ALEXANDRE GARCIA

ASSESSOR APANHA NAS REDES POR FAZER O QUE TODO ASSESSOR FAZ

Michelle Bolsonaro

Assessor de Michelle Bolsonaro está sendo atacado nas redes por conversar com jornalista de site de esquerda

Muita gente que não faz a menor ideia do que seja uma assessoria de imprensa está derramando ódio e irracionalidade contra André Costa, assessor de Michelle Bolsonaro, depois que alguém publicou prints mostrando que ele estava conversando com um jornalista de um site visivelmente de esquerda e pró-PT.

Para começar, esse tipo de crítica é movida por falta de inteligência, porque não há nenhum lucro, nenhuma conquista, nenhuma adesão em falar só para os próprios, só para os mesmos, só para o público interno. Não faz sentido um jornalista ou assessor de imprensa dizer “eu só falo para os meus amigos”; assim não se conquista nenhum adversário. Se fosse assim, a assessoria nem precisaria existir, porque isso seria apenas manter o status quo e não ir além. Certamente é isso que Costa estava fazendo, é isso que eu faço: estar sempre de braços abertos. Quer vir para a verdade dos fatos, para a razão, para a racionalidade, para o amor à pátria? Seja bem-vindo! Quer destruir o país? Aí vou tentar convencê-lo a não destruir o país, porque o país somos nós.

Essa irracionalidade é movida por um certo dogma, um fanatismo, em que a pessoa não aceita as verdades alheias ou não aceita os fatos que contrariam sua maneira de ver o mundo; quem age assim não aprende nada, não cresce. Precisamos estar abertos às ideias. Costumo dizer que os aplausos não são tão produtivos quanto a crítica, porque a crítica nos faz pensar e os aplausos podem até nos enganar, fazendo-nos pensar que estamos certos, e assim continuaremos no erro.

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Lula provocou paraguaios de forma totalmente desnecessária

No Paraguai, a Guerra do Paraguai é chamada de “Guerra Guasu” – Guasu é “grande”, ou seja, é a “Grande Guerra”. O Paraguai foi arrasado. Lula mencionou em um discurso que o Brasil tem de se defender porque o Paraguai invadiu o Mato Grosso, invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina – ele só se esqueceu de dizer que invadiu o Rio Grande do Sul também, lá em Uruguaiana. A afirmação provocou a ira dos paraguaios, porque eles se ressentem do fim da guerra; quando o Conde d’Eu – aliás, um francês – assumiu o comando, provocou uma matança desnecessária, algo que certamente o Duque de Caxias não teria feito.

A fala de Lula irritou os paraguaios no momento em que o Paraguai acolhe as empresas brasileiras cansadas de burocracia e de impostos que desestimulam a produção. Já há muitos anos, tem recebido agricultores e pecuaristas brasileiros. É um parceiro comercial, industrial, produtor de energia em Itaipu e que nos vende a energia que não usa. É um vizinho amigo, a quem nós deveríamos até prestar algumas reparações de guerra; uma delas seria a devolução de um canhão que está em um museu do Rio de Janeiro, e que eles querem de volta. O vice-presidente do Paraguai mencionou esse canhão agora, como resposta a essa declaração de Lula.

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Nossa política externa é conduzida na base da bravata e do insulto

O Brasil tem sido um desastre de política externa. Agora mesmo o Supremo respondeu diretamente com uma nota às declarações de Javier Milei sobre Alexandre de Moraes – quem deveria ter feito isso era o Itamaraty; o STF deveria se pronunciar apenas nos autos, embora venha falado fora dos autos há muito tempo, além de intimar diretamente empresas americanas como a Rumble e a Trump Media. É o que acontece quando a política brasileira é mal conduzida em todos os setores, quando ninguém quer desagradar o presidente: “sim, senhor presidente, vamos fazer errado porque o senhor quer”.

A política externa merece ser tratada com mais respeito, mas hoje estamos vendo presidentes que se ofendem verbalmente. É Lula xingando Trump, Trump xingando Lula, o ministro da Fazenda (um auxiliar do presidente da República!) se metendo e chamando Milei de “palhaço”… estou ouvindo coisas neste momento político brasileiro que eu nunca tinha ouvido na minha vida.

