Passando uns meses em Porto Velho, pude sentir o peso do clima do Norte.
41 graus (à sombra).
Daí surgiu o mote:
Êita! Saudade danada Da brisa de Tambaú!
Mote de Wellington Vicente
O calor aqui é mato, Estou quase derretendo, Tá quente não, tá fervendo, O tempo todo me hidrato. Eu acho o sol muito ingrato, Castigando pra chuchu; Tô vendo até urubu Pingando pela calçada. Êita! Saudade danada Da brisa de Tambaú!
Ronaldo Barbosa
Passei aqui muitos anos Mas na época eu era moço Possuía o couro grosso Semelhante ao dos ciganos Sinto que já trago danos Por manobrar Urutu Topar jararacuçu Tocaiar onça pintada Êita! Saudade danada Da brisa de Tambaú.
Curtindo um romance astral Em noite de escuridão A lua fez um clarão Com o seu brilho colossal. Alegre fez um sinal Com lampejos de candura E num gesto de loucura Declarou-se apaixonada; Eu vi a lua excitada Seduzindo a noite escura.
Hélio Crisanto
A lua que nem menina Entrando na adolescência Ensaiava uma indecência Igual cio de felina A nuvem como cortina Abria a sua estrutura A onça vendo a figura Ficou hipnotizada Eu vi a lua excitada Seduzindo a noite escura.
Agradeço a todos os amigos e amigas pelas felicitações. Que Deus continue nos abençoando!
São seis dezenas de anos, De batalhas, de vitórias. As perdas, joguei no arquivo Como “Passagens Inglórias”. Agradeço ao Criador Que o filho do cantador Hoje em dia é um senhor Contando as suas histórias.
No 28 de julho, fez 88 anos da morte de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, iniciando o período da extinção do cangaço no Nordeste brasileiro.
O Lampião que emboscou Um dia foi emboscado.
Mote deste colunista
A vida é roda gigante Sempre muda a posição A sorte de Lampião Um dia foi da Volante João Bezerra o comandante Sertanejo preparado Foi por alguns informado Onde Lampião pousou O Lampião que emboscou Um dia foi emboscado.
O Bando de Virgulino Atuou por muitos anos Causando terror e danos Pelo sertão nordestino O sangue que o assassino Deixa no chão derramado Um dia será cobrado Como o profeta falou O Lampião que emboscou Um dia foi emboscado.
A Volante atravessou As águas do São Francisco Sabendo de todo risco Que pelo tempo enfrentou Pedro de Cândido apontou A tenda do procurado Cabo Panta acocorado Fez a mira e atirou O Lampião que emboscou Um dia foi emboscado.
Quanto mais o tempo passa Mais sinto saudade dela.
Mote deste colunista
Perdi noites de sono Pensando nessa infeliz Hoje não sou mais feliz Fiquei foi no abandono Ela ficou sem seu dono Era a dona da janela Hoje o que sinto por ela Entro logo na cachaça Quanto mais o tempo passa Mais sinto saudade dela.
Cabal Abrantes
Mamãe foi-se, faz um ano, E parece que foi agora! Minha alma ainda chora Sua ida ao outro plano. Eu sou forte, mas humano, E o meu peito se esfarela Toda vez que penso nela… Minha vida anda sem graça, Quanto mais o tempo passa Mais sinto saudade dela.
Melchior SEZEFREDO Machado
Depois q’ela foi embora Pra mim o tempo parou A saudade se arranchou Feito a louca da caipora Eu senti naquela hora Falta daquela donzela Não sei mais viver sem ela Hoje vivo na cachaça Quanto mais o tempo passa Mais sinto saudade dela.
Poeta Nascimento
Se soubesses da solidão Que é viver sem teu amor Parava o dia com pudor Banindo de mim a aflição De esperar uma solução Pra esse tempo sentinela Me deixe viver para ela Sem a saudade devassa Quanto mais o tempo passa Mais sinto saudade dela.
Leo Brasil
Vivo banhado em tristeza, Pra nada tenho vontade; Adquiri uma ansiedade, No corpo sinto moleza. Não vejo mais a beleza, Ficou em mim a sequela; A vida não é mais bela, Ao contrário, é só desgraça. Quanto mais o tempo passa, Mais sinto saudade dela.
Ronaldo Barbosa
Este amor adolescente Que senti por Marinês Quase que lasca de vez O “Neguim de Zé Vicente”. Consumi muita aguardente Da branca e da amarela Fiz “bico” de sentinela Naquele banco de praça. Quanto mais o tempo passa, Mais sinto saudade dela.
Sem querer o tempo furta A juventude da gente, E o vigor de antigamente Cada dia mais encurta. A vontade anda curta Para brincar no colchão, Que o gás da disposição Parece que evaporou, A mão do tempo rasgou Meu manto de ilusão.
Jr. Adelino
Meus castelos fictícios Um a um desmoronaram, Os anos duros mostraram Incontáveis sacrifícios. Hoje rezo meus Ofícios Implorando a Deus perdão, Quando feri meu irmão Meu íntimo também chorou. A mão do tempo rasgou Meu manto de ilusão.
Seu doutor, não prive a fala Que ecoa nas emoções… Dos sofridos corações Cujo a solidão faz sala. Não cale aquele que cala O sofrer e o penar… De quem sofreu por amar E foi taxado de pateta, Doutor, não cale o poeta, Deixe o poeta cantar!
Jr. Adelino
Deixe que as suas rimas Sigam pela amplidão, Que as cordas do bordão Façam duetos com as primas. Deixe falar sobre climas, De sertão, agreste e mar, Da beleza do luar, Das orações do profeta. Doutor, não cale o poeta, Deixe o poeta cantar!
Meu coração sofredor Já se acostumou no tédio Inquilinas do amor Abandonaram seu prédio E nas clínicas das paixões Não encontra um só remédio.
Francisco Evangelista
Meu coração sofre assédio Diário da solidão Quando quer se levantar Vem outra desilusão E bota pra beijar a lona De novo meu coração.
Jr. Adelino
O meu não tem jeito não Parece que por pirraça Se ilude com toda dama Tropeça em qualquer trapaça Se não surgir quem lhe salve Termina em banco de praça.
Fui seu amante exclusivo Lhe dei carinho, dei flores Ela só me causou dores Mas hoje, sem dores vivo, Outra botou curativo Com Band-Aid de donzela, Sem cicatriz, nem sequela Sendo feliz, quem diria, Ela pensou que eu iria Rastejar por causa dela.
Pedro Fernandes
Deixou de ser dama honrada, Bem prendada e exemplar Para ser um “avatar” Dos bares da madrugada. Eu segui por nova estrada Ao conhecer Antonela. Ela vive na favela No ramo da putaria. Ela pensou que eu iria Rastejar por causa dela.