ALEXANDRE GARCIA

CASO MASTER: VERSÕES DE MORAES ESTÃO DESMORONANDO

Quando você contrata um advogado, normalmente passa uma procuração para que ele possa agir em seu nome. Dito isso, vejam as datas relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro.

Vorcaro foi preso no dia 17 de novembro de 2025, quando embarcava para Dubai para fechar um “negócio importante”, possivelmente para salvar o banco com capitais árabes. Com a prisão, ele não pôde seguir viagem.

Quarenta dias depois, quem teria ido a Dubai foi a advogada do contrato de R$ 129 milhões, Viviane Barci de Moraes. Como uma mulher sozinha em um país árabe poderia causar estranhamento, o marido foi junto.

Pode ter sido coincidência ou a viagem pode ter ocorrido para concluir o negócio como procuradora. O fato é que, quarenta dias depois, o casal foi passar o fim de ano em Dubai.

As negativas do ministro Alexandre de Moraes diante das informações divulgadas estão ficando ridículas. Ele costuma utilizar superlativos como “nunca” e “jamais”.

Moraes negou a notícia de que estaria em uma mansão com Vorcaro em Brasília. Depois veio a negativa sobre telefonemas.

Desde cedo, no dia em que Vorcaro foi preso, enviou uma mensagem para Moraes. Em seguida, saiu uma nota do Supremo Tribunal Federal afirmando que a mensagem não era destinada ao ministro.

Um editorial de O Globo afirma que uma perícia da Polícia Federal indicou que as mensagens partiram do telefone de Moraes e foram apagadas porque medidas teriam sido tomadas para ocultá-las. As mensagens eram registradas por meio de prints e depois apagadas assim que eram lidas. Coisa de “missão impossível”.

Outro episódio envolve uma reportagem publicada na edição de domingo de O Globo, que afirma que Moraes conheceria uma casa em Trancoso, na Bahia, alugada para festas pelo empresário Vorcaro.

O ministro também desmentiu essa informação e afirmou que jamais esteve no local. Na nota divulgada, ele classificou a notícia como “integralmente falsa”.

Os desmentidos são um fiasco. Parece Lula dizendo: “o apartamento não é meu, é dos outros” ou “é de um amigo meu”.

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Processo de Lula contra Lacombe

Falando em Lula, ele entrou na Justiça contra o meu amigo Luís Ernesto Lacombe, que fez um comentário se referindo ao presidente da República como “diabo”, “tinhoso” e “capeta”.

Na ação, Lula pediu indenização.

No entanto, o juiz da Justiça Federal negou o pedido. A decisão afirmou que se trata de liberdade de expressão, liberdade de imprensa e direito de crítica.

Com isso, Lula ainda terá que pagar as custas do processo, de quase R$ 10 mil.

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Brasil de fora do “Escudo das Américas”

A política externa brasileira atualmente é uma tragédia. Nossos aliados são Irã, Venezuela, Cuba e Nicarágua. A China eu nem menciono, pois parece que já percebeu que isso é apenas da garganta para fora.

O assunto surge por causa da criação de um grupo chamado “Escudo das Américas”, voltado ao combate ao crime, ao narcotráfico e às máfias. O encontro ocorreu em Miami e reuniu doze países latino-americanos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Entre os países participantes estão: Estados Unidos, Argentina, Paraguai, El Salvador, Equador, Panamá, Honduras, Bolívia, Guiana, Costa Rica, Trinidad e Tobago, República Dominicana e Chile.

Estão de fora: Venezuela, Nicarágua, Cuba, Colômbia, Peru — que não se sabe nem se tem presidente — e o Brasil.

Assim, o Brasil ficou fora de uma iniciativa voltada ao combate ao crime no continente.

ALEXANDRE GARCIA

DADOS FISCAIS DE LULINHA JÁ CHEGARAM À IMPRENSA

Quebra de sigilos fiscal e bancário de Lulinha geraram confusão e acusações de fraude. Parlamentar vê tentativa de blindagem.

Quebra de sigilos fiscal e bancário de Lulinha geraram confusão e acusações de fraude. Parlamentar vê tentativa de blindagem

O Metrópoles e O Globo já divulgaram contas bancárias de Lulinha antes mesmo que a CPMI recebesse o que foi solicitado, votado e aprovado: a quebra do sigilo bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva. Nos últimos quatro anos, a movimentação foi de R$ 19 milhões. Diz aqui: “recebidos créditos de R$ 9,66 milhões. O maior volume ocorreu no ano de 2024, com R$ 7,2 milhões. No ano de 2025, o valor baixou para R$ 3,3 milhões e, em janeiro deste ano, a movimentação foi de R$ 205 mil”.

Isso confirma o que meu amigo tem dito: “Lulinha não vai deixar rastro. Tem de pegar a Roberta Luchsinger, que é o elo entre Lulinha e o ‘careca do INSS’”. Há uma tensão muito grande no Senado, porque o ministro Flávio Dino passou por cima do relator da ação sobre o roubo e desvio de aposentados e pensionistas do INSS; o juiz natural é André Mendonça, e não Dino. O mandado de segurança deveria ter ido para Mendonça, mas a defesa de Roberta Luchsinger certamente apostou em Dino, e não sei como a ação chegou até ele.

