DEU NO JORNAL

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POPULISMO E DEMAGOGIA EM ANO ELEITORAL

Editorial Gazeta do Povo

Com base no último Boletim Focus publicado pelo Banco Central, as previsões para este ano de 2026 são: crescimento de 1,99% do Produto Interno Bruto (PIB), fechamento do exercício com taxa básica de juros em 14%, e inflação de 5,12% medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Essas três variáveis são fundamentais para definir o crescimento econômico, o nível de emprego e a variação da renda por habitante. Como a taxa de aumento da população deve ficar em torno de 0,5% no ano, o PIB previsto significa 1,48% de elevação no PIB por habitante, insuficiente para gerar vagas no mercado de trabalho a fim de reduzir o desemprego, que pode estar baixo atualmente, mas cujo futuro é imprevisível devido ao avanço de tecnologias que substituem o trabalho humano.

Eleições para a escolha de deputados federais, senadores e presidente da República sempre são uma temporada de demagogia política e de promessas de mais gastos públicos com programas sociais e formas de distribuir dinheiro aos pobres e desempregados. Neste ano, a campanha não será diferente, pois o presidente da República é candidato a governar o país pelo quarto mandato e tem abusado de todo tipo de “bondades” custeadas pelo pagador de impostos, em sua tentativa de se reeleger.

Lula, como candidato que é, não perde oportunidade de fazer discursos prometendo salvar os pobres das mazelas e carências que os atingem, como se o PT não fosse responsável por tais carências, tendo governado o Brasil por 18 dos 26 anos já transcorridos neste século – sem contar que Michel Temer, hoje renegado pelo PT, governou por dois anos e quatro meses apenas porque era o vice da cassada Dilma Rousseff. Por dever de justiça, reconheça-se que Temer corrigiu algumas distorções criadas nos 14 anos anteriores de petismo no poder, tendo aprovado, durante seu governo, a reforma trabalhista e o teto de gastos.

As promessas populistas e demagógicas, caso venham a ser executadas nos próximos quatro anos do próximo presidente, seja ele quem for, terão o efeito de lançar o Brasil em uma crise muito grave, principalmente porque o governo Lula tem como marca principal a irresponsabilidade fiscal, a imprudência financeira e a geração de déficit primário (saldo negativo decorrente de despesas maiores do que as receitas antes de computar os juros da dívida pública). Lula sempre foi defensor de déficits e disse não ver problema em “um pouco mais de inflação”, afirmando que os livros de economia estão superados.

Em situação de déficit crônico, o governo tem somente as opções de tomar mais empréstimos, aumentar a dívida pública, aumentar impostos ou emitir moeda. Em geral, o governo tem feito as quatro coisas. A dívida pública aumentou notoriamente, e é uma das causas da elevação da taxa básica de juros. Os impostos vêm crescendo regularmente todos os anos e podem aumentar ainda mais com a reforma tributária. A base monetária cresceu 14,9% nos três primeiros anos do governo e, se fechar 2026 com crescimento de 3,1% no ano, o agregado dos quatro anos de Lula será de 18%.

Todo esse quadro é suficiente para pôr fogo na inflação, elevar o custo de vida, frear o crescimento do PIB, gerar desemprego, aumentar o trabalho informal e reduzir os salários médios, principalmente das classes de menor renda. Essa combinação tem a capacidade de piorar o padrão médio de vida da população, de forma que as medidas populistas e demagógicas anunciadas como ajuda aos pobres acabam por agravar os problemas que prometem resolver. Em alguns casos, no Brasil e em outros países que adotaram políticas similares, as medidas populistas e demagógicas parecem fazer sentido e convencem parte da população a acreditar nelas. Porém, invariavelmente tais medidas são incapazes de gerar melhorias duradouras e crescimento sustentado, além de em geral virem acompanhadas de piora dos indicadores econômicos do país.

Durante os anos 1980 e início dos anos 1990, o Brasil viveu a experiência de ter adotado pelo menos seis planos econômicos que prometiam curar os males que acometiam a economia brasileira, mas acabaram fracassando. Todos os planos deixaram de atacar os problemas estruturais do país, como déficits públicos, inchaço do Estado, intervencionismo no mercado, protecionismo e emissão de dinheiro. Se os atuais governantes – a começar pelo presidente da República – continuarem a lançar mão de gastos irresponsáveis e medidas populistas na tentativa de se reeleger ou de eleger os candidatos por eles apoiados, mais uma vez a população pagará caro em forma de baixo crescimento, desemprego e piora dos indicadores sociais. É a repetição do oceano de demagogia e promessas irresponsáveis com fins eleitorais.

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CHUMBO GROSSO

Deve vir mais chumbo grosso por aí para o lado do senador Jaques Wagner (PT-BA).

A Polícia Federal monitora dados de ao menos seis números de telefones ligados ao parlamentar.

* * *

Só seis telefones??

É muito pouco.

O ideal seria que fossem 13.

Vai chegar lá.

