ALEXANDRE GARCIA

FIGURA PÚBLICA

Quando eu falo em figura pública, ou funcionário público, eu me refiro àqueles que estão sob a observação e fiscalização da origem do poder, que é o povo. Quando pagamos impostos, estamos bancando a folha de pagamento de toda essa gente, e merecemos respeito. Eles precisam estar sempre sob o escrutínio do povo, e por isso ficamos de olho em ministro do Supremo, em presidente da Câmara, em senador, por isso acompanhamos esses casos de gente que vende emendas, recebe dinheiro para isso.

O senador Renan Calheiros fez uma denúncia impressionante: Hugo Motta, presidente da Câmara, teria incluído um “jabuti” em um projeto de lei para permitir que fundos de previdência – que hoje estão todos com um rombo imenso – pudessem aportar no Banco Master. Calheiros ainda disse que a cunhada de Motta recebeu um empréstimo do Master no valor de R$ 140 milhões, que nunca foi cobrado. É muita corrupção, muita concussão – quando um funcionário público, em razão do seu cargo, pede alguma coisa direta ou indiretamente para si ou para outrem, um crime que dá até 12 anos de prisão.

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É triste vermos isso

Para vermos o tamanho do problema da corrupção, basta ver a história da delegada federal Valéria Vieira da Silva, que tinha sido afastada pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master. Ela está impedida de sair do país, não pode mais acessar os sistemas da Polícia Federal como ela fazia, usando sua senha, para olhar coisas como o inquérito do Master. Ela e o marido, o policial federal aposentado Francisco José da Silva, pegavam aquilo, sabe-se lá quanto recebiam por isso, e repassavam para aquela “turma”, o pessoal da pesada da máfia de Daniel Vorcaro. É triste vermos isso.

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Justiça está aliviando para casos grotescos de abuso de autoridade

E também há os que cometem abuso de autoridade. Fiquei muito chocado só de ler, mas acho que quem ficou chocada mesmo, para toda a vida, foi uma menininha de 4 anos. Falo de um episódio ocorrido em Cuiabá (MT), em 2022, com um policial civil, delegado de polícia, que se envolveu em uma briga de condomínio – uma senhora havia xingado um enteado dele, ou algo parecido. O delegado invadiu a casa dessa senhora sem mandado judicial, com dois policiais uniformizados, camuflados, de arma na mão; ele apontava a arma, dizendo que ia estourar a cabeça da mulher, e a criança ao lado vendo tudo. A mulher estava convalescendo de uma cirurgia, a menininha estava aos berros, foi chocante. O delegado acabou de ser condenado a 2 anos e meio em regime semiaberto, mais multa de 20 vezes meio salário mínimo da época em que ocorreu a invasão. E o juiz lavou as mãos como Pilatos, dizendo que, se houver algo a mais, Corregedoria da Polícia Civil é que vai resolver. Decisões assim não dão um bom exemplo contra abuso de autoridade.

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Quando não deixam o Brasil explorar suas riquezas, o país vai parando

Nesta segunda um espanhol me perguntou se o Brasil não gosta de si próprio, se o brasileiro não gosta do Brasil. Eu tenho dito que o brasileiro é masoquista, porque durante 15 anos os prefeitos de Lavras do Sul brigaram para a cidade poder explorar o que está ali, à flor da terra: os fosfatados necessários para fazer a combinação do NPK, a base do fertilizante. Nós importamos dois terços do fertilizante que consumimos, importamos da Rússia, da China, do Canadá, do Marrocos. Foram 15 anos brigando, e impediam a exploração por questões ambientais. Acho que somos loucos mesmo. Mas finalmente saiu a licença ambiental, houve até cerimônia no palácio do governo do Rio Grande do Sul. Se não aparecer nenhum Ministério Público aí para impedir, uma empresa chamada Águia Fertilizantes pode tirar até 300 mil toneladas anuais de fosfato. É um investimento de R$ 180 milhões; comparando com os R$ 140 milhões que o Master teria pago à cunhada de Hugo Motta, parece pouco até.

É por essas e por outras que a prévia do Banco Central está indicando um PIB amarrado. Nos últimos 12 meses, nós crescemos 1,8%. Agora, em março, houve queda de 0,8% nos serviços, 0,2% no agro, 0,2% na indústria. Esse é o nosso país.

ALEXANDRE GARCIA

POR QUE NÃO FAZEM UMA CPI PARA MOSTRAR TUDO?

Jair Bolsonaro, quando presidente, não pôde nomear o seu escolhido para chefe da Polícia Federal, Alexandre Ramagem. Foi proibido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e não nomeou. Fizeram um inquérito para apurar se o presidente interferia nas investigações do órgão. O inquérito achou zero. Tiraram o delegado, puseram outro para fazer outro inquérito. O segundo inquérito chegou ao mesmo resultado: Bolsonaro não interferiu em nada. Ponto.