ALEXANDRE GARCIA

GUERRA NA UCRÂNIA

Estamos vendo coisas na guerra da Ucrânia que nunca tínhamos visto em uma guerra convencional, ou então que considerávamos extintas há um bom tempo. Vi um militar ucraniano dentro de um Yak-52 – um avião a hélice, dos tempos soviéticos – caçando e abatendo drones, com o cockpit aberto e atirando com seu fuzil. Isso é coisa da Primeira Guerra Mundial (que chamavam de Grande Guerra, antes de vir a Segunda Guerra Mundial), em que os ases franceses, alemães e, depois, ingleses voavam em biplanos e atiravam uns nos outros com fuzis, até que desenvolvessem um sistema em que a metralhadora ficava atrás da hélice, mas não a acertava com os tiros; antes disso, também colocavam a metralhadora sobre a asa superior. E agora voltaram a usar esse expediente para abater drones, que são uma arma muitíssimo eficaz nas guerras modernas, principalmente porque não envolve pessoas.

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Keiko Fujimori toma posse no Peru nesta terça

Nesta terça-feira Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, toma posse como presidente do Peru. Ela já anunciou que a sua política econômica será liberal, de mercado, com ênfase na iniciativa privada e no desenvolvimento. Com ela também ressurge o sistema bicameral, que tinha sido abolido: o Peru volta a ter Câmara e Senado. Há lugares em que o parlamento é unicameral; em Portugal, por exemplo, existe a Assembleia da República; o Senado parou de funcionar há 100 anos; se um dia for ressuscitado, o espaço será ocupado. Keiko Fujimori deve terminar uma obra do pai, que fez uma limpeza no Sendero Luminoso, naqueles grupos de extrema-esquerda revolucionários que queriam implantar o marxismo no Peru. Por isso ela ganhou a eleição. Javier Milei deve estar presente à posse.

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Débora

Temos mais uma interferência do ministro Alexandre de Moraes no caso da Débora do Batom. Ele está dando prazo para o Serviço de Administração Penitenciária de São Paulo explicar por que a tornozeleira dela volta e meia sai do ar. O sinal não chega. A defesa de Débora já informou que é defeito do equipamento; ela não está foragida, está em casa porque tem de cuidar dos dois filhos. Como vocês sabem, Débora foi condenada a 14 anos de prisão pelo horrível crime de usar um batom na estátua da deusa Têmis, a deusa da justiça, de granito, para escrever uma frase pronunciada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF, em Nova York, na rua, para um circunstante que fez uma pergunta para ele. O batom não estragou nada no granito, mas deu 14 anos de prisão.

O interessante nisso tudo é que, como todos sabemos, Débora não tem foro privilegiado no Supremo. O caso dela poderia estar em um juizado de pequenas causas, em que ela fosse condenada, por exemplo, a limpar a estátua ou pagar uma multa de uma cesta básica. Moraes é ministro de corte constitucional, não de tribunal de pequenas causas, nem da primeira instância; no entanto, ele age como um juiz de execuções criminais. Estou dizendo tudo isso animado pela visão da Suprema Corte da Itália, berço do Direito Romano, que estranhou tudo isso – só no Brasil é que já nos acostumamos, apesar de o artigo 5.º da Constituição afirmar que não pode haver tribunal de exceção.

ALEXANDRE GARCIA

É UMA VERGONHA

Eu só posso dizer que vergonha como é o chavão do Boris Casoy. Depois de ter sido afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) por assédio sexual e importunação sexual em Balneário Camboriú, o ministro Marco Buzzi será investigado pelo Supremo Tribunal Federal.

O ministro Cristiano Zanin também autorizou investigar Buzzi por venda de sentença. Já é o segundo ministro do STJ investigado em uma semana. O outro é Moura Ribeiro, igualmente juiz de carreira do STJ, investigado no STF por venda de sentenças.

Que pena, meu Deus do céu. Porque isso faz a gente pensar que vem de longe, que não só apareceu quando chegou no topo da carreira, no Superior Tribunal de Justiça. Mas a gente fica preocupado. Começou quando isso? Esse Moura Ribeiro também está sendo investigado por autorização do ministro Cristiano Zanin.

Marco Buzzi é investigado por assédio em Balneário Camboriú e agora vem mais essa de venda de sentença no Superior Tribunal de Justiça. Meu Deus.

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Dragagem de rios no Rio Grande do Sul é prioridade

Bom, queria dizer uma coisa para vocês, a propósito das enchentes no Rio Grande do Sul. A gente não consegue controlar a intensidade das chuvas, mas a gente consegue controlar o escoamento das águas das chuvas. Basta querer.

E desde aquela enchente colossal, que jogou mais entulho, mais barrancas para calha dos rios, eu disse: “Olha, a calha tá entupida. Agora basta menos chuva, cada vez menos chuva para causar mais enchente”. É óbvio que é o que está acontecendo no Rio Grande do Sul. Nós sabemos de quem é a responsabilidade: dos governantes que não dragaram os rios.

