DEU NO JORNAL

TORRANDO NOSSO DINHEIRO

O governo Lula reservou R$ 44,8 bilhões para emendas parlamentares no Orçamento de 2027.

O caminhão de dinheiro, que agrada senadores e deputados, é R$ 4 bilhões a mais que na proposta deste ano.

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“Caminhão de dinheiro” no gunverno lulo-petralha.

Uma expressão perfeita.

Define com exatidão essa zorra das emendas parlamentares.

E sai tudo do bolso do contribuinte.

DEU NO JORNAL

TODO POLÍTICO ERRA, MAS A GRAVIDADE DOS ERROS IMPORTA E SEU VOTO DEVIA CONSIDERAR ISSO

Roberto Motta

O voto precisa distinguir políticos sérios dos que usam o poder em benefício próprio.

O voto precisa distinguir políticos sérios dos que usam o poder em benefício próprio

Os políticos não são todos iguais.

Todos os políticos cometem erros. Mas os erros não são equivalentes.

Não há santos ou anjos na política. Mas há políticos bons e outros ruins. E existem pessoas que usam a política para cometer crimes.

Talvez seja difícil determinar quem é realmente honesto. Mas os políticos desonestos não costumam esconder a desonestidade – ao contrário, a exibem como prova de esperteza e de poder.

As evidências mais claras de desonestidade são a mentira constante, a associação com pessoas desonestas e o enriquecimento na vida pública.

Fomos ensinados, treinados e doutrinados para dar um valor extraordinário à política e colocá-la no centro de nossas vidas. Essa é uma ideia que vem da Revolução Francesa, que criou o conceito do cidadão-ativista, permanentemente mobilizado pela atividade política.

Essa ideia beneficia principalmente os políticos. Em todas as democracias existe uma classe política que vive de extrair riqueza das pessoas e das empresas. Ela pratica aquilo que o sociólogo Franz Oppenheimer chamou de “meio político de ganhar a vida” (o outro meio de ganhar a vida é o econômico, através do trabalho e da prestação de serviços úteis).

Os políticos são os verdadeiros donos do país. Câmaras de vereadores, Assembleias Legislativas e o Congresso Nacional funcionam permanentemente como uma fábrica de leis, regulamentações e medidas que interferem com a nossa liberdade e autonomia. Políticos têm acesso às instituições do Estado, incluindo empresas estatais, agências reguladoras e, mais importante de tudo, aos tribunais.

Alexander Hamilton, um dos pais fundadores dos Estados Unidos, escreveu no Artigo Federalista número 78 que “a liberdade não tem nada a temer do judiciário, a menos que ele se junte com qualquer um dos outros poderes”. Aqui o topo do Judiciário se junta ora com o Legislativo, ora com o Executivo.

Não é preciso mais do que alguns minutos de reflexão para perceber que foi invertido o sentido essencial da democracia. Ao invés de eleger representantes que o servem, o povo coloca no poder espertalhões que se servem dele, e que colaboram para, ao longo do tempo, reduzir cada vez mais a liberdade.

Sempre chamo a atenção para o paradoxo do político rico. Como é possível que alguém que dedicou a sua vida inteira à atividade política tenha enriquecido? É claro que isso não acontece só no Brasil; os Estados Unidos estão cheios de políticos como a deputada democrata Nancy Pelosi, que exerce mandatos públicos de forma ininterrupta há 40 anos e tem um patrimônio multimilionário. Isso se torna um fenômeno ainda mais curioso quando o político é da extrema-esquerda. No Brasil há vários exemplos de políticos socialistas ou comunistas com um patrimônio considerável.

O panorama político do Brasil é terrível, e parece piorar a cada eleição. Mas, como disse no início desse artigo, os políticos não são todos iguais e os erros que eles cometem não são equivalentes.

Os inimigos da liberdade e da prosperidade procuram criar uma falsa equivalência entre todos os políticos. O objetivo é desanimar o eleitor e fazê-lo concluir que o voto é inútil, ou que os espertalhões têm o mesmo valor que os políticos sérios.

