Flávio Dino ordenou busca e apreensão contra o deputado Mário Frias, aliado de Jair Bolsonaro
Os jornais estão repercutindo a busca ordenada pelo ministro Flávio Dino na casa do deputado Mário Frias. Levaram armas – sete armas, todas registradas em nome dele –, computador, documentos e um celular. Tudo para investigar duas emendas do deputado, num total de R$ 2 milhões; são emendas que nem passam por ele, vão direto para as instituições a que se destinam. Estão investigando se essas emendas iriam para o filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro. Ainda estão procurando, mas até agora não acharam nada, só há suspeitas.
Mas nem precisam achar nada; o objetivo já está alcançado: acrescentar um ingrediente a uma campanha eleitoral em que as pesquisas começam a mostrar uma virada, com Flávio Bolsonaro passando Lula em simulações de segundo turno. Foi Dilma Rousseff quem disse que “nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição”. É uma mobilização, está tudo partidarizado.
Este é o resultado de um Supremo que se tornou um órgão político – nem falo mais em tribunal político, porque o STF se tornou quase um diretório. Isso começou com as ideias de Gilmar Mendes sobre a justiça alemã e as ideias de Luís Roberto Barroso, que ficou animadíssimo com a possibilidade de, sem ter mandato popular, se julgar superior à Constituição, um poder constituinte. Nem o imperador tinha esse poder. A Constituição de 1824 dava ao imperador apenas o poder de mediação, não o de mudar a Constituição. Mas o Supremo quis mais que isso. Não sei se é a vaidade ou a fraqueza humana que levam a isso. Dizem que, para se conhecer uma pessoa, basta dar-lhe poder.
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Fachin, se quiser, pode começar a restauração do STF e impedir que o mau exemplo se espalhe
E está nas mãos do presidente do STF, Edson Fachin, o poder de resgatar esse Supremo que está em ruínas – foi arruinado não pelo pessoal de 8 de janeiro, mas pelos próprios ministros (não todos), que chegaram lá como macaco em loja de cristais. Comparem o que fez a cabeleireira Débora na estátua de granito e o que essa estátua veria dentro do Supremo, se pudesse olhar para trás. Estou em Goiânia, e conversei com estudantes e recém-formados em Direito. Vejo a decepção desses jovens em relação ao Supremo.
E o mau exemplo que vem de cima afeta juízes, que ficam animados com a possibilidade de um juiz ter tanta força quanto um senador, ou mais que isso: virar um legislador. O juiz não é um legislador, é um aplicador da lei. Mas para aplicar a lei é preciso haver o concurso da acusação e da defesa – ao contrário do “inquérito do fim do mundo”, que não teve Ministério Público, nem amplo direito de defesa.
A seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), depois de uma sessão extraordinária, deliberativa, que entrou noite adentro e foi à madrugada, decidiu propor, perante o Senado, processos de impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli por crime de responsabilidade. Além disso, de acordo com a nota divulgada, a OAB-DF ainda vai “exigir das autoridades competentes, por meio do Conselho Federal da OAB, apuração profunda, isenta e transparente do envolvimento de autoridades que possam estar implicadas em fatos ou em qualquer outra irregularidade correlata”, inclusive ministros do STF, do STJ, juízes em geral, e Procuradoria-Geral da República; vai pedir o afastamento cautelar daqueles que precisarem ser afastados; e propor, perante o Supremo, a investigação de Moraes e Toffoli devido à gravidade das condutas de ambos.
Em relação às investigações do Banco Master, de relatoria do ministro André Mendonça, a OAB-DF vai pedir ao STF o levantamento do sigilo das investigações. E a entidade ainda irá solicitar que o presidente da corte, Edson Fachin, assuma as investigações que envolvam pessoas sem foro privilegiado no STF e as encaminhe às instâncias corretas – é o caso de todos os réus do 8 de janeiro, que não tinham de estar no Supremo. A OAB-DF ainda pedirá o arquivamento do inquérito das fake news, o “inquérito do fim do mundo”. É preciso mesmo acabar com ele. Esse inquérito é arbítrio puro, uma irregularidade em que a própria vítima é quem inventa o inquérito sem o Ministério Público. E mesmo assim ele foi aprovado por 10 a 1 pelos ministros do Supremo, em 2020; o único que votou contra foi Marco Aurélio Mello.
A seccional do Distrito Federal ainda irá elaborar uma carta aberta à OAB Nacional e à sociedade civil sobre as medidas tomadas e proposições para a reforma do Poder Judiciário e resgate da estatura constitucional da suprema corte, que deixou de ser corte constitucional e virou um tribunal político, graças a Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes.
Meu aplauso à OAB do Distrito Federal; ela está dando um exemplo para a OAB nacional, que tem se omitido de suas obrigações e negado a tradição da OAB – assim como nós, jornalistas, e a mídia em geral nos omitimos, traímos nossos leitores, ouvintes e telespectadores, ficando em silêncio diante de tudo isso.
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Finalmente o “inquérito do fim do mundo” sai das mãos de Moraes
Um grande mal, ao longo de todo esse tempo, foi o “inquérito do fim do mundo” nas mãos de Moraes. A estátua da deusa da justiça foi muito mais agredida pelo que acontece atrás dela, dentro do Supremo, que pelas letras escritas com batom. Mas agora o inquérito não está mais com Moraes porque o presidente do STF assumiu a relatoria, e provavelmente vai mandar arquivar tudo.