E hoje, o que está acontecendo? Um delegado que prendeu o careca do INSS, que está investigando um roubo cruel e gigantesco de R$ 6 bilhões de aposentados e pensionistas idosos da Previdência, foi transferido para Minas Gerais sob a alegação de que ele estava com saudade das alterosas. O delegado se chama Guilherme Figueiredo Silva e estava também investigando o filho do presidente da República, o Fábio Luís, o Lulinha, e a suspeita de ser mediadora de tudo, Roberta Luchsinger.

O delegado perde o inquérito com um ano de investigação. Imagine tudo que já está armado na cabeça dele, avançando e sabendo de tudo? O deputado Carlos Gilberto (PL-PB) está pedindo à Procuradoria-Geral da República para saber o por quê. É preciso saber se não há interferência do presidente da República ou de alguém que quer agradá-lo e tira esse delegado que está investigando demais.

Não é um casinho qualquer. É um roubo cruel, crudelíssimo. Merecia, se tivesse pena de morte no Brasil, a pena máxima. Mas não tem.

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Caso Master avançando

Aí a gente pensa em outra coisa também: no Toffoli, quando era relator do Master, não andava. Passou para o André Mendonça e está essa correria. Até o pai do Vorcaro já está preso, que era o sujeito que administrava as turmas daquele bando mafioso, que tinha a turma que quebrava os dentes de um jornalista, se precisasse, e tinha os meninos que mexiam na internet para atacar o Banco Central e defender o Master.

Bom, falei disso sem falar no Flávio ainda, porque os assuntos vão amadurecendo. O Datafolha mostrou que ainda não afetou nada porque o áudio saiu na quarta-feira e a pesquisa recolheu informações na terça e na quarta. Está o Flávio empatado com o Lula em 45% no segundo turno. E é bom a gente lembrar que o eleitor brasileiro parece que não acompanha muito os fatos, engole sapos. Até um sapo barbudo já engoliu. Depois do Mensalão, ainda reelegeu o Lula. E depois ainda reelegeu Dilma, depois da maior catástrofe no PIB brasileiro.

Agora a mídia anti-Bolsonaro, que estava quieta porque Bolsonaro estava fora do baralho e o filho parecia que ia ser presidente, viu a oportunidade de enfraquecer a candidatura e ao mesmo tempo aquecer a bilheteria do filme.

O Flávio escorregou nessa fraterna amizade com Vorcaro. Na hora em que todo mundo já sabia, ele devia se afastar, mas não se afastou. Ele tem que ser “mulher de César”: não basta ser honesto, tem que parecer ser honesto. De todos os erros que ele cometeu, nenhum foi mais grave do que esses erros que a gente já conhece aí: de R$ 129 milhões, de mesada, de receber Vorcaro… Está tudo aí. Por que não fazem uma CPI para mostrar tudo transparentemente? Aí trata todo mundo por igual.

ALEXANDRE GARCIA

AO ACEITAR DINHEIRO, ACABA SE TORNANDO DEVEDOR

Eu falei em meu canal de YouTube sobre Flávio Bolsonaro e a prisão do pai de Daniel Vorcaro, mas gostaria de considerar com vocês os efeitos disso tudo. A esquerda está festejando e a direita está brigando – uma briga entre candidatos, como Romeu Zema e Ronaldo Caiado, que estão vendo a oportunidade de subir nas pesquisas. Muita gente pode estar decepcionada com Flávio, mas claro que não votará em Lula; vai esperar que venha Michelle, talvez, se Jair Bolsonaro assim decidir; teremos de esperar.

Aquela conversa entre os dois foi em 8 de setembro. Se Flávio tivesse divulgado o conteúdo no dia seguinte, ninguém nem entenderia, porque ainda não se falava em Vorcaro como se fala agora. No máximo, Vorcaro ainda era o grande patrocinador de eventos que reuniam ministros do Supremo, do STJ, da Advocacia-Geral da União, da Procuradoria-Geral da República, em Londres, em Lisboa, em Nova York, isso em abril, maio e junho. A conversa daquele áudio aconteceu em setembro. O problema é que os telefonemas continuaram até dias antes da prisão de Vorcaro. Na véspera, Flávio ainda disse para ele: “Meu irmão, eu estou com você, vou estar sempre com você”. Isso pega mal para a candidatura de Flávio e surpreende a direita, que ainda está procurando o que vai fazer.

O erro de Flávio foi pedir o favor, porque ele fica devendo. Vorcaro se torna credor de Flávio, assim como é credor de todos os que ele patrocinou: do contrato de R$ 129 milhões, dos aportes no Tayayá, dos aviõezinhos, dos jatinhos, das viagens, dos hotéis caríssimos, do patrocínio aos Gilmarpalooza e aos fóruns jurídicos em Londres e Nova York. Sendo ano eleitoral, isso vira notícia.