Ah, tinha outras prioridades. Sim, mas dragar os rios é uma prioridade, porque a água dos rios invade as casas, estraga os móveis, estraga as casas, tira vidas, perturba vidas, entra nas empresas, leva pontes. Evitar isso é uma prioridade e governar é exercer a profissão de estadista. O estadista é previsor, prevê e evita o mal. Em época de campanha eleitoral é bom a gente lembrar isso.

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Lei proíbe venda de foie gras por maus tratos a animais

Bom, foi sancionada uma lei que proíbe vender foie gras. É o fígado gordo do ganso ou do pato. Começou lá no Egito antigo, foi para a Grécia antiga, foi para o Império Romano e foi para a Gália. E a Gália, hoje França, produz 80% do foie gras do mundo. Parte do Canadá, que fala francês, também é um grande produtor de foie gras.

E aqui no Brasil também se produz. Então, a lei proíbe produzir e vender. Aqui o pessoal gosta de palavra comprida, em vez de vender, eles escrevem comercializar. Comprido, né? Vender é muito mais simples. E é do senador Eduardo Girão o projeto. Proíbe porque é considerado tortura e maus-tratos a esses gansos e patos.

Embora eles tenham aqui a goela, muito elástica, com que eles engolem tudo. Mas empurram a comida dia e noite para fazer gordura e o fígado deles absorve rapidamente a gordura e fica um fígado gorduroso. Foie é fígado e gras é gordura.

Lá no sul dos Estados Unidos, lá na região de Baton Rouge, ali na Louisiana, tem aquele carnaval e a terça-feira gorda se chama Mardi Gras, terça gorda.

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Spray de pimenta é um perigo

Bom, e também foi sancionado um projeto de uma antiga deputada, também do Ceará, Gorete Pereira, para mulheres poderem comprar spray de pimenta para se defender de assédio ou de assalto.

É um perigo, porque se o assaltante está com a arma apontada para a pessoa, só o fato de sacar o spray já pode provocar alguma reação.

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Enquanto elite enriquece, povo de Cuba passa necessidade

Bom, e para terminar um pouquinho de Cuba. O Petronotícias é uma excelente fonte de notícias e tem acompanhado bastante as coisas de Cuba. Porto de Mariel, onde tem dinheiro nosso, e o Mais Médicos, que tem dinheiro nosso também, sancionados pelo governo Trump.

Mais Médicos por tráfico de pessoas, por trabalhos forçados. São 20 mil médicos vítimas. Eles vieram para o Brasil, eles ficavam com 12%, parece, do que o Brasil pagava. Era uma espécie de exportação de mão de obra, de mão de obra escrava, porque trabalhava por 12%.

Assim como as jogadoras, as campeãs mundiais maravilhosas do vôlei feminino de Cuba. Tricampeãs olímpicas, tricampeãs mundiais. Como lembrou a minha querida colega da Oeste, a Ana Paula Henkel, recebiam 1 milhão de dólares por cada vitória num campeonato desses. Não ficavam nem sequer com um centavo e ia tudo para a ditadura cubana, ditadura do Castro.

E lá no terminal de Porto Mariel, também foi o terminal de contêineres e aquela Gaesa. Tem uma empresa que é uma espécie de trust da ditadura cubana. Lá tem generais, tem funcionários públicos e tem o pessoal do Partido Comunista cubano. Ali eles acumulam riquezas, se locupletam, enquanto o povo tá quase sem água, praticamente sem energia elétrica, com um restinho de combustível, que o povo não tem mais. É só a nomenclatura cubana de Brasília.

ALEXANDRE GARCIA

VOCÊ SABE QUEM GOVERNA OS LUGARES MAIS PERIGOSOS DO BRASIL?

anuário segurança pública cidades mais violentas

Os dez municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes e que têm os maiores índices de homicídios estão no Nordeste

Em ano eleitoral – e as convenções já estão começando –, é bom lembrarmos da responsabilidade dos partidos em algo muito importante. Saiu o Anuário de Segurança Pública, e a região mais insegura do Brasil é o Nordeste. Os dez municípios mais violentos, entre os que têm mais de 100 mil habitantes, estão no Nordeste: cinco na Bahia, três no Ceará, um em Pernambuco e um na Paraíba. Por coincidência, Bahia e Ceará são governados pelo PT. A segurança pública será o assunto principal dos governadores em campanha, dos candidatos a deputado, senador e também a presidente da República. Todos sentem isso.

