No dia após o inquérito no STF contra Flávio Bolsonaro (PL) por suposta calúnia contra Lula (PT), o petista voltou a liderar chances de vencer em 2026.
40% a 39% na plataforma de previsões e apostas Polymarket.
“Onde está a imunidade parlamentar? Onde está a liberdade de expressão?”, questionou Flávio Bolsonaro (PL), no plenário do Senado, após virar alvo de inquérito no STF por suposta calúnia contra Lula.
Governo planeja permitir uso do FGTS para quitar ou amortizar dívidas
Em uma eleição na qual o desempenho da economia pode ser decisivo, e mais importante que afinidades ideológicas, os recentes recordes nos índices de endividamento e inadimplência acendem o alerta no governo. Dados recentes da Confederação Nacional do Comércio mostram que 80,4% das famílias estão endividadas. O conceito técnico de “endividado”, no entanto, engloba mesmo aqueles que têm parcelas a vencer, mas dão conta delas tranquilamente; o verdadeiro problema, portanto, está na inadimplência, que também está nas alturas: 30% das famílias têm contas em atraso, e 12% afirmam não ter condições de honrar os pagamentos.
As dívidas estão comendo cerca de 30% do orçamento familiar, em média, e para 19% das famílias o pagamento de parcelas e prestações engole mais da metade da renda mensal. Para piorar, ao contrário do que ocorre em outros países – onde as taxas de endividamento são parecidas com as nossas, mas com as dívidas voltadas à aquisição de patrimônio –, os brasileiros estão se endividando para pagar as despesas do dia a dia. A percepção de que a economia real está bastante descolada dos índices que o governo divulga com ufanismo aparece em pesquisas de opinião, e Lula busca maneiras de reduzir a insatisfação popular.
O Desenrola, a primeira tentativa governamental de lidar com o superendividamento neste terceiro mandato Lula, teve resultados contraditórios: 15 milhões de brasileiros conseguiram renegociar R$ 58 bilhões em dívidas, mas, segundo o Banco Central, para cada R$ 1 negociado surgiu mais R$ 1,15 em novas dívidas. Agora, Lula e a equipe econômica voltam o olhar para o Fundo de Garantia: a ideia seria permitir que os trabalhadores usassem seu saldo do FGTS (que tem rendimentos pífios nas mãos do governo) para saldar suas dívidas (que muitas vezes sofrem com a incidência de juros altíssimos). Para um governo que até ontem tinha ojeriza ao mecanismo do saque-aniversário – que o trabalhador poderia usar como quisesse, inclusive para reduzir ou zerar suas dívidas –, a virada é de uma hipocrisia galopante.
O FGTS tem como finalidade ser um colchão que garanta ao trabalhador ao menos algum tempo de subsistência caso perca seu emprego. É um dinheiro que pertence ao trabalhador, embora esteja forçosamente sob administração governamental. Além da demissão sem justa causa, há outras circunstâncias em que o saldo pode ser retirado, como calamidade pública ou doenças graves como câncer; o FGTS pode até ser usado para quitar ou amortizar um único tipo de dívida, o financiamento habitacional. O argumento liberal segundo o qual o trabalhador deveria ter acesso facilitado a um dinheiro que é dele, em tese, tornaria razoável a defesa do seu uso em um eventual programa governamental de quitação ou redução de dívidas. A questão, aqui, é o “em tese”.
Como para tudo o mais que dá errado no Brasil desde 2023, Lula busca culpados externos. A bola da vez são os sites de apostas – que de fato se tornaram uma epidemia, em que a ilusão do ganho fácil sem trabalho duro faz esquecer que, no fim, a banca sempre vence. Um estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) e da FIA Business School aponta para a existência de quase 40 milhões de viciados em bets no Brasil, com pressão sobre o orçamento das famílias três vezes maior que a dos juros, e cinco vezes maior que a do crédito sobre renda. Os juros altos também são apontados pelo governo como vilões do endividamento e da inadimplência – mas é aqui que o discurso lulista começa a fazer água.
Os juros no Brasil só são altos porque o governo tem como estratégia aquecer a economia pela via do consumo: não apenas o poder público gasta como se não houvesse amanhã, mas também incentiva o brasileiro a gastar. Foi Lula quem disse a seus ministros, em dezembro do ano passado, que “se tiver dinheiro na mão do povo, está resolvido o nosso problema” – mas, quando um povo sem educação financeira usa o “dinheiro na mão” para gastar, e não para economizar ou quitar as dívidas já assumidas, cria pressão inflacionária, que por sua vez força o Banco Central a elevar os juros para o motor da economia não explodir por superaquecimento. Em outras palavras, o culpado dos atuais juros altos não está no BC, mas no Planalto.