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Informações importantes não deveriam sair da PF, mas estão saindo

Outra questão é a prisão do pai de Vorcaro. Isso significa que o banqueiro, ou o pai, terão de fazer uma delação premiada e contar mais coisas. Se não contarem, a Polícia Federal vai descobrir. Isso que foi divulgado, por exemplo, foi descoberto pela PF, e o Intercept conseguiu isso de alguma forma dentro da PF. A operação de quinta-feira afastou a delegada federal Valéria Vieira Pereira da Silva, que tinha acesso a informações privilegiadas e as repassava ao grupo de Vorcaro. O marido, Francisco José Pereira da Silva, agente aposentado, também é investigado. Obviamente sabíamos que havia pessoas na Polícia Federal ou no Supremo com acesso à informação, porque existe aquele telefonema do “conseguiu bloquear?”, destinado a um telefone do Supremo e que apagava as mensagens depois.

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Lula agora compra voto com subsídio à gasolina

As despesas públicas e a dívida pública vão aumentar porque agora teremos subsídio à gasolina – desde março, já havia subsídio ao gás e ao diesel. A Petrobras não pode inventar ou segurar preços, porque tem acionistas, é empresa listada na Bolsa de Nova York e precisa se comportar com equilíbrio; se o preço internacional do petróleo sobe, por causa do Estreito de Ormuz, a Petrobras tem de seguir, do contrário prejudicará a si mesma e aos seus acionistas. Então, o governo vai subsidiar; serão quase 50 centavos por litro. Quando eu voltar ao Brasil e for abastecer meu carro, os impostos de todos me darão R$ 30 reais em subsídio, que eu deveria pagar pelo combustível.

Isso é compra de votos e populismo em ano eleitoral, como tantos outros atos praticados pelo presidente, candidato à reeleição. Por isso, muita gente acha que não deveria haver reeleição, pois o candidato usa seu poder para fazer propaganda política com o dinheiro do povo.

ALEXANDRE GARCIA

ATRÁS DE VOTO, GOVERNO ACABA COM TAXA DAS BLUSINHAS E ABANDONA INDÚSTRIA

Vocês se lembram de como o governo defendeu a indústria têxtil nacional para lançar a taxa das blusinhas? A taxa era necessária, diziam, porque 80% dos produtos do vestuário brasileiro são de valor inferior a US$ 50; então, o governo taxou em 20% as compras no exterior até esse valor. Mas, em ano eleitoral, Lula concluiu que os consumidores que compram as blusinhas são mais numerosos que os empresários que produzem o vestuário. Para pegar os votos deles, tomou a iniciativa de contrariar tudo o que havia dito: se antes ele estava defendendo a indústria nacional, agora ele defende o consumidor nacional e beneficia a indústria estrangeira, principalmente a chinesa.

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Inflação está chegando perto do teto da meta outra vez

A inflação acumulada dos últimos 12 meses está em 4,39% – são números oficiais, não é pesquisa de mercado. Está chegando perto do máximo admissível da meta de inflação: a meta é 3% ao ano, e a tolerância é de 1,5 ponto para cima ou para baixo. Em ano eleitoral, isso deve estar causando pesadelos no presidente. Mas foi ele quem provocou isso com sua mania de gastar, de criar ministérios, criando pressão inflacionária, que desvaloriza o dinheiro de todos. E, já que o governo não arrecada o suficiente para pagar tanta despesa, o governo tem de lançar papéis no mercado e pagar juros altos por eles.

Pobre do Banco Central – felizmente independente, do contrário ainda seria manipulado politicamente pelo governo –, que tem de controlar isso, pois é sua obrigação garantir a higidez e a saúde da moeda e do crédito, porque, se a moeda se desvalorizar, se desvaloriza no nosso bolso. Recebemos 100 no início do mês, e no fim do mês estamos com 98. Alguém levou.

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Alguém vai se desculpar com os jovens que tiveram os nomes publicados no caso do cão Orelha?

Surpreendeu a reviravolta no caso do cão Orelha. De repente, o Ministério Público mandou arquivar tudo. O cachorro morreu de morte natural – mais exatamente, de uma osteomielite maxilar, segundo a autópsia veterinária do cão. O exame das câmeras na praia mostrou que, na verdade, os jovens e o cachorro estavam distanciados em 40 minutos e em 600 metros. Mas agora o nome dos jovens suspeitos já é público, um deles até foi mandado pelos pais para os Estados Unidos, por causa da pressão.

Isso me faz perguntar: será que aconteceu o mesmo que ocorreu em São Paulo nos anos 90, com a Escola Base, e com o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina? Um delegado – que inclusive é pré-candidato a deputado – lança a história, divulga os nomes, e as pessoas já são condenadas. Eu fico muito preocupado com isso. Aliás, toquei nesse assunto outro dia em uma grande entrevista que concedi para um documentário que está sendo feito sobre o jornalismo, a mídia, a verdade e as pessoas que são denunciadas por coisas que não cometeram.