Mas, ainda que a política não deva ser o centro da vida de ninguém, e todas as promessas e ideias de políticos devam ser examinadas com ceticismo, a política continua sendo uma das ferramentas disponíveis para a proteção da liberdade e a promoção da prosperidade.

Os políticos não são todos iguais, e nossa decisão de voto precisa refletir isso.

DEU NO JORNAL

CRITIQUEIRO

O governo Lula (PT) faz críticas às emendas parlamentares, mas é conversa mole: torrou quase R$ 25 bilhões para bancar emendas nos primeiros seis meses deste ano.

Mas o dinheiro acabou e desde o início de julho, quando se intensificou o período eleitoral, foram liberados “apenas” R$ 908 milhões, mas os políticos já estavam “abastecidos”.

Mas o ano não acabou e o Orçamento prevê desembolso de outros R$ 14 bilhões ainda este ano, que devem ficar para depois da eleição.

O governo Lula (PT) admite ter pagado outros R$ 9,4 bilhões este ano em emendas de anos anteriores, que não entram na conta oficial de 2026.

O governo Lula já é recordista nos gastos com emendas: R$ 32,5 bilhões em 2025 e R$ 31,4 bilhões em 2024, maiores valores da História.

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Faz críticas às emendas e bate recordes em emendas.

Nada de anormal.

Tá tudo dentro do padrão luloso.

Quem encontrar alguma coerência na maneira de agir do Descondenado, mande aqui pra gente: vai ganhar um prêmio!

DEU NO JORNAL

AS PECs

Editorial Gazeta do Povo

pecs segurança pública escala 6x1

Os senadores Randolfe Rodrigues (à esq.), líder do governo no Congresso, e Omar Aziz (à dir.), relator da PEC do fim da escala 6″1

Câmara e Senado reservaram apenas duas semanas de “esforço concentrado” para os trabalhos do Congresso neste período eleitoral, que dura de agosto até as eleições de outubro, para que, no restante do tempo, os parlamentares possam se dedicar às campanhas, próprias ou de aliados. Que isso ocorra dessa forma já é um acinte, uma demonstração de desprezo para com o pagador de impostos que banca os salários dos parlamentares para que eles atuem no Congresso, e não para que saiam em campanha. No entanto, o “esforço concentrado” da semana que passou tinha contornos ainda mais preocupantes, que só foram frustrados no último momento.

Como consequência das reuniões de “pacificação” entre Lula e os presidentes do Senado e da Câmara – uma delas organizada por Alexandre de Moraes, ministro do STF que assume claramente um papel de articulador político –, emergiu uma pauta dita “prioritária”, mas que traduzia não as prioridades do país, e sim as prioridades das próprias autoridades envolvidas, especialmente Lula, que desejava alguns trunfos para exibir ao eleitor nas próximas semanas, como a PEC da Segurança Pública, a PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1, e o fim da “taxa das blusinhas”. Estes e outros projetos haviam sido destinados por Hugo Motta e Davi Alcolumbre a uma análise a toque de caixa, como se houvesse uma obrigação legal ou moral de aprová-los na semana que passou.

Para acelerar a tramitação, os relatores das duas PECs – Omar Aziz (PSD-AM), no caso da escala 6×1; e Rogério Carvalho (PT-SE), no caso da PEC da Segurança – haviam decidido rejeitar todas as propostas de alteração, mantendo integralmente os textos aprovados pela Câmara. O objetivo era simples: impedir que as PECs, se aprovadas no Senado, não tivessem de retornar para a análise dos deputados, o que impediria sua aprovação definitiva antes das eleições. Um truque barato, e que rebaixava o Senado como um todo.

Suponhamos, apenas por um minuto, que os textos vindos da Câmara fossem de fato excelentes e que, após uma discussão séria, os senadores concluíssem pela sua manutenção integral, sem alterações. É algo que de fato pode ocorrer. Mas o que estava acontecendo no Senado era diferente: era a supressão do debate, descartando-se de antemão todas as emendas apenas para evitar que as propostas voltassem à Câmara. Não se podia argumentar que as PECs já foram discutidas pelos deputados. O Brasil tem um Congresso bicameral justamente porque o Senado não é um cartório encarregado de autenticar aquilo que a outra casa decidiu. Em 2019, o rito de tramitação de medidas provisórias foi alterado exatamente porque senadores costumavam receber as MPs da Câmara faltando poucos dias ou até horas para caducarem, e tinham de correr com sua análise, reclamando do fato de se tornarem meros “carimbadores” de textos vindos da Câmara – o mesmo papel que, agora, Aziz e Carvalho haviam decidido voltar a exercer.

