CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

WARLOCK (1959) – MINHA VONTADE É LEI

Faroeste estrelado pelo brilhante ator Henry Fonda, no papel do pistoleiro Clay Blaisedell, Antony Quinn, no papel do pistoleiro (Tom Morgan) e Richard Widmark.

A vila de Warlock, onde se passa a história, tem um recorrente problema com um perigoso bando sediado no Rancho San Pablo, que constantemente saqueia a cidade e segue matando ou expulsando os Xerifes dali. Uma reunião do Conselho local decide então contratar um experiente e famoso pistoleiro (personagem vivido de maneira brilhante por Henry Fonda) para agir como Xerife, embora isso não seja lá uma atitude oficial/legal, mas uma medida desesperada dos cidadãos. Esse contratado salvador impõe uma série de regras aos cidadãos, entre elas, a presença de seu inseparável amigo (personagem também vivido de maneira brilhante por Anthony Quinn) e ambos irão iniciar sua trajetória de “colocar a cidade nos eixos”.

O diretor Edward Dmytryk faz um bom uso de sua larga experiência dramática para conduzir o soberbo elenco do filme, grupo que merece todos os elogios possíveis. Se a mesma direção perde a mão na condução das subtramas amorosas (a verdadeira pedra no sapato do filme) e não consegue juntar bem as muitas subtramas na parte final da fita (abrindo aí também um problema de ritmo pela montagem), é na direção de atores e na condução de cenas mais densas, com diálogos inteligentes e cheios de significado que o cineasta consegue as suas maiores conquistas. Aliado ao excelente trabalho do fotógrafo Joseph MacDonald com o CinemaScope, o diretor ainda consegue destaque na construção de belas cenas utilizando a paisagem, com destaque para a tentativa de roubo de uma diligência e um certo encontro romântico nos arredores da cidade.

Minha Vontade é Lei sai bastante do convencional, explorando questões psicológicas ou criando subtramas familiares e amorosas que ganham grande espaço no desenvolvimento da história, diminuindo consideravelmente os enfrentamentos, perseguições e fugas. A ação é majoritariamente centrada na cidade de Warlock e, à parte, os dilemas humanos desenvolvidos em distintos núcleos, levanta questões sobre o exercício do direito (enforcamento, linchamento e licença para matar ou estabelecer o controle frente aos cidadãos são temas discutidos) e questões sociopolíticas que jogam com os dilemas morais de cada grupo social àquela época.

Assim, vem à tona o caráter das mulheres e dos homens que elas amam; o desejo de um amigo para com o outro; a ânsia de ser herói, estar junto, morrer defendendo uma causa; ou a mudança de personagens dúbios ou foras-da-lei para o lado dos mocinhos. Estes são assuntos discutidos amplamente no filme. o que de certo modo o torna, como disseram alguns críticos à época de seu lançamento, “cerebral demais“.

A plácida direção de Dmytryk, assim como a trilha sonora muito bem marcada por peças épicas e outras mais sentimentais conseguem um bom resultado diante disso. Até a fotografia tem uma marca definitiva nesta seara, ao final da obra, quando ilumina com forte cor azul um saloon incendiado, contrastando aquela sequência à paleta de todo o restante da fita.

Existe uma aparência anticlimática vinda com a resolução da obra, mas este certamente é um final esperado para um filme que o tempo inteiro discute a aplicação da lei versus os desejos e gostos dos personagens. Quando lançado, o longa não chamou muita atenção, mas teve o seu reconhecimento a posteriori. Um faroeste diferente, intenso, inteligente. Uma obra que certamente conseguiu fugir dos clichês de seu gênero, por mérito dos seus dois personagens principal, principalmente o pistoleiro Clay Blaisedell, vivido por Henry Fonda.

Western Official Traile

Resenha

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O LEOPARDO

Texto escrito em parceria com o especialista em filme de faroeste D.Matt

Burt Lancaster/Alain Delon e Claudia Cardinale em cena clássica de baile

O Leopardo (1963), a obra-prima de Luchino Visconti é uma mistura de sensações, que faz conviver elementos tensionados sem resolvê-los completamente, sempre respeitando a complexidade do que não se unifica.

O filme reconstrói, com uma fotografia magistral, o período da atmosfera vivida nos palácios da aristocracia durante o conturbado reinado de Francisco II das Duas Sicílias e o “Risorgimento,” longo processo de unificação dos estados autônomos que originaram o Reino da Itália, em 1870.

O cenário político italiano é reconstituído com o intuito de interferir em dilemas dos personagens ficcionais, o confuso processo de unificação italiana, do príncipe Don Fabrizio Salina (Burt Lancaster) testemunha da decadência da nobreza e da ascensão da burguesia. Num cenário caótico de fortes contradições políticas ele luta para manter seus valores.

Em meio à opulência e ruína, jogo de forças entre a nostalgia do passado e a mola propulsora que dirige o presente ao futuro. Bailes aristocráticos, quadros valorosos, tapeçarias cuidadosas, bustos estatuários, cômodos intermináveis, a grandeza, o encanto visual; em paralelo, o pó, a melancolia, o vagar paralítico, a indefinição, o tédio, a morbidez, a iminência do fim.

A experiência de apreciar o filme é única, visto que a grandiosidade de Visconti é potencializada, o primor de sua direção é destacado e o talento da composição musical de Nino Rota se realça pelo poder sonoro. Quando o desfecho é anunciado pela legenda do “fim” (“fine”, em italiano), a gente aplaude, entusiasmado. Que beleza, que ternura, que tessitura encantadora do estilo Visconti! Filmes como esse renovam o contrato de amor do cinéfilo com sua arte. Mais ainda: justificam a razão de ser da nossa espécie.