ALEXANDRE GARCIA

BRASIL TEM DE SE MEXER PARA GARANTIR VENDA DE CARNE PARA A EUROPA

A agência Lusa, aqui em Portugal, noticiou algo que pode afetar muito o Brasil inteiro, a começar pelo agronegócio: uma proibição, com bases sanitárias, da compra de produtos brasileiros de origem animal, incluindo ovos e mel, em toda a União Europeia. O Piauí, por exemplo, é um grande produtor de mel, e pode sentir os efeitos a partir de setembro, quando a medida entra em vigor. Estão alegando exigências sanitárias para evitar contaminação; parece que nesta quarta-feira o Brasil já vai tentar reuniões com autoridades europeias da área da certificação de saúde animal.

Isso é muito sério porque o mercado brasileiro anual desses produtos está em quase US$ 2 bilhões. Eu vejo, por exemplo, nos restaurantes que servem carne aqui em Portugal, a propaganda da carne argentina e da carne uruguaia. Provavelmente, nos restaurantes que se anunciam como “churrascaria brasileira” ou “rodízio brasileiro”, a carne venha do Brasil. Mas ela não poderá mais chegar aqui a partir de setembro se o governo brasileiro, que foi surpreendido por essa medida, não se acertar no lado sanitário.

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Rússia testa novo míssil e assusta o mundo

Os países europeus estão todos à mercê das armas nucleares da Rússia, que investe na intimidação para o equilíbrio de forças no mundo. A Rússia está agora terminando os testes de um míssil que tem um alcance de 35 mil quilômetros. Como aprendemos na escola, uma volta à Terra pelo Equador tem 40 mil km, ou seja: esse míssil, que não vai circular a Terra por cima do Equador, pode atingir qualquer parte do mundo. A Otan está chamando esse míssil de “Satanás 2”; os russos o chamam de Sarmat. O que é isso? É Vladimir Putin se sentindo enfraquecido. Ele está há 26 anos no poder, pensou que fosse dobrar a Ucrânia em poucos meses ou em semanas, mas não conseguiu nada disso. Os ucranianos enfraqueceram as forças russas e o moral russo. Então, Putin surge com uma arma para assustar a Europa e o mundo.

Conversei nesta terça-feira com amigos portugueses, mais novos que eu, sobre armas e o poderio da China e dos Estados Unidos. Eu disse a eles que sempre foi assim. Os erros dos políticos, que flertaram com a guerra, resultaram na Grande Guerra, que depois passou a se chamar Primeira Guerra Mundial porque veio a Segunda Guerra Mundial – novamente causada por erros de gente como Chamberlain e Daladier, que acreditaram em Von Ribbentropp e nas garantias de que a Alemanha não invadiria nada. “Ganhamos a paz”, disseram, e em setembro de 1939 a Alemanha invadiu a Polônia e iniciou a Segunda Guerra Mundial. Assim foi com os franceses e os norte-americanos no Vietnã, com a guerra Irã-Iraque. Essas guerras são muito boas para a indústria bélica, mas nunca para a população, nem para os soldados. E é a população que fornece seus filhos para as guerras.

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Mesmo territorialmente longe das guerras, o Brasil sofre os efeitos

Aqui na Europa as pessoas se sentem mais próximas do perigo. No Brasil há um Oceano Atlântico a nos separar da Europa, ou, no caso de guerras na Ásia, um Oceano Pacífico, que fica mais longe ainda, do outro lado da América do Sul. Somos um país pacífico, mas temos de estar atentos às consequências econômicas das guerras, por exemplo no preço do petróleo. Enchi o tanque e paguei bem mais que no ano passado. Como estou perto da fronteira com a Espanha, já me aconselharam que por lá o combustível ainda está mais barato, porque estão segurando o preço. O mundo está todo interligado; o que acontece nas montanhas do Irã acaba, de um jeito ou de outro, batendo na Petrobras e nos postos de combustíveis no Brasil.

ALEXANDRE GARCIA

MINISTRO AJUDA A POLITIZAR CASO DA YPÊ

Quando eu soube da história da Ypê, que teve produtos recolhidos por ordem da Anvisa devido a uma bactéria, a primeira coisa que me ocorreu foi perguntar: desinfetante com bactéria? Isso é um paradoxo; desinfetante existe justamente para matar bactéria, como é que vai haver uma bactéria nadando lá no desinfetante? Ficamos pensando em sabotagem, qualquer coisa. Os produtos da empresa sediada em Amparo foram proibidos, mas depois a empresa conseguiu suspender a proibição.

A Ypê é um dos maiores fabricantes de desinfetantes, lava-louças e lava-roupas. Como os donos da empresa contribuíram para a campanha de Jair Bolsonaro em 2022, já se politizou tudo. Já imaginam que a Anvisa estaria dando um aviso para a próxima campanha eleitoral: “se patrocinar campanha de gente oposta a nós, vamos perseguir”. É o que ficou no ar.

