ALEXANDRE GARCIA

NAS ASAS DAS LINHAS AÉREAS VORCARO

toffoli moraes jatinhos vorcaro

Nos jatinhos de Vorcaro a mordomia certamente era garantida

Preparem-se os que usam avião, que fazem viagens por esse Brasil enorme, porque a passagem vai ficar mais cara. O querosene de aviação, o combustível dos jatos, vai subir 54,3% – em abril vem um primeiro aumento de 18%, depois virá o resto.

Isso, claro, para quem paga passagem aérea. Alguns não pagavam; agora, que estourou o escândalo do Master, já não sei. Estou falando dos que voavam no jatinho do Daniel Vorcaro. A Folha de S.Paulo denunciou em manchete de primeira página as viagens do casal Moraes nos jatinhos; no dia seguinte, foi a vez das viagens de Dias Toffoli, direto de Brasília para o resort Tayayá. Eles evitam o aeroporto internacional de Brasília para não serem vaiados; sabem que merecem vaia, já nem vão. Enquanto isso, Edson Fachin viaja normalmente de avião comercial, mesmo sendo presidente do Supremo, e não acontece nada.

Os ministros até poderiam usar os jatinhos da Força Aérea Brasileira, mas pelo jeito nem isso eles quiseram. Decerto acham chato, é muita disciplina, é só milico dentro do avião… Nos jatinhos do Vorcaro a mordomia é maior, deve ter até champanhe. Isso eles não vão encontrar num avião da FAB; terão água, pão, provavelmente um biscoito.

* * *

Não é só proximidade, é promiscuidade mesmo

Os voos estão todos registrados em Brasília; do lado esquerdo de quem vai para o aeroporto está o terminal de aviação executiva. A autoridade chega, e há o registro da hora em que chegou. Os dois ministros, certo dia, chegaram às 10 horas, e às 10h10 decolou um avião de Vorcaro. Como nenhum deles saiu do terminal depois, estavam ambos voando, obviamente.

O nome disso é promiscuidade, como aconteceu em Londres naquela degustação de uísque, como deve ter acontecido em Trancoso. Fala-se tanto das festas que Vorcaro promovia e filmava, guardando as imagens. Falam em 80 e tantos vídeos que ele gravou, e nove celulares com registros. Dali vão tirar os nomes, para orientar as perguntas caso Vorcaro faça uma delação.

* * *

A reputação ilibada se foi há tempos, mas eles seguem ministros do STF

O terrível nisso tudo é a nossa passividade diante da passividade do Supremo. O STF afunda como se estivesse em areia movediça. A resistência é fajuta. Eles acham graça e dizem que vão enfrentar tudo isso com um código de ética. Se lá no Supremo é preciso haver um código escrito, é porque esse código não está na medula das pessoas desde o berço. A Constituição é suprema, está acima dos ministros do Supremo e de nós todos, como a lei maior deste país, e ela exige reputação ilibada para ser ministro. É básico: quem não tem reputação ilibada nem deveria passar na sabatina do Senado. E quem perde a reputação ilibada depois de ter entrado no Supremo perde o principal atributo de um ministro do Supremo, além do notável conhecimento jurídico. E, se alguém perde o requisito para ser ministro do Supremo, por que continua lá?

ALEXANDRE GARCIA

RECORDANDO JOÃO PAULO II, O PAPA QUE MUDOU O MUNDO EM QUE VIVEMOS

joão paulo ii espanha

O papa João Paulo II durante visita à Espanha, em 1982

Este 2 de abril é Quinta-Feira Santa. E foi num 2 de abril, em 2005, que morreu um papa contemporâneo que está entre os maiores da Igreja Católica: João Paulo II, Karol Wojtyła. Ele foi ator antes de entrar no seminário, trabalhou em pedreira e em uma indústria química durante a ocupação nazista da Polônia, perdeu o pai (que era suboficial do exército) em 1941, e em 1964 já era arcebispo de Cracóvia. Wojtyła brilhou na Polônia defendendo sempre os direitos de liberdade e a democracia, foi eleito papa em 1978, morreu em 2005, aos 84 anos, e foi canonizado em 2014.

Em 1981, João Paulo II sofreu um atentado a tiros, cometido por um terrorista turco que depois lhe pediu perdão. Aquilo afetou sua saúde, mas ele ainda viajou muito. Em 1980, antes do atentado, veio ao Brasil, visitando 13 cidades em 12 dias. Eu acompanhei de perto essa visita, porque estava no Palácio do Planalto. O papa veio ao Brasil outras duas vezes, em 1991 e 1997. Eu lembro dos gritos lá em Porto Alegre: “Rei, rei, rei, o Papa é nosso rei”, “o papa é gaúcho”… Ele era de uma simpatia enorme, e o povo retribuía.

O mundo mudou graças ao papa. Foi um trio: João Paulo II, a britânica Margaret Thatcher e o presidente norte-americano Ronald Reagan. Eles acabaram com a União Soviética. E vejam que interessante: no dia seguinte ao Natal, 26 de dezembro de 1991, a força deles foi tamanha que a União Soviética acabou se dissolvendo. Hoje há uma guerra entre a matriz da União Soviética, que é Moscou, e um antigo Estado que integrava a URSS: Rússia e Ucrânia. Na verdade, a Ucrânia era o principal produtor de cereais e de bens da União Soviética. Ontem falei de Cuba, que virou uma “república democrática socialista” num 1.º de abril de 1961; não importa o que esteja no nome oficial: um regime socialista até hoje não tem como ser também democrático.