Além disso, a mencionada falta de educação financeira leva a outro problema, que os economistas chamaram de “risco moral”: a tendência de pessoas, instituições ou organizações ao comportamento irresponsável quando há a convicção ou a certeza de que elas serão socorridas ou protegidas das consequências negativas. Vale para governos estaduais que não fazem ajuste por saberem que o Congresso aprovará algum pacote de socorro, vale para bancos que assumem riscos julgando que são “grandes demais para quebrar” e serão ajudados… e vale para indivíduos para os quais o FGTS sempre estará lá para ser usado se as dívidas crescerem demais. Não estará, e mais cedo ou mais tarde o trabalhador poderá se ver privado até mesmo daquela reserva financeira no momento de dificuldade.
No Brasil de 2026, com um governo que gasta e incentiva a gastar, com uma sociedade anestesiada pelas bets e carente de educação financeira, o uso do FGTS como “bala de prata” para resolver o endividamento seria um erro enorme; a irresponsabilidade fiscal continuará exigindo uma escolha inescapável entre juros altos ou inflação alta (ou ambos); esta corroerá o poder de compra do brasileiro, encarecendo tudo; aqueles seguirão pressionando as dívidas. Essa deterioração, somada a uma crença infundada em um colchão infinito de socorro financeiro que pode ser acessado sempre que as dívidas se avolumarem, cria a receita certa para o empobrecimento de uma população, pelo esgotamento de todos os seus recursos, incluindo as reservas do FGTS.
Em vez de paliativos, uma solução para o superendividamento está em uma sociedade mais letrada economicamente, inclusive em relação à ilusão das promessas de dinheiro fácil; em um governo fiscalmente responsável, cuja política fiscal permita à autoridade monetária praticar juros baixos; e no fim do incentivo exacerbado ao consumo. Nessas circunstâncias, seria perfeitamente razoável flexibilizar o uso do FGTS para sanar emergências pontuais, ou mesmo para que o trabalhador possa dispor desse dinheiro – que é dele, recorde-se – para outras finalidades. Sem isso, uma ideia como a que o governo alimenta agora levará a uma catástrofe de médio prazo. Mas todos sabemos que Lula e o PT não estão interessados nem em ajuste fiscal, nem em segurar o estímulo ao consumo, e nem em trabalhar com o médio prazo: seu olhar não vai para além de outubro, e este é o perigo.
Segundo Osmar Terra (PL-RS), quem precisar de consulta no Sistema Único de Saúde corre o risco de esperar até 800 dias para ser atendido, como num caso que conhece.
“O SUS está doente”, conclui o deputado.
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Fazendo as contas, 800 dias correspondem a mais de 2 anos.
Preso nesta quarta-feira (15) na batida da Polícia Federal contra lavagem de dinheiro que movimentou R$ 1,63 bilhão, Raphael Sousa Oliveira é dono do perfil de fofocas “Choquei”, que coleciona nas redes bajulação ao PT e acusações de diálogos ensaiados para promover o governo e emplacar “versões oficiais”.
Foi o caso quando anunciou que a “taxa das blusinhas” não pegava o consumidor e ainda deu espaço para a primeira-dama Janja insistir na lorota que a taxa seria só “para empresas”.
Não demorou e o diálogo entre Janja e Choquei logo ganhou o selo “Isto é falso!”, no X.
A cobrança caiu mesmo na conta do consumidor final.
Como um boxeador nas cordas e que não tem mais nada a perder, os ministros do STF resolveram que não basta simplesmente continuarem blindando uns aos outros enquanto sofrem críticas de todos os lados. Agora, eles irão contra-atacar, e para isso não hesitarão nem em usar sua autoridade, nem em abusar da prática de se pronunciar fora dos autos. Gilmar Mendes e Dias Toffoli já afirmaram claramente que gostariam de ver punidos – seja na esfera criminal, seja em ações de inelegibilidade – os senadores da CPI do Crime Organizado que foram favoráveis ao indiciamento de Gilmar, Toffoli, Alexandre de Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O relator da CPI, Alessandro Vieira (MDB-SE), havia solicitado o indiciamento dos três ministros e do procurador-geral por atos ligados ao escândalo do Banco Master: a condução atípica do caso no STF por Dias Toffoli; as decisões de Gilmar Mendes que blindaram a investigação da empresa familiar dos Toffoli; o possível conflito de interesses envolvendo Alexandre de Moraes, e a tentativa de intimidar servidores por meio de inquéritos sobre vazamento de dados; e a omissão de Gonet, que continua sem ver motivos para a investigação dos ministros. No dia 14, quando o relatório seria votado, o governo, com a ajuda de aliados no Senado, manobrou para alterar a composição da CPI e o relatório, que antes tinha maioria para aprovação, foi rejeitado por 6 votos a 4. No entanto, isso não bastou para os ministros.
