico, exaltando o feito e o talento da jovem negra e periférica, vinda do menor Estado da Federação para conquistar o mundo com talento, beleza e desenvoltura. Talvez por ser Thielle Gois nacionalista consciente, a Globo Lixo mijou para trás e não deu destaque ao feito de importância NACIONSAL!
Sergipana Thielle Góis vence Miss Brasil Teen 2024
Sergipana de Umbaúba vence concurso e discurso em 3 línguas viraliza no Brasil – CA
MST afirma que seguirá com mobilizações até sexta (19) em meio ao anúncio de programa para reforma agrária
Diante da invasão de uma fazenda de 294 hectares no Espírito Santo, produtora de nozes de macadâmia, o deputado estadual Lucas Polesi fez uma pergunta importante. Investigou-se tanto quem financiou o acampamento dos manifestantes na frente do QG do Exército em Brasília. Por que não se revela quem financia o MST nas invasões? Os sem-terra chegam de automóvel, de picape, de ônibus; têm que se alimentar. Quem banca isso? Se são pessoas sem-terra, não trabalham, não têm renda. Quem financia? É uma pergunta fundamental, porque estão financiando um crime contra um preceito constitucional pétreo, que é o direito de propriedade. Está no artigo 5.º, na mesma linha do direito à vida; e, como se não bastasse, ainda está no inciso XXII do mesmo artigo. E o Estado brasileiro, que tem de fazer cumprir a lei, não está cumprindo seu papel. O deputado está mostrando isso lá na frente da fazenda. Precisam esperar que o governador mande a polícia, mas enquanto isso vão cometendo um crime. Depois o proprietário tem de entrar na Justiça para retomar a posse, dá um trabalho enorme.
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Ninguém precisa de grupo de trabalho, basta ler o artigo 53 da Constituição
Falando em cumprimento da Constituição, estamos precisando ler mais a lei maior. É fácil de encontrar, veja lá o artigo 5.º, leia inteirinho e me diga se ele está sendo cumprido. Leia o artigo 220. Veja também o 53, sobre a imunidade, a inviolabilidade dos nossos representantes. Deputados e senadores estão lá em nosso nome, não é por conta deles; eles são nossos empregados, nossos mandatários, nós é que somos os mandantes. Por causa disso, o direito de voz é nosso; “todo o poder emana do povo que o exerce através dos seus representantes”, e por isso eles precisam ter imunidade para quaisquer palavras, como está escrito na Constituição.
Aí o presidente da Câmara, Arthur Lira – já que o presidente do Senado nada faz, parece que está alienado –, diz que vai criar um grupo de trabalho para estudar as prerrogativas do deputado. Todo mundo sabe que, se é para não resolver alguma coisa, criam um grupo de trabalho. E fazem reuniões e mais reuniões, é o maior desperdício. Vai ter reunião do grupo de trabalho. Nunca fui de reunião na minha vida, fui mais de trabalhar, de fazer. Não adianta grupo de trabalho, é inútil. Por quê? Porque já está tudo escrito na Constituição, no artigo 53. Basta o presidente Arthur Lira ler e fazer todo mundo, nos três poderes, decorar. Aí está resolvido. É simples, porque a Constituição é simples, é legível, é “cidadã”, como disse o Doutor Ulysses.
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Dois casos tristes
Queria terminar com dois casos que vimos por aí envolvendo morte. O primeiro é essa coisa horrorosa dos africanos que saíram de um país na costa oeste da África. Diz a Polícia Federal que o destino deles era as Ilhas Canárias, que são espanholas e estão próximas à costa africana. Só que as correntes marítimas desviaram o barco, que estava sem leme, sem motor, acho que até sem vela, e foram parar na costa do Pará, os cadáveres já em putrefação; certamente morreram desidratados. O outro caso é o desse senhor, o “tio Paulo”, que foi levado pela suposta sobrinha para uma agência bancária. Todo mundo disse que ela seria presa, porque queria fraudar os herdeiros e fazer uma retirada de R$ 17 mil. Mas agora apareceu um motorista de Uber e disse que não era bem assim, que ele segurou a porta para o idoso entrar, foi buscá-lo na cama, e afirmou que ele estava com força na mão e estava respirando. Mas agora essa senhora já foi trucidada pela mídia tradicional.