* * *

Lula tem cada vez mais motivos de apreensão

A preocupação de Lula anda muito grande neste ano eleitoral. Ele está meio desesperado; não encontrou um partido importante – como um PSD, por exemplo – para fazer o vice da chapa, e terá de repetir Geraldo Alckmin, que é do PSB. Ele também está muito preocupado com a rejeição mostrada nas pesquisas. A última pesquisa em São Paulo já mostra uma distância maior: cinco pontos percentuais de Flávio Bolsonaro sobre Lula no segundo turno, e uma rejeição a Lula que é de seis a sete pontos maior que a rejeição de Flávio. E agora ainda apareceu um tertius muito comentado, que é Ronaldo Caiado.

A eleição será em outubro, e nós já estamos em abril. Daqui a pouco vêm as convenções. A eleição vai mexer com este país e será decisiva para o futuro, porque o eleitor tem de aprender a votar – o leitor que me desculpe, mas um eleitor que reelege Dilma e depois elege Lula, depois de ele ter sido condenado por nove juízes, ainda precisa aprender. Recordemos que houve as condenações, houve o recurso à segunda instância, houve a revisão, houve o recurso para a terceira instância e, ainda assim, Lula foi condenado. Só depois foi descondenado, anularam tudo, porque estavam com medo de Jair Bolsonaro. Agora, Bolsonaro está em prisão domiciliar e ungiu o filho como seu representante. É o que temos neste ano eleitoral.

Dados da pesquisa mencionada na coluna: Pesquisa Atlas/Estadão feita com 2.254 eleitores de São Paulo, entre 24 e 27 de março, por recrutamento digital aleatório. Margem de erro: 2,2 pontos porcentuais. Nível de confiança: 95%. Registros: SP-00899/2026 e BR-01079/2026

ALEXANDRE GARCIA

SENADO E STF

Neste momento, em que se anuncia que Lula finalmente vai mandar a mensagem indicando Jorge Messias para o Supremo, é bom lembrarmos mais uma vez que o Senado tem sido responsável pela ida para o Supremo de gente sem notável saber jurídico e sem reputação ilibada. E também tem sido o responsável por não tirar ministros do Supremo quando aparecem evidências – evidência não é indício; evidência é aquilo que nem necessita ser demonstrado – de falta de reputação ilibada. Não vou nem falar de notável saber jurídico, porque isso ainda poderia ser discutível, mas o outro não é.

O Senado é responsável e, se o Senado não fizer as correções, está nas mãos dos eleitores fazer uma renovação imensa do Senado em outubro. Serão eleitos 54 senadores, dois terços da casa. É para resolvermos isso de uma forma ou de outra, porque é algo que precisa ser resolvido. O país não consegue mais andar nessa decadência moral de todas as formas.

* * *

STF liberou juízes para julgar ações de escritórios de parentes, mas agora quer Código de Ética

O presidente do Supremo, Edson Fachin, informou que a ministra Cármen Lúcia está elaborando um anteprojeto de Código de Ética. Como é irônico isso! Não faz muito tempo, em agosto de 2023, o Supremo decidiu que é inconstitucional o inciso VIII do artigo 144 do Código de Processo Civil, segundo o qual o juiz não pode julgar processos em que as partes sejam clientes de escritórios de cônjuges, filhos, primos, sobrinhos ou parentes até terceiro grau do juiz. A origem do pedido foi uma ação direta de inconstitucionalidade movida pela Associação Brasileira de Magistrados. Os juízes não queriam essa limitação, e por quê? Porque queriam julgar as ações dos escritórios de seus parentes.

O placar no STF foi 7 a 4. O relator era Fachin – o mesmo que agora está querendo o Código de Ética –, e ele defendeu a manutenção da lei. Gilmar Mendes abriu a divergência, defendeu que a restrição era inconstitucional. Ele foi seguido por Dias Toffoli, Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Nunes Marques, André Mendonça e Cristiano Zanin. Seguiram o relator – ficaram vencidos, portanto – Cármen Lúcia, Rosa Weber e Luís Roberto Barroso. Isso não é o enterro da ética, o enterro da moralidade exigida no artigo 37 da Constituição para todos os setores do serviço público?

E agora falam em Código de Ética… mas aquela já era uma exigência ética, moralizadora, derrubada por desejo da Associação de Magistrados Brasileiros e pela maioria do Supremo, legislando em causa própria. Pelo jeito não é só o Supremo que precisa de um Código de Ética, deveria ser para todo o Judiciário, porque pelo jeito a Lei Orgânica da Magistratura não está valendo muito. Vejam só em que estamos metidos… dá uma tristeza, porque eu vejo o que meu avô me ensinava sobre ética, e depois temos de ver isso aí.

* * *

A empresa de fachada do diretor do BC que ajudava Daniel Vorcaro

A Polícia Federal descobriu que o Banco Master pagava a Belline Santana, que era chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central e está afastado. Santana criou uma empresa com capital de R$ 5 mil chamada Inspiração Projetos Educacionais, para dar educação financeira a crianças. O endereço da empresa é uma residência em São Paulo e o telefone da empresa é uma apenas uma sucessão de noves. Leonardo Palhares, que trabalhava para Daniel Vorcaro, teria pago R$ 500 mil duas vezes a Santana. Um outro diretor do BC também está afastado: Paulo Sérgio Neves de Souza, da área de Fiscalização.