E, na quarta-feira, parecia que a estratégia estava destinada ao sucesso. A PEC do fim da escala 6×1 foi aprovada com facilidade na Comissão de Constituição e Justiça, que também aprovou o texto-base da PEC da Segurança Pública, faltando apenas a apreciação de três destaques. Ao menos no caso da escala 6×1, a bancada governista e Aziz não escondiam a intenção de liquidar a fatura, com a realização dos dois turnos de votação no plenário, ainda naquela tarde ou noite. A oposição, no entanto, conseguiu esvaziar o plenário, deixando os governistas na dúvida sobre quantos votos teriam. Após consultar o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), Alcolumbre resolveu não colocar a PEC na pauta do plenário. A PEC da Segurança Pública também acabou não indo a plenário devido às pendências da tramitação na CCJ.

A pausa na tramitação é providencial. Ambas as PECs tratam de temas bastante complexos, de consequências e impactos muito significativos sobre a vida de todos os brasileiros. São assuntos controversos, nos quais há muita divergência de posições legítimas, e que tocam áreas de interesse absolutamente prioritário. Era nada menos que irresponsável, portanto, a intenção de aprová-las de maneira açodada, sem debates sérios, e especialmente com um regime de tramitação que dispensava a análise das comissões temáticas, que podem explorar com mais profundidade as inúmeras dimensões que cada proposta comporta.

Sabemos que muitos brasileiros veem com bons olhos o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho, quando consideradas de forma abstrata. Essa posição é bastante compreensível – afinal, quem não gostaria que milhões de trabalhadores tivessem mais tempo para o descanso, para suas famílias, para seus filhos? Mas temos de repetir uma pergunta que já foi feita neste espaço: esses mesmos brasileiros continuariam favoráveis se descobrissem que essa mudança pode aumentar o desemprego e reduzir as oportunidades de ganhar mais e crescer profissionalmente?

Não se trata de catastrofismo. Embora não seja certo que tais consequências necessariamente ocorrerão, os riscos são sérios a ponto de serem mencionados por muitos economistas e pelo setor produtivo. E justamente por isso não havia condições de votar a PEC – uma mudança constitucional, portanto – da escala 6×1 sem um debate sério, com oportunidade para o contraditório, que inclua economistas de todas as vertentes, traga dados para análise, ouça trabalhadores e empresários (grandes e pequenos), examine experiências internacionais, estime efeitos, discuta regras de transição e avalie alternativas.

O mesmo ocorre com a PEC da Segurança Pública, com uma pressa ainda mais difícil de compreender. Trata-se de um dos problemas que mais angustiam os brasileiros. Facções criminosas se expandem, dominam territórios e atividades econômicas, atravessam fronteiras estaduais e nacionais. Há problemas de inteligência, de coordenação das polícias, de financiamento, no sistema penitenciário. E existem divergências importantes sobre quanto poder deve caber à União, quanto deve permanecer com os estados e qual deve ser o papel dos municípios.

A PEC mexe em tudo isso no exato momento em que o Brasil começa uma campanha presidencial em que a segurança pública será um dos grandes temas. Candidatos apresentam propostas diferentes, governadores que administraram seus próprios sistemas de segurança participarão do debate, especialistas serão ouvidos, e a sociedade terá a oportunidade de comparar diagnósticos e soluções. A PEC, no entanto, cristaliza uma única visão, a de alguém que talvez nem saia vitorioso nas urnas. Não havia motivo para antecipar esse debate, muito menos de constitucionalizar uma determinada solução, poucas semanas antes de os brasileiros escolherem quem governará o país pelos próximos quatro anos. Não havia urgência.

