Lula disse querer limitar que bancos emitam mais de um cartão de crédito por pessoa.
Medida idêntica foi tomada… pela ditadura do Irã e pelo Banco Central de Vladimir Putin, na Rússia, após a invasão da Ucrânia, para “segurar” o endividamento nacional.
A direita não venceu apenas pelo desempenho do PL, mas pela capacidade de coordenar votos e unir diferentes partidos em torno de um mesmo campo político
A eleição para o Senado foi melhor para o bolsonarismo do que indicavam as previsões mais otimistas – e pior para Lula, para o PT e para o STF. O PL elegeu 19 senadores nas 54 vagas em disputa e será, de longe, a maior bancada da nova Casa. Igualmente importante, porém, foi a quantidade de aliados que chegaram ao Senado por outras legendas.
O resultado não produziu uma maioria bolsonarista capaz de fazer tudo o que quiser, mas criou um bloco político suficientemente grande para alterar a agenda da Casa – especialmente se Flávio Bolsonaro confirmar sua vitória no segundo turno.
Flávio entendeu que a eleição presidencial é apenas metade da batalha: a outra metade está no Senado. Por isso, ele transformou a escolha dos senadores em eixo de sua campanha, procurando construir uma rede que não dependesse exclusivamente do PL. O resultado mostrou que a estratégia funcionou melhor do que muitos esperavam.
As dobradinhas são a imagem mais eloquente dessa vitória. No Rio de Janeiro, Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos do PL, conquistaram as duas vagas. No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis fizeram uma dobradinha inteiramente bolsonarista. Em Santa Catarina, Carol de Toni e Carlos Bolsonaro repetiram a fórmula. No Paraná, Filipe Barros, do PL, e Deltan Dallagnol, do Novo, foram eleitos. No Rio Grande do Sul, Sanderson, do PL, e Marcel van Hattem, do Novo, também levaram as duas cadeiras. Em São Paulo, Guilherme Derrite, do PP, e André do Prado, do PL, derrotaram Marina Silva e Simone Tebet.
Em vários estados, o eleitor foi levado a escolher dois nomes do mesmo campo político, mesmo quando eles pertenciam a legendas distintas. É uma diferença relevante: no Senado, mais importante que uma identidade partidária rígida é a possibilidade de formar maiorias para determinadas pautas.
O outro lado da fotografia é igualmente significativo. Ficaram fora da Casa nomes que representavam apoios importantes a Lula: Gleisi Hoffmann, derrotada no Paraná por Filipe Barros e Dallagnol; Benedita da Silva, no Rio; Marina Silva e Simone Tebet, em São Paulo; Manuela d’Ávila e Paulo Pimenta, no Rio Grande do Sul; Renan Calheiros, em Alagoas; Soraya Thronicke, em Mato Grosso do Sul; Eliziane Gama, no Maranhão; Leila do Vôlei, no Distrito Federal; Randolfe Rodrigues, no Amapá. É uma derrota de grande significado político para Lula.
Aqui entra o STF. O Senado é a única instituição com competência para processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade. A condenação exige dois terços da Casa: 54 dos 81 senadores. Portanto, não: a direita não terá, sozinha, os 54 votos necessários para cassar um ministro do STF. Mas o novo quadro lhe dá uma bancada muito mais poderosa, capaz de se aproximar desse número com o apoio de senadores do centro, a depender do desenrolar dos acontecimentos.
Além disso, a maioria absoluta de 41 senadores já permite disputar o comando da Casa, influenciar a composição das comissões, aprovar boa parte das matérias que dependem de maioria simples e dificultar a vida do Executivo. Mas o impeachment de ministros do Supremo não será uma consequência automática desta eleição.
Há mais de uma centena de pedidos de impeachment contra ministros do STF parados, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, vinha resistindo a dar andamento a eles. A nova composição aumenta fortemente a pressão sobre ele — ainda mais porque o próprio comando do Senado será renovado.