Eu fico pensando como é que um banquinho como o Master conseguiu um rombo inédito, que não houve nem nas quebras de bancos grandes como o Bamerindus: foram R$ 50 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito. Pois conseguiu assim, comprando gente. E ainda abalou um banco estatal, o BRB, aqui da capital do país, que agora está apelando ao Banco Central; não apresentou o balanço trimestral, que deveria ter apresentado nesta terça, e parece que já não havia apresentado o do trimestre anterior também. O que se diz por aqui é que o BRB não vai ser atendido nem pelo FGC. É preciso responsabilizar quem inventou isso. O governador Ibaneis Rocha deixou o governo no sábado porque quer ser candidato ao Senado, mas vai ter de se explicar. Ele já foi convidado, mas não vai à CPI do Crime Organizado. Ele está, como dizemos no Rio Grande do Sul, num mato sem cachorro.

ALEXANDRE GARCIA

APOSTAS ESTÃO FAZENDO UM ENORME ESTRAGO NO BOLSO DOS BRASILEIROS

Regulamentação bets

Mercado de jogos online movimenta bilhões de reais, porém custo social parece cada vez mais alto

Eu já falei aqui do absurdo discurso de Lula, em que ele culpou os endividados por suas dívidas. Já demonstrei que a culpa dos juros altos é do governo, que gasta demais, tem de botar papel no mercado para tomar dinheiro emprestado, e puxa o juro para cima, porque, se não oferecer bons juros, ninguém vai comprar os papéis do governo.

Agora vejo no Correio Braziliense uma pesquisa de duas entidades ligadas às finanças, FIA e Ibevar, mostrando que existem no Brasil quase 40 milhões de viciados em jogos de azar eletrônicos. A pressão das apostas sobre o orçamento é três vezes maior que a dos juros, e cinco vezes maior que a do crédito sobre renda. Nunca, nunca apostei nada na vida. Só apostei em mim, e ganhei sempre. É o melhor: você não joga dinheiro fora, não se vicia, investe, aposta em você mesmo e, quanto mais investe, mais consegue ampliar a renda.

* * *

Gleisi tenta iludir brasileiro sugerindo que Lula pode baixar juros do cartão na canetada

Em uma propaganda enganosa, a ministra Gleisi Hoffmann anunciou que Lula pediu um estudo sobre os juros do crédito rotativo do cartão de crédito, que estão muito altos. Ela quer iludir as pessoas, sugerindo que Lula está preocupado com os juros e que é capaz de baixá-los. A única maneira de Lula reduzir os juros é cortando gastos do governo – extinguindo ministérios desnecessários, por exemplo. Jair Bolsonaro tinha 22, Lula tem uns 39, e ninguém notou a diferença: não melhorou nada, só gastou mais, e o governo tira cada vez mais tributos da metade do Brasil que sustenta a outra metade e o governo.

Isso não vai dar certo. Em algum momento os pagadores vão se cansar de pagar. É o que diz a Curva de Laffer: quanto mais alto o imposto, mais se desestimula o pagador de impostos, até um ponto em que ou ele produz menos para pagar menos, ou ele para de pagar. O presidente da República não tem como interferir no mercado do dinheiro ou do crédito. É a mão invisível do mercado: se há maior demanda por dinheiro, por crédito, o dinheiro se valoriza, rendendo mais juros para quem empresta, e cobrando mais juros de quem toma emprestado.

* * *

Reitor confundiu palco com palanque e acabou vaiado

O reitor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte elogiou Lula e acabou vaiado. As pessoas até se retiraram do auditório do câmpus Zona Norte. Isso tudo aconteceu em uma cerimônia de formatura; o reitor resolveu confundir o palco com palanque, elogiou Lula, que “fez uma inflexão histórica” (seja lá o que for isso), citou Paulo Freire para dizer que “educação é ato político”.

Esse mesmo reitor já tinha dito, em outra ocasião, “sou de esquerda, sou progressista”. Mas um reitor tem de dizer “sou pelo ensino, sou pelos números, pela história, pelas humanas, pelas biológicas, pela biblioteca, pelo laboratório, pelas instalações imaculadas de uma universidade, mostrando que corações e mente também são imaculados. Isso é o que a gente tem de formar nas novas gerações”. Só que não. É deplorável o estado das instituições federais, com reitores como esse. Uns poucos aplaudiram, mas muitos se retiraram, ou vaiaram, porque não é isso que se espera de um reitor, de um magister, de alguém que se destaca e chega à reitoria de uma instituição de ensino superior.

ALEXANDRE GARCIA

SEM RELATÓRIO DA CPMI DO INSS, RESTA ESPERAR PELA DELAÇÃO DE VORCARO

CPMI do INSS

Relatório do deputado Alfredo Gaspar com mais de 4 mil páginas e que pede o indiciamento de 218 pessoas por participação no esquema não foi aprovado
Ícone de reação Penso diferente

Não foi aprovado o relatório da CPMI dos R$ 6, 5 bilhões tirados de aposentados e pensionistas do INSS. Recorreu-se ao Supremo, já que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre estava torcendo para acabar tudo. Alcolumbre não quer nenhuma investigação sobre o Banco Master. Eu não sei se conseguem fazer no Senado alguma coisa para substituir um presidente que está imobilizado pelo Master; não sei se está em pânico ou quê. Mas, enfim, não foi aprovado o relatório. Os que queriam a aprovação fizeram 12 votos e os outros 19.

Mas a gente sabe os nomes dos envolvidos. Estão lá: Lulinha, Lewandowski, o filho do Lewandowski, Toffoli, Moraes, a mulher do Moraes, Viviane, o Carlos Lupi, que já foi ministro da Previdência, o senador Weverton Rocha e, enfim, um monte de gente, outros menos conhecidos. Mas esses nomes estão agora e vieram à tona na comissão e na hora da delação premiada de Vorcaro ou de outros, os nomes estão ali. Quem for colher a delação premiada vai perguntar: “Qual é a sua relação com o filho de Lewandowski? Qual é a sua relação, senhor da Fictor, que também vai fazer delação premiada, e a sua relação com o Lulinha naquela consultoria?”. É isso que vai acontecer.