Cinismo, palavra com origem no termo grego kynismos, é o sistema e doutrina filosófica dos cínicos.
Antístenes foi o filósofo fundador da Escola Cínica de Filosofia e mestre de Diógenes de Sinope. Nasceu em Atenas em 445 a.C. e morreu em 365 a.C., aos 80 anos. Antístenes fundou sua escola no ginásio chamado Cinosargos, que em grego significa “cão rápido”.
Em sentido figurado, o cinismo tem uma conotação pejorativa, pois designa o homem bruto, que não respeita sentimentos, valores estabelecidos, nem convenções sociais.
O famoso escritor britânico Oscar Wilde cunhou uma frase lapidar a respeito do cínico: “Um cínico é um homem que sabe o preço de tudo, mas o valor de nada”.
A origem do cinismo vem da palavra grega kýon (“cão”, em português), pelo fato de Diógenes de Sinope, o filósofo, dormir no local usado como abrigo para cães. O filósofo faria isso para demonstrar seu desacordo com o modo de viver dos homens.
Antístenes acreditava que a virtude era a única coisa necessária para a felicidade e que ela poderia ser alcançada através do autocontrole e da renúncia aos prazeres materiais.
Os cínicos desprezavam as convenções sociais. Desprezavam a riqueza, o poder e o prestígio, considerando-os como fontes de corrupção e sofrimento. Em vez disso, valorizavam a liberdade, a autossuficiência e a honestidade.
Um cínico é alguém que desafia as normas sociais e as convenções estabelecidas. Eles não se importam com a opinião dos outros e não têm medo de expressar suas opiniões de forma franca e direta. São conhecidos por suas atitudes desafiadoras e sua tendência de ironizar tudo.
Embora o ceticismo cínico tenha suas raízes na Grécia Antiga, ainda podemos encontrar traços dessa filosofia na sociedade contemporânea. Muitas vezes, vemos pessoas que desafiam as normas sociais e questionam as convenções estabelecidas. Elas não têm medo de expressar suas opiniões e são conhecidas por suas atitudes irreverentes e falta de polidez.
Portanto, o ceticismo cínico pode ser uma fonte de inspiração e reflexão para aqueles que desejam viver de forma autêntica e verdadeira. Ele nos convida a pensar por nós mesmos e a buscar a virtude em um mundo cheio de ilusões.
O ideal do sábio era a indiferença perante o mundo. A origem da escola do Cinismo remonta aos séculos III e II A.C., com um ressurgimento posterior, nos séculos I e II d.C. Alguns filósofos a classificam como escola socrática, na linha de Sócrates-Antístenes-Diógenes. Outros negam a relação Antístenes-Diógenes, não a consideram uma escola socrática e veem em Diógenes o seu fundador e inspirador.
No contexto contemporâneo, o termo “cínico” é frequentemente usado para descrever pessoas que demonstram uma atitude de desrespeito e deboche em relação às motivações e intenções dos outros. Essas pessoas tendem a ser sarcásticas, irônicas e desdenhosas em suas interações sociais. Cometem erros e são injustas, além de não ter respeito a ninguém, salvo quando por interesse próprio.
O grupo de filósofos associados ao Cinismo tornou-se conhecido por seu comportamento, estabelecendo, assim, uma perspectiva ética. Acreditavam que a felicidade estaria relacionada a uma vida simples, em acordo com a natureza, e sem as complexidades das regras e valores sociais. Os cínicos eram, então, pessoas que desprezavam os ordenamentos sociais e viviam em circunstâncias consideradas degradantes para um grego, assemelhando-se a animais.
O comportamento dos filósofos cínicos apontava para uma distinção filosófica entre os aspectos naturais e os costumes humanos, um problema que permeou todo o pensamento filosófico da Grécia Antiga.