O cineasta Luchino Visconti (um nobre italiano “Conde de Lonate Pozzolo”,) um artista de grande sensibilidade, criador de obras de arte, no cinema e no teatro italiano, entregou-se de corpo e alma na criação deste filme que é a versão cinematográfica do livro clássico italiano Il Gattopardo. O filme, apesar de toda produção e direção de arte ser genuinamente italiana, por questões comerciais imposta pelos produtores, tem versão falada em italiano e versão em inglês, assim como, devido a imposição dos financiadores americanos, Visconti foi obrigado a aceitar como astro principal o ator norte americano Burt Lancaster, que não era a sua escolha prevista.

Sorte do Visconti, pois neste filme o ator americano Burt Lancaster premia o telespectador com um desempenho memorável, talvez o maior da sua gloriosa carreira, quando personaliza o Príncipe, vivendo em um esplendor já agonizante da nobreza Italiana, que continua escondendo a crua realidade da decadência, com um Fausto desgastado e ilusório.

A produção de arte é de extremo bom gosto, a montagem é de excelente qualidade, pois durante todo o filme intercala cenas do fausto atual, com cenas dos aposentos vazios, empoeirados e mobiliário desgastado mostrando que na atualidade é o que restou da esplendorosa e luxuosa “corte” dos nobres retratados.

O elenco escolhido a dedo pelo requintado diretor, é composto por ótimos atores, todos muito convincentes nos seus personagens, atores consagrados como Alain Delon e a magnífica Claudia Cardinale.

A presença de Claudia Cardinale é um prêmio, não só para o filme, como também para os expectadores, sua simpatia, beleza e grande presença em cena. Dá ao filme e em particular em todas as cenas em que participa uma demonstração de que estamos diante de uma estrela maior. As suas cenas com o príncipe são magníficas. Ela demonstra sua versatilidade com grande lance e olhares sedutores, o modo como ela seduz o príncipe, para obter o seu apoio e ser aceita na nobre família como uma igual, é simplesmente impagável.

A saga relatada e exposta no filme é bem explícita, quando demonstra, sem discursos, poucos fatos e ações e apenas comportamentos, de todos os personagens e principalmente do príncipe de que a nobreza está decrépita e que é preciso uma revolução, mudar tudo, para que possa continuar existindo teimosamente como sempre existiu. “Algo deve mudar para que continue como está”, diz o personagem Tancredi Falconeri, interpretado por Alain Delon.


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ASSIS VALENTE – UM GÊNIO ATORMENTADO

Assis Valente e Carmen Miranda

O genial compositor José de Assis Valente nasceu no dia 19 de março de 1911 no distrito de Bom Jardim, Santo Amaro, Bahia, município do Recôncavo baiano e encantou-se em 1958, tomando formicida com guaraná sentado no banco de Rua do Rio de Janeiro, vindo a falecer horas depois.

Ficou conhecido no meio artístico como Assis Valente, compositor genial, dono de uma versatilidade extraordinária para compor clássicos alcançáveis a toda classe social, desenhar e fazer escultura.

Tornou-se conhecido por compor diversos sucessos para Aracy Cortez, o Bando da Lua, Orlando Silva, Altamiro Carrilho, Aracy de Almeida, Carlos Galhardo e Carmen Miranda. Para esta compôs inúmeros sucessos, além de nutrir-lhe uma paixão arrebatadora.

Na época, teve a canção “Brasil Pandeiro”, samba exaltação recusada pela Pequena Notável, o que lhe deixou triste, que depois se tornou um imenso sucesso com os “Anjos do Inferno,” conjunto vocal instrumental brasileiro de samba e marchinhas de carnaval formado em 1934, e principalmente com os Novos Baianos, conjunto musical brasileiro, nascido na Bahia na época da Tropicália, atingindo seu auge entre os anos de 1969 a 1979, por mesclar guitarra elétrica, baixo e bateria com cavaquinho, chocalho, pandeiro e agogô.

Formado por Moraes Moreira, Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor, Dadi e Luiz Galvão. Carmem Miranda veio a se arrepender depois por não ter gravado Brasil Pandeiro, que alcançou enorme sucesso na voz dos Novos Baianos, gravada no segundo Long Play do conjunto “Acabou Chorare”, de 1972.

Assis Valente era filho de José de Assis Valente e Maria Esteves Valente. Segundo relato da época, fora roubado dos pais ainda pequeno, sendo depois entregue a uma família de Santo Amaro que lhe deu educação, ao mesmo tempo em que o forçava trabalhar, algo extenuante, semi-escravidão para ele que não morria de amores pela profissão.

Quando tinha seis anos, houve nova mudança na vida, passando a ser criado por um casal de Alagoinhas, Georgina e Manoel Cana Brasil, dentista naquela cidade. Assis Valente realizava trabalhos domésticos a contragosto, mas com a mudança do casal para a capital baiana, logo conseguiu trabalho no Hospital Santa Izabel e, por suas habilidades, acabou sendo contratado pelo médico irmão de seu pai adotivo, que dirigia a Maternidade da Bahia. Ali demonstrou talento para as artes e foi matriculado pelos criadores no Liceu de Artes e Ofícios da Bahia, a fim de aprimorar-se no desenho e em escultura, dividindo seu tempo entre o trabalho e o estudo.