Há um candidato que zerou o crime no estado dele; não vou dar nome nem o estado, porque pode parecer campanha eleitoral, mas esse vai ser um fator muito importante: saber quem está disposto a fornecer segurança pública, porque é a responsabilidade dos estados federados, se bem que crimes federais já estão na área federal. Hoje o poder está centralizado em Brasília; “República Federativa do Brasil” é só no papel, só na Constituição, porque na prática, é “República Unitária do Brasil”, com governo central e províncias, em vez de estados. Afinal, se o governo central detém a maior parte dos impostos e define a distribuição do dinheiro, detém o poder também.

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Retaliação só vai piorar a vida do brasileiro que depende de produtos americanos

Lula está fazendo declarações eleitoreiras a respeito de comércio exterior, prometendo retaliar os Estados Unidos por causa das tarifas. O engraçado é que ele não diz isso para a China. As próximas importações chinesas de carne brasileira vão estar com 67% de sobretaxa – a taxa normal é 12%, e vão aplicar mais 55% sobre o que estiver acima da cota. E Lula não diz nada. A Europa também resolveu dizer que o Brasil está descumprindo normas sanitárias da União Europeia, que está aplicando antimicrobiano para engordar a carne, e por causa disso, a partir de setembro, não entra mais carne brasileira por lá. E se o Brasil quiser fazer uma campanha contra os produtos que aplica, se deixar de aplicar o antimicrobiano no gado jovem, vai demorar quanto? Trinta meses até engordar e poder vender. São mais de dois anos.

E, se o Brasil retaliar mesmo os EUA, qual será a consequência? Não é deixar Trump mais ou menos bravo. É prejudicar o brasileiro: a empresa brasileira que depende de máquinas americanas; o brasileiro que depende de remédios que vêm dos Estados Unidos; os laboratórios e as indústrias que dependem de produtos químicos norte-americanos; o produtor rural que precisa de certas máquinas que só são fabricadas nos EUA. Esses é que vão ficar furiosos, porque terão de pagar mais, já que o Brasil vai aplicar sobretaxa sobre tudo isso. Esse revide é coisa de quem esqueceu que tem cérebro.

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Governo que não cuida dos rios e que adultera combustível não respeita o cidadão

Vou insistir em duas questões rápidas, que já mencionei aqui muitas vezes, mas que precisamos repetir. Primeiro, que não dragaram os rios do Rio Grande do Sul e as calhas dos rios estão entupidas; qualquer chuvinha faz transbordar tudo outra vez. E de quem é a culpa? Dos governos omissos. Segundo, vi aqui no PetroNotícias que o Brasil é o maior adulterador de gasolina do mundo. A partir de agosto, aplicará 32% de álcool na gasolina. Isso não existe em nenhum outro lugar; o resto do mundo só vai até 10%, porque sabe que 11% é o limite. A exceção é a Índia, que aplica 20%, mas a Índia tem 1,4 bilhão de habitantes e problemas que ultrapassam o bom senso; já os nossos problemas ultrapassam o respeito que o Estado deveria ter pelo cidadão e pelos 40 milhões de proprietários de veículos a gasolina, contando motos e automóveis.

ALEXANDRE GARCIA

NÃO É SÓ O TAFIFAÇO AMERICANO QUE AMEAÇA O EXPORTADOR BRASILEIRO

Bloco deixou Brasil de fora por não ter garantia de cumprimento de padrões sanitários.

UE deixou Brasil de fora por não ter garantia de cumprimento de padrões sanitários

Má notícia para o Brasil, e em especial para os pecuaristas: o presidente Lula diz que o tarifaço não faz mal, que basta buscar outros mercados, mas não é simples assim. A carne brasileira, por exemplo, não está no tarifaço americano, mas está no da China, que Lula não menciona. A China cobra 12% da carne brasileira; se ultrapassarmos a cota do que podemos exportar para lá, haverá uma taxa adicional de 55%, chegando a 67%. Parece que a cota já foi atingida, mas o governo nega.

E não é só a China: em 3 de setembro entra em vigor aquela proibição da exportação de carne bovina, frango, carne de cavalo, pescado e mel para a União Europeia. Os europeus estão alegando questões sanitárias, que os brasileiros usam um antimicrobiano proibido na Europa. Então, China e União Europeia estão colocando barreiras ao exportador brasileiro.

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Ortega cancelou eleições na Nicarágua; em 2022, era proibido falar de sua amizade com Lula

Está refletindo na campanha de Lula o que Daniel Ortega acabou de fazer na Nicarágua. Ortega decidiu que não haverá mais eleições por lá, para que a oposição não conquiste o poder. Já estava marcada eleição para o ano que vem; com isso, ela está cancelada. Ortega já brigou com a Igreja Católica, já expulsou bispo e freira, já prendeu padre, já fechou colégio católico. Seu partido é a Frente Sandinista de Libertação Nacional, e hoje quem manda são ele e a esposa, Rosario Murillo, que não é mais vice-presidente, e sim “copresidente”.