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Ex-ministros que hoje pedem providências no STF ajudaram a validar o arbítrio no passado
O ex-ministro Celso de Mello organizou uma lista de apoio ao presidente Fachin, pedindo providências e dizendo que o Supremo não pode ser escudo para quem cometeu desvio de conduta, que não há espaço para sombras e opacidade. Mas tanto ele quanto Rosa Weber, que também assinou o documento, deram sua contribuição: ambos estavam entre os dez ministros do Supremo que acharam que estava tudo bem no “inquérito do fim do mundo”, que armou Moraes, agora desarmado por Fachin.
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Mendonça homologa delação importante no caso Master
André Mendonça homologou uma delação importante dentro do caso Master: a de um empresário que arrecadava dinheiro para Daniel Vorcaro e também aportava dinheiro para o filme Dark Horse. A Polícia Federal está investigando se esse dinheiro foi desviado para outro fim e não para o filme, porque está tudo regular e o Master estava aplicando em cotas do fundo do filme, para depois receber os lucros com a exibição.
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Lula está atrás nos maiores colégios eleitorais do país, e agora fala em transparência
Falei outro dia de pesquisas eleitorais, e Lula está preocupadíssimo, tanto que agora ele diz que tem de haver transparência no caso Master, mostrar todo mundo. Ele está do lado de André Mendonça? Pois Mendonça, obedecendo ao artigo 37 da Constituição, que exige publicidade em toda a administração pública, está mostrando tudo. Falam tanto em sigilo, mas sigilo é para processos envolvendo questões de família, para preservar as pessoas. Em questões grandes, políticas, que envolvem dinheiro público, é o contrário: a regra é a transparência, porque o povo está envolvido, o povo é prejudicado, o povo paga impostos e quer saber se o seu dinheiro está incluído nas ladroagens.
Nos três maiores colégios eleitorais do Brasil – São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro –, Lula perde para Flávio Bolsonaro no segundo turno. Na região Sudeste, onde estão os três estados, Lula perde para Flávio por 43% a 34%. É uma senhora diferença. Ele está muito preocupado e eu fico preocupado também, porque ele tem a caneta e o poder na mão, e, se entrar outro, ainda há muita coisa oculta que será revelada.
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Metodologia das pesquisas citadas na coluna
São Paulo: pesquisa realizada pela Quaest, contratada pela Globo, com coleta entre 4 e 7 de setembro e divulgação em 8 de setembro. Foram entrevistados 1,8 mil eleitores, com margem de erro de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. Registros: BR-04705/2026 e SP-00959/2026.
Minas Gerais: pesquisa realizada pela Quaest, contratada pela Globo, com coleta entre 4 e 7 de setembro e divulgação em 8 de setembro. Foram ouvidos 1.506 eleitores com 16 anos ou mais. Margem de erro de 3 pontos porcentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. Registro: MG-04716/2026.
Rio de Janeiro: pesquisa realizada pela Quaest, contratada pela Globo, com coleta entre 4 e 7 de setembro e divulgação em 8 de setembro. Participaram 1.302 eleitores fluminenses. Margem de erro de 3 pontos porcentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. Registros no TSE: RJ-04768/2026 e BR-09705/2026.
Região Sudeste: pesquisa realizada pela Quaest de 03/09/2026 a 06/09/2026, divulgada em 07/09/2026. Foram ouvidas 2.004 pessoas. Margem de erro de 3 pontos porcentuais. Registro: BR-01720/2026.
Edson Fachin, presidente do STF, defendeu fim do inquérito das fake news e levou indireta de Flávio Dino, aliado de Alexandre de Moraes
O site Migalhas lembrou de algo que eu não tinha anotado: na sexta-feira passada, Edson Fachin, presidente do Supremo, ao lado de Lula, falava de suas prioridades à frente do STF e mencionou o fim do “inquérito do fim do mundo”. No dia seguinte, o ministro Flávio Dino questionou se um juiz pode prometer o fim de um inquérito como se fosse candidato, ou apenas para receber aplauso. Uma indireta em Fachin. Isso me confirmou qual a posição de Fachin nessa divisão atual do Supremo: ele está apoiando essa tentativa de André Mendonça de separar o joio do trigo e tirar o joio, as frutas podres do STF.
Eu já havia feito uma análise colocando Fachin ao lado de André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, formando um quarteto, contra o outro quarteto formado por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Dino e Dias Toffoli. Em cima do muro, por enquanto, eu havia colocado Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, que tem muito tempo pela frente e uma biografia a zelar, assim como Cármen Lúcia.
Esse caso vai demandar muita coisa na hora do plenário, que terá de avaliar a realidade óbvia que estamos vendo agora: Moraes envolvido numa quebra de sigilo de uma investigação que continua ajudando Vorcaro, porque revela possíveis alvos de futuras buscas e apreensões, e que agora já vão esconder provas. E Moraes, para se defender de Mendonça, usa uns relatórios de inteligência que não são nada – aliás, são sim, porque surgem como agravantes de crimes praticados lá dentro, tanto que já o chefe da inteligência e o diretor-geral da Polícia Federal acabaram afastados por Mendonça, com o apoio da segunda turma do Supremo. Gilmar tentou parar o julgamento pedindo vista, mas não deu certo, porque outros ministros já adiantaram voto e formaram maioria. E tudo isso acontecendo nas sombras – ou sob a luz, dependendo do resultado da eleição, já que agora, como veremos, as pesquisas estão mostrando uma virada.