A presidência da Casa pode ser trocada em 1º de fevereiro de 2027, para um mandato de dois anos. Para ser eleito presidente, são necessários 41 votos. A direita chega à nova legislatura com força suficiente para ocupar esse cargo e para tornar a reeleição de Alcolumbre muito mais difícil do que parecia antes das urnas. Nomes como Rogério Marinho e Tereza Cristina já são cogitados.
Um presidente do Senado apoiado por uma maioria conservadora terá diante de si uma agenda que inclui segurança pública, endurecimento penal, liberdade de expressão, pautas de costumes, anistia aos presos políticos e outros temas que encontram forte resistência no atual campo governista. Algumas dessas matérias exigem apenas maioria simples; outras dependerão de negociações mais amplas. Em qualquer caso, o centro de gravidade da Casa terá mudado.
A segurança pública é talvez o exemplo mais evidente. A eleição de Guilherme Derrite em São Paulo, depois de sua passagem pela Secretaria de Segurança Pública, e a chegada de diversos candidatos identificados com uma agenda de endurecimento contra o crime dão ao tema uma base política mais robusta.
A liberdade de expressão será outro campo de batalha, especialmente diante dos conflitos acumulados entre plataformas digitais, Congresso e Supremo. E as chamadas pautas de costumes — aborto, drogas, educação, ideologia de gênero, família e direitos individuais — tendem a encontrar no novo Senado um ambiente mais receptivo à direita.
Isso não significa que todas essas propostas serão aprovadas. O Senado continuará sendo uma Casa de negociação, e o Centrão continuará tendo um peso decisivo. O que muda é o ponto de partida. A direita terá mais votos para negociar. Se Flávio confirmar sua vitória no segundo turno, já começará o governo com uma vantagem que Lula não teria: uma base política de senadores afinada com sua agenda e uma oposição muito menor dentro da Casa.
Ou seja: Flávio terá muito mais governabilidade. Um presidente não governa apenas com o número de votos que obteve para chegar ao Planalto. Governa com os votos que consegue reunir depois da eleição. E o Senado que emerge das urnas tornou essa conta muito mais confortável para Flávio. O ponto decisivo não é saber se haverá impeachment de ministro do STF. É saber se o Senado passará a exercer com mais intensidade os poderes que a Constituição lhe atribui.
O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil repercutiu na imprensa internacional neste domingo (4).
Jornais e agências de notícias destacaram a ida de Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao segundo turno e o desempenho da direita na eleição.
Com mais de 99,99% das urnas apuradas, Flávio teve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula somou 45,16%.
Os dois voltarão a se enfrentar nas urnas no próximo dia 25 de outubro.
O New York Times relacionou uma eventual chegada de Flávio à Presidência do Brasil ao avanço da direita na América Latina.
Segundo o Times, caso Flávio derrote Lula no dia 25, o resultado representará “a maior vitória até agora para a direita em ascensão” na região.
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Tá repercutindo no mundo todo.
Até em Palmares, recanto de grande importância do planeta Terra!!!
Vale destacar a expressão contida no último parágrafo dessa nota aí de cima, publicada na revista Times: “direita em ascensão”.
Para o senador Rogério Marinho (PL-RN), “Lula, o PT e o Judiciário quebraram a estabilidade do Brasil, e agora até outras nações estão em alerta por causa disso. Falta segurança. Falta segurança jurídica”, disse.
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Que exagero do sinhô senador…
Desde que o lulo-petismo assumiu o poder, não existe um país mais estável, seguro e progressista do que esta nossa republiqueta.
Plenário do Senado: composição da casa a partir de 2027 terá presença maior da direita
O primeiro turno das eleições terminou com a disputa pela Presidência da República se encaminhando para o segundo turno, mas não da forma como se imaginava. Enquanto praticamente todas as pesquisas mostravam Lula à frente de Flávio Bolsonaro, ainda que em situação de empate técnico, o candidato do PL recebeu pouco mais de 47% dos votos válidos, ficando dois pontos porcentuais (ou cerca de 2,5 milhões de votos) à frente do petista. Mas, se a definição sobre o próximo ocupante do Planalto ficou para o dia 25, a melhor notícia do dia vem dos resultados para o Senado Federal.