Por esta época, foi convidado por um padre para trabalhar num hospital católico na interiorana cidade de Senhor do Bonfim, mas ao declamar versos anticlericais do poeta Guerra Junqueiro, político e panfletário da escola nova, numa festa popular, foi demitido. Juntou-se, então, ao Circo Brasileiro, onde declamava versos de grandes poetas de improviso, que encantava a todos que estivessem presentes, admirados com seu talento precoce!

Em 1927 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se empregou como protético e conseguiu publicar alguns desenhos em magazines como Shimmy e Fon-Fon, revistas brasileiras fundadas no Rio de Janeiro no ano de 1907.

Em função de uma dívida cobrada por Elvira Pagã, atriz, cantora, compositora e vedete brasileira da época, Assis Valente tentou o suicídio pela primeira vez, cortando os pulsos. Elvira cantara alguns de seus sucessos junto com a irmã.

Casou-se, em 23 de dezembro de 1939, com Nadyli da Silva Santos. Em 1941, no dia 13 de maio, tentaria o suicídio mais uma vez, saltando do Corcovado – tentativa frustrada por haver a queda sido amortecida pelas árvores. Em 1942 nasce sua única filha, Nara Nadyli, depois se separa da esposa devido à vida pregressa que levava!

Em 06 de março de 1958, com 46 anos apenas, desesperado com as dívidas com agiotas, Assis Valente foi ao escritório de direitos autorais, na esperança de conseguir dinheiro. Ali só conseguiu um calmante. Telefonou aos empregados, instruindo-os no caso de sua morte, e depois para dois amigos, comunicando sua decisão.

Sentado num banco de rua ingeriu formicida com guaraná, deixando no bolso um bilhete à polícia, onde pedia ao também compositor e amigo Ary Barroso que lhe pagasse dois alugueis em atraso. No bilhete, o último verso:

“Vou parar de escrever, pois estou chorando de saudade de todos, e de tudo.”

Seu trabalho foi um do mais profícuo na música. Conta-se que chegava a compor quase uma canção por dia, muitas delas vendidas a baixos preços para “comprositores” que então figuravam como autores. Seu primeiro sucesso de 1932 foi Tem Francesa no Morro, cantado por Aracy Cortez. Foi autor, também, de peças para o Teatro de Revista, como “Rei Momo na Guerra”, de 1943, em parceria com Freire Júnior.

Após sua morte, foi sendo esquecido, para ser finalmente redescoberto nos anos 1960, na voz de grandes intérpretes da MPB, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Novos Baianos, Elis Regina, Adriana Calcanhoto, dentre outros.

Em 2014 teve uma biografia digna lançada, a altura da sua genialidade, “ Quem samba tem alegria: A vida e o tempo de Assis Valente”, escrita pelo pesquisador baiano Gonçalo Junior, recheado de revelações sobre o grande compositor de “Boas Festas”, sem dúvida a mais perfeita tradução da farsa do velhinho do trenó.

Suas canções foram regravadas depois de sua morte alcançando enorme sucesso. Algumas composições suas trazem um conteúdo poético sutil que buscam emocionar; outras trazem um teor mais reflexivo. Assis Valente tinha na alma a verve da mistura brasileira. Exemplo: A composição “Boas Festas”, a letra tem uma ironia refinadíssima, típica de sua alma genialmente errática.

Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem.
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem.

* * *

AO CHIADO BRASILEIRO – ASSIS VALENTE

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A VELHICE É O PREÇO QUE SE PAGA PARA CONTINUAR VIVO

Segundo o psiquiatra Emanoel Bione, ou como ele gosta de ser chamado, Bione Cão, ex diretor do Hospital da Tamarineira do Recife, tudo de bom lhe acontece “quando você envelhece.”

Pois a velhice é considerada a terceira idade da vida humana e se caracteriza pela queda de força e degeneração do organismo, ou seja, ao longo da vida, tem-se várias fases e é com elas que você cresce e amadurece.

Na filosofia, a velhice não é uma cisão em relação à vida precedente, mas é, na verdade, uma continuação da adolescência, da juventude, da maturidade, que podem ter sido vividas de diversas maneiras. Só até aí, porque o resto é uma areia movediça. Tudo fica lânguido e quase inativo à medida que o tempo passa. O bingolim, por exemplo, só serve para mijar. Perde outras funções primordiais.

Portanto, vê-se que a velhice é apenas um momento específico dentro do processo de envelhecimento, sendo caracterizado pela redução do funcionamento de diversas funções orgânicas. O envelhecimento é considerado como sendo um processo no qual estão envolvidas as imagens da vida percebida desde o nascimento.

Na velhice, há uma série de perdas significativas, tais como o afloramento das doenças pré-existentes, crônicas degenerativas, a viuvez, a morte dos parentes e amigos, ausências de papéis sociais valorizados, isolamento crescente e dificuldades financeiras para manter em equilíbrio velhice, doença, alimento, saúde e laser.

Portanto, por que tanta ambição na vida em ganhar dinheiro loucamente se tudo que lhe resta na vida de bom, de saudável, de felicidade, de prazer e de bom viver se resumem em QUANDO VOCÊ ENVELHECE?

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A ROCHA (1996) – MELHOR FILME DO DIRETOR DOS TRANSFORMERS

Cartaz de A Rocha, mostrando a prisão de Alcatraz

THE ROCK (1996), ou A Rocha, no Brasil, é até hoje disparado o melhor filme do contestado diretor americano Michael Bay. Um cineasta que é perseguido pela crítica, mas que provou saber trabalhar muito bem naquela que é sua proposta: os filmes de muita ação. Quem assiste a esse filme dificilmente identificará Michael Bay como o diretor dos filmes Transformers.