Na eleição passada, proibiram Bolsonaro e vários outros de dizer que Ortega era amigo de Lula. Mas basta pesquisar os dois nomes no Google, e eles aparecerão lá juntos, como fundadores do Foro de São Paulo, unindo a esquerda latina: Lula, Ortega, Hugo Chavez… Nos 47 anos desde a Revolução Sandinista, Ortega governou a Nicarágua por 30; houve um interregno entre 1990 e 2007, com Violeta Chamorro e outros dois presidentes, mas foi só. E no tempo de Chamorro ele não ficou quieto, não. Agora, no poder, se aparece algum candidato ao governo, ele manda prender.

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Cuba, onde Ortega recebeu treinamento, está à beira do colapso

Quando Ortega começou na guerrilha, só tinha até a sexta série do ensino fundamental; assaltou bancos, se refugiou em Cuba, onde foi treinado e recebeu apoio. Agora, a sua matriz está fechando as portas; já se foram 67 anos desde a Revolução Cubana, em que os comunistas assumiram o poder em 1.º de janeiro de 1959. Não tinha como dar certo.

Cuba era a pérola do Caribe, hoje tem problema até para plantar cana. Os cubanos deram charuto de garantia para o dinheiro brasileiro do BNDES na construção do Porto de Mariel. E o Brasil pagava muita coisa à ditadura de Cuba pelo Mais Médicos: o médico recebia só uma pequena parte do salário, e o resto ia para o governo cubano. Na Venezuela, quando os norte-americanos prenderam Nicolás Maduro, tiveram de matar 36 cubanos que faziam a segurança dele; em troca, Maduro mandava petróleo para Cuba. Agora, o petróleo acabou, o país está quase sem energia, quase sem água – só a nomenklatura de lá que ainda tem acesso a isso. Mesmo assim, ainda há muita gente aqui que acha maravilhoso, gente que gostaria de estar lá colhendo cana, como fizeram amigos meus no meu tempo de juventude.

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Violência contra crianças é tragédia brasileira

Estamos vendo com muita tristeza os casos de violência dentro de casa, contra crianças. Comentei o caso de Itapiranga (AM), em que o pai foi bater no filho com uma mochila e havia dentro dela um machete, um facão, que furou as costas do menino e o matou. A criança tinha 6 anos, o pai tem 24, ou seja, foi pai com 18. E a Justiça em Francisco Beltrão (PR) mantém na prisão o pai de 31 anos que deu um chute no rosto da filha de 3 anos, em plena rua. Uma pessoa que viu tentou interferir, e o pai ameaçou essa pessoa, dona de uma academia de ginástica. Agora, descobriram que ele punia os filhos fazendo as crianças se ajoelharem sobre tampinhas de garrafa com a borda virada para cima. É incrível a violência que acontece dentro de casa; imaginem que adultos essas crianças se tornarão.

ALEXANDRE GARCIA

BURLANDO O TETO CONSTITUCIONAL

Inacreditável o que o Tribunal de Contas da União acaba de fazer. O TCU, apesar do nome, não é um órgão do Judiciário; é um auxiliar do Legislativo, responsável por cuidar das contas públicas federais, fiscalizar e punir para não haver nada fora da lei. E o próprio TCU está propondo um aumento de 40% nas gratificações de cargos em comissão, e achou uma maneira de permitir que elas não sejam contadas para fins de limite do teto constitucional, que é de R$ 46 mil. Está escrito, no artigo 37 da Constituição, que a remuneração dos servidores públicos não pode ultrapassar o limite do salário dos ministros do Supremo. Eles devem estar pensando o seguinte: os ministros do Supremo deixaram passar, todo mundo passa, vamos passar nós também. É isso vindo do tribunal que cuida das contas públicas, que fiscaliza.

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Gilmar Mendes quer se vingar de Alessandro Vieira tornando-o inelegível

O ministro Gilmar Mendes está processando o senador Alessandro Vieira, que foi relator da CPI do Crime Organizado e sugeriu o indiciamento de ministros do STF. Gilmar o acusou de abuso de autoridade e mandou a ação para a Procuradoria-Geral da República. A PGR alegou que ninguém pode indiciar um ministro do Supremo, a não ser um ministro do Supremo. Vocês entenderam? Isso é o absurdo pelo absurdo. Ninguém pode indiciar, então? Só Deus, ou o bispo? Tem o Senado, mas o Senado está quieto, calado, omisso. Fazendo uma analogia: se um senador pode julgar um ministro do Supremo em um processo de impeachment por crime de responsabilidade – e foi a respeito disso que o senador pediu o indiciamento –, se pode o mais, pode o menos.