O calendário eleitoral não pode dominar, e muito menos substituir o processo de deliberação. O Congresso não existe para atender às conveniências de uma campanha eleitoral, e senadores não são integrantes do comitê eleitoral de candidato algum. Foram eleitos para examinar projetos, ponderar suas consequências e votar de acordo com o que consideram melhor para o país. Lula e outros políticos de esquerda já começaram a culpar a oposição pela pausa forçada na tramitação do fim da escala 6×1; no entanto, os senadores que obstruíram a votação não encontrarão dificuldade em explicar ao eleitor que se deseja melhorar a vida dos trabalhadores, mas que antes de alterar a Constituição é preciso saber que efeitos essa medida terá sobre o mercado de trabalho.

Lula e a esquerda não desistirão, e Randolfe já fala em uma sessão extraordinária ainda em setembro ou, na pior das hipóteses, antes do segundo turno da eleição, em outubro, de forma que ainda seja possível colher dividendos eleitorais da aprovação, mesmo que na reta final da campanha. É preciso manter a guarda. A eleição termina em outubro, mas emendas à Constituição permanecem, bem como as suas consequências. E, se elas forem negativas, os responsáveis hão de ser cobrados pelo que fizeram ao país.

DEU NO JORNAL

UM SONHO

O senador Rogério Marinho (PL-RN) disse que já pediu afastamento de Paulo Gonet (PGR), Alexandre de Moraes (STF) e Andrei Rodrigues (PF), autoridades citadas no escândalo do Banco Master.

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Seria uma excelente notícia se estes afastamentos se tornassem realidade.

Vamos torcer, vamos rezar.

A banda decente do Brasil vai continuar sonhando.

DEU NO JORNAL

INADIMPLÊNCIA

O suposto sucesso do programa Desenrola 2.0, que Lula tenta usar para arrancar votos dos endividados, não encontra sustentação nos números.

Desde o início, em maio deste ano, o número de inadimplentes no Brasil só aumentou.

Levantamento da Serasa Experian traz o mapa da inadimplência e negociação de dívidas com números assustadores: são 83,9 milhões de inadimplentes no país em julho, edição mais recente do levantamento, com valor total das dívidas batendo nos R$ 586 bilhões.

No lançamento do programa, o mapa registrava 83,5 milhões de inadimplentes. No mês seguinte, o índice subiu e bateu nos 83,7 milhões.

O mesmo documento mostra que o valor médio devido por pessoa alcança os R$ 6.987,23 (julho). 

Quando Lula assumiu, eram 70,09 milhões de endividados. Número alto, mas distante dos atuais 83,9 milhões.

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A nota aí de cima fala em “números assutadores”.

Tudo que acontece nesse gunverno lulo-petralha é assustador.

Apavorante.

É pra deixar assombada a banda decente desta maltratada republiqueta.

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

O “PAÍS DO FUTURO” NÃO PODE MAIS CONTINUAR DESPERDIÇANDO OPORTUNIDADES

Editorial Gazeta do Povo

editorial brasil país do futuro

Desindustrialização chegou ao Brasil antes que o país tivesse requalificado seus trabalhadores para outras funções

Em 1941, o filósofo e escritor austríaco Stefan Zweig, então residente no Brasil, escreveu um livro intitulado Brasil, País do Futuro, dando origem a uma expressão que se tornou popular nos meios políticos, empresariais e intelectuais, para dizer que este país tinha as condições necessárias para o desenvolvimento econômico, cultural e social. O autor, de origem judaica, veio para o Brasil e aqui se estabeleceu para fugir da Europa e da perseguição aos judeus. Considerado um intelectual e escritor de alto nível que acompanhava os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, sua convivência em solo brasileiro o levou a se entusiasmar com características locais que, segundo ele, levariam o Brasil a um futuro de prosperidade material e bem-estar social.