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Lula já perde para dois candidatos no segundo turno, segundo pesquisa Nexus
Eu tenho falado das mudanças nessa reta final de campanha, em que Flávio Bolsonaro foi tirando a diferença que o separava de Lula. Era empate técnico, com três pontos de diferença, foi caindo para dois, para um, chegou a empate exato na Quaest, encomendada pelo jornal O Globo. Agora, pesquisa do Instituto Nexus, encomendada pelo BTG Pactual, já tem Lula perdendo para dois candidatos! No primeiro turno, Lula tem 39%, Flávio tem 35% e Cury tem 9%. Mas no segundo turno Flávio está na frente, por 46% a 45%. Quando o adversário é Augusto Cury, mais gente que não votaria em Flávio de forma alguma e votaria em Lula passa a votar em Cury: ele vence Lula por 45% a 43%, uma diferença de dois pontos. Contra Ronaldo Caiado, a diferença ainda é de três pontos, 46% a 43% para Lula. Mas tudo isso ainda é considerado empate técnico.
As pessoas que não acreditavam em pesquisa estão vendo pesquisa agora. Eu venho argumentando, desde muito tempo atrás, com os que pensam “pesquisa de jeito nenhum”. Muita gente está tão neurótica com eleição que, se a pesquisa não sai como ela quer, não acredita na pesquisa. Mas é o que temos para avaliar – além, claro, da Avenida Paulista cheia de gente, e o palanque oficial de Brasília quase sem povo.
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Metodologia das pesquisas citadas na coluna
Quaest: 2.004 entrevistados pela Quaest de 3 a 6 de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada pela Editora Globo S/A, Globo Comunicação e Participações S/A, TV Rede Globo/Canais Globo/Globoplay/Eletromidia. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos porcentuais. Registro no TSE: BR-01720/2026. Nexus/BTG Pactual: 2.002 entrevistados pelo Nexus/BTG Pactual de 4 a 7 de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG Pactual S.A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos porcentuais. Registro no TSE: BR-06790/2026.
O presidente Lula durante o desfile de 7 de Setembro em Brasília, nesta segunda-feira (7)
O desfile de 7 de Setembro em Brasília estava absolutamente esvaziado. Só tinha o mundo oficial ocupando as arquibancadas, os comissionados e as autoridades. Não sei se tinha lá algum concursado, porque o povo de Brasília estava no Eixo Rodoviário fazendo outra coisa: comício e protesto.
O mote foi soberania. Eu fico me perguntando: será que o povo sabe de que serve a soberania? A soberania é para quem? A soberania tem que objetivo? Soberania é quando um país é realmente independente para fazer a vontade do povo, expressa pelas chamadas aspirações populares. É formalmente a garantia da fronteira, a garantia da Constituição.
Quando se rasga a Constituição internamente, isso é uma gravíssima agressão à soberania. Então, a soberania foi o mote que os marqueteiros escolheram para mostrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva brigando com Donald Trump.
Em outras palavras, foi isso e aplaudir o Irã, o Hamas, o ditador chinês, Xi Jinping – o russo, Vladimir Putin, nem tanto –, o cubano, Miguel Díaz-Canel, o venezuelano, Nicolás Maduro, preso em Nova York, o Daniel Ortega, da Nicarágua. Coisas de Foro de São Paulo.
E por aqui, o que a gente ouviu foi lá na Avenida Paulista, lotada: esse é o povo, o verdadeiro poder, a origem do poder. Essa é a nação, não é o Estado, que é a parte oficial que foi criada originalmente para prestar serviço à nação.
E a nação está dizendo que não quer mais saber de Alexandre de Moraes, de Inquérito do Fim do Mundo, de Paulo Gonet, de Andrei Rodrigues, Dias Toffoli, Lula…. Foram os mais invocados na Paulista.
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Direita em ascensão nas pesquisas e na Alemanha
A coisa está animada porque agora a última pesquisa Quaest deu empate mesmo, não é mais empate técnico, é 41% a 41%, Flávio Bolsonaro e Lula, no segundo turno.
E a direita foi vitoriosa num importante estado do leste da Alemanha, Saxônia-Anhalt. A cada voto para a social-democracia, quatro votos para esse partido de direita, que é um novo partido, o Aliança para a Alemanha (AfD).
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STF na berlinda
Está todo mundo de olho no Supremo, está na berlinda. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também está. Aliás, ele foi muito invocado na Avenida Paulista.
O ministro André Mendonça pôs à disposição do presidente Edson Fachin, para pôr em plenário, as descobertas a respeito das relações íntimas, financeiras e de subordinação de um ministro do Supremo com Daniel Vorcaro. Fica à disposição porque já foi para Gonet, e este não fez nada.
Gonet, ao contrário, diz que não pode investigar porque não tem autorização para investigar Alexandre de Moraes. Só que quem estava sendo investigado era Vorcaro, que era o interlocutor mais procurado às vésperas da sua prisão.
Então, o que fazer com o óbvio ululante que se descobriu desde que a jornalista Malu Gaspar anunciou a existência do contrato entre os dois?
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Os lados no Supremo
Eu fiz aqui um exercício, como aquele exercício que Moraes usou como se fosse uma investigação da Polícia Federal, quando era um relatório de inteligência. Eu não sei de que lado estão exatamente Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, mas eu sei de que lado estão Gilmar Mendes, Moraes, Flávio Dino e Toffoli. Estão juntos, como mecanismo de autodefesa, de autoproteção. E eles sabem muito bem por quê.
Agora, eu sei de que lado estão André Mendonça, Luiz Fux, Nunes Marques e possivelmente Fachin, pelas últimas manifestações dele. Fala em acabar com o Inquérito do Fim do Mundo. Se acabar, tem que acabar com as consequências também.