“Um general (Ed Harris), herói na Guerra do Vietnã, e seus comandados se apoderam de poderosas armas químicas e se instalam na prisão de Alcatraz com 81 reféns e cobram US$ 100 milhões de resgate, caso contrário, ameaçam disparar as armas sobre São Francisco. Um grupo de elite é mandado à ilha para combatê-los, entre eles um jovem especialista em armas bioquímicas (Nicolas Cage) e o único homem (Sean Connery) que conseguira escapar do presídio.”

Com um roteiro muito bem elaborado, e assinado por ninguém mais ninguém menos que Quentin Tarantino, o filme consegue ter muita ação e adrenalina sem ser um filme desconexo. Um filme instigante e que prende o espectador na cadeira da primeira a última cena.

O elenco é uma verdadeira constelação, e conta com alguns dos grandes nomes do cinema na época. E todos estão muito bem no filme, diga-se de passagem.

Os protagonistas do longa são Sean Connery, o eterno James Bond e o na época requisitado Nicolas Cage, que havia acabado de vencer o Oscar por Despedida em Las Vegas (1996). Connery interpreta John Mason, um ex-agente do serviço secreto britânico, que está preso pelo governo americano por conta de ter descoberto as grandes mentiras da história americana.

Após anos de prisão a CIA precisará dele, pois o antigo Presídio de Alcatraz, conhecido como A Rocha, foi tomado por militares, liderados pelo General Francis Hummell (Ed Harris), que ameaça disparar uma arma biológica sobre São Francisco caso suas exigências não sejam atendidas, e ele é o único homem que escapou da penitenciária, então seria o único que poderia entrar lá sem ser notado, já que uma operação fora descartada por conta de 81 turistas que foram feitos reféns.

Sean nos brinda com uma grande atuação, que obviamente nos faz lembrar seu personagem mais famoso, o Espião James Bond, só que agora mais velho, mas com a mesma competência de sempre, e uma imprevisibilidade de assustar impressionante.

Nicolas Cage interpreta o Dr. Stanley Goodspeed, um químico que entrará junto com a equipe Militar em Alcatraz, com o objetivo de desarmar as armas biológicas antes que as mesmas sejam disparadas. E diga-se de passagem Cage tem uma das melhores atuações de sua carreira nesse filme, e nos faz sentir saudades dessa época, onde ele emplacava seguidamente Despedida em Las Vegas, A Rocha, Con Air e A Outra Face. Já que hoje o máximo que ele emplaca, é uma bomba atrás da outra.

Ed Harris interpreta o personagem que em tese seria o vilão, mas esse está bem longe de ser um personagem simples, pois sua complexidade está em ele ser um bom homem e um patriota, que se sente no dever de mostrar as injustiças que o governo americano cometeu com seus bravos soldados, mortos em campo de batalha, e esquecidos por seu país, que deixaram suas famílias totalmente desamparadas. Harris, como de costume, tem uma brilhante atuação, e consegue passar ao espectador todos os conflitos, éticos e morais que seu personagem passa, de forma que ao assistirmos o filme, podemos até nos compadecer do general, o que geralmente não acontece com os personagens rotulados como vilões.

David Morse e Michael Bieh são outros destaques do longa, apesar de terem papéis menores, porém de extrema importância, principalmente no caso de Morse, na amarração da trama.

Os efeitos visuais de A Rocha são um verdadeiro espetáculo, tal como a locação escolhida, que realmente nos leva para dentro de uma Alcatraz tomada por militares minuciosamente treinados, e preparados para a guerra.
Em resumo, A Rocha é um grande filme, que eu sem dúvida nenhuma recomendaria a todos os que queiram assistir a um bom filme, sem se importar com o que dizem os críticos de plantão.

a) Trailer de Cinema de “A Rocha”

b) A Rocha – Confira o roteiro

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GREEN BOOK – O GUIA (2018) – UM FILME FANTÁSTICO INSPIRADO EM FATOS REAIS

Texto escrito com o estudioso de filmes de faroeste d.Matt.

Cartaz de 2018, informando a estréia de Green Book

Esse filme foi inspirado num acontecimento real. Inclusive a história dos fatos ocorridos foi escrita por Victor Hugo Green e o roteiro adaptado foi produzido por Nick Vallelong, o filho de um dos personagens principais, o ítalo americano Tony Lip (Vallelog), ex Leão de Chácara da Boite Copacabana em Nova York.

Após algumas escaramuças na Boite, com a participação de membros da Máfia, participações essas que o personagem Vallelog, como Leão de Chácara, teve envolvimento importante, a Boite Copacabana fechou algum tempo para “reparos” e o herói ficou desempregado.

Aqui entra uma parte interessante, pois quase todo mundo pensa que na América existem centenas de empregos fáceis sempre à disposição de todos, com muita facilidade de contratação.

Ledo engano, apesar de ser uma nação rica, próspera e democrática, nem tudo é tão fácil, e a busca por emprego para poder sustentar a família, algumas vezes é bastante difícil e nem sempre os resultados são encontrados facilmente, principalmente para um personagem que conhece os elementos mafiosos, sempre atuantes em locais que escorregam dinheiro com facilidades, e procura não se envolver muito profundamente naqueles ambientes bizarros, para dizer o mínimo.