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TENTA GANHAR A ELEIÇÃO E QUEBRAR O PAÍS

Alan Ghani

Lula amplia gastos e crédito subsidiado para impulsionar a economia, mas amplia o risco fiscal, a inflação e o endividamento do país

Sem surpresas, o governo tem gastado barbaridades para reeleger o presidente Lula. O aumento de gastos ocorre de várias formas: auxílios governamentais, emendas parlamentares, renúncias fiscais e expansão do crédito subsidiado. De todas elas, chama atenção a forte elevação do crédito subsidiado neste ano.

De maneira bem simples, o crédito subsidiado ocorre quando o governo utiliza os impostos para oferecer empréstimos e financiamentos com taxas de juros abaixo das do Tesouro Nacional. Como o Tesouro capta recursos da sociedade, emitindo títulos públicos próximos de 14,5% (prazo de 5 anos), e oferece linhas de crédito a 8%, essa diferença é subsidiada, ou seja, paga por meio de impostos do contribuinte. Portanto, o crédito subsidiado não é de graça e tem impacto significativo nas contas públicas.

Neste ano, economistas estimam um impacto de aproximadamente R$ 150 bilhões do crédito subsidiado nas contas públicas, com destaque para os financiamentos para habitação (R$ 45 bilhões), transporte (R$ 45 bilhões) e exportação (R$ 15 bilhões).

A expansão do crédito é baseada numa visão econômica keynesiana – o efeito do multiplicador do gasto público. A ideia do multiplicador é: a expansão do crédito, pelo aumento do gasto público, estimula o consumo e o investimento das empresas, gerando elevação da renda e do emprego para a sociedade. Com a elevação da renda, aumenta a arrecadação, melhorando as contas públicas.

Esse raciocínio tem dois erros. O primeiro é não considerar o custo fiscal. Conforme dito anteriormente, a despesa com o crédito subsidiado para este ano é de cerca de R$ 150 bilhões. Se o impacto nas contas públicas é certo, não é possível garantir o efeito positivo na atividade econômica. Fosse assim, todos os problemas econômicos estariam resolvidos. Bastaria gastar mais para que houvesse geração de renda e emprego, redução da pobreza e aumento da arrecadação do governo. Se essa visão fosse verdadeira, a Venezuela seria o país mais rico do mundo.

O segundo problema desse raciocínio é o impacto inflacionário. Expandir o crédito significa elevar a base monetária. A expansão monetária, numa economia com reduzida capacidade de oferta (gargalos de infraestrutura, gargalos de mão de obra e baixa produtividade) e pouco nível de ociosidade, fatalmente traz elevação generalizada e disseminada nos preços. Não por acaso, a expectativa de inflação para este ano está acima de 5%. No acumulado dos quatro anos do governo Lula, considerando a projeção para este ano, a inflação soma aproximadamente 20%. Isso significa que, se a renda da pessoa não subiu nos últimos quatro anos, a perda do poder de compra foi de 20%.

Inflação mais elevada e maior risco fiscal significam juros mais pressionados. Fica claro que os juros sobem em resposta à inflação e ao risco, e não por má vontade do Banco Central, conforme gosta de dizer o presidente Lula.

A expansão desenfreada do crédito também gera superendividamento e inadimplência para as pessoas. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mais de 80% das famílias estão endividadas e aproximadamente 30% delas estão inadimplentes.

Paradoxalmente, para reduzir o endividamento familiar, o governo Lula cria um programa de renegociação de dívidas (Desenrola 2), com impacto fiscal de R$ 23,2 bilhões, para um problema que ele mesmo criou.

Essa fórmula, do protagonismo estatal e da política fiscal ultraexpansionista, levou a dívida/PIB para 81%, com um custo de rolagem de 14,15% a.a. (Selic efetiva de julho). Lula, com o uso da máquina e seus estímulos fiscais, até poderá ganhar as eleições, mas herdará uma bomba que ele mesmo criou. E, desta vez, não vai ter FHC ou Bolsonaro para culpar.

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SIGILO

A decisão do Ministério da Justiça do governo Lula (PT) de impor sigilo até o ano de 2126 sobre a lista de visitantes de Daniel Vorcaro na PF, em Brasília, a pretexto de “preservar a intimidade” do ex-banqueiro, sugere uma operação para blindar integrantes do regime.

Afinal, quando o Estado esconde quem rondava o principal personagem de uma fraude bilionária, a pergunta não é sobre “intimidade” e sim sobre o que se teme revelar. Transparência seletiva não é proteção de direitos, é blindagem.

Centro da maior fraude financeira da história, Vorcaro ficou preso por três meses na PF enquanto levava pânico a autoridades negociando delação.

Registros de visitas deveriam ser tratados com transparência mínima, com nomes, datas e vínculos, ainda que protegendo dados sensíveis.

O caso desmascara o discurso de Lula, na campanha eleitoral de 2022, atacando sigilos centenários e prometendo “revogaço” que nunca fez.