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Dino exige individualização que o STF desprezou no 8 de janeiro

Dino usou um pretexto que é o oposto do que o Supremo praticou para os manifestantes do 8 de janeiro. O Supremo condenou coletivamente, por atacado. Dino disse que isso viola o devido processo legal, que deve haver a individualização de cada caso. Os senadores e deputados da CPMI alegam que houve, sim, individualização; a votação foi em bloco para todos os pedidos, mas em cada requerimento havia a justificativa individualizada. Os parlamentares estão danados da vida com Dino por esses dois motivos.

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Mensagens de Vorcaro indicam guerra entre banqueiros

Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro, que foi preso e condendado, tem contatos e experiência política. Ele foi uma das pessoas que apontaram André Esteves como o responsável por muitas informações do Banco Master e Daniel Vorcaro, porque ele pretendia tirar Vorcaro do jogo e comprar o Banco Master pelo valor simbólico de R$ 1, assumindo todos o ônus do banco, mas Vorcaro não quis. Diz Garotinho que, usando infiltrados dentro do Master, Esteves conseguiu o contrato de R$ 129 milhões com o escritório da esposa de Alexandre de Moraes, além de muitas outras coisas. Sendo verdade isso ou não, agora estamos vendo, nas mensagens divulgadas, Vorcaro se queixando de duas pessoas: André Esteves, que estaria fazendo campanha contra ele, e Jair Bolsonaro, chamado de “idiota” e “beócio”.

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EUA estão preocupados com operações chinesas no Brasil

Muita gente pergunta se é verdade que a China tem bases militares na Bahia. Não é exatamente isso, segundo documentos de uma comissão do Congresso norte-americano. Eles estão preocupados com o quintal dos Estados Unidos, ou seja, a América Latina; a maior potência do mundo está em nosso continente, e aí é como a lei da gravidade: a massa maior atrai a menor, a Terra atrai a Lua. Os americanos informam que há, na Paraíba e na Bahia, em parceria entre brasileiros e chineses, observatórios com capacidade de monitorar o espaço, e que poderiam ser usadas para vigiar operações dos Estados Unidos. Não é exatamente uma base militar com soldado, fuzil, canhão ou míssil.

O Brasil estava em uma situação parecida antes da decisão de entrar na Segunda Guerra Mundial. Os americanos tinham interesse na base de Parnamirim, perto de Natal, que virou o “Trampolim da Vitória”. Os brasileiros sabiam desse interesse e também estavam preocupados com o nosso litoral, frequentado por submarinos do Eixo que afundavam navios brasileiros, matando gente e prejudicando o transporte de cargas, inclusive de cabotagem. Getúlio Vargas, aconselhado por Oswaldo Aranha, disse aos americanos que o Brasil precisava se armar, que nosso exército estava quase desarmado; os EUA poderiam fazer isso, e o Brasil emprestaria a base no Rio Grande do Norte. E foi o que aconteceu. Agora, o Brasil poderia aproveitar para negociar alguma coisa envolvendo essas duas bases chinesas.

ALEXANDRE GARCIA

LULINHA AINDA NÃO ESTÁ A SALVO APÓS DINO BLINDAR LOBISTA

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Flávio Dino suspendeu quebra de sigilo de Roberta Luchsinger, apontada como elo entre Lulinha e o “careca do INSS”

Muita gente não entendeu a decisão do ministro Flávio Dino em um mandado de segurança impetrado pela defesa de Roberta Luchsinger. Ela é o braço direito do “careca do INSS”, foi ela quem o apresentou para Lulinha, tem uma mansão no Lago Sul onde recebia os dois. Dino suspendeu a quebra de sigilo dela, que tinha sido aprovada pela CPMI do INSS. Muita gente está achando que Dino está bloqueando a quebra de sigilo do Lulinha – a defesa dele já fez o pedido; quando gravei esta coluna, ainda não havia resposta. Mas a quebra de sigilo do Lulinha foi dupla: houve a da CPMI do INSS, mas também houve a quebra por ordem do ministro André Mendonça, a pedido da Polícia Federal. Os governistas que querem esconder as movimentações financeiras do Lulinha apelaram para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para que ele interferisse na decisão da CPMI, mas ele não os atendeu.

Até agora, a decisão do ministro Dino se refere apenas à quebra do sigilo de Roberta Luchsinger, mas de certa forma isso beneficia Lulinha. Se ele não deixou rastro, porque está calejado, tudo foi feito pela Roberta Luchsinger, que é uma lobista e tem know-how: foi casada com Protógenes Queiroz, ex-delegado da Polícia Federal, e é neta de um grande ex-acionista do Credit Suisse, um grande banco internacional. Protógenes, quando fugiu do Brasil, foi para a Suíça, então ela sabe das coisas.

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Argumento de Dino para suspender quebra de sigilo expõe abuso do STF

A decisão do ministro Dino, no entanto, tem um “faça o que eu digo, mas não faça o que o Supremo fez”. O ministro argumentou que não pode haver quebra de sigilo em bloco, no coletivo, no atacado; é preciso individualizar. E você, que me ouve ou me lê, já sabe o que vou dizer: o Supremo não individualizou as denúncias e as condenações do 8 de janeiro. Julgava tudo por grupo: pegava 50, condenava 50. Do que Fulano é acusado? Ele fez realmente isso? Ele estava armado? Não; ninguém estava armado, a não ser com batom ou bíblias. Dino aplicou o princípio correto: se uma decisão vai prejudicar alguém, deve-se individualizar, explicar os motivos. Quais são os indícios que levam à quebra de sigilo de Roberta Luchsinger? Os indícios são bem óbvios, mas talvez tenha faltado à CPMI fazer essa individualização.