Ele teve uma conversa com André Mendonça antes deste abrir o sigilo, em que todo mundo viu o óbvio, o já sabido nas relações de Moraes com Vorcaro. Essa é a situação: quatro de um lado, quatro do outro, e dois ainda a definir. Cármen e Zanin provavelmente estão com sérios problemas de decisão. Posso dizer de consciência também.
O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), que tirou na semana passada a ofensiva de Alexandre de Moraes contra André Mendonça do inquérito das fake news, foi cúmplice da manutenção do Inquérito do Fim do Mundo.
Só para lembrar: foi um inquérito inventado por Dias Toffoli com base no regimento interno do Supremo. Como se fosse algo: “Alguém roubou uma caneta do ministro no gabinete dele, vamos investigar quem roubou”. Algo administrativo interno, para apurar um pequeno crime dentro do prédio do Supremo.
Mas isso serviu para pegar gente no mundo inteiro, o tempo todo. Um inquérito dura 30 dias; este está durando mais de sete anos.
A Constituição Federal, nos artigos 127 e 129, estabelece que a iniciativa de qualquer inquérito é do Ministério Público, e não do Supremo. Mas Toffoli inventou o inquérito, usando um artiguinho do regimento interno que foi derrogado pela Constituição de 88. Então, foi algo totalmente inconstitucional.
Por isso que foi apelidado de Inquérito do Fim do Mundo pelo ministro aposentado Marco Aurélio Mello, quando ainda estava lá. Ele foi voto vencido, e o resto do Supremo aprovou a abertura do inquérito.
E mais: os relatores são escolhidos por sorteio. Só que Alexandre de Moraes não foi escolhido por sorteio, foi nomeado pelo Toffoli. E a maioria do Supremo convive com isso. Vergonha! Isso é ilegal! Não é devido processo legal!
E aí, o senhor Alexandre de Moraes, que acha que o ataque é a melhor defesa, foi para cima do ministro André Mendonça, relator do inquérito do Caso Master e que só aplicou o artigo 37 da Constituição, que manda haver publicidade em tudo no serviço público.
Ele levantou o sigilo dos contatos de Daniel Vorcaro com Moraes porque sigilo em processo é para questões familiares, para não expor problemas internos de família. Mas o caso de Moraes não é de família, não. É algo que envolve a nação brasileira, a moralidade de pessoas públicas, que têm o dever de guardar moralidade, como diz o mesmo artigo 37. Essa é a questão, e o Supremo conviveu com isso, fingiu que não tem problema.
E aí o ministro Moraes, só pode ter sido no desespero, enquadrou no Inquérito do Fim do Mundo o ministro André Mendonça, que tinha mostrado os diálogos dele, as relações dele com Vorcaro.
Como se isso fosse necessário, porque eu acredito que qualquer pessoa que tenha mais de três neurônios percebeu o que aconteceu no dia em que a jornalista Malu Gaspar mostrou, em dezembro de 2025, que Vorcaro tinha um contrato com a família de Moraes, com os dois filhos e a esposa dele, Viviane Barci de Moraes.
Moraes só não assinou o contrato com Vorcaro porque estava no Supremo. Eu posso dizer que Moraes vendeu a alma e a família também, porque, além disso, os dois filhos tinham um cartão de crédito de presente do Banco Master, para gastar R$ 300 mil por mês.
Gente, é uma coisa gigantesca! É uma corrupção amazônica! E o Supremo ficou quieto, e a mídia, que vinha de uma absoluta omissão ante as ilegalidades e inconstitucionalidades, estava muito discreta.
Agora parece que descobriu que criou um monstro, irrigou uma árvore podre. E agora o próprio Fachin quer corrigir, porque viu que o Supremo está desmontando.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), está sob pressão, mas ele é outro que é responsável, porque poderia ter resolvido isso simplesmente pondo em votação pedidos de impeachment contra Moraes. Se não tiver maioria, não sai o impeachment, pronto.
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A melhor solução é por meio do voto
Agora, meus amigos, minhas amigas, nós temos uma eleição pela frente, e é a melhor maneira de sair dessa crise. Porque existem outras maneiras, mas que vão cobrar um pedágio muito pesado para a nação brasileira. A melhor maneira é pelo voto, elegendo só candidatos ao Senado que queiram resgatar o Supremo através de uma filtragem, uma seleção para separar: fica o trigo e tira o joio.
E temos oportunidade também de tirar um presidente que estimula roubo de celular para tomar cervejinha, que diz que a mãe o ensinou a mentir e que estava totalmente envolvido na Operação Lava Jato, cujos processos foram cancelados pelo Supremo.
Ele não foi inocentado. O processo foi cancelado por uma questão de CEP: “Ah, não era em Curitiba que deveria ser julgado!”.
Qualquer julgamento deste país que fosse até o fim, até a sentença, não deveria voltar atrás. Esse é o histórico da Justiça brasileira. Já foi tudo concluído. Para que voltar atrás e começar de novo?
A não ser que seja um caso especial de um Supremo que abandonou o seu objetivo de ser uma corte constitucional para se tornar um tribunal político. E, como todo tribunal político, sofre o desgaste da política, fica sob o escrutínio do povo, que é a origem do poder. E o Supremo está pagando caríssimo por isso.
