DEU NO JORNAL

XICO COM X, BIZERRA COM I

A PENEIRA, A ÁGUA E O VENTO

Manoel de Barros tem um poema que, não apenas bonito (como tudo que ele pensou e escreveu), é por demais apropriado aos tempos de pouca ternura que vivemos recentemente. Versos que servem para refletir e acarinhar as almas nesses tempos de seca prolongada. Fala de um menino que carregava água na peneira. Eu também carreguei água na peneira, que nem o menino de Manoel.

Sabia, como ele, que era o mesmo que levar um vento roubado no bolso da camisa, mas ainda assim carregava água sabendo que tudo que da peneira escorresse serviria para regar o chão onde viriam a nascer flores. Eram águas sem espinho. Ainda como o menino, cresci e, por gostar mais dos vazios que dos cheios, pelo fato de os vazios serem maiores e até infinitos, comecei a ‘peraltar’ com as palavras crendo que com elas seria possível encher os vazios. E saí a escrever minhas besteiragens e bobagices, tentando arrumar versos e descobrir rimas, ousando fazer música, mas sonhando, sempre.

A peneira, nunca a abandonei e as flores que nasceram são a recompensa por aquele carregar, gesto pouco entendido pelos ‘sábios’ de plantão. O que sei é que valeu a pena carregar água na peneira. Falta a mim, ainda, como aquele menino, roubar um vento, escondê-lo no bolso da camisa. Quem dera um dia eu invente esse vento, saia com ele correndo para ventar o amor no coração dos homens que gostam de guerras. Aproveito e faço uma chuva bem chovida pra chover pés de fulô …

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O ESTADO ESTRUTURADO PELA CORRUPÇÃO

Editorial Gazeta do Povo

Cidade de Canoas (RS) é uma das 332 afetadas em todo o estado gaúcho.

Cidade de Canoas (RS) é uma das 332 afetadas em todo o estado gaúcho

Combater a corrupção e as fraudes não é apenas uma questão de justiça legal e moral, mas uma condição sem a qual nenhum país consegue sair da pobreza e do atraso. No âmbito das estruturas estatais – que no Brasil compreende 5.570 municípios, 26 estados, 1 Distrito Federal e a União – chamamos de “corrupção” os negócios públicos, políticas governamentais e regulamentos diversos planejados, aprovados e executados não por seus méritos em atender necessidades do país e da sociedade, mas porque neles há políticos, dirigentes públicos, servidores do governo e empresários beneficiados por propinas, subornos, dinheiro desviado e outros tipos de fraudes.

Em países onde a corrupção e a fraude são endêmicas, sob as várias formas que assumem, pode-se constatar que o sistema estatal e o funcionamento do governo em todos os níveis são estruturados pela lógica e pelo resultado da corrupção e das fraudes. Esse fenômeno social pode ser visto claramente em alguns países latino-americanos em que a estrutura do governo e a vida da sociedade são ditados, em larga medida, pela atividade ilícita e criminosa do narcotráfico.

O crescimento da chamada “economia do narcotráfico” nas últimas cinco décadas se deu a taxas elevadas nos países latino-americanos, nos quais o narcotráfico adentrou as estruturas do Estado e da política, dando origem ao chamado “narcoestado”. Nos últimos tempos, até o Brasil começou a sentir essa influência e, embora não haja estatísticas precisas, a profissionalização do mercado de drogas cresce à medida que o setor inteiro se expande e estende seus tentáculos dentro do poder público.

No Brasil, a deterioração do comportamento moral do governo e das estruturas estatais nas três esferas federativas, compactuadas com alguns setores privados, vem crescendo de forma desastrosa e corrosiva para o dinheiro público. Atualmente, o modelo e funcionamento do sistema estatal na União, estados e municípios retira 34% do Produto Interno Bruto (PIB) em tributos efetivamente arrecadados e gasta muito mais, como ocorreu em 2023, quando o gasto público atingiu 42,9% do PIB (incluindo os juros da dívida pública), o que resultado em déficit nominal de 8,9% do PIB. Mesmo com a enorme carga tributária de 34% do PIB, o governo não devolve serviços públicos e investimentos compatíveis com todo o dinheiro que arrecada, especialmente pelo tamanho excessivo da máquina estatal, baixa produtividade operacional do governo, desperdício e corrupção em todos os níveis.

Embora, infelizmente, o Brasil sempre tenha convivido com elevado índice de corrupção e fraudes diversas, apenas em momentos específicos foi possível identificar com clareza a podridão moral com que os negócios públicos eram decididos e realizados. Exemplos disso foram os esquemas do mensalão e do petrolão, cuja magnitude imoral e ilegal somente foi conhecida por terem sido descobertos, processados e julgados. Além de criarem distorção no gasto público, provocarem superfaturamento de obras e contratos e prejudicarem a eficiência dos gastos, de forma a reduzir o volume de obras e serviços executados, a corrupção e as fraudes em geral têm o efeito de solapar o crescimento econômico e o desenvolvimento social. São, portanto, um grave problema e necessitam de atenção.