Com o passar dos anos, a pobreza, o nível educacional sofrível, a exagerada violência urbana, o alto índice de corrupção nas estruturas de poder, o mau funcionamento do sistema judicial, o corpo de leis ruins e a baixa qualidade das instituições passaram a decepcionar os que acreditavam no “país do futuro”, fazendo parecer que o Brasil estava destinado a não ter solução e seguir vivendo na pobreza e na instabilidade. Quatro décadas após o fim da Segunda Guerra Mundial, começava o governo de José Sarney, o primeiro presidente civil após 21 anos de regime militar. Sarney assumiu a Presidência da República em 21 de abril de 1985, em função da morte de Tancredo Neves, de quem era vice-presidente.

Instabilidade política, crise de governabilidade, inflação disparando, planos econômicos frustrados – assim seguiu o país até que, em outubro de 1988, foi aprovada uma nova Constituição e em 1989, após 28 anos sem eleições presidenciais diretas, foi eleito um presidente civil, Fernando Collor de Mello, sob a esperança de que chegara o tempo da redemocratização e da prosperidade econômica. A tese do “país do futuro” ganhava novo fôlego.

Mas, ao contrário, o que se viu foi o estouro da inflação, o aumento da corrupção, a instabilidade política e a ingovernabilidade do presidente, culminando com sua deposição em 1992, após tumultuado processo de impeachment. Assim, o então jovem Fernando Collor foi destituído de seu cargo, ato que revelou a extrema fragilidade institucional e a prova de que os velhos maus hábitos da política continuavam intactos; o “país do futuro” retrocedia mais uma vez.

O Brasil seguiu seu destino de país subdesenvolvido, até que em 1994 a esperança voltou, em função da implantação do Plano Real e do êxito no combate à hiperinflação que havia resistido a quatro planos econômicos aplicados nos anos anteriores. Ali, o processo de redemocratização começava a se consolidar e a esperança renascia na sequência de um período de recuperação, principalmente porque o governo liderado por Fernando Henrique Cardoso conseguira êxito em manter a inflação sob controle e fez importantes reformas, como o programa de recuperação bancária e a privatização de mais de 100 empresas estatais, incluindo 16 bancos públicos estaduais e federais e suas instituições financeiras coligadas. Com isso, Fernando Henrique entregou o governo a Lula, que assumiu o governo em 2003, com o país preparado para crescer.

Lula iniciou seu governo tentando fugir da imagem de sindicalista esquerdista radical e conseguiu relativa tranquilidade na economia devido, principalmente, à atuação de seu ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que manteve as bases da política econômica sustentada pelo tripé formado por superávit fiscal primário, metas de inflação e câmbio flutuante. Isso transmitiu certa tranquilidade ao mercado e, nos oito anos do governo Lula, o Brasil foi premiado com a boa situação internacional e elevação dos preços das commodities brasileiras exportadas, resultando em significativa melhora nas contas externas do país.

A conjunção desses fatores levou o Brasil a obter melhorias internas na economia e no desenvolvimento social, além de conseguir melhorar sua imagem internacional, a ponto de ser louvado como um dos promissores países dos Brics, ao lado de Rússia, Índia e China. Batizado como “emergente”, o país passou a atrair investidores internacionais e a receber demonstrações de confiança do mundo em suas regras e suas instituições. Parecia ter chegado a hora de um crescimento contínuo e sustentável capaz de alçar o país ao clube dos desenvolvidos.

Todavia, em apenas três anos do governo Dilma Rousseff, iniciado em 2011, o que parecia ser um destino glorioso começou a apresentar sérios furos, sobretudo na estrutura econômica, culminando com as manifestações de 2013. O mundo começou a perguntar o que, afinal, estava acontecendo com o país e a desconfiar que o Brasil voltava a seu destino de subdesenvolvimento. Analistas estrangeiros voltaram a dizer que o Brasil era o país das eternas promessas, incapaz de usar suas imensas riquezas naturais para sair do atraso e se transformar em nação desenvolvida.

Nos anos 1970 e anos 1980, apesar de sofrer os prejuízos ao crescimento provocados pela crise do petróleo, inflação e aumento da dívida externa, o Brasil apresentava alguns fatores estruturais que, quando viesse a recuperação, dariam força ao crescimento econômico e elevação da renda por habitante, condições essas necessárias à manutenção do sonho de chegar ao grupo dos países desenvolvidos. O Brasil chegou a ter uma forte indústria de equipamentos de defesa e fábricas de bens de capital (elevadores, máquinas e equipamentos); porém, a decadência da indústria nacional foi rápida e assustadora: a indústria de transformação terminou os anos 1990 tendo caído de 27% para pífios 14% do Produto Interno Bruto (PIB) em apenas 15 anos.