* * *

Os desdobramentos da prisão domiciliar de Bolsonaro

O Flávio Bolsonaro, que se inscreveu como advogado do pai dele, vai poder ir todos os dias visitar o pai por meia hora. Não pode mais do que isso, segundo o juiz que foi vítima, foi, de certa forma, promotor, foi julgador e agora é juiz de execuções criminais, Alexandre de Moraes. Os outros filhos não, só vão poder visitá-lo às quartas e sábados. Os outros filhos, à exceção de Eduardo, que está nos Estados Unidos e não pode vir ao Brasil, senão Moraes vai prendê-lo.

A respeito disso, houve uma imagem escandalosa de invasão de privacidade, inclusive da intimidade. A senhora Michelle estava de cócoras, numa posição que esticou a roupa, o ex-presidente da República brincando com os cachorros, e um drone filmou tudo e divulgaram. Estava proibido. A proibição de Moraes, que nunca foi juiz antes, gera essa confusão. Se fosse Fux, que é juiz de carreira, saberia o que fazer. Fez proibições pegando outras pessoas que não têm nada a ver.

Será que Bolsonaro seria punido com volta à prisão em regime fechado se alguém filmasse? Porque ficou essa dúvida do jeito que estava lá. Não pode filmar, não pode colher nenhum som de Bolsonaro, mas o sujeito vai lá com drone. Agora, Moraes reforça a proibição dizendo que drones não podem ir num raio de 100 metros. Eu nem sei se uma boa lente não pode dar um zoom a mais de 100 metros. Tem mais essa também, mas, enfim, aqui no Brasil está podendo tudo, inclusive tendo que fazer proibições recorrentes.

* * *

Vorcaro e as ligações com ministros do TCU

Tem uma investigação interessante sobre Vorcaro agora. Me chamou a atenção, pouca gente noticiou isso, que a polícia está investigando se houve pelos telefones algum contato de Vorcaro com algum ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Muito interessante isso, porque teve ministro do TCU agredindo o Banco Central, impondo coisas no Banco Central, e ficou uma coisa no ar.

* * *

“Os medos que vi na vida”

Eu queria concluir porque vi um artigo de um biólogo no Estadão de domingo. O biólogo é o Fernando Reinach, sobre os medos que ele viu na vida. Quando ele era menino, era medo de holocausto nuclear. Depois veio o medo da superpopulação. Eu lembro disso, do Clube de Roma nos anos 60: “Ah, nós vamos morrer de fome porque a população está crescendo muito e aí vai ser tantos bilhões de população, não vai ter água nem comida”. Depois veio o aquecimento global, que está falando principalmente sobre a mentira da fome. Depois, estamos ainda com essa história de aquecimento global. Eles estão meio envergonhados com isso.

Veio o coronavírus também, que foi explorado para dar pânico nas pessoas. Aí eu vi aqui que na Antártica — Antártica é o Polo Sul, é o continente do Polo Sul; lá no Polo Norte não tem continente nenhum, é o oceano gelado — furaram 523 metros de gelo e encontraram provas de que havia naquele mesmo lugar água líquida e não gelada, não sólida. Quando a água está gelada, ela está sólida; tem que degelar. Então o mundo já foi muito mais quente. Na verdade, o mundo esfriou e, como a gente sabe (acabei de falar em alimentação), o que derruba as colheitas é o frio e não o calor. O calor faz a semente brotar.

Só para registrar o agro, que é o esteio do Brasil: olha a queda aqui de quase 20% na produção de amendoim. No ano passado foi 1,3 milhão de toneladas, agora 1,1 milhão toneladas, geralmente dos estados do Sul.

ALEXANDRE GARCIA

O FESTIVAL DE INCOERÊNCIAS NO JULGAMENTO DA CPMI DO INSS

stf julgamento cpmi inss

Correria na CPMI do INSS, que investiga como 6,5 milhões de idosos foram roubados em R$ 6 bilhões por uma quadrilha para a qual prisão seria pouco. Pena que a correria ocorre porque tudo indica que a CPMI não será prorrogada. A maioria dos ministros do Supremo decidiu que o STF não pode impor uma prorrogação, que isso só pode ser feito se a maioria aprovar. E, como o que mais tem é gente querendo esconder e proteger (os governistas, por exemplo, querem proteger o Lulinha; outros que devem ter levado algo também querem esconder), a ordem é abafar tudo, contrariando o que diz a Constituição, que exige moralidade e publicidade no serviço público. Se o serviço é público, tem de ser público. E o público – você, eu, todo mundo – tem de ficar sabendo o que estão fazendo com o dinheiro dos nossos impostos.

Eu assisti à votação, cheia de ironias interessantes nos votos contrários a essa prorrogação. Os ministros dizem que os poderes são independentes, e que por isso eles não se podem meter no Legislativo. Mas não se metem o tempo todo? Um dia antes fizeram exatamente isso, legalizando penduricalhos. O ministro Flávio Dino chegou a dar um exemplo, dizendo que eles não podem exigir que o Executivo tenha um certo número de ministérios. Mas impedir que o presidente da República nomeie o diretor da Polícia Federal, isso pode? Porque já fizeram isso. Os ministros ainda disseram que não pode haver prorrogação indefinida. Mas sete anos de inquérito do fim do mundo, isso pode? O tamanho de um inquérito normal é de 60 dias, o das fake news está com sete anos. Disseram que é preciso seguir rigorosamente o devido processo legal. E por acaso ele foi seguido nos julgamentos do 8 de janeiro? Tem mais: falaram em “obedecer aos direitos fundamentais”. Foram obedecidos nas condenações coletivas, por atacado, em que nem sabiam o que a pessoa tinha feito? Tem manifestante condenado a 14 anos sem ninguém saber o que fez, sem uma única prova do que a pessoa fez.

