Leio e vejo por imagens que o atual interventor – seriam “fake news, oh good”, ou melhor “salvador” do RGS foi, em primeira providencia, a uma churrascaria degustar alguma coisa que sobrou do belo churrasco gaúcho, carnes nobres a depender de onde foi, ou de onde trouxe tais acepipes.
Creio ser volta as origens…
Talvez não existam mais gado nobre por lá, mas, como não ir a origem e não sentir o cheiro da carne na brasa, já que em Brasília não existem, por melhor que sejam, tais restaurantes ao nível de nosso RGS.
Pouco importa que sua função atual seja uma “montanha” de problemas; tornar o estado de pé, com vidas perdidas ou perdas significativas levem rodos a recomeçar.
Importante mesmo é o churrasco, delicioso e tão bem feito no estado, onde hoje chafurdam os mesmo bois, povo e animais degustados.
Quem sabe começar com turismo?
Pessoas seriam levadas as áreas alagadas e, se encantariam com o estado arrasado?
Talvez comer carne de animal resgatado?
Cavalgar o cavalo Caramelo? ”
Tomar umas das poltronas de do avião, ao invés de cestas básicas para um “tour” à calamidade??
Acredito que muitas possibilidades passam por sua cabeça, enquanto entorna um copo de vinho sabe se lá de onde, mas ele pode garantir que é bom…
Que saudades o atual interventor deve ter se suas origens!
Começar como começou talvez nos dê a orientação: nada vai acontecer!
Como nada aconteceu ao longo da catástrofe… apenas povo ajudando povo, sem churrasco ou comício, contentando-se com o que podiam comer, apesar do presidente os considerar em paraíso…
Tudo o que escrevi acima é bobagem… ser o “salvador do estado “ não é suas prioridades ou de quem o nomeou…
Trata-se simplesmente de política, onde seus “acertos” serão glorificados, seus erros serão de outros e, assim quem sabe entronado novo governador.
Assim, segue o baile! *
* Mestre Peninha deve se lembrar dos “Velhinhos Transviados” e seus álbuns!
Lula e Paulo Pimenta, durante evento em São Leopoldo (RS)
O brasileiro tem sido exemplar em sua resposta à tragédia das enchentes que engoliram todo o Rio Grande do Sul. Seja na atuação dos voluntários que colaboram com os resgates, seja na ação de empresas e entidades da sociedade civil organizada, seja no volume massivo de doações de alimentos, roupas e outros itens de primeira necessidade provenientes de todo o país, a solidariedade demonstrada nesses dias é motivo de orgulho. O mesmo, infelizmente, não se pode dizer da atuação daqueles que nos governam.
Não falamos, obviamente, do aparato estatal como um todo. Não há como ignorar a importância do efetivo das Forças Armadas, dos órgãos de segurança, dos bombeiros, da Defesa Civil, tanto do Rio Grande do Sul quanto de estados que enviaram equipes; nem de profissionais da linha de frente em serviços como os de saúde atuando nas centenas de municípios gaúchos atingidos. Já a cúpula do poder federal, apesar de algumas ações que correspondem ao mínimo esperado em uma situação de tragédia, parece muito mais interessada em capitalizar em cima da agonia dos gaúchos e preservar a própria imagem.
A máquina de propaganda governamental, por exemplo, não hesitou em transformar em espetáculo o resgate de um cavalo, elevado a “símbolo da resistência” em meio a inúmeros dramas humanos e histórias notáveis de resiliência entre os gaúchos. A primeira-dama posou sorridente dentro de um avião da Força Aérea Brasileira, com cestas básicas nos assentos, devidamente “protegidas” por cintos de segurança afivelados. Enquanto isso, o Ministério da Verdade petista se empenhava em usar até mesmo o poder de polícia para calar quem divulgava informações posteriormente confirmadas como verdadeiras – caso das multas aplicadas a caminhões que levavam donativos, apesar de a ANTT falar em “casos pontuais” – e até mesmo quem fazia críticas legítimas à atuação do poder público, comparando-o à resposta oferecida pela iniciativa privada. Na última quarta-feira, entretanto, Lula e seu governo conseguiram descer ainda mais na escala da indecência.
O presidente transformou em comício sua visita à cidade de São Leopoldo, para anunciar medidas de ajuda aos gaúchos. Usou a cartada racial a que a esquerda recorre com frequência para dividir o país, atacou seu antecessor, disse querer disputar mais “umas dez eleições” e disparou piadinhas, entre aplausos e gritos de guerra, em um clima que em absolutamente nada condiz com a situação atual pela qual passa a maioria dos habitantes do Rio Grande do Sul, e que exigiria sobriedade, não o circo montado não por acaso na cidade que é um dos principais redutos petistas do Rio Grande do Sul. O espetáculo, ainda por cima, serviu para formalizar uma outra forma de exploração política da tragédia gaúcha, mais sorrateira e mais sórdida.