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Ministro liberou documentário que o STJ havia censurado

Um dia antes, o mesmo Flávio Dino surpreendeu ao liberar aquilo que o Superior Tribunal de Justiça tinha censurado, um documentário sobre os Arautos do Evangelho. Uma produção da Warner que vai sair agora, neste semestre, no streaming HBO Max, se chama Escravos da Fé: Os Arautos do Evangelho. Conta a história desse grupo católico, fundado em São Paulo, que já está presente em 70 países do mundo e foi reconhecido pelo papa em 2001, e tem sido alvo de denúncias. Eu me interessei por eles quando fui visitar a basílica de Santa Maria Maior, uma das mais sensacionais entre as centenas de igrejas de Roma, e ouvi um sotaque paulistano lá dentro; era uma etapa de uma consagração de um grupo grande brasileiro dos Arautos do Evangelho, celebrada por um cardeal.

O STJ havia censurado a série porque alguns processos contra os Arautos correm em sigilo. Mas a Warner explicou que não havia nada disso, que não tinha tido acesso a inquérito nenhum. Dino liberou, desde que não mostrem nada que seja de processos sigilosos, e disse que a decisão anterior fazia censura prévia. De novo? Será que era “só mais essa vez”, como fizeram com a Brasil Paralelo, que tinha um documentário sobre a tentativa de assassinato de Bolsonaro? “Não pode porque está perto da eleição”, disseram no TSE. Mas os ministros nem tinham assistido ainda.

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Distrito Federal vai vender patrimônio para cobrir rombo do BRB

Para salvar o Banco Regional de Brasília, a Assembleia Distrital (o Legislativo do Distrito Federal), por 14 votos a 10 – todos os deputados estavam presentes –, aprovou uma lei que autoriza a venda de patrimônio do Distrito Federal para cobrir um rombo de R$ 6,6 bilhões. É um rombo até pequeno perto dos R$ 22 bilhões que o ministro André Mendonça bloqueou de Daniel Vorcaro, incluindo os R$ 2,2 bilhões que o banqueiro mandou para o pai. A lei autoriza a hipotecar, vender e tomar emprestado para salvar o banco. Agora, como é que vamos confiar em políticos, quando o governador vinha dizendo, dez dias atrás, que o banco estava muito saudável? O mesmo governador que convenceu os deputados, por esse mesmo placar de 14 a 10, a comprarem o Banco Master lá atrás.

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PGR não viu nada de mais em ordens para “moer” secretária e “quebrar os dentes” de jornalista

André Mendonça prendeu aqueles que ameaçavam “moer” uma secretária de Vorcaro, por ordem do banqueiro, e quebrar os dentes do jornalista Lauro Jardim. Foram presos para salvaguardar as pessoas ameaçadas. Mas a Procuradoria-Geral da República disse que não era o caso de prender, que não abonaria o pedido de prisão. Em que mundo vive esse pessoal da PGR?

ALEXANDRE GARCIA

PARENTE NÃO DEVIA TER AÇÕES NOS TRIBUNAIS

O título principal da página de política do Estadão de terça-feira dizia que 26 parentes de ministros do Superior Tribunal de Justiça advogam no mesmo tribunal. Ficamos pensando em ações entre famílias. Dos 33 ministros, 19 têm sobrinho, mulher, filho, algum tipo de familiar ou parente advogando lá. Dois ministros responderam, um alegou que foi incidental, que a filha assinou o processo quando a ação estava em outras instâncias, que ela nunca advogou no STJ e agora vive nos Estados Unidos.

Um advogado bem conhecido aqui em Brasília, o Kakay, com trânsito aberto no STF (já saiu até foto dele usando bermuda no Supremo), muito amigo de Lula e de Zé Dirceu, já reclamou dizendo que é difícil concorrer com escritórios de familiares de ministros do STF ou de tribunais superiores. É estranho mesmo. É uma questão de princípio, de ética: isso não fica nada bem.

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Esquerda queria que Nikolas tivesse dotes de clarividência

E ainda reclamam do Nikolas Ferreira, que pegou um avião de uma empresa de táxi aéreo que tinha como sócios Daniel Vorcaro e Nelson Tanure. Mas isso aconteceu em 2022! Ninguém nem sequer sabia quem era Vorcaro, ninguém podia prever que Vorcaro teria um contrato de R$ 129 milhões com o escritório de advocacia da mulher de Alexandre de Moraes, ninguém poderia prever que empresas ligadas a Vorcaro estariam ligadas também ao resort Tayayá, da Maridt, a empresa que tem Dias Toffoli como sócio. Não havia como prever, mas hoje estamos vendo essas ligações.

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Só o Senado pode colocar freios ao STF

O Poder Judiciário é muito importante e tem de estar acima de qualquer suspeita. E o Judiciário não é uma abstração, o Judiciário são os seus integrantes. São eles que deixam reluzente o conceito do Judiciário – ou o enlameiam. O Conselho Nacional de Justiça pode cuidar de muita coisa, mas não tem autoridade sobre o Supremo. Quem cuida do STF é o Senado, que é o único órgão fiscalizador do Supremo. Esperemos que Davi Alcolumbre tome alguma decisão parecida com a que tomou nesta terça, rejeitando o pedido dos governistas para anular a quebra do sigilo de Lulinha. Aliás, Lula diz uma coisa para o povo e outra para os governistas. É muito evidente: quando alguém quer esconder alguma coisa, é porque tem alguma coisa a esconder.

