20 milhões de dinheiro público pra Madonna chegar em Copacabana e fazer:
– Beijo lésbico. – Siririca. – Bunda e sexo oral com Anitta. – Safada. Bunda suja. – Eu sinto aqui na minha piriquita. – Beijo grego da Pabllo Vittar. pic.twitter.com/DZzsZMUWhE
Minha falecida Avó, aquela mesma de quem vocês já leram tantas referências de minha parte, demonstrando toda a sabedoria de quem tinha “rodado estrada” na vida, ainda que nunca tivesse sequer conhecido um médico, tinha o hábito (e a sorte) de acertar nos resultados das “meizinhas” que indicava às pessoas.
– Pra gente chata, o mais mió é café amargo ou chá de aio, receitava!
Era assim que ela ensinava a lidar com pessoas inoportunas, que parecem não terem nada para fazer, e ficam nas casas dos outros atazanando, falando da vida alheia.
Outras “meizinhas” que ela sempre acertava: pra quem tá cum nervoso, nada mais mió que chá de camomila; agora, se vosmecê tá cum caganeira, intestino cum difluxo, nada mió que chá do broto da goiabeira, ou, inté mermo mastigar e ingulir uma goiabinha verde. Arrolha e disinflama!
Acostumada a manter e alimentar sua sustança com “tutano de boi batido nim riba do feijão, misturado com rapadura raspada e uma quantidade de farinha seca, prumode fazer “capitão”, minha avó também ensinava um santo remédio para quem sofria de asma.
Certa vez, numa tarde em que estava tirando uma madorna na latada da casa, escutou o latido de Cangaio, o cachorro vira-lata que fazia a segurança da casa. A chegada de alguém na porteira foi confirmada com o berro do bode “Pai de todos” e o seu avisante toque de chocalho.
– Quem taí? Entre, se achegue mais!
Não demorou muito para que sua vista já cansada permitisse reconhecer compadre Bibiu, trabaiador da roça que ficara meio abestaiado, adispois que perdeu a mulher Zefinha, vítima de uma doença grave nas partes íntimas.
– Eita cumpade Bibiu, é você hômi de Deus?! Sente aqui, puxe o tamborete e se assente.
Mesmo sem tirar as esporas dos pés, e ainda com certa dificuldade no falar, Bibiu cumprimentou minha Avó, agradeceu a gentileza e foi logo dizendo a que veio:
– Minha cumade, é a tal da asma, siora. Tá me incomodando que só o diacho! Tresnontonte num consegui drumir, quessa danada num dexô!
Assim com o semblante da paciência que a vida lhe transmitiu durante tanto tempo, Vovó puxou mais uma cachimbada e deu o veredito da cura:
– Cumpade de Deus, dizem que, quem tá com essa doença, só fica bom se cumê um gato!
Pois não é que, até mesmo sem dizer até logo e obrigado, Bibiu, mais que com depressa deu meia volta e pegou o caminho de casa. A asma começara a incomodar de novo – e o remédio para acabar com ela, ele já sabia.
Semanas depois, com nova crise de asma, Bibiu voltou “ao consultório” da Vovó, agora para aprender como deveria fazer para sarar os arranhados que o gato lhe fizera.
Não é que o miserável tentou “comer” o gato vivo, e do jeito que aprendera na vida mundana das bolinagens?!
Acredito que o fanatismo é a pior opção que qualquer pessoa pode adotar. Um religioso fanático conduz fiéis à morte. Foi assim que Jim Jones fez na Guiana Francesa e o resultado foi a morte de quase mil pessoas. No futebol, torcidas organizadas foram extintas pelo Ministério Público pelo comportamento violento, inclusive provocando mortes. Times de futebol tiveram que jogar sem torcida por conta desses atos. Na política não é diferente.
Com o fim do governo militar, a proposta de Tancredo Neves era fundar uma nova república, escrever uma nova constituinte e buscar desenvolvimento do país. Sarney assumiu o governo tendo como meta a manutenção de 5 anos para cargo de presidente do que qualquer outra política série. Chegamos a 1989 com uma disputa entre Fernando Collor e Lula e com o impeachment de Collor, seu vice, Itamar Franco abriu as porteiras para o primeiro governo de esquerda, com Fernando Henrique Cardoso.