Diógenes representou uma das mais importantes figuras da corrente filosófica do Cinismo. Eram homens simples, nômades, sem família e sem pátria.
Diógenes de Sinope (404 ou 412 AC. – Corinto, 323aC), também conhecido como Diógenes, o Cínico, foi um filósofo da Grécia Antiga.
Diógenes de Sinope foi exilado de sua cidade natal e se mudou para Atenas, onde teria se tornado um discípulo de Antistenes, antigo pupilo de Sócrates. Tornou-se um mendigo que habitava as ruas de Atenas, fazendo da pobreza extrema uma virtude. Diz a História, que ele teria vivido num grande barril, no lugar de uma casa, e perambulava pelas ruas, carregando uma lamparina, durante o dia, alegando estar procurando por um homem honesto. Posteriormente estabeleceu-se em Corinto, onde continuou a buscar o ideal cínico da autossuficiência: uma vida que fosse natural e não dependesse das luxúrias da civilização. Por acreditar que a virtude era melhor revelada na ação do que na teoria, sua vida consistiu de uma campanha incansável para desbancar as instituições e valores sociais do que ele via como uma sociedade corrupta.
Segundo a tradição, Diógenes vivia a perambular pelas ruas na mais completa miséria até que um dia foi aprisionado por piratas para, posteriormente, ser vendido como escravo. Um homem com boa educação chamado Xeníades o comprou. Logo ele pôde constatar a inteligência de seu novo escravo e lhe confiou tanto a gerência de seus bens quanto a educação de seus filhos.
Diógenes levou ao extremo os preceitos cínicos de seu mestre Antístenes. Foi o exemplo vivo que perpetuou a indiferença cínica perante os valores da sociedade da qual fazia parte. Desprezava a opinião pública e parece ter vivido em uma pipa ou barril. Reza a lenda que seus únicos bens eram um alforje, um bastão e uma tigela (que simbolizavam o desapego e autossuficiência perante o mundo), sendo ele conhecido também, talvez pejorativamente como kinos, o cão, pela forma como vivia.
Diógenes é tido como um dos primeiros homens (antecedido por Sócrates com a sua célebre frase “Não sou nem ateniense nem grego, mas sim um cidadão do mundo.”) a afirmar, “Sou uma criatura do mundo (cosmos), e não de um estado ou uma cidade (polis) particular”, manifestando assim um cosmopolitismo relativamente raro em seu tempo.
Diógenes parece ter escrito tragédias ilustrativas da condição humana e também uma República que teria influenciado Zenão de Cítio, fundador do estoicismo. De fato, a influência cínica sobre o estoicismo é bastante saliente.
É famosa a história de que Diógenes saía em plena luz do dia com uma lamparina acesa procurando por homens verdadeiros (ou seja, homens autossuficientes e virtuosos).
Igualmente famosa é sua história com Alexandre, o Grande, que, ao encontrá-lo, ter-lhe-ia perguntado o que poderia fazer por ele. Acontece que devido à posição em que se encontrava, Alexandre fazia-lhe sombra. Diógenes, então, olhando para Alexandre, disse: “deixa-me ao meu sol!”. Essa resposta impressionou vivamente Alexandre, que, na volta, ouvindo seus oficiais zombarem de Diógenes, disse: “Se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes.”
Normalmente, os cínicos são pessoas debochadas e sarcásticas, que caminham na contra-mão da consideração e do respeito às pessoas de bem e aos bons costumes. Transitam, querendo puxar o tapete de pessoas bem sucedidas.
Quando querem alcançar um intento, são iguais ao cururu. Quanto mais são enxotados, mais insistem, persistem e não desistem.
Após agredir a chutes garoto que não o aplaude, o deputado porralouca Glauber Braga (Psol-RJ) pregou em vídeo viralizado o “aniquilamento”, que lembra extermínio, de adversários.
Mas jamais será acusado de disseminar o ódio, no inquérito do STF contra adversários de Lula.
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A palavra “jamais” no último parágrafo desta nota resume tudo.
Enquanto reinar na republiqueta banânica a ditadura judicieira, a disseminação do ódio e do rancor terá plena liberdade.