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Brasil precisa investir mais em defesa para proteger nosso território

Falei ontem no orçamento da defesa. O ministro da Defesa disse que, em um mundo em guerra, estamos fracos e desarmados por aqui, e que o gasto brasileiro com defesa precisava chegar a 2% do PIB, que é a média mundial. O nosso orçamento gira em torno de 1,3% ou 1,4% do PIB. Em porcentagem, perdemos feio para a Colômbia, para o Equador, para o Uruguai, para o Chile e para a Bolívia, só para citar alguns países sul-americanos no Atlas de Defesa. Nós temos 16 mil quilômetros de fronteira terrestre para cuidar e mais de 7,5 mil quilômetros de litoral. É preciso ter uma Marinha forte, um Exército grande e uma Força Aérea capaz de proteger todo esse espaço aéreo.

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Filipe Martins está doente, mas Moraes não o deixa em paz

O ministro polivalente, aquele que é relator (nomeado por Toffoli naquele inquérito), mas também é vítima, parece ter alguns presos de preferência. Jair Bolsonaro é um deles; o ex-ministro Anderson Torres é outro. E tem o Filipe Martins. Ele está com 38 anos e tem pré-diabetes, pedra nos rins e gordura no fígado. Arrisco dizer que tudo isso é consequência do estresse: Martins ficou em solitária, em uma tentativa de forçar uma delação premiada, e não se dobrou, mas seu corpo está pagando. Martins foi transferido da Casa de Custódia de Ponta Grossa (PR) para um complexo médico penal, por motivos de urgência; o ministro Moraes ficou sabendo, mandou tirá-lo de lá e ordenou que Martins voltasse para a Casa de Custódia. Ele foi transferido nesta terça-feira.

ALEXANDRE GARCIA

IRÃ MOSTRA QUE, MAIS UMA VEZ, O GOVERNO LULA ESTÁ DISTANTE DO POVO BRASILEIRO

Centro de Teerã após um ataque ocorrido no domingo

O chanceler de facto do Brasil, o ex-ministro Celso Amorim, autor e ideólogo da política externa brasileira, conselheiro de política externa do presidente Lula, afirmou na televisão que “devemos nos preparar para o pior”. Eu levei um susto; imaginei que ele tivesse incorporado um dirigente do regime iraniano. Só podia ser isso: ele estava falando da guerra, e disse que “devemos nos preparar para o pior”. Depois, ainda afirmou que é “condenável e inaceitável” matar um líder de um país – ainda que esse líder não considere as mulheres como gente, ainda que promova matanças entre seu povo, ainda que imponha absoluta censura, ainda que seja a cabeça de um regime que há quase 50 anos vem esmagando o povo iraniano, na antiga Pérsia.

A política externa brasileira contraria a maior parte da nação. O Estado está a serviço da nação e não o inverso; o Estado tem de representar a nação. E a maioria da nação brasileira é ocidental, é judaico-cristã: a nossa cultura, a nossa língua, as nossas religiões, a nossa comida, a nossa música. Mas, enquanto o Ocidente está apoiando essa tentativa de mudar o regime do Irã, parece que a política externa brasileira caminha na direção contrária. Mas mudar não será fácil: o Irã é um hub, é um centro, é um eixo quase inexpugnável. Os únicos que conseguiram foram o meu xará da Macedônia e os romanos; ninguém mais conseguiu entrar por ali; os iraquianos, por exemplo, não conseguiram, ficaram nas montanhas.

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Guerra acaba afetando também quem não tem nada a ver com o conflito

Conversando com um amigo meu libanês, ele lamentou que os xiitas do Hezbollah, a mando do Irã, jogavam foguetes sobre Israel e os israelenses revidavam mirando não os executores, mas os comandantes que ficam abrigados no meio de Beirute. Como o Mossad sabe de tudo, Israel lança um míssil em Beirute, exatamente na casa onde eles estão abrigados, mas a explosão acaba afetando o quarteirão todo, e meu amigo lamentava isso. Mas não são apenas mísseis israelenses; os iranianos estão atacando países árabes, apavorando também os brasileiros que estão em Dubai, Abu Dhabi etc. Eu não tenho a menor vontade de ir a esses lugares, mas há quem goste.

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Bloqueio no Estreito de Ormuz é oportunidade para o petróleo brasileiro

Um míssil afundou um petroleiro que ousou tentar passar pelo Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, de onde sai um em cada cinco barris de petróleo do mundo. Há no mínimo 150 petroleiros esperando passagem e os iranianos vão afundar todos os que tentarem passar. Isso já afetou o dólar e o preço do petróleo; ambos subiram bem na segunda-feira. O Brasil pode até ganhar com isso, e a Petrobras já deve estar pensando em como suprir a demanda com petróleo brasileiro, já que há tanto petróleo preso no Estreito de Ormuz. Como sabemos, nós produzimos muito petróleo, sim, e vamos produzir muito mais na Margem Equatorial. Eu nem sei por que temos essa ideia de estimular carros elétricos, se ainda temos tanto petróleo. O Brasil importa derivados de petróleo e exporta petróleo quando é negócio; e esta é a hora de fazer bons negócios.

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Ministro da Defesa alerta: precisamos de mais investimento

Nosso bom ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, aproveitou a incorporação, pela primeira vez, de mulheres no serviço militar no Exército, na Marinha e na Aeronáutica para lembrar que precisaríamos investir no mínimo 2% do no orçamento de defesa. Estamos praticamente desarmados. Agora fala-se em drones, o que é muito bom, mas como a Marinha vai cuidar desse mar cheio de petróleo, da nossa “Amazônia azul”? A Força Aérea também é mínima, agora que estão chegando os caças suecos. E o Exército, como vamos cuidar de nossa fronteira terrestre imensa? Precisamos, sim, de investimento. Nosso porcentual destinado à defesa é ridículo perto de outros países, inclusive como potência regional.