Em São Leopoldo, Lula empossou seu censor-chefe, o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta, como secretário extraordinário de Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul, um novo órgão que ninguém sabe exatamente o que fará, mas que dará muita visibilidade a Pimenta. O deputado federal licenciado, eleito com os votos de 223 mil gaúchos em 2022, não tem experiência no gerenciamento de catástrofes; seu campo é a propaganda, o que vem bastante a calhar diante da necessidade de promover a imagem do governo federal como o grande protagonista da ajuda ao Rio Grande do Sul. Ainda mais relevante é o fato de Pimenta ser o pré-candidato petista ao governo do estado em 2026, e ganhar um palanque antecipado com o novo cargo, cuja criação não foi nem mesmo avisada antecipadamente por Lula ao governador gaúcho, Eduardo Leite.
O drama dos gaúchos que perderam tudo, para Lula e seu entorno, não passa de mais uma oportunidade de autopromoção e de movimentações eleitoreiras. O governo federal tem papel fundamental na reconstrução do Rio Grande do Sul, mas não com sensacionalismo, nem com espetáculo, muito menos com “intervenções brancas” e politicagem rasteira. No entanto, pedir sobriedade e respeito às competências de cada ente federativo é demais para quem está convicto de que tudo no país deve servir a seus interesses particulares.
Emília Viotti da Costa nasceu em 28/2/1928, em São Paulo, SP. Historiadora e professora, ficou conhecida como “grande dama da historiografia nacional”. Seu livro Da senzala à colônia (1966) é considerado referência obrigatória no estudo deste período. Lançou novos rumos na análise histórica da diáspora africana e da escravidão no Brasil e América Latina.
Filha de um português com uma brasileira com formação política, empresarial e artística. Seu avô foi presidente das províncias do Paraná e Maranhão e senador pelo estado de São Paulo, em meados do século XIX. Concluiu o curso de história pela USP-Universidade de São Paulo, em 1951. Em seguida cursou história medieval, moderna e contemporânea na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ituverava, SP, em 1951-1953. Continuou os estudos de história na École Pratique des Hautes Études, em Paris, no período 1953-1956, através de uma bolsa de estudos concedida pelo governo francês.
De volta ao Brasil, retomou os estudos na USP, onde concluiu os cursos de mestrado e doutorado e foi professora de 1964 a 1969. Defendeu tese de livre-docência intitulada Escravidão nas áreas cafeeiras, aspectos econômicos, sociais, políticos e ideológicos da transição do trabalho servil para o trabalho livre, renovando as pesquisas sobre a Abolição. Em 1968 fez severas críticas a reforma universitária promovida pelo governo ditatorial; realizou palestras sobre “A Crise da Universidade” e debateu o tema, em programa de TV, com o Ministro da Educação, Tarso Dutra. Foi presa no ano seguinte junto com outros colegas; aposentada compulsoriamente pelo AI-5 e afastada da USP.
Não podendo mais lecionar aqui, mudou-se para os EUA, onde foi professora de história da América Latina nas universidades de Yale, Tulane e Illinois no período 1973-1999. Retornou ao Brasil e passou integrar o Conselho Consultivo da USP, enquanto lecionava na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Mais tarde recebeu o título de professora emérita desta faculdade e da Universidade de Yale, onde foi também diretora do Programa de Estudos da Mulher e do Conselho de Estudos Latino-Americanos.
Além do citado Da senzala à colônia, publicou Da Monarquia à República: momentos decisivos, pela Editora Unesp, analisando o processo que levou à República, na tentativa de compreender a subsequente marginalização de amplos setores da população brasileira; Coroas de glória, lágrimas e sangue, pela Cia. das Letras, uma reconstrução das maiores revoltas de escravos, ocorrida na Guiana inglesa em 1823. Seu último livro O Supremo Tribunal Federal e a construção da cidadania (2001), pela Editora Unesp, colocou o poder judiciário em primeiro plano ao analisar a história política do Brasil.
Sua carreira acadêmica no exterior permitiu formar pesquisadores norte-americanos que se tornaram importantes brasilianistas, entre eles John French e Barbara Weinstein, que foi fazer seu doutorado em Yale sobre a Argentina e, com as aulas de Emília, acabou optando por pesquisar o Brasil e declarou: “Ela me mostrou que o país oferecia um campo rico para investigar questões da história do trabalho e que era impossível entender a classe operária sem estudar a trajetória dos empresários”.
O filósofo Jézio Gutierre considera que uma das suas preocupações centrais foi entender questões contemporâneas do Brasil olhando para aspectos do passado. “Emília se incomodava com historiadores que se debruçavam sobre a história antiga sem pensar nas consequências à vida contemporânea”. É desta perspectiva que Emília via e estudava a História.
De uma conversa com sua colega, a historiadora Zilda Márcia Grícoli Iokoi, a respeito das manifestações que sacudiram o Brasil em 2013 e 2015, brotou a preocupação, levantada por Emília, que as escolhas feitas por cidadãos de um país estão ligadas diretamente à concepção de mundo da qual se dispõe. A partir daí, para entender como esse processo de seleção se dá, nasceu o livro A escrita do historiador: cosmovisões em conflitos, organizado pela colega historiadora e lançado pela Editora Unesp em 2018. A reunião de artigos presta uma homenagem à professora Emília Viotti da Costa, que, falecida em 2017, não pôde ver o trabalho concluído. Segundo sua colega “Para ela, as questões eram mais amplas e resultado de desigualdades mais profundas, de resquícios coloniais”.