Estão politizando tudo no Brasil. A Anvisa disse que vai rever o caso. Mas para isso terão de trocar a equipe, e aí vai ser necessário um exame para saber se a equipe é isenta. Mas a razão pela qual eu trouxe esse caso aqui é que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também entrou na discussão.

Padilha, vocês se lembram, está sem visto para os Estados Unidos por causa do tráfico de escravos, os supostos médicos cubanos, que recebiam uma parcela mínima do salário enquanto o resto ia para a ditadura cubana, com a anuência, a concordância e provavelmente o estímulo do Brasil. O mesmo Brasil que recomendou à Odebrecht dar propina para a mulher do presidente do Peru, que hoje está abrigada em São Paulo – não sei quem está pagando, se somos nós ou não. O mesmo governo que patrocinou o Porto de Mariel, em Cuba, e obras e túneis lá na Venezuela. Governo que faz favores a ditaduras amigas – mas não podemos dizer que Lula é amigo do ditador; a Justiça proibiu, revogando a parte da Constituição que garante, no artigo 220, a liberdade de informação. Mas estou divagando.

Voltando ao ministro Alexandre Padilha, ele resolveu defender a Anvisa, dizendo que o caso da Ypê foi politizado na internet, que é uma barbaridade, que é desinformação. Mas a Anvisa é uma agência independente, ela não é vinculada ao Ministério da Saúde. Então, quando o ministro da Saúde vem a público defender a Anvisa e acusar a politização desse caso, é ele quem está politizando, tomando uma atitude política, ao assumir um assunto que é de uma agência independente.

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Deputado estadual petista corre risco de cassação por briga com manobrista

Vocês se lembram de Renato Freitas? Ele, quando era vereador em Curitiba, invadiu a igreja de Nossa Senhora do Rosário. Foi um sacrilégio. Ele foi cassado pela Câmara de Vereadores, mas o Supremo, novamente intervindo e interferindo no Poder Legislativo, anulou a cassação. Depois, ele se elegeu deputado estadual. E agora está correndo risco de ser cassado de novo, desta vez porque andou a socos e pontapés com um manobrista. Há também um outro pedido por causa de um protesto em um supermercado de Curitiba. A Comissão de Ética decidiu pela cassação por falta de decoro. Agora, o caso vai para a Comissão de Constituição e Justiça e, depois, para o plenário da Assembleia Legislativa.

Sempre digo que quem faz as leis e fiscaliza o governo tem de ser exemplo de decoro. Freitas é pré-candidato a deputado federal. Eu sei que falta muito decoro e muita conduta na política brasileira, mas espero que os eleitores, em outubro, façam uma filtragem e não deixem entrar (ou permanecer) gente de conduta indecorosa no Legislativo federal.

ALEXANDRE GARCIA

AS PESSOAS TÊM O DIREITO DE NÃO TRABALHAR E SEREM SUSTENTADAS PELO ESTADO?

Nove estados têm mais beneficiários do Bolsa Família do que CLTs

Nove estados brasileiro têm mais beneficiários do Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada

Uma ex-ministra, ex-deputada federal, Flávia Perez, antes Flávia Arruda, que era a primeira-dama de Brasília, casada com o governador José Roberto Arruda: vejam o drama dessa mulher. Flávia se casou com o CEO do Master, Augusto Lima, que depois foi preso lá na Bahia. Nesse meio tempo, o pai dela foi diagnosticado com leucemia e morreu imediatamente. E agora o irmão dela, o Fábio Perez, está envolvido no caso do BRB, e também foi preso. Imagino o que ela deva estar passando.

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Encontro entre presidentes

Teve gente que não gostou da avaliação que eu fiz do encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump. Eu pergunto se o Trump desmentiu alguma coisa que o Lula falou na entrevista, no relatório que ele prestou lá na embaixada? Não estou falando dos ministros, que fizeram uma louvação sabugenta – ministro é um mero auxiliar do presidente da República.

Aliás, acho horroroso que alguém abandone milhares de eleitores para ser ministro. Eu não entendo isso. Um deputado é muito mais que ministro; um senador, muito mais ainda. E o sujeito quer ser empregadinho do presidente da República. Incrível. Ele simplesmente abandona os seus eleitores.

Ele recebe uma procuração para fazer uma coisa em favor de seus eleitores. Prometeu: “Olha, vou representar vocês”. E não representa mais. Vai trabalhar para o presidente da República e fazer discursinho para elogiar o presidente. Mas o Trump não reclamou de nada.

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Reembolso na AGU

Mudando de assunto, queria saber como se sentem os advogados da União. Advogados da União são pessoas que estavam furiosas comigo porque eu elogiei o que o prefeito Diogo Siqueira, lá de Bento Gonçalves, estava fazendo para resolver a questão do Bolsa Família. Reduziu 40% do Bolsa Família lá.

