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DEU NO JORNAL

BAGUNÇA IN ENGLISH

Não tem nada de “química” a relação do governo Lula com os EUA.

Na cúpula do G7, Donald Trump afirmou que se encontrou com o petista, mas ressaltou que a relação com o Brasil é uma “bagunça”.

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Fiquei curioso…

Como é que é “bagunça” em inglês?

Algum leitor desta gazeta sabe qual foi a palavra que o Trump pronunciou?

Fico no aguardo.

DEU NO X

MAURINO JÚNIOR - SEM CRÔNICAS

DESINFORMAÇÃO TRAVESTIDA DE ESPETÁCULO

Vivemos tempos curiosos — e perigosamente barulhentos. Nunca se teve tanto acesso à informação e, paradoxalmente, nunca se produziu tanta ignorância com tanto requinte estético. A ignorância, hoje, não anda mais malvestida: ela usa trilha sonora épica, thumbnail flamejante, voz grave de narrador de trailer e uma confiança que só a ausência completa de método científico pode proporcionar: É a era da desinformação travestida de espetáculo.

Um meteoro cruza o céu — fenômeno banal, belíssimo, conhecido desde que o primeiro hominídeo levantou os olhos da savana. Mas não: agora ele não é mais um fragmento rochoso queimando a dezenas de quilômetros por segundo sob o efeito do atrito atmosférico. Ele vira sinal, mensagem, sonda, prenúncio, aviso dos céus. Sempre um aviso, curiosamente nunca uma aula de física. O céu, que por milênios inspirou astrônomos, poetas e navegadores, foi rebaixado a palco de teatro apocalíptico de quinta categoria. Não se trata de ingenuidade. Trata-se de mercado.

O algoritmo não recompensa a verdade; recompensa o espanto. A dúvida metódica perde para a afirmação categórica. O “não sabemos ainda” é atropelado pelo “é isso aqui, CONFIA”. A ciência, lenta, cuidadosa e elegantemente chata, perde espaço para a profecia berrada, porque a profecia não pede fontes — pede curtidas. E assim, telescópios viram presságios. Asteroides ganham intenções. Órbitas passam a ter vontade própria. A física é dispensada em favor de uma narrativa onde o Universo conspira, planeja e envia mensagens cifradas para youtubers munidos de microfone barato e convicções caríssimas.

Nada disso é novo. Apenas ganhou HD, 4K e monetização. Na Idade Média, cometas anunciavam a morte de reis. Hoje, anunciam o fim do mundo — com link na descrição. A superstição não desapareceu; ela apenas aprendeu a editar vídeos e usar SEO. E aqui surge um detalhe particularmente perverso: a apropriação da fé. Textos sagrados, ricos em simbolismo, história e profundidade moral, são reduzidos a slogans apocalípticos de consumo rápido. A Bíblia, que jamais se propôs a ser um tratado de astrofísica, é convocada como se fosse um manual de impactos orbitais. Versículos são arrancados do contexto com a delicadeza de um asteroide em colisão frontal com o bom senso.

Isso não fortalece a fé. Isso a empobrece. Não esclarece o mundo. Apenas o assusta.

A ironia suprema é que o Universo real é infinitamente mais fascinante do que essas fantasias. A física das altas energias, a química dos elementos, a dança gravitacional dos corpos celestes — tudo isso é grandioso, elegante, quase musical. Mas exige estudo. E estudo não viraliza. Então troca-se Kepler por conspiração. Newton por narrador dramático. Carl Sagan por alguém que começa frases com “eles não querem que você saiba”. E o público? O público, cansado, ansioso, sobrecarregado, aceita. Porque o espetáculo é mais confortável que o pensamento. Pensar cansa. Duvidar dá trabalho. Conferir fontes é um esforço que concorre diretamente com a dopamina instantânea.

Não se trata de negar riscos reais. A Terra pode, sim, ser atingida. Já foi. Será de novo, em escalas de tempo que não combinam bem com thumbnails histéricas. A ciência não promete segurança absoluta — ela promete honestidade intelectual. E isso, para o mercado do pânico, é pouco vendável. O problema não é olhar para o céu com temor. O problema é olhar para ele sem razão.

A desinformação travestida de espetáculo não quer compreender o cosmos — quer explorá-lo emocionalmente. Ela não educa; excita. Não esclarece; dramatiza. Não convida ao conhecimento; convoca ao pânico. E, no fim, o resultado é trágico e cômico ao mesmo tempo: um mundo que teme meteoros imaginários, mas ignora problemas reais; que grita “apocalipse” diante de um rastro luminoso, mas boceja diante da erosão da razão. Talvez o verdadeiro impacto não venha do espaço. Talvez ele já esteja aqui — silencioso, persistente, orbitando nossas telas, colidindo diariamente com o pensamento crítico.

E esse, infelizmente, não deixa rastro no céu.

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COMENTÁRIO DO LEITOR

BRASIL E PARAGUAI

Comentário sobre a postagem FUGA PARA O PARAGUAI: UM BRASIL QUE EXPULSA AS PRÓPRIAS INDÚSTRIAS

João Francisco:

Eu já disse aqui que, Solano López deve se sentir vingado da derrota para o Brasil há 150 anos atrás na Guerra do Paraguai, a maior e mais sanguinária guerra militar já acontecida na América do Sul.

As consequências da derrota para o Paraguai foram terríveis. Noventa porcento dos homens morreram. Houve uma sucessão de golpes e ditaduras, de esquerda e de direita, que impediram o crescimento do país.

Na década de 70 o Brasil construiu na fronteira com o Paraguai a Itaipu Binacional, a maior hidrelétrica do mundo até 2010 com 50% de participação de cada país.

Como o BR contraiu os empréstimos para a construção, o Paraguai ficou com 5% da energia para seu consumo enquanto os 45% restantes era vendido a preço de banana para o lado Brasileiro por 50 anos (+ ou -).

Só que o período de energia barata para o BR acabou. Para piorar, o governo do Molusco tentou interferir através de espionagem na administração paraguaia da Itaipu.

O Paraguai ficou com um grande excedente de energia elétrica, o que atrai grandes indústrias. Como não tem grades dívidas, cobra 1/4 dos impostos cobrados aqui. A legislação trabalhista de lá é também muito simplificada.

Resultado, Caxias e Tamandaré se reviram no túmulo por ver que sua luta foi em vão; enquanto o Paraguai cresce muito acima da nossa economia. Pior, uma grande fatia de empresas estão saindo daqui junto de funcionários para se instalar lá, que tem energia barata, muito menos impostos, justiça e governo de direita, dando previsibilidade à economia.