E agora? A CPMI pode votar um relatório apressadamente, ou encontrar maioria para prorrogar. O Supremo não impediu a prorrogação, só decidiu que não pode obrigar.

* * *

Carla Zambelli ainda tem mais duas chances de evitar extradição

Os jornais já estão noticiando até que Carla Zambelli agora vai ser presa, que vai voltar para cumprir pena na prisão feminina em Brasília. Calma lá! Ela ainda tem 15 dias para recorrer à Corte de Cassação e, depois disso, quem dá a palavra final é o Poder Executivo, o Ministério da Justiça do governo de Giorgia Meloni. A versão que apurei é que, se Meloni e o ministro da Justiça ficarem em silêncio, não haverá extradição. Eles precisam ordenar que Zambelli seja enviada de volta ao Brasil. Aconteceu aqui com Cesare Battisti: o Supremo autorizou a extradição, mas o governo do PT não deixou. Foi Temer quem assinou a extradição, pouco antes de começar o governo Bolsonaro, mas Battisti fugiu e foi capturado na Bolívia.

* * *

Lula ensaia mais bondades para enganar o povo novamente

Lula está preocupadíssimo com as pesquisas. Viu Flávio Bolsonaro passar à frente dele nas simulações de segundo turno, e sua desaprovação está cada vez maior. Por isso, está inventando mais bondades, mais presentes em troca de votos. Nós criticamos Lula, mas ele é só a consequência. A causa são as pessoas que votam nele. Elas são a causa de não termos picanha, das promessas não cumpridas, de a corrupção e a bandidagem terem voltado com tudo. Os bandidos e os corruptos tinham medo de Bolsonaro; com Lula todo mundo já conhece, já sabe como é. Mas repito, a culpa não é de Lula. Lula é a consequência, e a causa são os que decidiram o voto.

ALEXANDRE GARCIA

STF SE RECUSA A DIZER QUEM ESTAVA COM TELEFONE QUE TROCOU MENSAGENS COM VORCARO

stf telefone vorcaro

Vorcaro trocou mensagens com telefone funcional do STF no dia em que foi preso; CPMI do INSS quer saber quem era o ministro que respondeu

No dia da primeira prisão de Daniel Vorcaro, ele mandou mensagens para um telefone do Supremo – é certo que o número era do STF, isso já foi esclarecido pela CPMI do INSS. E quem estava com aquele telefone do Supremo respondeu com um formato de mensagem típico de quem precisa esconder algo: mensagens de visualização única, que se apagam depois de serem lidas. Vorcaro perguntou se o dono do outro telefone “conseguiu bloquear”. O banqueiro ligou para esse número do STF desde cedo, quando soube pelo serviço de espionagem digital dele que seria preso. Passou o dia inteiro ligando, esperando que alguém bloqueasse sei lá o quê, e depois pegaria o jatinho para o Oriente Médio.

O presidente da CPMI fez um ofício, que eu vi, datado de 19 de março, para Desdêmona Arruda, diretora-geral do Supremo, perguntando quem está com esse telefone funcional do Supremo. O prazo dado pela CPMI já terminou, mas até agora não se tem notícia da resposta. Talvez ela tenha respondido e a informação está mantida em sigilo absoluto. Sempre lembro que no artigo 2.º da Constituição é o Legislativo que aparece como o mais importante dos três poderes, enquanto o Supremo vem em terceiro, porque não tem voto. É o Legislativo que representa o povo, e o povo é a origem do poder.

* * *

Escritório de advocacia de esposa de ministro do STJ entra na lista das movimentações “atípicas”

Falando de tribunais superiores, vocês se lembram do ministro do STJ Marco Buzzi, afastado depois de uma denúncia de assédio contra uma moça de 18 anos, no mar, em Balneário Camboriú. O Estadão publicou que o escritório da mulher dele, a advogada Katcha Buzzi, é reincidente em “movimentações atípicas” segundo o Coaf. A movimentação média normal do escritório – ela diz que já se desligou, mas a movimentação é de 2024 – era de R$ 58 mil por mês, mas em dezembro de 2024 foi de R$ 2,625 milhões. É mais um caso que nos faz pensar que essas tais “movimentações atípicas” (que eufemismo!) estão bem espalhadas no Judiciário.

* * *

Ex-presidente do BRB pegou R$ 1,8 milhão em empréstimos do banco que comandava

Quem também tem movimentação bancária estranha é Paulo Henrique Costa, que era o presidente do BRB quando o banco estatal do Distrito Federal iria comprar o Master. O governador Ibaneis Rocha mobilizou toda a bancada governista e conseguiu aprovar a compra, mas agora diz que a culpa da situação atual do BRB é da oposição; é claro que a oposição não tem nada com isso, ela estava contra a compra – mas vale tudo para tentar enganar as pessoas.

Agora ficamos sabendo que o então presidente do BRB, nomeado pelo governador, tinha tomado empréstimos pessoais no próprio banco que ele presidia, e está devendo R$ 1,78 milhão. Se fosse um banqueiro privado, dono do banco, ele poderia pegar dinheiro do seu banco e ninguém teria nada com isso. Mas o Banco de Brasília não é do seu presidente, embora ele tenha agido como se fosse o dono. Ele que tomasse dinheiro na Caixa Econômica Federal, ou em outra instituição; o único banco onde ele não poderia pegar dinheiro é o que ele está presidindo. É um banco público, e o presidente do banco é servidor do público.