O personagem Tony Lip (Vallelong) com antecedentes racistas, não encontrando outra saída, a não ser topar aquilo que melhor lhe parecer, não perde a oportunidade de aceitar um trabalho para ser motorista de um grande artista (pianista de Jazz) negro, rico e sofisticado, famoso e muito elogiado – realmente existiu – para ser o seu motorista em uma viagem às cidades nos estados racistas e preconceituosos do sul do país, nos quais ele se apresentará como artista notável e célebre. Nessas cidades, seus concertos já foram programados antecipadamente e ele se apresenta para a “elite” local que deseja demonstrar a sua cultura musical, patrocinando um artista renomado, mas sem nenhuma possibilidade de aceitá-lo como tal, recusando-se mesmo a permitir que o artista negro pudesse fazer refeições no mesmo restaurante dos hotéis de luxo e lugares reservados à elite branca.

O protagonista passa por diversas situações humilhantes quando está afastado do piano, e passa a ser um negro intocável, sem qualquer distinção ou direito.
Situações incríveis vão se sucedendo à medida que o roteiro segue pelos caminhos racistas do Sul, e o seu motorista tem em algumas oportunidades de tirá-lo de situações causadas pelo pianista em momentos “difíceis e inusitados”, algumas vezes causadas pelo racismo explícito ou pelo comportamento “diferente” do pianista que não se dá conta da sua conduta um tanto diversa e inesperada.

A interpretação do pianista é uma obra de arte interpretativa, um grande ator, Mahershala Ali, que já havia sido premiado anteriormente com um Oscar, como ator coadjuvante no filme “Moonligt” e repetiu a dose, merecidamente, nesse trabalho magistral, atuando em cada cena como uma obra de arte, com detalhes de interpretação mínima e precisa, que conduz o filme a um patamar de grande qualidade.

O personagem Tony Lip, interpretado pelo ator Viggo Mortensen, foi um achado da produção, pois ele está nos mínimos detalhes, quase irreconhecível, pois para poder aceitar esse papel importante, ele teve de engordar mais de vinte quilos, relaxar sua postura corporal, e apresentar-se como “descuidado”, gordo, mal vestido e um tanto grosso. O importante é lembrar que o motorista é o ator principal do filme e carrega praticamente com seu desempenho toda a responsabilidade de atuação em todas as cenas.

Mas acontece que o pianista interpretado pelo ótimo ator Mahershala Ali rouba com grande brilho todas as suas cenas e se torna mais importante do que o ator principal.

As atuações dos atores de modo excelente, é o resultado da ótima direção do diretor Peter Farrelly, que segurou as pontas e não e não deixou que o assunto preconceito racial extrapolasse o enredo e virasse um motivo de denúncia. O preconceito existe e é mostrado, sabiamente, pelos roteiristas e diretor, mas as cenas não foram exageradas, inclusive as com violência física, que foram amenizadas pelo competente diretor.

Muitas vezes uma cena um tanto bucólica e bem dirigida tem um efeito muito maior do que uma cena provocativa. Tem-se como exemplo a cena da estrada, quando o carro é parado para colocar água no radiador. O carro está localizado em frente a uma plantação, com vários trabalhadores negros, sujos, suados e sob o sol. Os trabalhadores do campo param o seu trabalho com enxadas e ficam abismados com a cena diante deles: um negro, bem vestido, sentado no banco traseiro de um carro de luxo, sendo dirigido por um motorista branco que abre a porta do carro para o passageiro negro e depois sai dirigindo pela estrada, como se fora um acontecimento normal naquelas paragens.

Devido ao grande preconceito da época, algumas vezes o carro é parado pelo policial de trânsito para os passageiros se identificarem e os policiais ficam surpresos, primeiro porque um motorista branco está dirigindo o carro para um passageiro negro. Eles custam a acreditar que tal situação exista. E outra vez o carro é parado pelos policiais porque tem um passageiro negro viajando pela cidade depois do horário de recolhimento local, para OS NEGROS! Os dois passageiros são presos porque o motorista, que é branco, agrediu um policial que o chamou de crioulo porque estava trabalhando para um negro.

O pianista telefona para uma autoridade importante (no filme como se fora Robert Kennedy), que aciona o governador do estado e eles são libertados para desgosto do xerife local.

As situações bizarras são tantas que caberiam em vários roteiros de filmes da mesma espécie, algumas bastante hilárias, como quando o motorista ítalo americano compra, numa parada, um balde de frango frito e insiste que o pianista experimente comer o frango frito, que é um prato, segundo dizem, ser o preferido dos negros americanos e o pianista, sofisticado, diz que jamais comeu frango frito, que é uma comida vulgar.

O ator Viggo Mortensen foi indicado para o prêmio Oscar como o melhor ator, mas como sempre a Academia não viu na atuação dele grande qualidade visível, o que foi um grande erro, pois ele está notável na atuação do princípio ao fim.

Entretanto, não dá para entender o porquê desse filme ter sido premiado como o melhor filme do ano. O filme é apenas bom, sem nada de extraordinário, e o prêmio que recebeu causou muitas surpresas nos cinéfilos em geral.

Todo ano, na entrega do Oscar, os jurados da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood cagam o Tapete Vermelho, ignorando os melhores e premiando os piores, com raríssimas exceções.