O que sucedeu foi uma disputa no âmbito da esquerda, puramente, com FHC vencendo Lula duas vezes e depois Lula vencendo Serra, vencendo Alckmin, Dilma vencendo Serra e Aécio. O país estava acostumado a escolher entre PSDB e PT e apesar de toda falcatrua, falta de seriedade política, etc. ninguém aparecia fora desse eixo. Até que surgiu Bolsonaro e tudo mudou, algumas coisas para pior, como, por exemplo, a atuação do sistema judiciário desse país, sem muitas exceções. Puseram um pulha no poder depois de tirá-lo da cadeia e o Brasil intensificou a rachadura que já existia.
Surpreendeu-me Barroso dizer que “nós derrotamos o “bolsonarismo”, mas isso soa de forma, absolutamente, estranha quando se observa a quantidade de pessoas no entorno do ex-presidente Bolsonaro, principalmente quando se compara a baixa adesão na presença de Lula. Se o bolsonarismo existe como uma proposta política, precisa fazer diferente do que faz a esquerda, ou em outras palavras: não pode agir de forma igual ao que faz a esquerda.
Na essência, o que existe de esquerda nesse país orbita em torno de Lula. Ele conseguiu ofuscar o surgimento de lideranças e se colocou como a única opção para comandar. Quem não lembra a sacanagem que fizeram com Suplicy apenas porque ele cogitou disputar prévias com Lula? O cara foi jogado ao ostracismo, deixou de ser senador, conseguiu se eleger vereador de São Paulo, mas não há mais tempo para ele. As oportunidades passaram e não voltarão.
Ciro Gomes é outro que amargou isolamento provocado por Lula. Fez de tudo para obter apoio do PT em 2018, chegando até prometer dar indulto a Lula, caso fosse eleito. A credibilidade desse cara é tanta que até partidários seus abriram comitê com foto de Lula na campanha de 2022. Agora, junte num saco só: Marina, Boulos, Luciana Santos, etc. e veja a capacidade desse pessoal conseguir alguma coisa, por si só.
Não precisamos de fanatismo. Precisamos de pessoas racionais que reconheçam os erros, que proponham mudanças, que saibam criticar de forma construtiva. Não precisamos de comentários deturpados que colocam todos os funcionários públicos num âmbito de alucinados ou estereotipados como “ativistas de esquerda”. O leitor Carlo Germani basicamente sugeriu que minha crítica era palco do ativismo. Infelizmente, não lê minha coluna no JBF.
Protestei contra as palavras de Constantino porque conheço um sem número de funcionários públicos que são trabalhadores de verdade. Médicos, enfermeiros, professores de escolas públicas que não teriam incentivo algum para continuar, mas estão lá tentando melhorar a sociedade. Tem esquerdistas nesse meio? Claro! E tem muitos, mas independente de ideologia tem gente dedicada.
Não sou sindicalizado. Nunca quis ser e por um motivo simples: sindicato não discute política de emprego, implanta ideologia e faz política partidária. Então, é natural que esse pessoal migre para o petismo porque as centrais sindicais são, naturalmente, de esquerda, são contra os patrões e doutrinam seus filiados a odiar essa classe. Eu conheço muitos funcionários públicos que votaram em Bolsonaro, mas o fizeram com racionalidade.
Ercília Nogueira Cobra nasceu em Mococa, SP, em 1/10/1891. Escritora, jornalista e uma das pioneiras do movimento feminista. Combateu, através da publicação de dois livros com seus próprios recursos, a obrigatoriedade de manutenção da virgindade até o casamento, com veemência estampada nos títulos: Virgindade Anti-Higiênica: preconceitos e convenções hipócritas (1924) e Virgindade Inútil: novela de uma revoltada (1927).
Filha de Jesuína Ribeiro da Silva e do deputado Amador Brandão Nogueira Cobra, tradicional família de cafeicultores paulistas. Com a morte do pai, a família foi à falência e perdeu a Fazenda Paraíba. Vivia na capital, mas teve que voltar a viver em Mococa. Não se adaptando à vida no interior, planejou uma fuga junto com a irmã mais velha. Em seguida foram localizadas num circo na cidade de Santos.