* * *

Multa de R$ 500 mil a família mostra que ditadura sanitária segue firme

Uma família no Paraná foi condenada a pagar uma multa de meio milhão de reais por não ter vacinado os filhos contra a Covid. Vai passar fome se tiver de pagar isso tudo; já entraram na casa deles procurando bens para penhorar. O casal tem dois filhos, de 10 e 12 anos, que não tomaram aquela injeção que supostamente serve para evitar Covid, mas não evita o contágio e ainda tem efeitos colaterais graves, como está avisado na bula da Pfizer. Os pais preocupados devem ter lido a bula e pensado “não, meu filho não vai tomar”. E foram multados em R$ 300 por dia, mas, como a tal recusa vem de longe isso, a multa já está em R$ 500 mil. O Brasil é o único país do mundo que faz isso.

* * *

Lula foi batizar caça e conferir o que a Embraer anda criando

Lula batizou o primeiro caça Gripen produzido no Brasil. “Gripen” é grifo, são aquelas aves de rapina que estão, por exemplo, na Notre Dame de Paris. A negociação com a sueca Saab é para 36 caças, e 15 deles serão feitos aqui, em uma joint venture entre Saab e Embraer para fabricar esses aviões em Gavião Peixoto. O primeiro ficou pronto, Lula foi batizá-lo e também teve a chance de ver um carro voador feito no Brasil pela Embraer. Tem dez motores elétricos: oito para manter o veículo sustentado no ar, e dois para fazer a propulsão, ou a tração. Não sei quantos lugares tem, imagino que ele pode ser adaptado à necessidade. E já tem muitas encomendas

A subsidiária da Embraer que está fazendo esse veículo voador é a Eve Air Mobility. Tem nome estrangeiro para atingir o mundo todo. A Embraer, inclusive, botou um X no fim do nome da sua divisão de inovação: ficou EmbraerX, como já se quis fazer com a Petrobras, transformando em Petrobrax, mas não deu certo. Perderam a oportunidade de pegar o primeiro nome registrado do Brasil, “Braxil” com X, que aparece em uma carta náutica de 1424. Só para sabermos que Portugal apenas mandou Cabral para chantar os marcos, como aqueles em Touros e em Cananeia, para dizer “isso aqui é nosso, já descobrimos isso há muito tempo, está lá registrado no mapa”.

ALEXANDRE GARCIA

PRISÃO DOMICILIAR NÃO QUER DIZER QUE O ABUSO ACABOU

Jair Bolsonaro

O mesmo juiz que era vítima da tentativa de golpe, que relatou o inquérito e que julgou, é agora o executor da sentença e fez a bondade de dizer que Jair Bolsonaro pode ir para casa quando o hospital decidir que ele já pode ter alta. Ele saiu da UTI há pouco mais de 24 horas, está no quarto e vai para casa. Ficará sob observação por 90 dias, com visitas proibidas. Os filhos, se quiserem visitá-lo, têm de marcar dia e hora, não podem aparecer a qualquer momento, quando sentirem saudade do pai. Um dos filhos, Eduardo, nem recebeu autorização. Só poderão estar com Bolsonaro a mulher, Michelle; a filha do casal, Laura; e a enteada, Letícia. Os advogados também precisam de hora marcada, terão de passar pelo 19.º Batalhão e marcar a visita. Bolsonaro ainda terá de usar tornozeleira em casa. Continuam o exagero, o arbítrio e o ineditismo dos tratamentos dados a Bolsonaro, a Filipe Martins e ao ex-ministro da Justiça Anderson Torres, alguns dos “prisioneiros favoritos” de Moraes.

Enquanto isso, o povo espera de Moraes os esclarecimentos sobre aquele contrato de R$ 129 milhões, agora que a polícia está investigando mais celulares de Daniel Vorcaro, e agora que o ministro André Mendonça mandou – o prazo termina nesta quarta-feira – Davi Alcolumbre ler no Congresso a prorrogação, por mais quatro meses, das investigações do roubo dos velhinhos da Previdência.

* * *

Para governo, facções não são terroristas, e STF finge preocupação enquanto esquece a segurança jurídica

Lula assinou a Lei Antifacção. Estamos em um país onde bandidos tocam fogo em ônibus e automóveis, dominam municípios na Amazônia e áreas do Rio de Janeiro. O governo brasileiro se recusa a reconhecer que isso é narcoterrorismo, como quer o governo dos Estados Unidos. No fim, o governo dos Estados Unidos vai mesmo considerar as facções brasileiras como narcoterroristas.

Falando em facções, o presidente do Supremo, Edson Fachin, chamou no seu gabinete o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante; e o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para uma reunião sobre como combater o crime. Como se Fachin fosse ministro da Justiça e da Segurança Pública… Isso é muito estranho, soa como uma tentativa pueril, inocente e ingênua, de tentar dividir as atenções. Como se estivessem dizendo “a principal preocupação do brasileiro é a segurança, e o Supremo está se preocupando com a segurança”.

Sim, nós nos preocupamos com segurança, mas nós também queremos ter segurança jurídica. É disso que o Supremo tinha de tratar: segurança jurídica, seguindo ao pé da letra a Constituição da qual o Supremo é guardião. Então teríamos segurança: o direito de ir e vir, o direito à ampla defesa, a não existência de tribunal de exceção, o respeito ao juiz natural e ao devido processo legal, a proteção da liberdade de expressão… tudo isso está na Constituição e queremos ver cumprido, mas não foi. O inquérito do fim do mundo começou um período de sete anos de arbítrio.