Mas há uma filigrana, um detalhe aí. Gilmar sugeriu que a ação fosse encaminhada para a Justiça Eleitoral, para saber se o que Vieira fez não se enquadra em qualquer coisa que cause inelegibilidade, atrapalhando a vida político-eleitoral do senador. E a PGR – de Paulo Gonet, cujas ligações com Gilmar todos conhecem – mandou o caso para a Justiça Eleitoral de Sergipe, estado por onde Vieira quer tentar a reeleição, para saber se ele não cometeu nenhum ilícito eleitoral. Isso me lembra de uma entrevista do grande Joaquim Falcão na CNN, que disse: “o Supremo, que foi criado para resolver conflitos, é a origem de conflitos”.

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A frota nada modesta do “careca do INSS”

O “careca do INSS”, Antônio Carlos Camilo Antunes, teve ordenada contra si mais uma apreensão de bens. A Polícia Federal encontrou, nas garagens de num prédio residencial de Brasília, um Audi R8, com motor V10 (dez cilindros em V), com potência de 610 cavalos e que faz de 0 a 100 km/h em pouco mais de três segundos. Encontrou também um BMW M5, com motor V8, de 727 cavalos e que também vai de 0 a 100 km/h em três segundos. Encontrou também um Opala Diplomata. Meu pai tinha um Diplomata; hoje, é carro de colecionador. Será tudo apreendido.

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Dívida pública estourou nos quatro anos de Lula 3

Você sabe quanto estamos pagando de juros da dívida pública gigantesca? R$ 1,08 trilhão só neste ano. Nem há como ter ideia do que seja isso, muito menos da dívida que está em R$ 10,62 trilhões. Isso nos cálculos brasileiros, que deixam fora os papéis que estão no Banco Central para serem postos em circulação; por esse critério, nossa dívida é de 81% de tudo que se produz no país. Mas, segundo os cálculos do FMI, que incluem todos os papéis e todas as letras de crédito do Tesouro, a dívida pública está em 96% do PIB. É bom pensarmos nisso em ano eleitoral, porque a dívida aumentou muito nestes últimos anos. É como se estivéssemos em uma pandemia constante.

ALEXANDRE GARCIA

NÃO DEIXE QUE OUTROS DECIDAM POR VOCÊ NO DIA DA ELEIÇÃO

Pessoa votando na urna eletrônica e apertando o botão Confirma

Mais de 3 milhões de jovens entre 15 e 18 anos poderão votar nas eleições de 2026

O Tribunal Superior Eleitoral nos informou que somos 158,7 milhões de eleitores. São 2 milhões e pouco a mais que na última eleição presidencial, em 2022. O estado com mais eleitores é São Paulo, seguido por Minas Gerais – os dois juntos têm muito mais eleitores que o Nordeste inteiro. Depois vêm Rio de Janeiro, Bahia e Paraná. As mulheres superam os homens em 9 milhões.

O interessante é que os jovens estão meio decepcionados com a política. Os políticos não estão à altura das expectativas dos jovens de 16 e 17 anos, porque caiu em 14% a inscrição de jovens que podem votar, mas não têm obrigação. Quem tem mais de 70 anos também não é obrigado a votar, mas eu aconselho: não abra mão do direito do voto, não deixe que outros decidam por você. Em 2022, 25% do eleitorado não votou, ou votou em branco, ou anulou o voto. Neste ano, isso daria 40 milhões de brasileiros, é muita gente. Então, vamos votar e exercer esse direito que também é uma obrigação. Não deixe que os outros escolham por você.

E pense com a sua cabeça. Sei que há muito fanatismo, em que a pessoa vota porque alguém mandou. Pense com a sua cabeça, escolha quem tem condições de administrar esse país com a herança que vai receber se for vitorioso. Que seja alguém que tenha condições de desempenhar bem nos debates.

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Cultura da violência de pais contra filhos fez mais uma vítima

Uma tragédia aconteceu em Itapiranga (AM). Um pai quis repreender o filho de 6 anos, agredindo-o com uma mochila. Mas dentro dela havia facas de pesca, e elas furaram as costas do menino, que foi levado para o hospital e morreu. Certamente o pulmão foi perfurado, o hospital não tinha recursos para socorrê-lo, ou não tinha médico, ou o médico era mal formado, como já aconteceu lá no Amazonas mesmo, quando uma criança em Manaus morreu porque a médica não sabia o que fazer. O Brasil é um dos países com mais escolas de Medicina, uma produção em série.