Jamais será repelida.
O aniquilamento tá liberado!
Glauber Braga, no MESMO DIA, cavou DUAS cassações.
Está circulando a ideia de formar nova Comissão Nacional da Verdade. Com algum outro nome, talvez. Antes de prosperar, seria bom ver que precederam a brasileira, no mundo, outras 40 comissões semelhantes. Mais notória sendo a da África do Sul, criada em 1994 por Nelson Mandela e sob direção de Desmond Tutu ‒ um arcebispo da Igreja Anglicana que foi prêmio Nobel da Paz dez anos antes. Com diferenças, entre essas e a nossa.
Principal e determinante é que todas as outras foram formadas entre seis meses e um ano após a transição, de um governo autocrático para a Democracia. Enquanto, a brasileira, nasceu 30 anos depois. E nenhuma dessas 40 comissões foi criada com o fim específico de fazer justiça. De por, na cadeia, os responsáveis por torturas e mortes. A ideia era, basicamente, só preparar as bases para uma transição menos traumática, em cada país, entre os horrores de antes e os novos tempos.
Tanto que a já referida, na África do Sul, tinha só três subcomissões: violação a direitos, reparação e anistia. O que se buscava, sobretudo, era o conhecimento da verdade. Aquilo que aconteceu, de fato, naquele passado triste. Para quem confessasse o que fez, sendo garantida anistia automática. Valendo notar que não houve uma única prisão, no curso ou por conta (depois) de todas essas outras comissões.
No enorme conjunto de temas que uma decisão assim pode levantar, um é seu próprio objeto. Fui vencido, na primeira reunião de nossa Comissão Nacional da Verdade. Porque pretendia que examinássemos os dois lados. Se é para escrever a história, era o que cabia. Ocorre que não haveria tempo útil, nos foi dado menos que dois anos. Para comparar, à Comissão do Livro Negro em Portugal foram concedidos 10 anos. E como a versão dos vencedores era já conhecida entre nós, melhor nesse breve tempo contar só a história dos vencidos, ainda perdida nas sombras. Concordei com isso. Mas se por acaso formos reabrir os trabalhos em uma nova comissão, e com mais tempo disponível, já não há razão para deixar de contar os dois lados.
Em nosso Relatório Final, identificamos 434 casos documentados de como se deram prisões ilegais, torturas e assassinatos. Como, também, os responsáveis por essa barbárie. Além dos mais que 2 mil casos de desaparecimentos forçados, sem mais provas para saber quais pessoas deveriam responder por eles. Mas, se formos contar os dois lados, bom ver que 108 (relação de nomes ainda por confirmar, o número real pode ser menor) mortos pelos opositores ao novo regime.
Em Pernambuco, por exemplo, tivemos várias dessas vítimas. Como um gerente da Souza Cruz (do grupo British American Tobacco), no Largo da Paz, por ser representante do imperialismo. Ou dois mortos atingidos por estilhaços de bomba, no Aeroporto dos Guararapes, em 25 de julho de 1966.
Havendo ainda, nessa tragédia, aqueles que dificilmente se poderiam por em qualquer dos dois lados. Como alguns membros de movimentos revolucionários justiçados por seus próprios companheiros. Dado que por eles considerados fracos, e caso fossem presos, delatariam (e poriam em risco) os demais. Só para lembrar, depois dos julgamentos, todos tinham que participar dessas mortes. Por ser responsáveis pela decisão que tomaram. Entre seus membros articulistas de jornais, participantes de nossos programas de rádio e ocupantes de cargos públicos. A ideia básica será mesmo contar essa história com a exatidão humanamente possível, identificando todos os responsáveis?
Seja como for, se a intenção da nova Comissão for punir os que tiveram culpa, bom considerar que (quase) não há mais ninguém vivo entre os criminosos daquele tempo. Com certeza, nenhum nome importante. Último deles foi o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, morto por um câncer em 15 de outubro de 2015.