A queda da indústria como fatia do PIB poderia ser normal se tivesse ocorrido por expansão do setor terciário, principalmente nos subsetores de serviços intensivos de tecnologia moderna. Entretanto, não foi isso que ocorreu, e o Brasil percorreu trajetória contrária, ou seja, deixou a indústria morrer antes de ter onde colocar seus trabalhadores. Dados da época indicavam que, nos dez anos entre 2011 e 2020, o setor industrial perdeu 9,6 mil empresas e 1 milhão de postos de trabalho, numa desindustrialização precoce. Os trabalhadores dispensados pelo setor industrial não ocuparam vagas de trabalho em setores de serviços sofisticados e intensivos de tecnologia moderna, mas buscaram ocupação em serviços que não oferecem ganhos de escala.

O atraso não é destino; é obra de longas décadas de maus governos, inchaço da máquina pública, gastos excessivos com as classes privilegiadas do funcionalismo público, corrupção crônica no governo, incapacidade de fazer reformas, leis ruins e instáveis, lento crescimento da produtividade econômica e um sistema político caro e disfuncional. Mas ainda é possível derrotá-lo, desde que presidenciáveis, demais políticos, o setor produtivo e a sociedade civil organizada se unam em torno de um projeto de desenvolvimento que aposte em trabalho duro e contínuo, de décadas, sem as fórmulas milagrosas que se tornaram parte do cenário político nacional. Só assim será possível desmontar a arapuca antidesenvolvimento que se tornou marca do Brasil.

DEU NO JORNAL

GARGALHADA NA ESCURIDÃO

Paulo Briguet

A cena de Orwell parece se repetir no Brasil: enquanto o povo enfrenta seus problemas, os poderosos riem e se distanciam da realidade

“Lá dentro, em volta de uma mesa grande, estavam sentados meia dúzia de granjeiros e meia dúzia de porcos dentre os mais eminentes, Napoleão no lugar de honra, à cabeceira. Os porcos pareciam perfeitamente à vontade em suas cadeiras. O grupo estivera jogando cartas, mas havia interrompido o jogo por instantes, evidentemente para os brindes. Ninguém notou as caras admiradas dos bichos, que espiavam pela janela.”

Assim George Orwell escreve no último capítulo da fábula “A Revolução dos Bichos” (Animal Farm), publicada há 81 anos. Muitos veem a obra de Orwell apenas como uma alegoria da Revolução Russa de 1917 e identificam seus principais personagens — os porcos — com os principais líderes comunistas — Lênin, Stálin e Trotsky. No entanto, o que Orwell pretendeu com seu pequeno livro — uma leitura indispensável para qualquer terráqueo do nosso tempo — foi retratar metaforicamente todo e qualquer processo revolucionário de tomada do poder. Ali está o destino de todas as revoluções políticas. E o Brasil não foge a essa regra.

Olavo de Carvalho sempre dizia que a realidade política sempre reproduz algo que já estava na literatura — ou seja, no imaginário cultural da humanidade. Nesta semana, os ministros do Supremo Soviete Federal foram flagrados reproduzindo quase que literalmente a última cena do livro de Orwell:

“As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco.”

A gargalhada de Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Edson Fachin, captada pelas lentes de um fotógrafo pelas frestas de uma janela do STF, é a imagem do pesadelo que estamos vivendo no Brasil. Enquanto o povo brasileiro padece com os cinco C’s diabólicos — crime, corrupção, custo de vida, carga tributária e censura —, eles dão risada de nossa cara.

É uma gargalhada na escuridão. A nossa escuridão. É uma mensagem clara para que continuemos calados, trabalhando e pagando nossos impostos, enquanto os porcos, ou melhor, os chefes, seguem sugando as últimas forças vitais do país e cometendo crimes em série.

Porque, ao fim das contas, “todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”.

DEU NO JORNAL