ALEXANDRE GARCIA

POLÍTICA EXTERNA DE LULA ERRA DE NOVO APÓS ATAQUE AO IRÃ

Ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Cada vez que há um grande evento internacional, a política externa brasileira, comandada por Lula, pega o lado errado. É incrível. Saudades dos tempos em que a política externa era do país e não do governo. Pragmatismo responsável.

Agora, Lula, um péssimo serviço de informação. Perdão, mas dois dias antes do ataque e ele não tinha nem um indício de nada. Tanto que disse, falou lá em, acho que foi em Minas: “É, agora o Trump tá ameaçando o Irã. Tem que dar um paradeiro nisso”. E o Trump já estava, a mobilização logística mostrava que era isso que ia acontecer. Mas ele parece que não tinha informação de nada.

Aí há o ataque, morre o, é morto o Ayatollah, é morto o ex-presidente amigo de Lula, o Ahmadinejad, e o Itamaraty solta uma nota condenando o ataque dizendo que isso tem que ser feito com negociações. Negociar com terrorista? Acho que nem uma criança de jardim de infância teria essa percepção. Claro que só negocia com terrorista depois de atacar o terrorista. Aí o terrorista quer negociar, senão o terrorista não quer negociar.

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Novo comando na Guarda Revolucionária

Vejam só quem herdou, foi morto o chefe da guarda revolucionária. Assumiu outro. Quem é o outro? Eu conheço: o Vahidi. Porque eu cobri Buenos Aires por muito tempo. Em 1994, ele chefiou o grupo que botou 300 kg de dinamite na AMIA, que é uma associação mútua de solidariedade e assistência judaica lá em Buenos Aires. Matou 80 pessoas, feriu 300 pessoas. Ele foi condenado e está sendo procurado pela justiça argentina agora. É o chefe da guarda revolucionária, ele era o número 2. O governo americano matou 48 cabeças, mas ainda tem gente, está faltando ainda.

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Navios iranianos no Brasil

Aí a gente vê, a amizade do governo brasileiro: os dois navios, eu não sei se eram duas fragatas, que o governo americano considera navios terroristas. Quando o governo americano soube que eles iam aportar no Rio de Janeiro, pediram que o governo brasileiro não permitisse. Mas o governo brasileiro, ainda assim, “Não, fiquem à vontade. Carreguem ou descarreguem aí”. Ninguém ficou sabendo o que foi carregado ou descarregado. Essa amizade.

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Regime iraniano e comparação histórica

E foi lá um ataque, está sendo um ataque cirúrgico para livrar o povo da opressão e deixar que o povo decida se quer voltar ao regime monárquico, que tem um na linha de sucessão, filho do Reza Pahlavi. Ele deve ser filho da Farah Diba, que foi a primeira mulher do xá, a Soraya só deu mesmo o nome de muita gente aqui no Brasil. Ela foi muito popular no mundo, depois ela foi para o Egito, se não me engano.

Mas enfim, era o xá da Pérsia, o Irã era um país ocidental. Quando os Ayatollahs assumiram, as mulheres passaram a ser tratadas como vaca, mula, égua. Era isso. Animal. Era o homem aqui e a mulher lá embaixo. O Deus para eles fez a mulher para servir ao homem, apenas isso. Não podia nem mostrar a cara. E aí eu vejo as feministas aqui no Brasil caladas em vez de festejar a queda deste, tomara que tenha caído o regime também, o regime teocrático. Hoje eu dizia para um amigo beneditino: a única teocracia que existe é a Santa Sé, mas é uma teocracia democrática, o Vaticano. E a outra é o Irã, que está se acabando.

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Bolsonaro, bilhetes e articulações políticas

Queria mencionar para vocês, eu vi lá o Flávio. Flávio estava de colete à prova de bala, ele quer evitar um novo Adélio Bispo. Depois do que aconteceu com o pai dele e não foi sequer esclarecido até hoje. E teve em cima do palanque, estava lá a Bia Kicis, que é candidata com a Michelle ao Senado aqui por Brasília.

Mas eu queria falar sobre os bilhetes, agora bilhetes da prisão com recomendações de Bolsonaro, apoiando Marcos Pollon para o Senado em Mato Grosso do Sul. Num outro bilhete, lamentando as fofocas entre bolsonaristas, direitistas, e defendendo a Michelle. A Michelle está cuidando da filha deles, a Laura está com 15 anos, fez duas cirurgias já no nariz, e a última demorou 5 horas. Então eu imagino que ela esteja muito ocupada mesmo com a filha.

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Críticas ao Supremo: a decisão de Gilmar Mendes

Bom, só para lembrar, essa aberração do Gilmar de entrar num assunto que estava com o André Mendonça, que é o juiz natural do Master. Derrubando uma decisão do poder mais forte, que é o Poder Legislativo, que é o representante do povo, de abrir o sigilo dos irmãos do Toffoli e da empresa do Toffoli. Foi uma coisa, uma aberração, tirar um processo que já estava acabado, tirou da gaveta, estava já encerrado lá do tempo da pandemia. Aí naquele processo ele conseguiu uma carona e deu um habeas corpus num mandado de segurança: “Não, não pode abrir o sigilo”. Ou seja, ele correu o risco do ridículo de praticar uma aberração certamente avaliando que seria menos danoso do que abrir o sigilo das contas, sigilo bancário da Mari Dias Toffoli, ou Mari DT, ou Marília Dias Toffoli.

