Luciano Trigo
O Brasil vive um processo preocupante e cada vez mais evidente de desindustrialização. Enquanto o governo insiste em discursos sobre crescimento, inclusão social e crescimento econômico, o noticiário aponta para uma realidade bem mais sombria: cada vez mais empresas brasileiras têm migrado suas operações para o Paraguai, em uma busca desesperada por custos menores, regras mais simples e menos burocracia. Não se trata de uma migração ideológica, mas de uma decisão de sobrevivência econômica, diante de um ambiente local cada vez mais hostil para o setor produtivo.
Diversas marcas de peso já aderiram ao movimento. Na área têxtil, gigantes como Riachuelo, Lupo, Fiasul e Karsten transferiram parte de suas operações. Na indústria e metalurgia, Ambev, Tramontina e Marcopolo adotaram estratégia similar. JBS, BRF, Kidy e Oxygroup também estão entre as companhias que já buscaram no Paraguai um ambiente mais favorável para a produção.
O principal atrativo do Paraguai é a chamada Lei de Maquila. Ela simplifica brutalmente o ambiente tributário para indústrias exportadoras: permite importar máquinas e insumos sem impostos, cria um imposto único de cerca de 1% sobre o valor da exportação e concede isenção de Imposto de Renda em determinadas condições.
Enquanto o Paraguai oferece um modelo enxuto e transparente, o Brasil vive sob um sistema tributário fragmentado e cumulativo, com ICMS, IPI, PIS, Cofins, ISS, contribuições previdenciárias e uma infinidade de obrigações acessórias, que transformam qualquer atividade produtiva num campo minado fiscal. É um labirinto que sufoca quem produz, uma selva onde o empreendedor passa mais tempo interpretando regras instáveis do que investindo em inovação e expansão.
Grandes empresas são obrigadas a manter departamentos inteiros para compliance fiscal, enfrentando o risco constante de interpretações divergentes e autuações demoradas. Por sua vez, muitas empresas pequenas e médias simplesmente não suportam o peso da burocracia e fecham as portas, empurrando a economia para o atraso.
Como se não bastasse a alta carga tributária, a insegurança jurídica é outro obstáculo à competitividade. A constante mudança de regras, as diferentes interpretações em cada estado, os julgamentos contraditórios e falta de transparência criaram um ambiente onde ninguém consegue planejar com segurança. Para o investidor, o que importa não é apenas o valor que se paga hoje, mas a certeza do que pagará amanhã, e sob quais condições. O Brasil falha miseravelmente nesse quesito, fazendo com que capitais nacionais e estrangeiros prefiram o Paraguai.
A situação se agrava com os custos trabalhistas. Não se trata de negar direitos que protegem milhões de trabalhadores, mas do descompasso entre esses custos e a produtividade praticada. No Brasil, o salário do empregado é apenas uma fração do custo real para o empregador, que arca com contribuições, encargos, benefícios e obrigações legais pesadíssimas. Isso reduz a competitividade da indústria, encarece a produção e atinge diretamente o mercado de trabalho, dificultando a geração de empregos formais.
Esse cenário vem criando um ciclo perverso: quando fábricas fecham ou migram para o Paraguai, levando empregos, arrecadação e desenvolvimento tecnológico, isso enfraquece as cadeias produtivas e reduz a base tributária – o que, por sua vez, faz crescer ainda mais a pressão para aumento de impostos, ou a necessidade de incentivos, aprofundando a crise.
O Paraguai, apesar de muito menor e menos desenvolvido, compreendeu que para atrair produção é preciso oferecer condições favoráveis concretas. A Lei de Maquila criou o ambiente de negócios que o Brasil insiste em não oferecer: simples, transparente e justo. O resultado é que as empresas podem focar no que realmente importa – produção e competitividade – e não na tentativa constante de driblar a burocracia e o sistema tributário. A lógica é pragmática e eficaz: quem oferece menos custos e mais previsibilidade atrai mais investimentos.
Esse tema deveria estar entre as preocupações do eleitor, que em breve decidirá quem governará a partir de 2027. Ele deve refletir se deseja um país que mantém uma carga tributária sufocante e regulações opressivas ou um país que favorece a geração de empregos e um ambiente favorável ao empreendedorismo. Para o Brasil retomar o rumo do desenvolvimento e da justiça social, é imperativo acabar com o “dízimo” tributário que penaliza quem arrisca, inova e produz.
Eu já disse aqui que, Solano López deve se sentir vingado da derrota para o Brasil há 150 anos atrás na Guerra do Paraguai, a maior e mais sanguinária guerra militar já acontecida na América do Sul.
As consequências da derrota para o Paraguai foram terríveis. Noventa porcento dos homens morreram. Houve uma sucessão de golpes e ditaduras, de esquerda e de direita, que impediram o crescimento do país.
Na década de 70 o Brasil construiu na fronteira com o Paraguai a Itaipu Binacional, a maior hidrelétrica do mundo até 2010 com 50% de participação de cada país. Como o BR contraiu os empréstimos para a construção, o Paraguai ficou com 5% da energia para seu consumo enquanto os 45% restantes era vendido a preço de banana para o lado Brasileiro por 50 anos (+ ou -).
Só que o período de energia barata para o BR acabou. Para piorar, o governo do Molusco tentou interferir através de espionagem na administração paraguaia da Itaipu. O Paraguai ficou com um grande excedente de energia elétrica, o que atrai grandes indústrias. Como não tem grades dívidas, cobra 1/4 dos impostos cobrados aqui. A legislação trabalhista de lá é também muito simplificada.
Resultado, Caxias e Tamandaré se reviram no túmulo por ver que sua luta foi em vão; enquanto o Paraguai cresce muito acima da nossa economia. Pior, uma grande fatia de empresas estão saindo daqui junto de funcionários para se instalar lá, que tem energia barata, muito menos impostos, justiça e governo de direita, dando previsibilidade à economia.
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