Green Book – O Guia | Trailer Oficial Legendado

GREEN BOOK: O GUIA é bom? – Vale Crítica

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SERGIO LEONE (1929-1989) – A LENDA DO SPAGHETTI WESTERN

Robert De Niro e Sergio Leone durante as filmagens de Era Uma Vez Na América

Os primeiros filmes dirigidos pelo homem que inventou o Spaghetti Westrn, subgênero de faroeste cunhado pelos críticos burros da época, foram Hanno Rubato un Tram (1954), história do roubo de um bonde, também conhecido como We Stole a Tram, filme de comédia italiano; Os Últimos Dias de Pompeia (1956), história do legionário romano Glaucus, voltando para casa, vindo de guerras distantes. Ao chegar descobre que seu pai fora assassinado por uma gangue de bandidos encapuzados, e jura vingança; e O Colosso de Rodes (1961), é um dos poucos filmes a retratar o período entre a morte de Alexandre e domínio do Império Romano da região.

Depois dessa iniciativa não fracassada, o diretor Sergio Leone, se dedica integralmente ao subgêro spaghetti western e, até Era Uma Vez Na América (1984), seu último clássico antes de se encantar, realiza verdadeiras obras-primas da Sétima Arte que só um gênio poderia fazê-lo.

Seus poucos filmes, especialmente os da Trilogia dos Dólares e seus dois “Era Uma Vez”, são obras-primas que os aficionados do gênero spaghetti não podem deixar de ver ou rever.

Sem dúvida alguma, Sergio Leone, é o grande nome do western mundial, ultrapassando as fronteiras do sub-gênero spaghetti western. Seus personagens são as formas usadas em um sem número de obras do mesmo gênero ou de vários outros completamente diferentes. Seus seguidores famosos são muitos, sendo o principal deles Quentin Tarantino…

Sua descoberta de atores hoje icônicos é inigualável e sua capacidade de fazer muito com quase nada, é imbatível. E, lógico, como não poderia deixar de citar que sua parceria com o genial Ennio Morriconne é uma das mais prolíficas da Sétima Arte, com grandes composições usadas, reusadas e abusadas.

Leone, o gênio do Spaghetti Western, que teve a capacidade de realizar obras magnas feito Por Um Punhado de Dólares (1964), Por Uns Dólares a Mais (1965), Três Homens Em Conflitos, ou O Bom, O Mal e o Feio (1966), Era Uma Vez No Oeste (1968) e Era Uma Vez Na América (1984), filme este que narra com maestria a vida de David “Noodles” Aaronson e Maximilian “Max” Bercovicz, dois amigos que lideram um grupo de jovens judeus do gueto no crime organizado da cidade de Nova Iorque. O filme explora temas de amizade de infância: amor, luxúria, ganância, traição, perda, relacionamentos quebrados, juntamente com o surgimento de gangsters na sociedade americana.

O filme é reconhecido por toda crítica especializada no tema como uma obra-prima e um dos maiores filmes de gangster já produzidos de todos os tempos.

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A COR PÚRPURA (1985) – UM DOS FILMES MAIS INJUSTIÇADOS DA HISTÓRIA DO OSCAR

Cena icônica de A Cor Púrpura do diretor Spielberg

A Cor Púrpura é um drama bem produzido. Obra de gênio. Penetrante e emocionante. Auxiliado por um elenco versátil, que sabe o que está fazendo na frente da tela grande e o faz com competência, apesar de novato. O icônico diretor Steven Spielberg conseguiu entregar uma obra-prima intimista e empática ao telespectador. Além de carregar aquele charme “old school” característico de sua filmografia. Sua extensa duração se justifica ao desenvolver com calma e humanidade cada personagem. Pouco a pouco, o espectador vai entrando na pele da personagem de Whoopy Goldberg e não sai dela por dias após assisti-la.

A história se passa no início do Século XX, na Georgia de 1906. Uma jovem negra com apenas 14 anos é violentada pelo pai, e se torna mãe de duas crianças. Alem de perder a capacidade de procriar, Celie, a jovem, interpretada magnificamente por Whoopi Goldberg, imediatamente é separada dos filhos e da única pessoa do mundo que a ama, sua irmã Nattie, e é doada a “Mister” (Danny Glover), um tirano negro poderoso que a trata simultaneamente como escrava e objeto de sexo.

O filme é maravilhoso do início ao fim. As cenas são inesquecíveis e irretocáveis: Nattie, a irmã que luta bravamente para escapar do estupro pelo tirano marido de Celie; a separação das irmãs; as duas agarradas uma à outra enquanto o tirano as arrasta sem dor nem piedade; as irmãs de longe acenando uma para a outra com as mãos pálidas, sem poderem mais se alcançar, cantando “nada vai afastar minha irmã de mim, Makidada,”; o momento em que a personagem Celie encontra as cartas enviadas pela irmã, que o “marido” escondeu dela durante anos; o jantar onde Celie “vomita” tudo que engoliu por tantos anos, tudo isso feito com tempero de genialidade, até a cena final tão esperada: O reencontro das irmãs que voltam a brincar tal como quando eram crianças. De fato, uma das maiores injustiças da Academia de Hollywood não ter contemplado com uns quatro Oscars essa obra-prima spielberguiana, apesar de 11 indicações.

Talvez um filme feito esse não seria produzido hoje. “Porque não seria um diretor branco e de visão florida a adaptar o livro da escritora negra Alice Walker?!” – alguns esquerdoides poderiam questionar. Não. Apenas por exatamente ter se presente hoje na indústria, essa constante preocupação de ter representatividade racial e cultural no cinema sendo feito de forma digna, fiel e respeitosa. Optando assim que apenas cineastas negros poderiam dirigir filmes voltados à temática da cultura negra e apenas cineastas mulheres poderiam dirigir filmes voltados à temática de cunho feminino, e por assim em diante. Um intuito de louvável feito, sem dúvidas, e vários talentos por trás das câmaras apareceriam e receberiam devido destaque, mas como isso poderia funcionar na prática?