Edson Fachin, presidente do STF, foi avisado por André Mendonça do conteúdo das mensagens de Vorcaro a Alexandre de Moraes
O presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, praticamente endossou as conclusões de André Mendonça ao dizer, em uma rápida manifestação, que se tratava de fatos graves. Em outras palavras, são sérios elementos, indícios que requerem um estudo mais acurado. Fachin reconheceu a gravidade das informações repassadas por Mendonça; ele percebeu esses indícios graves na investigação sobre Vorcaro, ao ver surgir o nome de um ministro do Supremo que usava um método de comunicação em que esse ministro printa uma mensagem, a transfere para o bloco de notas e depois a transmite sob uma forma de visualização única, ou seja, a mensagem é consultada e apagada automaticamente, para não ficarem provas.
O irônico é que, quando condenou Débora do Batom, Alexandre de Moraes alegou que encontrou, no celular da cabeleireira, sinais de que mensagens e fotos haviam sido apagadas, e isso mostraria que ela sabia que estava cometendo algo ilegal. Está na página 81 do voto dele pela condenação. Mas o que serve para Débora serve para Moraes: se as mensagens foram apagadas, é porque são comprometedoras. Esse foi o método que Moraes usou na intimidade com Vorcaro, que o chamava de “você” e não de “ministro”, nem de “Excelência”.
Esperemos, portando, a manifestação de Fachin, já que do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já recebemos a omissão de sempre em relação aos pedidos de impeachment. O seu antecessor, Rodrigo Pacheco, acabou de ser premiado: por 63 votos a 4, ganhou uma vaguinha no Tribunal de Contas da União. Certamente ele sabe que não vai teria mais voto em Minas Gerais; decerto também não confia muito em sua capacidade dentro de um escritório de advocacia. Afinal, vai ganhar R$ 40 mil no TCU, quando um grande advogado ganha dez vezes esse valor.
Paulo Gonet também está se entregando também. Diz que é tudo ilegal, que Mendonça não pode fazer isso, que “não cabe ao juiz acusar, menos ainda investigar”. Mas, como eu disse, Mendonça conversou com o presidente do Supremo, mostrou tudo. Fachin deve ter ficado tão horrorizado quanto o resto do país, tanto que prometeu uma resposta. E não sei se o governo vai defender Moraes agora. Em outras ocasiões, já fez reuniões para defender. Agora, devem estar esperando que baixem a bola, porque depois podem chegar ao Lulinha, ou ao Marcola do Lula.
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PIB do segundo trimestre veio abaixo do que o governo esperava
Todos sabem que a economia vai mal; agora, saíram os números do PIB do segundo trimestre. O governo esperava alta de 0,8%, mas veio só 0,5%. E a previsão para o fim do ano não é boa. Vemos empresas indo para o Paraguai, empresas e lojas fechando, recordes em recuperação judicial, 80 milhões de brasileiros endividados, empresas endividadas. A dívida pública é uma vergonha: o PIB fechou 2025 em R$ 12,7 trilhões, e a dívida está em R$ 10,9 trilhões. E ainda temos de ver Lula dizendo na Globo que só ele fez o PIB crescer, e que Bolsonaro não fez isso. É mentira. Com Dilma, apoiada por Lula, houve quedas seguidas, de 3,5% em 2015 e 3,3% em 2026, ou seja, em dois anos houve 7% de queda do PIB. Entrou Michel Temer, e em 2017 o país cresceu 1,3%, e mais 1,8% no ano seguinte. Entrou Bolsonaro, e o PIB subiu 1,2% em 2019. Por causa da Covid, caiu 3,3% em 2020, mas no ano seguinte se recuperou e subiu cresceu 4,8%, com mais 3% em 2022. No governo Lula, subiu mais 3% em 2024 e outros 2,5% em 2025. O pior é o que vai ficar para o próximo presidente.
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30 milhões de eleitores indecisos ou votando branco e nulo são mais que suficientes para virar uma eleição
Saiu nova pesquisa Quaest. No primeiro turno, em cenário estimulado, Lula tem 37%, Flávio tem 29%, Cury tem 10%, Renan tem 3%, Caiado tem 1% e Zema tem 1%. Somando a direita toda, são 44%, contra os 37% de Lula. Mas, nos cenários de segundo turno, Lula tem 42% e Flávio, 41% – empate técnico. Lula vence Caiado por 42% a 37%, e vence Cury por 40% a 34% – nesse confronto, são 26% de entrevistados entre brancos, nulos, indecisos e que não vão votar; é muita gente. Lula também vence Renan, por 43% a 36%, e derrota Zema por 44% a 33%. O que vemos aqui é que o empate ainda está esperando votos. Quantos milhões? Entre indecisos, brancos e nulos no cenário de Lula contra Flávio, são 18%, ou cerca de 30 milhões de pessoas que estão se omitindo. Em um momento desses, não dá para se omitir. É preciso impor a vontade na escolha. Não gosta de nenhum dos dois? Escolha o que você ache menos ruim, mas participe.
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Metodologia da pesquisa citada na coluna
2.004 entrevistados pela Genial/Quaest de 30 de agosto a 1.º de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada pela Editora Globo e pela Globo Comunicação e Participações S.A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos porcentuais. Registro no TSE: BR-07065/2026.
Eu tenho falado aqui do peso moral de uma autoridade quando ela se esvazia. Há um vácuo de autoridade quando há um vácuo de moral. É o caso de Dias Toffoli, que recuou na decisão contra Renan Santos, coincidentemente no mesmo dia em que a Polícia Federal mostrou provas de uma ligação muito íntima entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. O ministro do STF aparece como consultor, conselheiro, até quase um advogado de Vorcaro, que dá R$ 300 mil em cartão de crédito para cada filho de Moraes, negocia jatinhos com a mulher de Moraes, faz um contrato de mais de R$ 130 milhões, revisado no computador de Moraes. Apareceu até o procurador-geral da República dizendo que estava com saudades de Vorcaro!
