Durante coletiva de imprensa sobre a tragédia no Rio Grande do Sul, o presidente Lula riu. A cena ocorreu neste domingo, 5, dia em que a crise no Estado do Sul se acentuou por causa das enchentes. pic.twitter.com/kNKKV3gcZY
Manoel de Barros tem um poema que, não apenas bonito (como tudo que ele pensou e escreveu), é por demais apropriado aos tempos de pouca ternura que vivemos recentemente. Versos que servem para refletir e acarinhar as almas nesses tempos de seca prolongada. Fala de um menino que carregava água na peneira. Eu também carreguei água na peneira, que nem o menino de Manoel.
Sabia, como ele, que era o mesmo que levar um vento roubado no bolso da camisa, mas ainda assim carregava água sabendo que tudo que da peneira escorresse serviria para regar o chão onde viriam a nascer flores. Eram águas sem espinho. Ainda como o menino, cresci e, por gostar mais dos vazios que dos cheios, pelo fato de os vazios serem maiores e até infinitos, comecei a ‘peraltar’ com as palavras crendo que com elas seria possível encher os vazios. E saí a escrever minhas besteiragens e bobagices, tentando arrumar versos e descobrir rimas, ousando fazer música, mas sonhando, sempre.
A peneira, nunca a abandonei e as flores que nasceram são a recompensa por aquele carregar, gesto pouco entendido pelos ‘sábios’ de plantão. O que sei é que valeu a pena carregar água na peneira. Falta a mim, ainda, como aquele menino, roubar um vento, escondê-lo no bolso da camisa. Quem dera um dia eu invente esse vento, saia com ele correndo para ventar o amor no coração dos homens que gostam de guerras. Aproveito e faço uma chuva bem chovida pra chover pés de fulô …
Cidade de Canoas (RS) é uma das 332 afetadas em todo o estado gaúcho
Combater a corrupção e as fraudes não é apenas uma questão de justiça legal e moral, mas uma condição sem a qual nenhum país consegue sair da pobreza e do atraso. No âmbito das estruturas estatais – que no Brasil compreende 5.570 municípios, 26 estados, 1 Distrito Federal e a União – chamamos de “corrupção” os negócios públicos, políticas governamentais e regulamentos diversos planejados, aprovados e executados não por seus méritos em atender necessidades do país e da sociedade, mas porque neles há políticos, dirigentes públicos, servidores do governo e empresários beneficiados por propinas, subornos, dinheiro desviado e outros tipos de fraudes.
Em países onde a corrupção e a fraude são endêmicas, sob as várias formas que assumem, pode-se constatar que o sistema estatal e o funcionamento do governo em todos os níveis são estruturados pela lógica e pelo resultado da corrupção e das fraudes. Esse fenômeno social pode ser visto claramente em alguns países latino-americanos em que a estrutura do governo e a vida da sociedade são ditados, em larga medida, pela atividade ilícita e criminosa do narcotráfico.
O crescimento da chamada “economia do narcotráfico” nas últimas cinco décadas se deu a taxas elevadas nos países latino-americanos, nos quais o narcotráfico adentrou as estruturas do Estado e da política, dando origem ao chamado “narcoestado”. Nos últimos tempos, até o Brasil começou a sentir essa influência e, embora não haja estatísticas precisas, a profissionalização do mercado de drogas cresce à medida que o setor inteiro se expande e estende seus tentáculos dentro do poder público.
No Brasil, a deterioração do comportamento moral do governo e das estruturas estatais nas três esferas federativas, compactuadas com alguns setores privados, vem crescendo de forma desastrosa e corrosiva para o dinheiro público. Atualmente, o modelo e funcionamento do sistema estatal na União, estados e municípios retira 34% do Produto Interno Bruto (PIB) em tributos efetivamente arrecadados e gasta muito mais, como ocorreu em 2023, quando o gasto público atingiu 42,9% do PIB (incluindo os juros da dívida pública), o que resultado em déficit nominal de 8,9% do PIB. Mesmo com a enorme carga tributária de 34% do PIB, o governo não devolve serviços públicos e investimentos compatíveis com todo o dinheiro que arrecada, especialmente pelo tamanho excessivo da máquina estatal, baixa produtividade operacional do governo, desperdício e corrupção em todos os níveis.
Embora, infelizmente, o Brasil sempre tenha convivido com elevado índice de corrupção e fraudes diversas, apenas em momentos específicos foi possível identificar com clareza a podridão moral com que os negócios públicos eram decididos e realizados. Exemplos disso foram os esquemas do mensalão e do petrolão, cuja magnitude imoral e ilegal somente foi conhecida por terem sido descobertos, processados e julgados. Além de criarem distorção no gasto público, provocarem superfaturamento de obras e contratos e prejudicarem a eficiência dos gastos, de forma a reduzir o volume de obras e serviços executados, a corrupção e as fraudes em geral têm o efeito de solapar o crescimento econômico e o desenvolvimento social. São, portanto, um grave problema e necessitam de atenção.
