ALEXANDRE GARCIA

FORAM DÉCADAS SEM PREVENIR ENCHENTES, MAS AINDA HA COMO EVITAR NOVOS DESASTRES

BRA100. CANOAS (BRASIL), 04/05/2024.- Personal del ejercito brasileño en conjunto con los bomberos realizan una operación para rescatar a personas atrapadas en sus viviendas este sábado en Canoas, región metropolitana de Porto Alegre, Canoas (Brasil). Según el último balance del Gobierno de Rio Grande do Sul, cuya capital es Porto Alegre, las inundaciones han provocado la muerte de 57 personas en el estado, a las que se suma otra víctima en el vecino estado de Santa Catarina. Además, en Rio Grande do Sul hay 67 desaparecidos, así como 32.640 personas que han tenido que dejar sus casas para irse a vivir con parientes y amigos y otras 9.581 que se han trasladado a refugios públicos EFE/ Isaac Fontana

Operação de salvamento de pessoas presas nos telhados de suas residências na cidade de Canoas (RS)

Eu estou há algum tempo longe do Rio Grande, mas o Rio Grande sempre está no coração. Por isso me surpreendeu o fato de que quadrilhas – agora o nome da moda é “facção”, parece até sinal de respeito – de bandidos estão dominando lugares inundados, saqueando casas, depósitos, lojas, fábricas e distribuidoras. Estão até ameaçando pessoas, inclusive em abrigos. As quadrilhas se apropriam dos abrigos como se fossem os mandantes lá dentro. Não sabia que a situação estava assim no Rio Grande do Sul. Eu até aconselharia o governador a conversar com seus colegas de Goiás, Ronaldo Caiado, e de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para saber o que eles estão fazendo lá. Em Goiás, Caiado deu uma segurada, e bandido hoje está na pior por lá. E também vemos um combate muito grande, com medidas preventivas e punitivas, em São Paulo.

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Faltam lideranças nesta crise do Rio Grande do Sul

Tenho falado aqui que, baixando as águas, vamos espremer para tirar a água suja, aquele caldo barrento, e vai ficar a essência. Um colega jornalista, Rogério Mendelski, me contou que conversava com o desembargador Thompson Flores sobre liderança. Eles lembraram que, durante grandes crises, os países sempre tiveram um líder: Churchill, na Inglaterra; Adenauer, na Alemanha; De Gaulle, na França. Mas e aqui, onde estão as lideranças? Que líderes temos escolhido? O que estamos fazendo com nosso voto, nossa decisão, nossa responsabilidade?

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Sem prevenção, as enchentes continuarão acontecendo

O Tribunal de Contas da União está cobrando desde 2014 aquilo que eu contei para vocês: já existe, desde 2012, uma lei federal que manda fazer um sistema de prevenção contra desastres. E que prevenção é essa? É limpar a calha dos rios com dragagem, como limpamos as calhas de nossa casa para tirar as folhas quando começa a estação das chuvas. É verificar onde pode haver queda de barreiras e reforçar a segurança. É fiscalizar de verdade a construção de pontes, estradas, aterros e viadutos, para que resistam às águas, pois a engenharia hoje é capaz de obras que resistam.

Prevenção também é fazer planos diretores, evitando que se construam até hospitais em áreas que acabam inundando, como aconteceu em Canoas, onde um hospital foi atingido pelas águas. O pessoal da minha geração viu as enchentes de todos esses anos, a começar em 1941 – eu não tinha nem 1 ano de idade ainda, mas falava e via as marcas da enchente de 41 –, e viu as prefeituras permitirem e licenciarem construções em áreas que pegam não apenas cheias, mas corredeiras, lugares onde o rio escorre com velocidade, o que é fatal. O TCU está cobrando há muito tempo, mas não se fez nada.

O governador Jorginho Mello, de Santa Catarina, contou o que está acontecendo. Ele tinha R$ 95,4 milhões para obras de prevenção, mas desse montante estão bloqueados R$ 85,8 milhões, ou seja, quase tudo, cerca de 90%. Aí não adianta nada. Mas mesmo assim ele está começando a dragagem do Itajaí-Açu. Perfeito, governador! É preciso limpar a calha do rio, porque assim a água escorre e não sai pela borda. Isso é essencial nos rios do Rio Grande do Sul, por exemplo. Se fizessem no Taquari e no Jacuí, já estaria de bom tamanho.