A Advocacia-Geral da União agora aparece nos jornais, inclusive nos editoriais e nos artigos, com uma vergonhosa inclusão de parentes afins para receber reembolso de tudo: inclusive academia, médico, dentista. Pode ser o sogro, o cunhado. Meu Deus do céu! O que estão pensando que é o imposto de quem paga imposto? Estão pensando o quê? Que são donos do mundo? Não, são empregados do povo! Porque, se são empregados do governo, são empregados do povo. Porque o governo está a serviço do povo. O Estado é uma instituição feita para servir à origem do poder, que é o povo. É de envergonhar.

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“Direito de não trabalhar”

Eu comentei essa questão do Diogo Siqueira, o prefeito de Bento Gonçalves, que mandou seu pessoal da área social visitar cada família que recebia Bolsa Família e saber se está todo mundo apto ao trabalho, se tem higidez física para trabalhar e se quer trabalhar. Querendo trabalhar, tem aqui um emprego.

A Advocacia veio me falar: “Não, mas as pessoas têm o direito de não trabalhar”. E eu respondi: têm, sim, desde que não seja com direitos sustentados pelo trabalho alheio, porque o Bolsa Família é pago pelo trabalho dos que trabalham e pagam imposto.

A Gazeta do Povo publicou uma reportagem sobre as consequências da obra do prefeito Diogo Siqueira. Mil cento e quatro pessoas que ganhavam Bolsa Família decidiram trabalhar e não ganhar mais o Bolsa Família. Lá no município de Bento Gonçalves tinha 2.115 famílias; agora tem 1.266 dependentes do Bolsa Família. O mais justo programa social se chama trabalho – trabalho e sua consequência, renda.

ALEXANDRE GARCIA

PILILI É UM DESASTRE DE COMUNICAÇÃO DE R$ 6 MILHÕES

pilili

Na última segunda-feira, o TSE lançou a mascote Pilili. Ao lado, a ministra Cármen Lúcia, a mesma que falou em censura “até as eleições” e criticou “200 milhões de tiranos” nas redes

Não sabia quanto tinha custado aquela criação da Justiça Eleitoral, o Pilili – quer dizer, a Pilili, porque é uma urna. A ministra Cármen Lúcia pode até dizer que não tem gênero, que é neutro, mas neutro não existe na língua portuguesa, que é o idioma oficial do Brasil segundo o artigo 13 da Constituição, que a ministra tem de respeitar. Ou é a Pilili ou é o Pilili, não tem neutro, não temos o “it” do inglês. E ainda assim o inglês chama navio de “she”.

Mas, voltando ao custo, a agência contratada para fazer a publicidade do TSE recebeu R$ 6 milhões. O TSE vende o quê? Vende voto, vende urna, vende eleição? Para quê um contrato de propaganda? Durante décadas e décadas, nunca vi a Justiça Eleitoral ou o governo fazer propaganda de si próprio. Governo não vende sabonete; governo “vende” serviços ou obras. E, quando oferece bons serviços e boas obras, nem precisa fazer propaganda, porque as ações do governo já falam por si, são a melhor propaganda.

Dizem que é a “propaganda da democracia”, mas é o contrário. Se isso é o símbolo da democracia, estão achando que a cidadania é um bando de bebês chorões, de crianças, porque aquilo ali está mais para Zé Gotinha. É algo feito para meninos e meninas de 5 ou 6 anos, que não votam. Cármen Lúcia diz que se dirige aos que vão votar aos 16. Mas todo mundo sabe que quem está no fim da adolescência detesta ser tratado como criança, quer ser adulto.

A Justiça Eleitoral tinha de se preocupar com a baixa confiança nas urnas, 53% em uma pesquisa Quaest de fevereiro. Essa Pilili – parece o Cebolinha dizendo que está com diarreia – é um desastre de comunicação de R$ 6 milhões, que saíram de onde mesmo? De Taiwan, de Marte? Não: foi do seu trabalho. E às vezes você nem nota, porque pode não pagar tanto imposto direto, mas paga em tudo o que consome. Algo que custaria R$ 50 sai por R$ 70 porque você teve de deixar R$ 20 para o governo. É assim que as coisas funcionam, e na hora de votar você tem de saber escolher uma pessoa que vai gastar bem o seu dinheiro em bons serviços públicos de segurança, saúde, ensino.

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Depois das brigas, Lula e Trump ensaiam aproximação

Lula e Donald Trump estão em uma fase de abertura. Lula fez questão de repetir várias vezes na entrevista que deseja recuperar a parceria histórica e a amizade entre Brasil e Estados Unidos. Somos do mesmo continente, do mesmo mundo ocidental, compartilhamos dos mesmos valores judaico-cristãos. E temos uma história de parceria. Os norte-americanos foram os primeiros a reconhecer os nossos sistemas de governo. Estivemos juntos tanto na Primeira quanto na Segunda Guerra Mundial – na Primeira, mandamos um bom contingente de médicos e enfermeiras e alguns poucos oficiais; na Segunda Guerra, enviamos a Força Expedicionária Brasileira e o Grupo de Aviação de Caça, e deixamos quase 500 brasileiros que entregaram a vida pela libertação da Europa do jugo nazifascista.