ALEXANDRE GARCIA

ACABOU A BLINDAGEM PARA LULINHA

lulinha sigilo

Eduardo Girão (Novo-CE) mostra foto de Lulinha durante sessão da CPMI do INSS

O sigilo fiscal de Lulinha está duplamente quebrado: pelo ministro do STF André Mendonça, a pedido da Polícia Federal, e também pela CPMI do INSS no Congresso Nacional. Agora vai se descobrir muito mais coisas. Acho até que Lulinha não deixa rastro, mas nessas quebras de sigilo a Polícia Federal certamente vai buscar detalhes envolvendo Roberta Luchsinger, que é apontada como intermediária entre o filho de Lula e o “careca do INSS”.

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Convocar Guedes e Campos Neto foi tiro no pé dos petistas

Foi pueril, um gesto de adolescente, a retaliação de Jaques Wagner e Randolfe Rodrigues à ofensiva contra Lulinha: a CPI do Crime Organizado no Senado convocou Paulo Guedes e Roberto Campos Neto. Grande erro: não há ninguém no PT capaz de chegar aos pés nem de Guedes, nem de Campos Neto em dialética, no manejo das palavras, na esgrima verbal – e nem nos argumentos. Os petistas ofereceram uma tribuna para eles arrasarem. Para vermos como as emoções realmente não são boas conselheiras.

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O passado veio à tona para desembargador que absolveu homem de 35 anos que vivia com menina de 12

Está bem encrencado o desembargador de Minas Gerais que soltou e absolveu um homem de 35 anos que vivia com uma menina de 12 anos, alegando que a união era voluntária. A lei diz que, abaixo de 14 anos, a adolescente é totalmente incapaz; não interessa se houve ou não consenso. Magid Láuar e outro desembargador, Walner Azevedo, formaram maioria de 2 a 1 na 9.ª Câmara do Tribunal de Justiça de Minas; o voto contrário foi da desembargadora Kárin Emerich.

Quando percebeu o escândalo nacional que a decisão provocou – graças às redes sociais; se não fosse por elas, nada disso teria acontecido –, Láuar “desvotou” seu voto; mandou prender o homem de 35 anos e também a mãe da menina de 12, que autorizava o relacionamento. A adolescente está sob a tutela normal do pai. Mas àquela altura o desembargador já estava exposto: um primo dele veio a público dizer que, quando era adolescente, Láuar havia tentado abusar dele. Apareceram outros, e agora já são quatro denúncias. O caso está no Conselho Nacional de Justiça, ou seja, agora é tarde: o desembargador despertou o passado e quebrou a cara feio.

Acho que essa decisão, de considerar que um adulto de 35 anos podia se aproveitar sexualmente de uma menina de 12, despertou algo nessas pessoas que estavam caladas, talvez por vergonha. E o primeiro a denunciar desencadeou a segunda, a terceira e a quarta denúncia. Sabe-se lá o que ainda vem nesse dominó. É terrível!

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Nada impede gente desqualificada de chegar a cargos importantes

O que também é terrível é o fato de uma pessoa que praticou esses atos tenha chegado a desembargador. Não houve nenhum filtro que pudesse impedir isso. Imagino que tenha passado por alguma sabatina, mas ela é incapaz de comprovar o saber jurídico e se a pessoa tem temperamento para ser juiz.

Vejam um outro caso, do julgamento dos irmãos Brazão, condenados a 56 anos: um era ex-deputado estadual e conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro; outro era deputado federal. Um terceiro condenado era ex-chefe da Polícia Civil, outro ainda era ex-assessor do TCE, havia também um PM. E essas pessoas vão galgando cargos, vão subindo. Só reparei que, pelos votos, quem era promotor público e virou ministro do Supremo continua com a natureza de promotor público. Não tem isenção de juiz, não tem a balança pesando os dois lados. O instinto da acusação é forte, o acusador não sai da cabeça.

ALEXANDRE GARCIA

A PORTA GIRATÓRIA DA ROUANET: EMPRESA CAPTA DINHEIRO E CONTRATA MINISTRA CANTORA

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Margareth Menezes recebeu cachê de empresa que teve oito projetos aprovados pela Lei Rouanet desde 2023

O Ministério Público encaminhou ao Tribunal de Contas da União um pedido de investigação sobre a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Ela também é cantora, participou de um bloco e, segundo o MP, recebeu R$ 290 mil de cachê, junto com sua equipe. A empresa dona do bloco, chamada Pau Viola Cultura e Entretenimento, só na gestão de Margareth Menezes, teve oito projetos com captação de recursos autorizada pela Lei Rouanet. O MP diz que isso é um escândalo, porque a ministra abre a porta para a Lei Rouanet e depois recebe cachê como cantora.

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CPI do Crime Organizado está fazendo seu trabalho ao convocar Vorcaro e irmãos de Toffoli

A lista de convidados e convocados para a CPI do Crime Organizado só aumenta: Daniel Vorcaro, os diretores do Banco Master, os irmãos do ministro Dias Toffoli que são sócios dele na Maridt (esse “dt” no fim é de “Dias Toffoli”) – a empresa também teve o sigilo quebrado. A CPI também aprovou convite ao casal Moraes, para eles contarem o que todos querem saber: como é, afinal, esse contrato? Como disse o senador Eduardo Girão, há 129 milhões de razões para Davi Alcolumbre parar de segurar requerimentos de impeachment de ministros do Supremo.