A busca por um talento de verdade dentro do ramo artístico, e humano, do cinema, se perde aos poucos. Spielberg não precisou ser negro ou mulher para que pudesse contar aqui uma profunda história sobre ambos. Apenas usou do seu prodigioso talento, como grande entendedor de cinema e do espírito humano, para que pudesse contar essa história comovente. Não só sobre a cultura negra e o mundo das mulheres, mas sim a jornada de uma mulher, que lutou as tristezas e sofrimento do seu dia a dia, que aprendeu o que é amor e fé verdadeiros no que é bom e que pode ser encontrado no mundo, e para que pudesse um dia novamente reencontrar sua irmã. Com seu infinito amor que as permitiu vencer os ódios que as separou, e as fez se unir novamente no final. Exatamente como o mesmo amor com o qual o livro foi escrito e esse filme foi feito. O ódio as separou; o amor as uniu novamente.

A Cor Púrpura | 1985 | Trailer Legendado | The Color Purple

Cena marcante do filme A Cor Púrpura (The Color Purple)

Art7 A Cor Púrpura

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

BEZERRA DA SILVA, A VOZ DOS MORROS E FAVELAS

Bezerra da Silva (1927-2005)

José Bezerra da Silva, nome artístico Bezerra da Silva, nasceu no Recife. Era filho de Hercília Pereira da Silva e Alexandrino Bezerra da Silva, que abandonou a mãe quando esta estava grávida do filho, e se mandou para o Rio de Janeiro para se aventurar na Marinha Mercante e raparigar, o que era muito comum na época.

Aos quinze anos, percebendo que o Recife não teria futuro para ele, Bezerra da Silva, também se foi para o Rio de Janeiro tentando encontrar o pai, viajando no navio cargueiro transportador de açúcar. Lá o encontrou, mas com poucos meses de convivências começaram a ter atritos e o jovem Bezerra da Silva escafedeu do lar paterno em busca do seu fado.

Começou a trabalhar no ramo da construção civil, já que não sabia fazer outra coisa. Nessa época começou a desenvolver a verve musical a partir do coco de Jackson do Pandeiro, e logo ingressou no bloco carnavalesco Unido do Canta Galo, tocando tamborim. Em 1950, conheceu José Alves, ou Doca, conhecido como um dos autores da música “General da Banda”, ao lado de Tancredo Silva e Sátiro de Melo, todos moradores do Morro do Cantagalo, que logo convidaram Bezerra da Silva para participar do “Programa da Rádio Clube do Brasil” como ritmista.

Boêmio e malandro, Bezerra da Silva foi detido por várias vezes, que acabou sendo demitido do programa. Durante muitos anos viveu como morador de rua em Copacabana. Nessa época chegou a tentar o suicídio, mas foi salvo e acolhido por um Terreiro de Umbanda. Lá, descobriu sua mediunidade e soube, através de uma mãe de santo, que o seu destino era a música.

Com o nome artístico de José Bezerra, teve suas primeiras composições “Acorrentado” e “Leva teu Gereré”, em parceria com Jackson do Pandeiro, lançadas no primeiro álbum da carreira do paraibano, em 1959. Na primeira metade da década de 1960, ingressou na orquestra da gravadora Copacabana Discos, que acompanhava vários artistas de renome, e também teve novas composições, assinadas com outros músicos, gravadas por Jackson do Pandeiro, como “Meu Veneno” (com Jackson do Pandeiro e Mergulhão), “Urubu Molhado” (com Rosil Cavalcanti), “Babá” (com Mamão e Ricardo Valente, “Criando Cobra” (com Big Bem e Orlandes Rodrigues) e “Preguiçoso” (com Jackson do Pandeiro). Acrescendo ainda que em 1965, a cantora Marlene gravou “Nunca Mais” (uma parceria de Bezerra da Silva e Norival Reis).

Em 1967, compôs seu primeiro samba, chamado de “Verdadeiro Amor”, que foi gravado por Jackson do Pandeiro. No final daquela década, mudou o nome artístico para Bezerra da Silva e, em 1969, gravou um compacto simples pela Copacabana Discos, com as músicas “Mana, Cadê meu Boi?” e “Viola Testemunha”; no seu primeiro LP, “Bezerra da Silva – O rei do Coco, Volume I”, seria apenas lançado em 1975, pela gravadora Tapecar, e teve como destaque a canção “O Rei do Coco”. No seguinte, pela mesma gravadora, lanço “Bezerra da Silva – O Rei do Coco II”, cuja música de maior destaque foi “Cara de Boi”.

Anos depois, Bezerra da Silva conheceu a mulher que mudava completamente sua vida pessoal e artística, Regina do Bezerra, pseudônimo de Regina de Oliveira, compositora e produtora musical, nascida em 1953 no Rio de Janeiro, mas só se casando com ele em 2004, um ano antes da morte de Bezerra.

Bezerra da Silva, após a união com Regina de Oliveira, teve sua carreira artística deslanchada, pois ela foi a grande responsável por composições que marcaram a vida artista do sambista dos morros e das favelas.

A conferir:

Compôs a música “Meu Pai é General de Umbanda” junto com Jorge Garcia e 1000tinho, a música foi gravada por Bezerra da Silva e ele a lançou em 1987 no seu Álbum “Justiça Social.”