Neste 8 de maio, comemora-se a vitória aliada na Europa; o último a assinar a rendição pelos alemães foi o marechal-de-campo Wilhelm Keitel — o general Alfred Jodl havia assinado na véspera. O terceiro escalão de brasileiros da FEB, acho que com 1,6 mil combatentes, desfilou em Lisboa (de onde eu falo agora), a pedido de António Salazar e com o aval de Eurico Dutra, ministro brasileiro da Guerra, e depois presidente da República. Nós desfilamos na Avenida da Liberdade, com todo o significado que isso tem. O interessante é que desfilamos diante de um ditador, e no Brasil também havia um ditador semelhante, Getúlio Vargas, que foi derrubado logo depois, muito por causa do que havia ocorrido na Europa: como tínhamos derrotado ditaduras na Europa, não fazia sentido ter uma ditadura no Brasil.

ALEXANDRE GARCIA

COMO É QUE AINDA NOS DEIXAMOS ENGANAR PELOS PROGRAMAS ELEITOREIROS?

lula desenrola

O presidente Lula discursa no lançamento do novo Desenrola

Eu tenho falado aqui sobre esse Desenrola, e os números mostram como a situação piorou. Hoje, há 82,3 milhões de brasileiros endividados; isso equivale a 49% dos brasileiros adultos. É muita gente! E então, quando chega a época da eleição, Lula vem com esses programas. Quando lançou o primeiro Desenrola, os endividados eram 15 milhões. Como a renegociação facilita, as pessoas se endividam mais. Mas eu não imaginava que o salto fosse tão grande. Pensei que o número de endividados havia dobrado, mas não: mais que quintuplicou, quase sextuplicou. O programa abrange quem ganha até R$ 8.105 por mês, e a dívida média é de R$ 6,3 mil – mesmo assim, é dívida que não está sendo paga.

E falam em usar dinheiro do Fundo de Garantia. Mas o FGTS é para comprar o que chamamos “bem de raiz”. A pessoa usa o FGTS se ficar doente, ou se aposentar, precisar do dinheiro, não tiver mais renda, ou para comprar um imóvel, um bem de raiz que não vai se deteriorar – pelo contrário, em geral vai se valorizar. Agora, usar para pagar dívidas? Isso se chama volatização do Fundo de Garantia. É mais uma das muitas irresponsabilidades do governo, que vão se somando por causa das medidas eleitoreiras, demagógicas e populistas. Nós conhecemos essa história há quase 30 anos, mas continuamos insistindo. Será que não usamos o cérebro que Deus e a natureza nos deram, para pensar a respeito? Estamos sendo enganados; não somos gente, somos cordeirinhos conduzidos.

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Alguém vai bancar o Desenrola; você imagina quem é?

Também não sabia que, além do Fundo Garantidor de Crédito – aquele que vai ter R$ 50 bilhões de prejuízo com Daniel Vorcaro –, existe um outro, o Fundo de Garantia de Operações, que deve ser usado no novo Desenrola. É claro que você sabe de onde vêm esses fundos. Não é de Marte, nem de Taiwan. Vêm das pessoas que investem no mercado financeiro. Sempre se retira um pouquinho para bancar esses fundos garantidores. Alguém sempre vai pagar o almoço, porque não existe almoço grátis.

Isso tudo deveria nos mostrar a importância de administrar a nossa vida financeira. Eu vejo tanta gente devendo e lembro do meu avô, que sempre me ensinou: não dê o passo maior que as pernas, porque senão rasga as calças. Há momentos em que talvez seja necessário fazer uma dívida, mas o ideal é a emprestarmos dinheiro para o banco; o banco empresta para os outros e nos paga juros. Viramos sócios do banco – mesmo que um sócio menor, já que o banco sempre fica com a melhor parte.

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Deputado petista segura pedidos de informação na Câmara

O editorial do Estadão, um dos mais importantes jornais do país, está falando de um deputado do PT que faz parte da Mesa Diretora da Câmara como primeiro-secretário: Carlos Veras. O jornal fez um levantamento e apurou que, de 1 mil pedidos de informações sobre coisas do governo – incluindo o escândalo do Master – feitos por deputados, 600 estão parados na gaveta dele. E o Estadão pergunta no editorial: sem informação, como haverá fiscalização? Isso é uma espécie de censura, uma blindagem ilegal, porque o artigo 37 da Constituição menciona a publicidade como um dos princípios do serviço público. Tudo é público, e a fonte do poder e do dinheiro tem todo o direito de saber o que estão fazendo com o dinheiro e com o poder.