* * *

Assessor é preso sacando R$ 2,7 milhões

Um assessor do deputado Vinícius Carvalho (PL-SP) foi preso na sexta-feira. O deputado diz que não tem nada a ver com isso e que demitiu o sujeito quando soube da prisão; mas Fernando José Palma Sampaio, advogado, ainda era assessor do deputado quando foi de São Paulo a Recife para sacar a bagatela de R$ 2,7 milhões. Procurem sacar R$ 10 mil e vocês verão a quantidade de notas. Pois o tal assessor sacou muito mais que isso; deve ter levado tudo num carrinho. Ele disse que havia ido a Recife para almoçar com um amigo – três amigos, aliás, foram presos também. Depois veio a audiência de custódia e foram todos soltos mundo foi solto.

É incrível como ainda viceja a corrupção, igual a anos atrás. Os políticos, pelo jeito, consideram que isso faz parte da natureza humana. Talvez seja até um direito humano. Enquanto isso, o Brasil tem um Ministério de Direitos Humanos que não mexeu uma palha sobre as injustiças cometidas contra os manifestantes do 8 de janeiro. Aqueles que quebraram e estragaram o patrimônio público têm de pagar, com isso todos concordam. Agora, dar 14 anos de prisão para quem pintou uma estátua com batom? Aí entram a raiva, o arbítrio, o ódio, a vingança, com o objetivo claro de impor o temor às pessoas. A pandemia foi a primeira experiência; como funcionou, passaram a aplicar para tudo, mas agora parece que os deuses mandaram Vorcaro para separar o joio do trigo.

ALEXANDRE GARCIA

CPMI DO INSS E INVESTIGAÇÕES DO MASTER ESTÃO PRORROGADAS

prorrogacao cpmi inss andre mendonça

André Mendonça prorrogou CPMI do INSS e investigação da PF sobre Banco Master

O ministro André Mendonça, relator da investigação sobre o desvio nas contas dos velhinhos da Previdência, atendeu o pedido da chefia da CPMI do INSS, que também investiga o roubo de R$ 6 bilhões dos idosos, para prorrogar a comissão, que se extinguiria no próximo dia 28. Mendonça, que está mostrando ser o melhor e o mais confiável no Supremo – as pesquisas indicam – também já havia prorrogado a investigação sobre o Banco Master por parte da Polícia Federal.

A CPMI vai durar mais quatro meses, terá tempo de apurar muita coisa ainda. Os parlamentares estão examinando até as coisas do Master, naquilo que tem relação com o esquema. Há até uma sala blindada onde se guarda o material, as fotos, os vídeos das festas que Daniel Vorcaro oferecia às sedentas autoridades que queriam se divertir. Está blindado lá, talvez até para não desfazer casamentos, mas os representados – nós, os eleitores – temos todo o direito de saber como se portam os nossos representantes.

* * *

Justiça volta a impedir uso de patrimônio do DF para socorrer BRB

Ainda sobre o Master, a Justiça impediu de novo que o governo do Distrito Federal use, para salvar o BRB, o banco estatal local, imóveis que são patrimônio público – no caso, uma área de proteção ambiental da Terracap, com 716 hectares e avaliada em R$ 2,3 bilhões. O juiz aprovou uma ação movida pela senadora Leila Barros e por parlamentares do Partido Verde. O governador Ibaneis Rocha reclamou da decisão da Justiça, dizendo que é “falta de compromisso com o BRB”. Que incrível! Foi ele quem mobilizou todo mundo para comprar o Master. É esse o “compromisso” dele com o BRB?

* * *

Penduricalhos são parte da triste tradição brasileira de mordomias

Estou há 50 anos em Brasília, e já vi de tudo aqui. As mordomias são uma espécie de moda, assim como as promessas de acabar com elas. Eu lembro que repórteres iam até a Península dos Ministros, onde moravam os ministros, mexer no lixo para ver se encontravam alguma coisa. Um dia, encontraram filé no lixo de Arnaldo Prieto, ministro do Trabalho no governo Ernesto Geisel. O filé estava estragado, foi para o lixo; denunciaram que o ministro estava comendo filé. Depois Collor se elegeu como “caçador de marajás”; Lula perdeu a eleição porque ironizou, falou em “maracujá”. Tivemos mensalão, petrolão, tem de tudo neste país, e não para nunca.

Agora temos a história dos penduricalhos. Juízes, promotores, defensores públicos, advogados públicos se mobilizando para não perder os penduricalhos. Segundo um levantamento, eles custam cerca de R$ 15 bilhões por ano, com remunerações além do limite que está na Constituição brasileira. Imaginem aqueles que trabalham no Judiciário e que não respeitam a Constituição: que moral têm para condenar alguém que está desrespeitando a lei infraconstitucional? É um enorme paradoxo. Mas isso vem de longe, é tradição brasileira. Eu me lembro que Jânio Quadros mandou escrever na porta dos veículos oficiais “uso exclusivo em serviço”: só podiam usar quando estavam trabalhando, e não para transportar família de ministro do Supremo em São Luís, por exemplo.

* * *

Boletim Focus mostra que preocupações com economia estão crescendo

O mais recente Boletim Focus, do Banco Central, mostrou as expectativas do mercado financeiro. A previsão de inflação para este ano está subindo, agora é de 4,17%; a meta é 3%. A estimativa para o PIB está inferior a 2%, é de 1,84%. E, pelo jeito que vão as coisas, pode piorar. Para o fim do ano, a projeção do mercado é Selic de 12,5% e dólar a R$ 5,40.