Felizmente, apareceu também uma referência de legalidade no Supremo: o ministro André Mendonça. Com base na Constituição, ele diz que o Supremo é o tribunal que julga por crimes comuns os ministros da corte, que há indícios fortíssimos, que é preciso investigar, que a Constituição exige moralidade e publicidade, e que por isso ele precisa pôr tudo às claras. Agora, o Supremo vai ter de tomar uma atitude – e o Senado também.
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Algumas escolhas de Flávio Bolsonaro estão confundindo os apoiadores
Está causando estranheza em muitos dos seguidores de Flávio Bolsonaro esse anúncio de prováveis ministros que já apoiaram Lula. Primeiro foi o ministro da Saúde, Cláudio Lottenberg, diretor do Hospital Albert Einstein, o que não agradou a uma grande parte dos seguidores de Flávio. Agora, diz o noticiário que Flávio teve um jantar com banqueiros, e o anfitrião foi um banqueiro que, na última eleição, apoiou Lula e criticou muito o pai de Flávio, Jair Bolsonaro: é Marcelo Kayath, de uma dessas financeiras que administram fundos. Ele foi apresentado a Flávio como indicação para ser ministro da Fazenda; estavam lá Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco; Milton Maluhy Filho, do Itaú; Gilson Finkelsztain, do Santander; Roberto Campos Neto, do Nubank; Richard Gerdau, da Gerdau; e João Camargo, do Esfera Brasil.
Daniela Marques também estava presente; quando disseram que ela seria um bom nome para a Casa Civil, que gerencia a ligação entre o presidente e os ministérios, houve aplausos, segundo o noticiário. O anfitrião Kayath diz que já recebeu lá, em outros tempos, Ronaldo Caiado, ACM Neto, Fernando Haddad, Guilherme Boulos. Ele é um violonista clássico e formado em Business (o que seria Negócios, ou Economia) em Stanford, nos Estados Unidos.
Essas coisas dão o que falar porque há determinadas aspirações entre os eleitores de Flávio. E essa é a grande questão da necessidade de reformas políticas no Brasil: aproximar mais o eleitor, o cidadão, o pagador de impostos dos seus representantes. Ontem eu estava cortando o cabelo e, na cadeira ao lado, dois homens, o barbeiro e o cliente, só falavam em futebol. Fiquei pensando que o pessoal no Congresso Nacional deve estar muito satisfeito quando os eleitores não saem de um estádio de futebol, porque assim eles podem fazer o que querem, mesmo não sendo os mandantes. Os mandantes estão no estádio, esperando um gol, mas o gol não vai mudar nada no dia seguinte, enquanto um voto no Congresso muda a vida dos filhos e netos desses torcedores. Precisamos de politização, de informação, porque vejo que 30 milhões a 40 milhões de eleitores não devem participar da eleição, não estão interessados. E eles são decisivos. Os que têm mais de 70 anos, e os que têm 16 e 17 anos, que não precisam votar, deveriam votar. Não deixem que os outros escolham o futuro de vocês.
Achei muito estranho – melhor dizendo, assustador – que Lula tenha dito, na sabatina da Globo, que “a mim não preocupa a dívida pública”. Agora, o jornal O Globo está mostrando que a situação é muito ruim. Metade da dívida paga juros atrelados à Selic, e o país paga mais de R$ 1 trilhão por ano em juros. É dinheiro posto fora. A dívida pública está em R$ 10,8 trilhões e, disso, R$ 5,7 trilhões são Letras Financeiras do Tesouro, com a taxa de juros lá em cima. Esses títulos, durante a pandemia, no governo Bolsonaro, representavam 34% do estoque total da dívida; agora, são 51,1%. É uma bomba-relógio para o próximo mandato presidencial.
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A incrível história (falsa) de Roberta Luchsinger
Estou muito impressionado com a biografia de Roberta Luchsinger. A começar que esse Luchsinger dela não tem nada de suíço. Ela diz que o avô seria do Credit Suisse, mas é falso. Uma tia dela, sim, era casada com banqueiro; os dois morreram em acidentes aéreos – ela em 2009, ele em 2017 –, e Roberta tentou pegar a herança. A atitude dela é típica do que os franceses chamam de nouveau riche, “novo rico”. É aquela pessoa que precisa mostrar para os outros que ganhou dinheiro, e então compra bolsa de marca, sapato de marca, cinto de marca, roupa de marca, mala de marca, relógio de marca… aquela coisa ridícula que o rico de berço não faz, porque prefere a vida discreta. O dinheiro do rico atrai mais dinheiro; o dinheiro do “novo rico” é gasto mostrando para os outros que é rico.
Agora, o Estadão mostra que a empresa de Florianópolis que ela representava como lobista tem contratos de R$ 81 milhões com órgãos do governo. Lembro de uma mensagem dela para Lulinha, dizendo que em 2024 eles ganhariam R$ 100 milhões. Não deu e não vai dar. Depois de Lula a chamar de “pilantra” e dizer que ela cometeu uma imbecilidade, acho que vão ficar com o pé atrás em relação a ela.