Ao ocultar a lista de visitantes, o governo só alimenta a suspeita de que o sigilo protege os seus e não a privacidade do Vorcaro.

* * *

O último parágrafo desse nota aí de cima é revelador.

Diz que o “sigilo protege os seus”.

Os “seus” do governo de Lula.

Que coisa…

Fiquei besta!!!

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MINISTRO ESPERA QUE O BRASIL ACREDITE EM UM “PRESIDENTE FISCALMENTE RESPONSÁVEL”

Editorial Gazeta do Povo

lula dario durigan contas públicas

O presidente Lula e o ministro da Fazenda, Dario Durigan

Em 2022, a lorota do “Lula democrata” foi a estratégia usada para vender o petista na busca pelo terceiro mandato presidencial – que ele fosse amigo e protetor de ditadores mundo afora, que fosse hostil à imprensa livre, ou que seu partido tivesse fraudado a democracia brasileira com dois megaesquemas de corrupção era mero detalhe. Quatro anos depois, com uma nova eleição à frente e as contas públicas em estado crítico, já começou a operação para vender um “Lula fiscalmente responsável” – sim, ele mesmo, o pai da Nova Matriz Econômica (ao lado de seu então ministro Guido Mantega) e o atual gastador-mor da República, estaria preocupado com o (próprio) descontrole fiscal!

Conversando com representantes de três grandes instituições financeiras, na semana passada, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse estar tentando convencer Lula a endurecer as regras do arcabouço fiscal em um eventual quarto mandato. Segundo as informações de bastidores, estariam na mesa ideias como reduzir o limite anual de crescimento real da despesa pública (ou seja, acima da inflação) de 2,5 para 1,5 ponto porcentual ao ano, e novos gatilhos para reduzir a elevação de despesas obrigatórias. Durigan ainda tem dito que recebeu de Lula o encargo de ser o interlocutor com os agentes econômicos, para desfazer algumas trapalhadas recentes do coordenador do programa de governo petista, o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli.

Todo ceticismo, aqui, é justificável. Primeiro, porque não há como saber se Durigan e outras fontes próximas a Lula que têm falado com a imprensa estão de fato tentando convencer o presidente, ou se na verdade tudo não passa de uma estratégia eleitoral: a de convencer o resto do país de que Lula poderia ser convencido de algo – ainda mais desse algo, o gasto público. Afinal, se em 2022 houve economistas renomados que apoiaram o candidato do PT acreditando que ele faria um terceiro mandato fiscalmente responsável, apesar de todas as indicações em contrário, por que não tentar mais uma vez?

Segundo, porque seria de fato extraordinária a história contada por esses interlocutores palacianos, de um Lula preocupado com a explosão da dívida pública durante o seu mandato, e ciente de que é preciso fazer algo para conter esse aumento. É o mesmo Lula que passou quatro anos defendendo gasto público desenfreado, e que ainda hoje segue lançando bondade atrás de bondade, em um pacote eleitoreiro cujo efeito fiscal está na casa das centenas de bilhões de reais. Epifanias e conversões súbitas acontecem, mas, se fosse esse o caso, a gastança já teria sido interrompida para não agravar ainda mais a “herança maldita” que Lula pretende receber de si mesmo, caso vença em outubro.

E, por último mas não menos importante, porque as tais propostas citadas por Durigan não teriam o poder de frear a acelerada expansão da dívida pública. Se elas fossem aprovadas, o arcabouço continuaria mantendo uma de suas principais deficiências, a previsão de aumento real nas despesas independentemente do desempenho da economia. Além disso, os últimos três anos e meio foram repletos de demonstrações de que o arcabouço fiscal é mera peça de ficção, tantas as despesas retiradas do cálculo formal para efeitos de cumprimento da meta fiscal – em 2025, por exemplo, o resultado primário oficial foi déficit de 0,1% do PIB, com meta cumprida; considerados os itens excluídos da meta, no entanto, o rombo subia para 0,48% do PIB, fora da margem de tolerância do arcabouço. Como resultado dessa contabilidade criativa, nenhum agente financeiro sério ainda leva em conta os números do governo sobre déficit primário, preferindo fazer a conta considerando também os gastos excluídos da conta oficial.

Acredita nisso tudo quem quiser, obviamente. Mas ninguém pode culpar os que duvidam, já que a gastança esteve na essência desse terceiro mandato de Lula, e alguém que já havia passado oito anos no Planalto deveria estar bem ciente da relação de causa e efeito entre gasto desordenado, deterioração das contas públicas e explosão da dívida desde o momento em que subiu a rampa do Planalto, em janeiro de 2023. Uma guinada (nem tão radical assim, diga-se de passagem) a essa altura do campeonato, quando a realidade aponta para uma lamentável manutenção de curso caso Lula permaneça no poder, é improvável; e, se vier, difícil saber quanto tempo durará – que o diga Joaquim Levy, recrutado por Dilma Rousseff para botar ordem em um caos parecido, e que não chegou a completar um ano no cargo.

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