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Com assassinos de Marielle condenados, o que vai acontecer com quem tentou implicar Bolsonaro?

O Supremo condenou os irmãos Brazão, Chiquinho e Domingos, a 56 anos pelo assassinato da vereadora Marielle Franco. Acho muito estranho haver processo criminal no STF; a última instância de processos criminais tinha de ser o Superior Tribunal de Justiça; o Supremo é uma corte constitucional, mas anda se metendo em tudo, julgando até quem nem tem foro privilegiado. Eu fico pensando: não acontecerá nada com aqueles que noticiaram, insinuaram participação da família Bolsonaro no crime? Não haverá nenhum processo por danos morais, nenhuma indenização? Denunciar alguém, insinuar ou noticiar como suspeito de homicídio sem ter indícios ou provas é gravíssimo. Mas, com essa condenação, vemos que esse assassinato é o tipo de coisas que acontecem no Rio de Janeiro, como todos sabem.

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Os escândalos no Judiciário estão cada vez mais escabrosos

Foi um escândalo o que aconteceu no Tribunal de Justiça de Minas Gerais: apesar do voto contrário da única juíza mulher da 9ª Câmara Criminal Especializada, liberaram um sujeito de 35 anos que vivia com uma menina de 12 anos, alegando que havia união afetiva; absolveram também a mãe da adolescente, que consentia com tudo isso. A revolta foi nacional, graças ao mundo digital, às redes sociais – do contrário isso ficaria só no boca a boca, ou na base da carta e do telegrama. O Ministério Público recorreu e o relator, Magid Láuar, mudou de ideia e mandou prender tanto o homem de 35 anos quanto a mãe da menina de 12.

Será que Láuar acha que assim vai calar as bocas que se abriram, depois daquele voto de solidariedade com um homem de 35 anos que estava com uma menina de 12 anos, isso apesar de a lei não abrir nenhuma exceção para casos de relação sexual com menor de 14 anos? Difícil, porque um primo do desembargador, hoje adulto, veio a público dizer que, quando tinha 14 anos, sofreu uma tentativa de abuso por parte do magistrado. Apareceu mais uma denúncia, e o escândalo está crescendo. O Ministério Público precisa reagir porque ele é o titular da ação penal e pode tomar iniciativa. O Conselho Nacional de Justiça também está em cima disso. Juiz tem de estar acima de qualquer suspeita; quanto mais sobe no Judiciário, virando desembargador, e depois ministro, maior a responsabilidade.

E temos visto um caso atrás do outro. Houve o do ministro do STJ investigado por importunação sexual a uma moça de 18 anos em Balneário Camboriú; uma funcionária do próprio tribunal também apresentou denúncia. Isso sem falar dos outros crimes que vemos, como naquele caso do Mato Grosso em que havia um mercado de sentenças, compra e venda. O Judiciário tem de se lavar – e não pode ser apenas lavagem de roupa suja lá dentro, como já aconteceu e todos viram nesses últimos tempos.

ALEXANDRE GARCIA

DEPOIS DE SETE ANOS DE SILÊNCIO, A MÍDIA DESPERTA PARA OS EXAGEROS

O Estadão e a CNN divulgaram uma descoberta: Moraes não ficou apenas naqueles auditores fiscais com tornozeleira, sem passaporte, com sigilo quebrado e impedidos de entrar na repartição. Ele atingiu também mais um auditor e três funcionários da Receita, entre eles um vigilante, supostamente ligado a um dos auditores daquela primeira ofensiva. A Polícia Federal colocou tornozeleira eletrônica também no vigilante. Não sei se ele tem passaporte, mas tem direito de ter. Se tiver, não vai poder ir para a Disney agora. É, continua, continua.

Foi o estímulo após sete anos de hibernação da mídia, que tem entre seus deveres informar os fatos e denunciar os erros, não é?

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Dionísio Cerqueira

A propósito, a Polícia Federal realizou ontem uma operação de busca e apreensão em Dionísio Cerqueira, no Paraná — nome, aliás, do autor do melhor livro sobre a Guerra do Paraguai, da qual ele participou. Lá em Dionísio Cerqueira, um sujeito teria desviado R$ 1 milhão da Caixa Econômica Federal. A notícia, segundo a agência oficial, diz que foi apreendido um carro de luxo dele. Ora, com R$ 1 milhão não dá para comprar um carro de luxo. Um modelo da Mercedes, por exemplo, o Maybach, custa no mínimo R$ 5 milhões. Um Rolls-Royce também — mesmo o mais básico — passa de R$ 5 milhões. Talvez um Bentley custe um pouco menos. Ou será que já não sabemos mais o que é carro de luxo? Um esportivo também é caríssimo: uma Ferrari, uma Maserati — esses carros italianos são absurdamente caros.

Mas, enfim, o sujeito desviou R$ 1 milhão. E sabe por que estou dizendo isso? Porque vivemos num país onde há quem desvie bilhões. Roubaram R$ 6 bilhões dos aposentados e pensionistas. Você tem ideia do que são R$ 6 bilhões? Eu explico: é quase quatro vezes o total do fundo partidário do ano passado — dinheiro que vocês pagaram, que nós pagamos. O PL foi o partido que mais recebeu, graças a Bolsonaro: R$ 192 milhões dos nossos impostos. O segundo foi o PT, com R$ 140 milhões, como publicou a Gazeta do Povo. O que menos recebeu, o Partido Verde, ainda assim levou quase R$ 12 milhões — o que dá cerca de R$ 1 milhão por mês para as despesas do partido.