Compôs a música “O Bom Pastor” junto com Pedro Butina, a música foi gravada pelo Bezerra da Silva e ele lançou a música em 1989 no seu Álbum “Se Não Fosse o Samba.”

Compôs a música “O Filho de Jurema” junto com o próprio Bezerra da Silva, a música foi gravada pelo Bezerra da Silva e ele lançou a música em 1990 no seu Álbum “Eu Não Sou Santo.”

Compôs a música “Instinto Traíra” junto com Pedro Butina, a música foi gravada pelo Bezerra da Silva e ele lançou a música em 1992 no seu Álbum “Presidente Caô, Caô.”

Compôs a canção “O Segundo Nazareno” e a canção foi gravada pelo Bezerra da Silva e ele lançou a música em 1993 no seu Álbum “Cocada Boa.”

Compôs a música “O Juramento Jurou” junto com Mário Gogó e Gil de Carvalho, dentre várias composições que ela fez esta música se destaca.

Compôs a música “Tem Coca Aí Na Geladeira” e a música foi gravada pelo Bezerra da Silva e ele lançou a música no ano 2000 no seu Álbum “Malandro é Malandro e Mané é Mané.”

Em 2004 fez a produção do primeiro Álbum gospel do cantor Bezerra da Silva que se chama “Caminho da Luz.”

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

LINCOLN (2012) – UMA OBRA-PRIMA CINEBIOGRÁFICA CARENTE DE ANÁLISES INTELIGENTES

Daniel Day-Lewis recebeu o Oscar de melhor ator interpretando Lincoln

A cinebiografia de Abraham Lincoln, obra-prima dirigida por Steven Spielberg sobre os últimos anos da vida de um dos presidentes mais fascinantes da história dos Estados Unidos da América, se passam durante o final da Guerra da Secessão em linhas gerais, conflito esse iniciado quando os estados do Sul do país criaram um movimento separatista e declararam sua independência do país, o que foi motivado pela divergência existente a respeito da abolição da escravidão. Essa guerra foi a pior da história americana, com saldo de cerca de 600 mil mortos.

A bem da verdade, por mais que possa parecer, Lincoln não é uma cinebiografia sobre o 16.º presidente dos Estados Unidos, e essa falta de sinceridade com seu espectador acaba, justamente, contando contra o interesse pelo filme. “Lincoln” é um filme sobre a 13.ª Emenda da Constituição Americana que, com poucas palavras, aboliu a escravidão naquele país, em votação apertada, com corrupção e tudo, apoio e aval do homem mais puro da América, no dizer do congressista democrática, Thaddeus Stevens.

Baseado no livro “Team of Rival: The Political Genius of Abraham Lincoln,” da historiadora e biógrafa americana Doris Helen Kearns Goodwin, que analisa o gabinete do governo do presidente Lincoln da época, que se aliou aos seus ex-rivais de campanha em linhas gerais para aprovar a Emenda 13.ª a qualquer custo, o filme Lincoln, indicado a 12 Oscars pela The Academy, tem a sua maior força nas atuações. Daniel Day-Lewis tem mais uma atuação assombrosamente memorável na carreira, nos lembrando por que já possui três estatuetas do Oscar (Meu Pé Esquerdo (1989), Sangue Negro (2007) e Lincoln (2012). O ator incorpora o ex-presidente de forma impressionante, com um trabalho de voz que faz do personagem um sujeito delicado, mas sempre marcante e firme, falando baixo, mas sendo sempre ouvido e respeitado.

Sally Field e Tommy Lee Jones são outros destaques do elenco, que conta ainda com as ótimas presenças de David Strathairn, Hal Holbrook e Bruce McGill. Field interpreta Mary Todd Lincoln e chama a atenção em todas as sequências que aparece. Já Lee Jones surge como Thaddeus Stevens, congressista democrata liberal que causa polêmica entre os representantes do povo. O ator, que muitas vezes gasta seu talento em produções que só exigem dele a cara de durão mal humorado, brilha no filme, protagonizando, pelo menos, uma cena memorável, como no discurso na Câmara dos Representantes. Mas nem só de veteranos vive o elenco de Lincoln. Joseph Gordon-Levitt, Lee Pace e Joseph Cross também aparecem com destaque.

O longa conta com uma belíssima trilha sonora de John Williams, que tem como principal mérito o fato de não ser repetitiva ou insistente. A trilha surge de forma forte, mas não se preocupa em marcar presença durante todo o tempo. A fotografia de Janusz Kaminski também merece aplausos ao adotar uma tonalidade azulada, numa referência clara às cores da União na Guerra da Secessão. É curiosa ainda a opção por tomadas em primeiríssimo plano, com muito destaque aos rostos dos atores, o que reforça a percepção das grandes atuações.

Outro ponto positivo do filme é a direção de arte, que aqui é comandada por seis mãos (Curt Beech, David Crank e Leslie MacDonald). O trio colaborou para dar autenticidade ao drama. Tudo é suntuoso e de muito bom gosto. O mesmo pode ser dito do figurino criado por Joanna Johnston.

“O verdadeiro sentido da emenda, é que não vejo igualdade em tudo. Só igualdade perante a lei, e nada mais!” – disse o fervoroso deputado democrática Thaddeus Stevens, interpretado brilhantemente por Tommy Lee Jones, em síntese antológica em plenário da Câmara dos Representantes, em momento ímpar do filme LINCOLN.

a) Lincoln Official Trailer #1 (2012) Steven Spielberg Movie HD

b) Lincoln 20 Min. Featurette (2012) – Steven Spielberg Movie HD