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O abuso de autoridade contra os familiares de condenados do 8 de janeiro
Uma reportagem da Gazeta do Povo mostra a servidora pública Vanessa Rolim de Moura, de Ji-Paraná (RO), criando seis filhos sem o marido, porque ele fugiu para o exterior após ser condenado a 14 anos por causa do 8 de janeiro. Ele já tinha sido preso antes da condenação, estava com tornozeleira eletrônica e saiu do país; ninguém sabe onde ele está. Ele é caminhoneiro, e bloquearam todos os bens da família, inclusive os caminhões. Eu vi na foto quatro veículos. Ele começou com um, e chegou a quatro.
Fui ler a lei antiga de abuso de autoridade. Sabem de quando é? De 9 de dezembro de 1965, ou seja, em pleno regime de 64; é a Lei 4.898/65. E é dura essa lei de abuso de autoridade: quem fizer prisão arbitrária, quem não der legítimo direito de ampla defesa, quem inventar um motivo para prender a pessoa vai em cana. Mas a lei que está em vigor agora é outra, a Lei 13.869/2019. A lei atual trata praticamente da mesma coisa: se a autoridade restringir o amplo direito de defesa de todas as formas (e há mil formas de fazer isso), se a autoridade prender fora da previsão legal, é responsabilizada. Isso tem sido abundante no Brasil, a começar por aquela perfídia de pôr as pessoas no ônibus, supostamente para irem à rodoviária, e depois prendê-las sem lhes explicar o motivo, sem descrever os seus direitos. E tudo o que foi feito depois, os julgamentos coletivos… É o que estamos vivendo aqui. Por isso gosto de ler a Constituição. Coitada, mas é a única coisa que ainda nos salva da lei das selvas.
Da esquerda para a direita, o ministro da Justiça, Wellington Silva; o advogado-geral da União, Jorge Messias; o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza; o ex-ministro Ricardo Lewandowski; e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues
Na semana passada, o advogado-geral da União, Jorge Messias, convidou para um almoço o ex-ministro da Justiça, ex-ministro do Supremo e ex-advogado do Master Ricardo Lewandowski; o atual ministro da Justiça, Wellington Silva; o secretário-geral da Interpol, o brasileiro Valdecy Urquiza; e Andrei Rodrigues, diretor da Polícia Federal. Qual foi o cardápio desse almoço? Oficialmente, era a entrega de uma medalha para Urquiza. Mas não deve ter sido só isso. Certamente Lula pediu a Messias que resolvesse uma certa questão. E o que teria de ser resolvido, que envolve a PF, a Interpol – que atua na Espanha também –, Lewandowski e o ministro da Justiça? Bem, a PF está investigando Lulinha, está investigando o Marcola do Lula… deve ser isso, não?
O relator das investigações contra Lulinha é André Mendonça, que virou uma referência de legalidade no Supremo. Mendonça é presbiteriano, e faz sermões sobre trechos do Antigo Testamento. É lá que está a história de Sodoma e Gomorra; se houvesse dez justos naquelas cidades, não teria havido a chuva de enxofre e fogo. Não seria maravilhoso haver dez justos no Supremo, além de André Mendonça? Mas, hoje, esses são sonhos utópicos.
A Polícia Federal é uma polícia de Estado, uma instituição permanente como o Exército, a Marinha e a Aeronáutica. Se ela virar uma força política a serviço de um governo, ela acaba, porque aquilo que está na política fica sujeito a crítica, fica sujeito ao julgamento do povo, e ela deixa de ser uma polícia que está do lado da lei para estar do lado das tendências políticas, sendo usada como guarda pretoriana. A PF é a instituição de polícia judiciária do Estado brasileiro, da União, e não existe apenas para cuidar de fronteiras e crimes federais.
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Se não deve haver investigação porque contrato não foi fechado, por que investigam “golpe” que não deu certo?
Já vi gente com o seguinte raciocínio: “Lulinha e Roberta, talvez também o Kalil, tentaram vender para o Ministério da Saúde 1,2 milhão de frascos de canabidiol por R$ 626 milhões, mas não venderam, então não há nada para investigar”. Mas, se for assim, por isonomia, analogamente, também não haveria “golpe” nenhum para investigar, certo? Ninguém tirou o governo, não “fecharam o contrato”, se é que houve algum. Então, vamos botar um pouco de racionalidade nessa discussão.
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Aécio tem tudo para repetir Dilma em 2018
Aécio Neves aceitou ser candidato ao Senado por uma coligação entre PSDB e PDT? Eu imaginei, aqui, se Dilma Rousseff pudesse dizer algo a ele, seria “você será eu em outubro”. Em 2018, Dilma ficou em quarto lugar na eleição para o Senado em Minas. Ricardo Lewandowski e o Senado rasgaram o parágrafo único do artigo 52 da Constituição, quando Dilma sofreu impeachment, mas não ficou inelegível, como manda a Constituição. O eleitor mineiro teve de fazer o trabalho, derrotando-a nas urnas.
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Não faz sentido esperar que candidato já declare quem apoiaria em segundo turno
Vejo gente reclamando porque Andrei Rodrigues, diretor da Polícia Federal, disse que a PF é imparcial e não trabalha com viés político. “Ele mentiu”, dizem. Mas como ele iria dizer algo diferente? Ele jamais diria o contrário, que é parcial, que está obedecendo a recomendações do presidente da República. Da mesma forma, vieram comentar comigo que Renan Santos não disse quem ele apoiaria se não chegasse ao segundo turno. Mas é claro que não disse! Como é que um candidato que está querendo chegar ao segundo turno vai considerar publicamente a possibilidade de não estar lá? Ele não respondeu porque, se respondesse, seria um idiota. As pessoas não pensam, o pensamento vai só dez milímetros à frente. Candidatos estão sempre com o pé atrás, sempre prontos, atentos.