Tome o seu Dramin e prepare-se para ver uma das cenas mais abjetas da história política brasileira. Ela entrega um cachorro para o militar para que ele simule que o está entregando para ela, apenas para que as pessoas filmem e divulguem nas redes sociais. A Janja é a cara do… pic.twitter.com/5416QgFnhs
Numa agência bancária, onde fui fazer uma doação para ajudar os vitimados pelas terríveis enchentes gaúchas, deparo-me com o João Silvino da Conceição, que para lá tinha se deslocado com o mesmo propósito. Sobraçando, como sempre, um caderno e uma esferográfica para anotações cotidianas, ele não se esquivou de mostrar suas últimas pensações. Transcrevo-as aqui, corrigindo suas mínimas incorreções ortográficas:
– “Sempre que possível, nunca diga “não” de supetão. Diga sempre “vamos raciocinar”, favorecendo a emersão de soluções mais venturosas.”
– “Quem sabe pensar, nunca vai se afundar, nem de todo se lascar.”
– “Ainda que botando asas numa vaca, jamais ela voará.”
– “Quando não se tem intenção concreta, todo amanhã idealizado é vão.”
– “Abandonar-se é o maior defeito de um ser humano.”
– “Na escola da vida pós-moderna, professores e alunos devem postar-se sempre com intensa criticidade estruturadora.”
– “Nas tragédias urbanas, toda precaução é pouca com os vitimismos, os exibicionismos, evitando responder perguntas idióticas de repórteres sem um mínimo senso de visão comunitária.”
– “Toda vivência sadia é consequência plena de uma caminhada dotada de bom senso, solidariedade fraternal e caridade sementeira.”
– “Quem desconhece e não analisa fatos passados, compreende mal os do cotidiano e não binoculiza com efetividade os dos amanhãs.”
– “Os possuidores de parcas leituras, analisam os fatos e feitos sem embasamento, com descontrole emocional e agressividade irracional.”
– “Ou serenamente convivemos dialogando pacificamente com pensamentos contrários aos nossos ou brevemente nos destruiremos todos.”
– “O ser humano é o único animal cuja existência pacífica é um problema que ele mesmo terá que resolver.”
– “Enredos de telenovelas nada criativas geram psicopatias criminosas, além de fingimentos comportamentais altamente hipócritas.”
– “Novos conhecimentos ampliam responsabilidades solidárias e militâncias favoráveis a realidades sociais mais dignas e justas.” – “Ser cristão é ter um profundo respeito por todas as demais crenças, religiosas ou não, sem preconceitos nem implicâncias comportamentais.”
– “Quem evita ser mentalmente bunda, tem a certeza de que nunca se comportará mal socialmente, mesmo dirigindo um Porsche.”
– “Quem pratica bandidagens nas tragédias urbanas como a do Rio Grande do Sul, merece castração física e cadeia longa, para não mais parecer ser gente.”
– “Solidariedade e fraternidade são irmãs siamesas, jamais em tempo algum devendo ser tratadas separadamente.”
– “Quem não tem solidariedade social, possui uma infantilidade cognitiva não evolucionária, rumina e dá coices.”
– “Nós existimos na Terra para sermos solidários com todos, incluindo os que discordam de nós.”
Abracei o João Silvino da Conceição, agradecendo a Deus por ter com ele uma amizade de muitas décadas, sempre ele professor e eu aprendiz, usufruindo das suas lúcidas orientações existenciais. E ainda recebi de presente, com uma dedicatória atenciosa, um livro que já comecei a digerir intelectualmente: SOBRE A ARTE DE VIVER: LIÇÕES DA HISTÓRIA PARA UMA VIDA MELHOR, Romain Krznaric, Rio de Janeiro, Zahar, 2013, 376 p. O autor é um historiador britânico, fundador da School of Life de Londres, consultor internacional e pensante século XXI. Páginas que, segundo João Silvino, muito iluminarão nossas decisões pessoais, profissionais, familiares e comunitárias.
Em troca, um livro que eu tinha acabado de comprar presentei o Silvino, ratificando nossa amizade com muitas bênçãos divinas: A SOCIEDADE PERFEITA: AS ORIGENS DA DESIGUALDADE SOCIAL NO BRASIL, João Fragoso, São Paulo, Editora Contexto, 2024, 352 p. O autor, professor titular de História, por concurso, na UFRJ, analisa com maestria, e de um jeito próprio, o Brasil como somos e por que somos detentores de uma humilhante redistribuição de renda.
No fim do encontro, cada um com seu livro, fomos tomar um caldinho de feijão com uma cerveja sem álcool, num pequeno restaurante popular das redondezas bancárias, permutando as anedotas mais recentes, inclusive as de baixo calão.