Um dos pontos-chave em relação ao combate à corrupção diz respeito ao tamanho do Estado. Estados cuja estrutura é exageradamente ampla, com braços e tentáculos sobre todas as áreas e setores da economia, e cujos governos sofrem com a deterioração do comportamento moral dos governantes, normalmente se mostram mais suscetíveis à corrupção generalizada. Quando a pandemia do coronavírus atingiu o grau máximo de tragédia humanitária e cresciam as mortes pela Covid-19, Lula brindou a nação com a mais condenável e estapafúrdia declaração dizendo que “ainda bem que a natureza trouxe o coronavírus para mostrar que somente o Estado é capaz de enfrentar esse tipo de catástrofe”. Lula quis reforçar sua velha tese de que o Estado deve ser cada maior e o governo cada vez intervencionista na vida da sociedade e do mercado.
Ideia parecida tem sido ouvida atualmente em relação à tragédia no Rio Grande do Sul, castigado por excesso de chuvas. A convocação das estruturas de Estado para enfrentar o problema gerou vozes alardeando a necessidade de um Estado grande. Esse tipo de raciocínio contém uma falácia clara.
Ora, o Estado e as complexas estruturas de poder são criados pela sociedade principalmente para se defender contra ameaças e fontes de sofrimento que escapam à capacidade individual para sua solução e exigem solução coletiva, como agressões externas, catástrofes naturais, epidemias, colapsos de abastecimento e outras. Mas é justamente a retirada do Estado e do governo de ações e atividades que podem ser desenvolvidas com maior eficiência e com melhor resultado pelos indivíduos, pelas empresas e pelo mercado que permite ao Estado e ao governo terem maior capacidade de atuar com investimentos e serviços nas áreas, setores e situações que exigem solução coletiva – como no atendimento a tragédias imprevistas, como as ocorridas no Rio Grande do Sul.
Nesse sentido, o fato de o governo federal não ter repassado todo o dinheiro prometido ao Rio Grande do Sul após a tragédia provocada pelas chuvas do ano passado (um terço dos recursos é a parte que o governo Lula deixou repassar) é uma prova de que um Estado gigante não significa um Estado forte, pelo contrário. Quando o governo se intromete em atividades alheias às funções clássicas que lhe compete, quando instala burocracias desnecessárias, cria empecilhos para a resolução rápida de problemas locais, tenta centralizar demais a distribuição de recursos arrecadados através dos impostos, não combate à corrupção, ou incha demais a máquina pública criando gastos exagerados, o que se tem é um Estado frágil, especialmente quando a ação estatal é realmente necessária, como no caso da tragédia no Rio Grande do Sul.
Dedico as postagens desta semana ao jovem José Ramos, colega colunista do JBF, que no último dia 30 de abril completou 81 anos. Parabéns e muita saúde Zé Ramos e que Deus o mantenha entre nós por muitos e muitos anos.
Dois Lucianos muito ricos, dois Brasis muito diferentes.
Luciano Hang, censurado nas redes, perseguido pelo sistema e tratado como uma ameaça à democracia: colocou à disposição para resgates toda sua frota de aeronaves e está pessoalmente ajudando as vítimas no RS.
Muito honrada por ter sido lembrada no show da @madonna ao lado de brasileiras e brasileiros de imenso valor, contribuição artística, política e social de nosso país. Muito obrigada Madonna!! 💚🫶🏾 pic.twitter.com/C8fORGrQ5F
Eu sigo o perfil no Instagram de um jovem e promissor artista. Luís Carlos “Violeiro” encanta e resgata a essência mais fantástica da nossa musicalidade, na raiz da arte que ele abraçou.
Não bastasse o seu dom para dedilhar a viola, Luís Carlos, em parceria com sua mãe Maria de Lourdes, tem nos deixado vídeos de tirar o fôlego.
Juntos resgatam canções e modas que me são como uma espécie de máquina do tempo, porque me transportam em pura emoção a um paraíso antigo que há muito vem sendo esquecido e trocado por músicas sem sentido algum.
Cada vez que eles lançam um vídeo novo eu penso “há esperança para a MPB”, e agradeço a Deus por haver gente abraçando a beleza da arte.
A simplicidade e a facilidade com que cantam, as vozes, as figuras sem os trejeitos forçados da maioria, a graça da senhora Maria de Lourdes, o palco das gravações, o cenário escolhido… Tudo! Tudo isso traz paz ao meu espírito, quando eu paro para assistir filho e mãe.
Não os conheço pessoalmente. Mas eu auguro em breve ouvir ao vivo essa parceria divina.
Para ele eu escrevi sigelamente:
CORAÇÃO VIOLA (Ao querido amigo Luís Carlos Violeiro)
Faço da minha viola Instrumento de paixão Extensão da minha vida No dedilhar da canção Ela é a minha amada Quando ao peito está colada Meu segundo coração.
Minha alma está nela A dela está em mim Ninguém pode explicar Tal magia sendo assim Se um dia ela calar Meu coração vai parar E eu chegarei ao fim.
Abaixo um vídeo para que vocês também possam se deliciar com a beleza da dupla.