Vi a entrevista de Renan Santos, e já comentei aqui. Também acho que Flávio Bolsonaro se saiu bem, e a dupla de entrevistadores da Globo se saiu muito bem em todas as sabatinas. Já o Lula foi destruído pelo Luiz Inácio; o Luiz Inácio disse tanta coisa que deixou muito mal o candidato Lula. Mais uma vez, ficou parecido com aquele último debate da eleição de 1989. Fora essa história de usar chapéu em lugar fechado, sentado à mesa, diante de uma senhora. No mínimo, isso é muito exótico.
Ontem, o Aeroporto Santos Dumont ficou fechado porque um jatinho saiu da pista durante o pouso e foi parar no gramado. Era um Phenom 100, de 2009, fabricado pela Embraer. Havia apenas o piloto e, provavelmente, o copiloto.
Mas há uma boa notícia: a Embraer acaba de homologar o Phenom 300EV, que já está certificado pela ANAC, pela americana FAA e pela EASA, da Europa. Ou seja, o jato está homologado para ser vendido tanto na Europa quanto nos Estados Unidos.
E sabe o que ele faz? Pousa sozinho. Provavelmente, não teria saído da pista se fosse um Phenom 300EV. Afinal, às vezes o piloto se atrapalha, ou surge uma condição de vento diferente. E o Santos Dumont é praticamente um porta-aviões: ali é pousar ou decolar com o espaço que tem.
Mas, voltando ao Phenom 300EV, ele é um orgulho. E digo orgulho porque acompanhei Ozires Silva quando ele estava buscando motores para equipar os aviões, quando estava criando a Embraer. Hoje, esse jatinho é equipado com dois motores Pratt & Whitney, voa a 860 km/h, tem autonomia de quase 4 mil quilômetros e custa cerca de R$ 70 milhões. O Phenom 300 pode levar de sete a 11 passageiros.
O Phenom teve um único acidente — que eu nem sei se foi bem um acidente. Foi na Inglaterra, e morreram apenas o piloto e três passageiros, parentes de Bin Laden.
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Recordista
Mais uma notícia que não é política: um brasileiro é o recordista mundial dos 400 metros com barreiras. Alison dos Santos superou o recorde em Zurique, num evento de atletismo, ao completar a prova em menos de 46 segundos. O recorde anterior vinha das Olimpíadas de Tóquio, em 2021. Ele foi lá e superou o recorde. Muito bom, gente.
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Appio afastado
E tem essa história do juiz Eduardo Appio, o juiz federal que substituiu Sérgio Moro e fez e desfez muita coisa e que agora está afastado. O afastamento foi confirmado pelo Tribunal Regional Federal de Porto Alegre. Terrível.
Ele foi filmado. As imagens estão lá, ao vivo. E ele, pensando que era muito esperto, furtando champanhe francesa — claro, se não fosse francesa, não seria champanhe —: duas garrafas de Moët & Chandon. Dizem que cada uma custa uns R$ 400.
Espumante gaúcho é tão bom quanto e bem mais barato. Mas um juiz federal furtando mercadoria em supermercado e sendo flagrado em Blumenau? Isso não basta o afastamento. Acho que a própria publicação da notícia nos faz pensar: “Puxa, esse sujeito mora no mesmo país que eu, está submetido às mesmas leis que eu e é um juiz de direito. Ele deveria ser, justamente como juiz, o supremo exemplo de cumprimento das leis, da ética e da moral”.
Por isso eu digo: nossa crise é moral.
Veja o Supremo. Está lá a Constituição; eles são os guardiões da Constituição. A gente lê a Constituição e vê o que o juiz fez. Por exemplo, nessa questão das terras indígenas. Eu não sei se é o artigo 351 o número, mas está escrito que são indígenas as terras que eles ocupam. Ou seja, não é o que vierem a ocupar. São as terras que ocupavam no dia da promulgação da Constituição.
Mas estão mudando isso. Inclusive, o Congresso teve que fazer uma lei para evitar que o Supremo fingisse que não sabia tempo de verbo.
É incrível! E agora a gente tem essa questão desse juiz.
Eduardo Appio, o ex-titular da 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba
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Lulinha
E, por fim, o registro: terremoto lá no Tibete. Provavelmente foi isso que soltou a geleira e causou toda aquela tragédia.
Agora, vocês notaram como a mídia brasileira está usando isso para não falar do Lulinha?
É que agora estão anunciando que não encontraram nenhum dinheiro público no filme do Bolsonaro, o “Dark Horse”. Então só vai restar discutir Vorcaro em outros setores. Por ali, não vai dar.
Não sei se Flávio chamou Vorcaro de irmão para cobrar o patrocínio, mas é um patrocínio privado. Não tem nada de Lei Rouanet.
E aí temos o Lulinha: o Lula está sendo o lobista do filho, que é lobista, porque fala com o advogado do filho. Agora dizem que ele está recomendando que o diretor da Polícia Federal procure o ministro André Mendonça para conversar.
Tem jornal que não entendeu. Diz que Lula mandou fazer uma reunião entre André Mendonça e o diretor da Polícia Federal.
Será que algum jornalista acha que Lula manda em ministro do Supremo?
Para começar, isso é impossível, porque o artigo 2º da Constituição diz que os Poderes são harmônicos e independentes. Eu sei que o Supremo não liga muito para isso e se mete a legislar. Está fazendo até nova Constituição.