ALEXANDRE GARCIA

O NOVO DESENROLA INCENTIVA A CULTURA DO “RESOLVE DEPOIS”

Lula, na cerimônia de assinatura da Medida Provisória referente ao Novo Desenrola Brasil

Bom dia.

Vejo muitos órgãos de informação dando ampla cobertura ao “Desenrola”. Na verdade, o programa tem uma essência negativa, porque estimula o endividamento. Dirão: “Ah, está oferecendo crédito, está ajudando a resolver”. Sim, mas o primeiro Desenrola, lançado às vésperas da eleição anterior — portanto, com caráter eleitoreiro, na eleição municipal de 2024 —, já lidava com 15 milhões de endividados. Agora, esse número mais que dobrou. Por quê? Porque se oferece crédito fácil e, depois, tenta-se resolver o problema.

É isso que vemos no país: facilita-se no início, e a situação piora depois. Quando se solta um condenado, o crime piora; a corrupção também, porque se transmite a ideia de que alguém pode cometer diversos crimes, ser condenado em várias instâncias e, ainda assim, ser solto. A mensagem que fica é: “Vamos fazer de novo”. Enquanto isso, retiram-se bilhões dos aposentados da Previdência, e o Poder Judiciário acaba aceitando situações questionáveis, como se tudo fosse simples.

Os juros são altos por causa dos gastos do governo. Isso é amplamente conhecido: o governo precisa tomar dinheiro emprestado no mercado, emitir títulos e pagar juros. Sendo o principal devedor — com uma dívida que supera os 10 trilhões de reais —, o Estado brasileiro pesa diretamente na definição das taxas. Ainda que o Banco Central faça um grande esforço para controlar o crédito e a inflação, esta deve ultrapassar o teto da meta neste ano.

É o resultado de um governo que gasta demais e, ao mesmo tempo, estimula excessos. Não existe almoço grátis. A riqueza não surge do nada. A geração de renda depende da combinação de natureza, capital, trabalho e tecnologia. Não há outro caminho. A normalidade está na economia de mercado, nas leis de oferta e demanda, nessa “mão invisível” que regula a produção e o consumo de bens e serviços.

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Perseguição contra famílias

Há ainda outra questão, que já mencionei e volto a destacar, por me tocar particularmente: conheço muitas famílias que educam seus filhos em casa, com excelentes resultados. Além disso, as crianças ficam menos expostas a influências externas indesejadas. No entanto, em Jales, um juiz condenou um casal — pais de duas meninas — porque elas não frequentam a escola. Estudam em casa, com a mãe e duas professoras, apresentando alto rendimento.

O ponto levantado foi o fato de as meninas não gostarem de funk, o que o juiz considerou discriminatório. O Ministério Público pediu a absolvição dos pais, mas, ainda assim, eles foram condenados a 50 dias em regime semiaberto. A pena pode ser suspensa caso matriculem as filhas na escola, mas ainda terão de prestar serviços à comunidade. Trata-se de uma decisão que provavelmente será revertida em segunda instância, por carecer de fundamento razoável. Há, ao que parece, um viés ideológico nesse caso.

Vale lembrar que o ensino domiciliar, ou “homeschooling”, já foi aprovado na Câmara dos Deputados em 2022 e agora está em análise no Senado. É hora de pressionar para que o projeto avance.

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Astronauta ausente

Também comentei sobre o chamado “senador astronauta”, que explicou por que não votou. Ele afirmou que estava presente, mas optou por não votar para não favorecer a indicação de Messias, que precisava de maioria simples. Ao se abster, contribuiu para que o resultado esperado não fosse alcançado. Trata-se de uma estratégia pouco compreendida, o que gerou cobranças.

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Lula, Trump e Leão XIV

Para encerrar, há a questão envolvendo PCC, Lula e Trump. Lula viaja nesta quinta-feira para Washington, onde se encontrará com Trump, que deve cobrá-lo sobre esse tema. O presidente brasileiro busca algum tipo de acordo no combate ao narcoterrorismo.

Chega-se a questionar se haveria intenção de proteger facções como o Comando Vermelho ou o Primeiro Comando da Capital, o que não parece plausível de forma tão explícita. Outro ponto curioso é que Marco Rubio não deve participar da reunião, pois será recebido pelo Papa, no Vaticano, no mesmo dia.

O Papa Leão, de origem americana e com experiência missionária no Peru, fala também espanhol. Fica a curiosidade sobre o idioma da conversa. Na véspera do encontro, Trump voltou a criticar o Papa, sugerindo que ele não se oporia ao Irã possuir armas nucleares. No entanto, o Papa nunca afirmou isso. Sua posição é pela paz. Trump interpreta que buscar diálogo com o Irã equivale a permitir o avanço nuclear, o que não corresponde ao que foi dito.

A missão do Papa é promover a paz. Sua mensagem é, essencialmente, de amor e reconciliação.

Essa é a mensagem.