Por mais que houvesse uma conexão, mesmo tênue, que tem em uma ponta o resort Tayayá e, em outra, o PCC – por meio da Reag Investimentos, que administrava o fundo Arleen –, pode-se questionar a opção do relator por incluir os ministros e Gonet em seu relatório final. Pode-se, ainda, considerar frágil, ou até mesmo equivocado, o pedido de indiciamento dos ministros e do procurador-geral por crimes de responsabilidade, que não são caso para a esfera criminal, mas para um julgamento no próprio Senado. O que é inaceitável é o desejo escancarado de retaliação contra Vieira e os outros três senadores favoráveis ao relatório – Eduardo Girão (Novo-CE), Espiridião Amin (PP-SC) e Magno Malta (PL-ES) –, que, segundo a Constituição, são invioláveis também por seus votos, e não apenas por suas palavras.
Gilmar Mendes, sempre o mais exaltado, insinuou uma ligação de Alessandro Vieira com milícias em entrevista; durante sessão da Segunda Turma do Supremo, no dia 14, ainda antes que a CPI votasse o relatório de Vieira, afirmou que a Procuradoria-Geral da República deveria apurar “rigorosamente” o que classificou de abuso de autoridade – no dia segunte, Gilmar de fato formalizou o pedido de investigação à PGR. Na mesma sessão, Toffoli acrescentou que gostaria de ver inelegíveis os responsáveis pelo que chamou de “relatório aventureiro”: “não podemos deixar de nos furtar a cassar eleitoralmente aqueles que abusaram, atacando instituições para obter voto e conspurcar o voto do eleitor”, afirmou, dirigindo-se ao colega Nunes Marques, que assumirá em breve a presidência do Tribunal Superior Eleitoral – Magno Malta está no meio de seu mandato, mas Vieira, Amin e Girão encerram em 2026 seu período de oito anos no Senado e deverão sair candidatos em outubro.
Trata-se de retaliação e intimidação em estado puro. Com suas decisões, os ministros (com a ajuda de Gonet) já haviam declarado a toda a nação que ninguém haveria de botar os olhos ou encostar as mãos nos negócios próprios ou de suas famílias, não importando a quantidade enorme de suspeitas que pesam sobre eles. Agora, os integrantes do Supremo vão além e dizem que a insistência em investigar os laços dos ministros com Daniel Vorcaro trará consequências legais ou eleitorais aos que tiverem essa ousadia. Até o presidente da corte, Edson Fachin, reforçou a ideia de que ele e seus colegas são uma casta intocável, em nota sobre a “indevida inclusão” dos ministros no relatório de Vieira, na qual Fachin “se solidariza” com Gilmar, Toffoli e Moraes – como também fizeram André Mendonça e Flávio Dino.
“Cada qual reage de alguma forma a esse tipo de contingência. Alguns enfrentam. Eu, como sabem, adoro ser desafiado”, bravateou Gilmar Mendes durante a sessão da Segunda Turma em que criticou o relatório de Vieira. É fácil chamar para a briga quando se tem na mão um poder ilimitado, já que o contrapeso constitucional do Supremo abriu mão covardemente de exercer sua função. Afinal, falamos do ministro que coloca a Polícia Federal atrás de um servidor porque não suporta ser interpelado em um aeroporto, e que processa senadores por piadinhas; seria até estranho se ele não tivesse reagido ao relatório da forma como reagiu. “Lá no meu Mato Grosso, as pessoas dizem: ‘Não me convide para dançar porque eu posso aceitar’”, afirmou, ainda, Gilmar Mendes; de fato, ele hoje é o dono do salão de baile; resta saber até quando o Senado deixará que ele continue pisando nos pés de todos impunemente.