Um dos pontos-chave em relação ao combate à corrupção diz respeito ao tamanho do Estado. Estados cuja estrutura é exageradamente ampla, com braços e tentáculos sobre todas as áreas e setores da economia, e cujos governos sofrem com a deterioração do comportamento moral dos governantes, normalmente se mostram mais suscetíveis à corrupção generalizada. Quando a pandemia do coronavírus atingiu o grau máximo de tragédia humanitária e cresciam as mortes pela Covid-19, Lula brindou a nação com a mais condenável e estapafúrdia declaração dizendo que “ainda bem que a natureza trouxe o coronavírus para mostrar que somente o Estado é capaz de enfrentar esse tipo de catástrofe”. Lula quis reforçar sua velha tese de que o Estado deve ser cada maior e o governo cada vez intervencionista na vida da sociedade e do mercado.

Ideia parecida tem sido ouvida atualmente em relação à tragédia no Rio Grande do Sul, castigado por excesso de chuvas. A convocação das estruturas de Estado para enfrentar o problema gerou vozes alardeando a necessidade de um Estado grande. Esse tipo de raciocínio contém uma falácia clara.

Ora, o Estado e as complexas estruturas de poder são criados pela sociedade principalmente para se defender contra ameaças e fontes de sofrimento que escapam à capacidade individual para sua solução e exigem solução coletiva, como agressões externas, catástrofes naturais, epidemias, colapsos de abastecimento e outras. Mas é justamente a retirada do Estado e do governo de ações e atividades que podem ser desenvolvidas com maior eficiência e com melhor resultado pelos indivíduos, pelas empresas e pelo mercado que permite ao Estado e ao governo terem maior capacidade de atuar com investimentos e serviços nas áreas, setores e situações que exigem solução coletiva – como no atendimento a tragédias imprevistas, como as ocorridas no Rio Grande do Sul.

Nesse sentido, o fato de o governo federal não ter repassado todo o dinheiro prometido ao Rio Grande do Sul após a tragédia provocada pelas chuvas do ano passado (um terço dos recursos é a parte que o governo Lula deixou repassar) é uma prova de que um Estado gigante não significa um Estado forte, pelo contrário. Quando o governo se intromete em atividades alheias às funções clássicas que lhe compete, quando instala burocracias desnecessárias, cria empecilhos para a resolução rápida de problemas locais, tenta centralizar demais a distribuição de recursos arrecadados através dos impostos, não combate à corrupção, ou incha demais a máquina pública criando gastos exagerados, o que se tem é um Estado frágil, especialmente quando a ação estatal é realmente necessária, como no caso da tragédia no Rio Grande do Sul.

PENINHA - DICA MUSICAL

CHARLES AZNAVOUR

Dedico as postagens desta semana ao jovem José Ramos, colega colunista do JBF, que no último dia 30 de abril completou 81 anos. Parabéns e muita saúde Zé Ramos e que Deus o mantenha entre nós por muitos e muitos anos.

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La Mamma

DEU NO X

DOIS LUCIANOS

DEU NO X

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

CORAÇÃO VIOLA

Eu sigo o perfil no Instagram de um jovem e promissor artista. Luís Carlos “Violeiro” encanta e resgata a essência mais fantástica da nossa musicalidade, na raiz da arte que ele abraçou.

Não bastasse o seu dom para dedilhar a viola, Luís Carlos, em parceria com sua mãe Maria de Lourdes, tem nos deixado vídeos de tirar o fôlego.

Juntos resgatam canções e modas que me são como uma espécie de máquina do tempo, porque me transportam em pura emoção a um paraíso antigo que há muito vem sendo esquecido e trocado por músicas sem sentido algum.

Cada vez que eles lançam um vídeo novo eu penso “há esperança para a MPB”, e agradeço a Deus por haver gente abraçando a beleza da arte.

A simplicidade e a facilidade com que cantam, as vozes, as figuras sem os trejeitos forçados da maioria, a graça da senhora Maria de Lourdes, o palco das gravações, o cenário escolhido… Tudo! Tudo isso traz paz ao meu espírito, quando eu paro para assistir filho e mãe.

Não os conheço pessoalmente. Mas eu auguro em breve ouvir ao vivo essa parceria divina.

Para ele eu escrevi sigelamente:

CORAÇÃO VIOLA
(Ao querido amigo Luís Carlos Violeiro)

Faço da minha viola
Instrumento de paixão
Extensão da minha vida
No dedilhar da canção
Ela é a minha amada
Quando ao peito está colada
Meu segundo coração.

Minha alma está nela
A dela está em mim
Ninguém pode explicar
Tal magia sendo assim
Se um dia ela calar
Meu coração vai parar
E eu chegarei ao fim.

Abaixo um vídeo para que vocês também possam se deliciar com a beleza da dupla.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

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