Candidatos ao Senado que fazem oposição a Lula e se mostraram, ao longo da campanha, inclinados a levar adiante os tão necessários processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal levaram as duas vagas em disputa no Distrito Federal e em vários estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Rondônia; em outros estados, conseguiram uma das vagas. Assim, compensaram com folga a derrota de atuais senadores favoráveis ao impeachment e que não serão reeleitos, como o mineiro Carlos Viana, o capixaba Marcos do Val e o paraense Zequinha Marinho, bem como a saída de senadores de direita e centro-direita que se elegeram governadores, caso do paranaense Sergio Moro e do rondonense Marcos Rogério. Além disso, petistas e outros aliados do governo perderam seus lugares na casa: o alagoano Renan Calheiros, o amapaense Randolfe Rodrigues, a brasiliense Leila do Vôlei, o capixaba Fabiano Contarato, os maranhenses Weverton Rocha e Eliziane Gama, a sul-matogrossense Soraya Thronicke, e o rondonense Acir Gurgacz.
O recado das urnas foi muito claro. Muitos brasileiros perceberam o espetáculo deprimente de autoproteção protagonizado pela “tropa de choque” do Supremo, na sessão de 15 de setembro. E viram como o STF tentou, nos últimos dias, atropelar o Tribunal Superior Eleitoral em temas que diziam respeito especialmente à corte eleitoral, em uma interferência escancarada com o objetivo quase explícito de beneficiar o atual presidente da República. Ninguém precisava ser jurista ou cientista político para perceber que havia algo profundamente errado no menor dos prédios da Praça dos Três Poderes; bastava o bom senso. Felizmente, campanhas e formadores de opinião souberam comunicar ao eleitor a necessidade de mudar o Senado para colocar um freio no Supremo, e o cidadão entendeu o recado.
O primeiro teste para essa nova configuração do Senado ocorrerá assim que os parlamentares iniciarem o trabalho, em fevereiro de 2027. A maioria conquistada neste domingo é suficiente para que se possa finalmente remover o covarde Davi Alcolumbre (que não disputou as eleições agora por estar na metade dos seus oito anos de mandato) da presidência do Senado e substituí-lo por alguém com a coragem de colocar para votação os inúmeros pedidos de impeachment já protocolados contra Alexandre de Moraes e outros ministros – o nome que desponta é o de Rogério Marinho (PL-RN), que já tentou o comando da casa em 2023, sendo derrotado por Rodrigo Pacheco.
E esse novo Senado, se for fiel à campanha que fez, não ajudará apenas a retirar do Supremo os atuais ministros indignos da toga; ele também poderá garantir que não tenhamos mais militantes partidários no STF à medida que as vagas na suprema corte forem abertas – uma delas já existe, deixada por Luís Roberto Barroso. Se o Senado atual já foi capaz de barrar Jorge Messias, um Senado ideologicamente mais à direita deve, em tese, ser uma salvaguarda contra novos integrantes da suprema “tropa de choque”, ainda que Lula saia vencedor no segundo turno da eleição presidencial.
Lula e o PT ainda não foram derrotados, mas o domingo deixa uma forte esperança de renovação no Poder Legislativo. O Senado passou tempo demais adormecido, omitindo-se diante de sua obrigação constitucional de ser o contrapeso aos abusos do Supremo, porque os senadores corajosos ainda eram minoria, e o presidente da casa preferiu entrar para a história como um pusilânime. Quem deseja um Brasil decente, onde a juristocracia seja enterrada para dar lugar ao retorno do império da lei, tem muitos motivos para celebrar neste 4 de outubro.