Há preocupações com o preço do diesel e até com desabastecimento, em relação à colheita em andamento de um grande produto, uma grande commodity agrícola, que é a soja. As colheitadeiras têm motores muito potentes que gastam muito diesel, mas o Brasil produz pouco diesel, depende muito da importação, embora o Brasil exporte petróleo. É uma questão de mercado. E até o fertilizante está mais caro com os problemas de navegação no Estreito de Ormuz.

ALEXANDRE GARCIA

COM PROVAS EM CELULARES, VORCARO NÃO PODERÁ OMITIR INFORMAÇÕES EM DELAÇÃO

Daniel Vorcaro

Banqueiro foi preso após decisão monocrática de André Mendonça por risco de obstrução às investigações

O assunto em todas as rodas é o que vai dizer Vorcaro. Ele vai ter que dizer tudo. Tudo o que a polícia está descobrindo nos celulares, tudo o que já sabemos, ele terá de confirmar. Não tem condições de omitir nada.

Por exemplo, se há uma mensagem apagada no dia em que ele foi preso pela primeira vez, cujo telefone é do Supremo, ele terá de dizer com quem falou e qual era o conteúdo da mensagem, que se apagou imediatamente depois de ser lida. A pessoa sabia que estava prestando serviços.

Vejam só: anotei aqui pessoas citadas — Ciro Nogueira, Antônio Rueda, Davi Alcolumbre, Rui Costa, Jaques Wagner e os dois do Banco Central. Ele (Vorcaro) terá de contar o que comprava quando colocou 35 milhões no Taiaçu do Toffoli e o que comprava quando fez um contrato de R$ 129 milhões com a família de Moraes. Isso é apenas uma pequena parte do que já sabemos.

Quem está controlando isso é o ministro André Mendonça, que é o relator.

Parece que foi o destino, Deus, a sorte ou a força das coisas certas que fez com que o caso chegasse às mãos dele, porque, enquanto estava com Toffoli — envolvido —, não podia avançar. Estava tudo blindado, parado há muito tempo. Agora, finalmente, andou e cada vez mais coisas aparecem.

* * *

Filhos de autoridades mantiveram relação com Master

Agora, estamos vendo no Estadão, além das histórias sobre a irmã e o filho do ministro Nunes Marques, também o filho de 26 anos de Arthur Lira, que abriu, no ano passado, uma empresa com capital de R$ 100 mil e já recebeu R$ 250 mil da J&F, segundo o COAF e conforme aparece na CPMI da Previdência (INSS).

Estamos vendo que houve uma grande distribuição de dinheiro por parte de grandes empresas que têm negócios e dependem de decisões de políticos ou de juízes. É preciso expor tudo isso, essa gente desonesta, como disse o próprio relator André Mendonça, na OAB do Rio de Janeiro, na sexta-feira. Ele afirmou que é preciso fazer o certo pelos motivos certos e que os advogados devem entender que o dinheiro é importante, mas mais importante é fazer a coisa certa, seguir os princípios que norteiam a ética e a vida das pessoas honestas.

Há o certo e o errado. Há o bem e o mal. E há pessoas que escolhem ficar do lado do mal.

Estamos esperando, para esta segunda-feira, o depoimento da namorada de Vorcaro, mas, teoricamente, seria muito mais importante um depoimento de dona Viviane, para explicar o porquê desse contrato. De todo modo, como ele está fazendo a delação, ele próprio deverá explicar o que esperava desse contrato e o que foi prestado por parte dele.

* * *

Aliados de Lula dialogavam com Vorcaro

O presidente da República disse que o “ovo da serpente” foi gerado no governo Bolsonaro. Não. Todo mundo sabe onde isso foi gerado: naquele Credcesta, com 250 mil cartões que cobravam 6% ao mês, empréstimos consignados em folha garantidos. Eu vi a exposição de Vorcaro em Nova York, em 15 de maio de 2024, mostrando o Credcesta como parte do Master, com governadores da Bahia apoiando.

Isso deu força para Jaques Wagner indicar Guido Mantega para receber 1 milhão por mês do Master e levar todos para Lula. O atual presidente do Banco Central, Mantega, Jaques Wagner, Vorcaro e Rui Costa estavam conversando — estava tudo muito bem alinhado.

* * *

Alvo da Lava Jato aparece em novo escândalo financeiro

O interessante é que há mais uma notícia na revista Piauí: outro banco pequeno ligado à Igreja Universal, do bispo Edir Macedo, que não está bem — o banco Digimais. O atual presidente do Digimais é Aldemir Bendine, que foi preso na Lava Jato. Ele foi presidente do Banco do Brasil e teria recebido R$ 3 milhões da Odebrecht — ou solicitado esse valor — quando presidia a Petrobras.

É algo impressionante. Parece estar na natureza dessas pessoas a inclinação para a corrupção. Não conhecem a diferença entre bem e mal, da qual falou o pastor e ministro André Mendonça outro dia.

É isso que temos pela frente. Isso é o que é gerado nas urnas. Nós geramos isso nas urnas como eleitores.

* * *

Nunes Marques e Mendonça darão o tom das eleições

Zema está se movimentando para se candidatar; Cláudio Castro, governador do Rio de Janeiro, também. Estão se preparando.

Para que se saiba, a partir de junho haverá três ministros do Supremo no Tribunal Superior Eleitoral. O presidente do TSE será Nunes Marques; o vice-presidente, André Mendonça; e o terceiro será Toffoli, se ainda estiver no Supremo. Além deles, há dois ministros do STJ e dois representantes da advocacia, dois juristas.

É assim que se compõe o TSE, que vem com a experiência recente que tivemos, em que uma campanha eleitoral era contida e a outra era liberada, para dizer o mínimo.