Sempre achei, e continuo achando, que quem deve sustentar um partido político é o seu filiado. Quem gosta do partido é quem deve sustentá-lo. É uma associação de ideias. Quem compartilha dessas ideias e quer ver o partido no poder que o financie — não os impostos de todo mundo. O meu imposto está indo para um partido que eu não queria ver no governo. Isso é um desrespeito à vontade do cidadão, do pagador de impostos.

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Maioridade penal

Tenho falado aqui sobre a redução da idade mínima, que está prevista na PEC da Segurança. Mendonça Filho, também conhecido como Mendoncinha, lá de Pernambuco, é o relator — um excelente parlamentar. O PT está reconhecendo, segundo o próprio líder do partido, que o melhor é empurrar com a barriga, porque, se votar agora, vai perder e, segundo eles, “vai prejudicar os meninos e meninas”. Mas que meninos e meninas? Assaltantes, homicidas, agressores? A partir dos 16 anos ainda são meninos e meninas?

Eu, com 16 ou 17 anos, chamava-os de rapazes e moças. Não vou usar o termo “rapariga”, como em Portugal, porque no Nordeste isso tem outra conotação. Mas, convenhamos: com 16 anos já se pode votar, escolher presidente e governador — qual é o problema, então? O PT reconhece que a maioria do povo brasileiro quer reduzir a idade penal para 16 anos. A Argentina está reduzindo para 14; a Suécia, para 13 (antes era 16). E aqui no Brasil, durante o Império e depois dele, já foi 14 por muito tempo.

ALEXANDRE GARCIA

MÉXICO É RETRATO DO QUE ACONTECE QUANDO O ESTADO É LENIENTE COM O CRIME ORGANIZADO

méxico el mencho

Ônibus incendiados em Puerto Vallarta, no México, em retaliação à morte do chefe do narcotráfico El Mencho

O alerta vem do México: os bandidos estão atacando ônibus, empresas, delegacias de polícia, matando policiais, aterrorizando com fogo, explosões e tiroteios, depois que a polícia e forças militares mataram “El Mencho”, o principal narcotraficante do país. A presidente Claudia Sheinbaum, que outro dia havia dito que não considerava os cartéis como grupos terroristas, pelo jeito não sabe bem o que fazer. Ela deve ter achado horrível aquela ação policial no Rio de Janeiro, que terminou com 122 mortes entre narcotraficantes. Pois quando se é leniente com a criminalidade o resultado é esse: as facções vão crescendo, tomando conta do país, e quando há uma repressão séria a reação afeta toda a população.

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Lula vai ajudar Cuba e Venezuela?

Sindicatos, em geral os ligados aos petroleiros, estão pressionando o governo para que Lula ajude Cuba, que está desesperada, sem combustível e, desde janeiro, sem o petróleo da Venezuela. Donald Trump ainda ameaçou o México e outros países, prometendo taxar os produtos de quem enviar petróleo a Cuba. A condição dos norte-americanos para que o caos acabe é o fim da ditadura, que já dura 67 anos, tirando toda a liberdade do povo. Imaginem só: um cubano com 70 anos de idade nunca viveu sob um regime democrático – ou até mais que isso, porque antes dos comunistas havia outra ditadura, a de Fulgencio Batista. Pobre povo cubano, tão alegre, tão musical, nas mãos de tiranos.

E não é só Cuba: Lula também disse que vai falar com Trump sobre a possibilidade de a Petrobras – que, recordemos, significa Petróleo Brasileiro AS – ajudar a Venezuela. A Venezuela já está nos devendo bilhões do metrô de Caracas, financiado pelo BNDES e que os chavistas não pagaram. Esse crédito do BNDES foi suprido pelo Tesouro Nacional, ou seja, diretamente com o dinheiro dos nossos impostos. Como se isso não bastasse, as refinarias estatais venezuelanas estão caindo aos pedaços, como aquela refinaria enferrujada de Pasadena, que compramos lá nos Estados Unidos. Além disso, houve a vigarice de Hugo Chávez com Lula na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. “A Venezuela vai pagar com petróleo”, dizem. Mas o petróleo venezuelano é pesado, não é apropriado para as nossas refinarias, que usam petróleo leve. Imaginem, então, a Petrobras enviando um dinheirão para reformar as refinarias sucateadas dos venezuelanos. É uma maluquice completa.

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André Mendonça dá mais autonomia à PF no caso Master

André Mendonça, o novo relator do caso do Banco Master, tem um grande desafio. Sabemos que há mais ou menos 100 celulares apreendidos e que seriam examinados por quatro peritos escolhidos a dedo por Dias Toffoli. Isso já mudou: agora, o perito que estiver na escala é que ficará responsável – e precisarão de muitos peritos; se fossem só quatro, para analisar terabytes de armazenagem, o trabalho demoraria décadas. Pois André Mendonça entregou o material, e a Polícia Federal que se vire. A ideia é seguir o ritmo das investigações, sem nada protegido, escondido, blindado por alguma toga. Que valha o mesmo para a CPMI dos que desviaram dinheiro dos velhinhos da Previdência. Esperemos também que se acerte tudo para Daniel Vorcaro depor na comissão do INSS, e também na Comissão de Assuntos Econômicos, para explicar seus negócios com o Banco de Brasília, o banco estatal do Distrito Federal.