O pai não matou o filho de propósito, mas o que ele fez demonstra uma cultura de ignorância, de decidir pela violência. O pai tem 24 anos; significa que ele foi pai aos 18 anos. Essa cultura é algo horrível. Nós vimos o outro caso, do pai que chutou o rosto de uma menina que vinha chorando atrás dele na rua. O dono de uma academia de ginástica estava do outro lado da rua, viu e quis interferir, mas o pai ameaçou: “não se meta que vai sobrar para você também”. Foi tudo registrado por câmeras, e o pai violento ainda está preso.

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Pobre povo cubano – mas a ditatura está em dificuldades

Eu já trabalhava em rádio e noticiei as atividades de Fidel Castro na Sierra Maestra em 1957 e 1958. No dia 1.º de janeiro de 59, ele tomou o poder, e a ditadura comunista dura até hoje. Pobre do povo. Eu ouvia a Rádio Havana, com aquelas orquestras maravilhosas dos cassinos de Havana. Cuba era o país mais florescente da América Latina. Depois da revolução, o pessoal da esquerda brasileira ia lá para ajudar a colher cana para produzir açúcar. Hoje acho que já nem existe mais cana para ser colhida. Só sobrou o Porto de Mariel, construído com nosso dinheiro, benefícios de Lula e garantia de charuto.

Cuba não tem petróleo porque a Venezuela parou de enviar. A Rússia mandou um navio, que voltou porque Trump não deixou. A presidente do México ajudou com um navio, mas foi o último, porque Trump disse a ela que escolhesse o parceiro: ou Cuba, ou Estados Unidos. Ainda há presos políticos, há perseguição política. A nomenklatura cubana ainda tem os seus luxos, mas o povo não. É tudo uma grande tristeza, mas registro aqui porque parece que isso está acabando.

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Diosdado Cabello agora virou ajudante dos Estados Unidos na Venezuela

Vocês se lembram de Diosdado Cabello, mais tirano que Maduro na Venezuela? Pois agora ele tá agindo como intermediário dos Estados Unidos, ajudando os norte-americanos. Após o terremoto, helicópteros e soldados americanos estão ajudando no resgate, mandando material humanitário, e Diosdado Cabello está no meio. Ele é processado pela Justiça americana por tráfico de cocaína, há uma oferta de US$ 25 milhões pela cabeça dele, ele está registrado como violador de direitos humanos pela ONU, mas parou de vestir camisa vermelha, está fazendo de tudo como serviçal dos americanos para ver se consegue garantir um futuro que não seja igual ao de Maduro, na prisão.

ALEXANDRE GARCIA

LULA PROMETE “GUERRA DA VERDADE” CONTRA TRUMP, MAS ESQUECE A REALIDADE

Lula fala em soberania e “guerra da verdade”, mas o Brasil segue perdendo talentos, competitividade e espaço no mundo

Está se discutindo a questão da soberania em meio ao bate-boca entre Lula e Trump. Vi um artigo em que Dagoberto Godoy, uma das principais lideranças da indústria no Rio Grande do Sul e ex-presidente da Federação das Indústrias, afirma: “Não tem soberania sem tecnologia”.

Fiquei pensando: nós temos um potencial enorme. Discutimos terras raras, mas temos matéria-prima para tudo e condições de desenvolver tecnologia a partir dos nossos próprios recursos. O Brasil tem de tudo.

Temos o PIX, o etanol, a Embraer e tantos outros exemplos. Temos muitos centros de excelência em ensino, como São José dos Campos e São Carlos, além de diversas faculdades e institutos.

Mas os cérebros…

Os bons cérebros do Brasil, os mais brilhantes, são disputados fora do país, e não aqui.

Esse é o problema. Lula fala em “soberania”. Na última sexta-feira, 17, ele disse que a guerra que vai travar com Trump é a “guerra da verdade”.

Parece piada pronta: Lula dizendo que é a guerra da verdade. Não sei de onde é que ele vai tirar a munição, né?

Ele mesmo já contou uma história, com Jaime Lerner ao seu lado, em que teria revelado que inventava números, como o de que havia “25 milhões de meninos de rua no Brasil”. Lerner teria respondido: “Ô, Lula, mas não pode ser, senão a gente não consegue nem entrar na rua”.

Lula teria dito: “Não, a gente inventa isso. O número a gente inventa”. Porque, como minha mãe dizia: “A verdade engatinha e as mentiras voam”, né?