A pedido da mãe e por ordem do Secretário de Segurança, foram enviadas para um colégio interno de freiras, o Asilo Bom Pastor, quando teve o nome mudado para Maria Madalena, aos 17 anos. Aí permaneceu por 4 meses até 20/7/1909. As irmãs foram estudar em Pirassununga e eram consideradas indisciplinadas e inteligentes. Conta uma neta da família que as duas foram chamadas a depor na delegacia, e começaram a falar entre si em francês. O delegado interveio na conversa também em francês. As duas logo passaram a falar em alemão.
Em 1915 foi diplomada professora; passou num concurso para dar aulas em Mogi Guaçu, mas não assumiu o cargo. Passou a escrever para o jornal anarquista Giesta e viajar, chegando a conhecer o Rio de Janeiro, Buenos Aires e Paris na década de 1920. Pouco depois publicou o ensaio Virgindade anti-higiênica: preconceitos e convenções hipócritas (1924), publicado em tom de manifesto pela editora de Monteiro Lobato, causou polêmica no meio social. Sua crítica ao tabu da virgindade baseava-se na psicanálise, como antinatural e causadora de distúrbios psíquicos. O livro, visto como uma crítica acirrada à religião, ao casamento e à educação da mulher, foi retirado de circulação.
Em 1926 mandou uma carta para a revista O Malho, criticando o atraso da sociedade brasileira e exaltando os franceses pelo avanço contra a desigualdade de gênero naquele país. No ano seguinte publicou outro livro, agora como ficção: A virgindade Inútil: novela de uma revoltada (1927), causando nova polêmica. Cláudia, a protagonista da novela, ao perder a virgindade numa viagem de trem, torna-se legalmente maior de idade e em seguida caiu na prostituição. Sobre esta condição, declarou em seu ensaio que “90% das mulheres que estão nos prostíbulos não caíram por vício, mas por necessidade”. Claudia demonstra certa liberdade sexual através de relações homo e heterossexuais.
Seus textos eram diretos e vistos como agressivos: “Filhos são criaturas humanas, que se não nascem sob boa orientação, vão encher cadeias e prostíbulos…” “Bendita a mulher francesa, já que os milhões de operários sem emprego que enchem a Europa não são oriundos dela…” “Os cem mil morféticos que perambulam pelo Brasil têm origem na criminosa fecundidade irrefletida…”. Durante o Estado Novo, foi presa em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul. Não sabemos as razões destas prisões. Mas, sabe-se que foi interrogada nua e uma parente conta que ela tentou o suicídio numa destas ocasiões. Cansada e marginalizada no meio social, mudou-se, aos 43 anos, para Caxias do Sul; adotou o nome de Suzana Germano e abriu a “Pensão Royal”, um cabaré na zona do meretrício.
Mantinha correspondência com sua mãe e em 1934 enviou uma carta dizendo que “relativamente fui uma pessoa feliz. Fiz o que quis na vida, e continuo fazendo o que eu quero! Os preconceitos estúpidos desta sociedade em decadência a qual a Senhora pertence nunca me incomodaram”. Documentos policiais da época demonstram críticas da sociedade contra o cabaré, citando “fatos que depõem a moral e os bons costumes”. O promotor público classificou o local como “antro de perdição” e sua proprietária como “desavergonhada”. No início da década de 1940, a pensão mudou-se do centro para a periferia da cidade, devido a um abaixo-assinado da vizinhança. Em seguida sua casa foi penhorada pela Prefeitura, devido aos atrasos no pagamento de impostos. Não se tem notícia do local e data de sua morte. A última informação, em 1940, consta que um oficial de justiça ao cumprir um mandado na Pensão Royal, certifica que ela não morava mais em Caxias do Sul.
Em agosto de 1986, a pesquisadora Maria Lúcia de Barros Mott publicou o artigo Biografia de uma revoltada: Ercília Nogueira Cobra nos “Cadernos de Pesquisa da Fundação Carlos Chagas”, nº 58, p.89-104. Em 2016, Daniele de Medeiros Souza apresentou a dissertação de mestrado em Ciências Sociais na UFRN com o título O grito do silêncio na obra de Ercília Nogueira Cobra: de mulher demoníaca a feminista pioneira. Apesar de não ter recebido nenhuma homenagem em sua cidade natal, seu nome foi dado a uma escola pública em São Vicente, SP.