Também soube da sugestão de um gauchão de chapelão, que apareceu na rede social – as redes estão sendo um esteio nisso tudo –, de abrir um canal direto da Lagoa dos Patos para o mar, bem ao norte da cidade de Rio Grande, mais ou menos no meio do sentido longitudinal da lagoa. Não precisaria de muita coisa: são 15, 20 quilômetros, em um terreno onde é fácil abrir o canal. E haveria comportas para regular a água que passasse por ali. Assim a água sairia mais facilmente de Porto Alegre.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

ENTRE ASPAS

A “comissão de ética pública” da Presidência da República agora pode ser grafada assim, sem maiúsculas e entre aspas, após constranger o País livrando Vinicius Marques Carvalho, chefe da Controladoria Geral da União (CGU), de ação de conflito de interesses por renegociar acordo de leniência com a ex-Odebrecht, atual Novonor, que contratou a banca de advocacia com suas iniciais.

Ele diz estar afastado e que sua mulher hoje dirige a VMC, como não se beneficiasse do belíssimo contrato.

No acordo, a ex-Odebrecht também concordou em pagar multa bilionária por haver subornado autoridades do governo do PT e seus aliados.

A ex-Odebrecht, que contratou a banca VMC para sua defesa, tenta se livrar das multas e renegocia o acordo com a CGU… chefiada por VMC.

A “comissão de ética” não viu “evidências” de conflito de interesses na CGU de VMC renegociando acordo leniência com um cliente do VMC.

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Uma linda sigla: VMC.

Que, lógico, evidente, nada tem a ver com Vinicius Marques Carvalho, chefe da Controladoria Geral da União.

Nada a ver mesmo, segundo apurou o Departamento de Safadezas do JBF.

A comissão de ética pública segue uma ética coerenta com a atual presidência da república, comandada pelo PT.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ARLINDO TAVARES – PIRACICABA-SP

Berto:

Veja se é possível publicar este vídeo.

Com a palavra a minha ídola Ana Paula!

Muito obrigado e bom dia!

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

OS MEIOS E OS FINS

Os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG)

Os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG)

Os fins justificam os meios? A ministra Cármen Lúcia pensou que sim, quando, às vésperas do segundo turno, justificou a censura “em caráter excepcionalíssimo” mesmo após sua convicção expressa num “cala a boca já morreu”. Agora, com o fim de reforçar a Previdência Social, os meios são acordos que anulam decisões claras do Legislativo. O Congresso Nacional dos representantes do povo e dos estados aprovou a prorrogação, por quatro anos, da desoneração da folha, vigente desde 2011, nos tempos de Dilma. Em 2020, Bolsonaro vetou a prorrogação, mas o Congresso derrubou o veto e o seu governo acatou a vontade do Legislativo. Agora, não.

Foi marcante a vontade dos representantes do povo: 430 deputados votaram a favor e só 17 contra. No Senado, foi quase unânime, em votação simbólica. O presidente Lula vetou, e o veto foi derrubado no Congresso por eloquentes 60 a 13 entre os senadores, e 378 a 78 entre os deputados. Ainda assim, o presidente baixou uma medida provisória contrariando a vontade dessas maiorias. A MP ficou parada, nem foi considerada, por motivos óbvios. Então, o governo apelou ao Supremo, alegando inconstitucionalidade de se criar renúncia fiscal sem apresentar impacto orçamentário. Estranho ser agora inconstitucional, após uma dúzia de anos de vigência pacífica.

Argumentando que já estava com o ministro Cristiano Zanin uma ação semelhante, o governo pediu que o recurso, com pedido de liminar, tivesse como relator o ex-advogado pessoal de Lula. E Zanin concedeu a liminar. Um homem, sem voto, contrariou 438 representantes votados. Desespero em 17 setores que empregam mais de 9 milhões de pessoas e em prefeituras de pequenos municípios. Sem conseguir pagar 20% sobre a folha de abril – a recolher até 20 de maio –, muitos teriam de desempregar, diminuindo o tamanho da folha. No Brasil, paga-se imposto até para dar emprego. Para cada R$ 1 mil de salário pode-se pagar até R$ 1,6 mil.

Aí, inventou-se um jeitinho, ignorando as decisões do Legislativo. E pior, com a participação dos presidentes do Senado e da Câmara, como se eles fossem os donos dos votos dos deputados e senadores. Os dois atenderam à reivindicação de Lula e Haddad, e contrariaram 438 parlamentares. A pressão que empurrou Pacheco e Lira veio do Supremo. Já havia cinco votos para anular as decisões do Congresso, só faltando um. Acertaram com o Supremo a suspensão da ação, em favor do acordo que vai reonerar a folha anual e gradualmente a partir de 2025 até chegar a 20% em 2028. Pela paz imposta (pax romana) entre os poderes, sacrificou-se o primeiro deles, o Legislativo. Só falta a missa de réquiem pelo parlamento.

DEU NO X

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