Com relação à anistia ampla e recíproca, que foi concedida aos dois lados naquele tempo (permitindo voltar ao Brasil Arraes, Brizola e outros), é comum dizer que a Lei da Anistia (nº 6.683) foi votada, em 28 de agosto de 1979, por pressão dos militares. Sobretudo para proteção deles próprios. Com certeza foi assim. Ocorre que houve outra Lei da Anistia, posterior no tempo, da qual pouco se fala. Como se não tivesse existido.
Foi a única exigência feita pelos militares, nas negociações da transição. Para beneficiar os responsáveis pelo RioCentro, que se deu na noite de 30 de abril de 1981. Posterior, portanto, à primeira lei (que é de 1979). Tancredo morto, coube a Sarney honrar esse compromisso. O que foi feito com a Emenda Constitucional nº 26, de 27 de novembro de 1985 (art. 4º, com sete parágrafos). Votada por um Congresso livre de quaisquer pressões. O mesmo que elegeu Tancredo, opositor civil ao Regime Militar. Uma regra não apenas posterior, no tempo, como também de nível superior ao das leis ordinárias, posto que passou a constar da própria Constituição.
Membros de nossa Comissão (a maioria) pretenderam recusar dita anistia. Para constar, na votação das “Recomendações” da Comissão Nacional da Verdade, votei a favor dela. Textualmente, assim ficou registrado: “Baseado nas mesmas razões que, em 29 de abril de 2010, levaram o Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 153, e com fundamento em cláusulas pétreas da Constituição brasileira, a recusar, por larga maioria (sete votos a dois), essa tese”. Em razão do que nenhum dos envolvidos, de parte a parte, poderá mais ser punido. A menos que o Supremo modifique seu entendimento.
No mais, essa nova Comissão terá todas as dificuldades que tivemos. Sem mais testemunhas confiáveis, em razão da idade dos depoentes (apenas uns poucos vivos). E com todos os documentos destruídos, naqueles tempos ainda, pelos militares. O grosso, nos fundos do Aeroporto Santos Dumont (Rio de Janeiro). Haverá pouco a acrescentar.
De vez em quando perguntam se fui atingido. Respondo que não, posto que restei apenas proibido de estudar no Brasil (era presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito). E pedir Democracia, naquele tempo, era muito arriscado. Respondi processo, por isso. Mais tarde, fui também proibido de ensinar. E ainda lembro palavras de meu pai. Quando cheguei em casa, depois da cassação, disse ‒ “Não fique triste que um dia você ainda vai por isso no seu currículo”. Sábias palavras, saudades do Velho. E nem foi tão ruim; que acabei indo a Harvard, em Bolsa de Estudos (com tudo pago), e a vida seguiu.
Bem visto, quase nada em relação ao que se deu com tantas pessoas queridas que perdi. Como Eduardo Collier Filho, maior amigo que tive na infância, preso ao sair de um hotel barato em Copacabana, num sábado de Carnaval (queria ver as escolas de samba), e morto em Rezende. Fui dos últimos a vê-lo, que fiquei em sua casa num congresso da UNE em Salvador. Informados de que seu corpo teria sido incinerado em forno de uma usina, no Rio de Janeiro, tentamos obter alguma prova do fato. Mesmo contra a opinião dos peritos, que diziam ser (quase) impossível. E fizemos, no local, 108 furos, para ver se conseguíamos algum resto de DNA dos seus ossos, em meio às cinzas. Sem sucesso, infelizmente.
Seja como for, e por tudo, sou contra uma nova Comissão. O país é outro. Nossas prioridades, hoje, são outras. Melhor, como dizia Mateus (8:22), que “os mortos enterrem seus mortos”. E, sobretudo, precisamos de paz. Que o país seja pacificado. Algo cada vez mais difícil; por serem aqueles que deveriam responder por isso mais que todos, no Supremo (segundo a OAB ‒ Federal), os que mais promovem a radicalização e o confronto. O que é ruim, para o Brasil. Por isso pois, amigo leitor, reitero aqui uma ideia simples. A de que num país fraturado, como o nosso, nada é mais importante, necessário e urgente que construir a paz entre os brasileiros.