Se fizermos uma comparação, podemos olhar para o Chile, como fez o ex-governador de Goiás Irapuan da Costa Júnior, mostrando as diferenças entre Brasil e Chile.

Só para entender: o Chile é uma “tripinha”, uma faixa estreita de terra que, de norte a sul, tem uma extensão maior que o Brasil. Só que é uma cordilheira dos Andes empurrando o país para o mar.

No norte, há deserto; no sul, geleiras. São cerca de dois mil vulcões ao longo do território, além de terremotos, tsunamis e maremotos.

Esse é o Chile. Agora, compare com o Brasil.

O Brasil tem cerca de 12 mil dólares de renda per capita; o Chile, 20 mil dólares. No Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o Brasil está em 85º lugar no mundo; o Chile, em 45º. No PISA, o Chile é o líder no continente latino-americano, enquanto o Brasil aparece na penúltima posição, à frente apenas da Venezuela.

É muito triste ver o nosso atraso.

O Chile tem três Prêmios Nobel; o Brasil, nenhum. A Argentina, que é vice no futebol, tem cinco Prêmios Nobel. O Brasil continua com zero.

Mas, em homicídios, a gente ganha: são 27 por 100 mil habitantes, enquanto o Chile tem quatro.

A saúde no Chile é muito melhor; aqui, a pessoa continua morrendo na fila.

Qual é a diferença? A elite política e as escolas. Não é apenas o ensino, mas também a educação. A família chilena forma cidadãos com princípios. A educação começa em casa; o ensino é nas escolas.

Tudo isso faz diferença para a gente gritar “soberania”.

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O silêncio de Lula diante da China

Desde janeiro, está em vigor uma determinação chinesa sobre a carne bovina brasileira. A cota estabelecida é de 1 milhão e 100 mil toneladas. Após esse limite, a tarifa de 12% recebe um acréscimo de 55%.

Como a cota já foi esgotada no meio do ano, daqui para frente a carne bovina brasileira importada pela China passa a sofrer uma sobretaxa de 67%.

Eu não ouvi nada do Lula reclamando do Xi Jinping.

ALEXANDRE GARCIA

INGLESES NÃO GOSTARAM DE FAIXA SOBRE MALVINAS EXIBIDA POR JOGADORES ARGENTINOS

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Governo britânico alegou que exibição da faixa sobre as Malvinas desrespeitou regra da Fifa de vetar manifestações políticas em suas competições

Os ingleses se queixaram da faixa aberta ao fim do jogo que terminou em 2 a 1 para a Argentina, dizendo “Las Malvinas son Argentinas”. Mais do que isso, a festa em Buenos Aires foi uma festa política. Os argentinos aprendem desde criancinhas na escola que “as Malvinas são argentinas”. Foi isso que o bêbado Galtieri tentou, invadindo as ilhas, e acabou derrotado. A guerra durou dois meses, matou muita gente e não adiantou nada, mas o desejo de retomar as ilhas permanece.

É como se uma nação europeia estivesse ocupando Fernando de Noronha, pertinho de nós, embora a história seja um pouquinho diferente. Fernando de Noronha sempre esteve do lado português; já as Malvinas começaram francesas – o nome original era “Malouines” –, depois houve interferências de Espanha, Reino Unido e Argentina, e por fim os ingleses tomaram conta.

Mas a Inglaterra devia agradecer, porque os argentinos descarregaram no futebol essa gana de retomar as Malvinas. A pressão da panela diminuiu, graças ao futebol. Quem dera as guerras todas fossem resolvidas em um campo de futebol. Na quarta-feira tivemos o aniversário da nossa derrota no Maracanã, em 1950: 2 a 1 para o Uruguai, que se tornou bicampeão do mundo – já tinha vencido a primeira Copa, realizada lá no Uruguai mesmo, e que foi jogada toda em Montevidéu.

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Procurador quer explicações sobre aumento da mistura de etanol na gasolina

E, assim como os argentinos reivindicam o direito sobre as ilhas, os proprietários de automóveis, que pagam caro pelo combustível, têm direito a receber um produto não adulterado. Mas a gasolina que está nas motos e carros brasileiros passará a ter 32% de etanol em agosto. Ou seja, de cada três litros que abastecemos, só dois são de gasolina. Isso é vergonhoso, um desrespeito muito grande. A decisão foi do Conselho Nacional de Política Energética, para dar mais força para o etanol. No entanto, o máximo possível é 11%; na Europa, é 10%.

Insisto nisso porque um procurador do Ministério Público junto ao TCU, Lucas Furtado, está pedindo que o CNPE comprove que essa mistura não faz mal para o carro nem para o bolso do proprietário do veículo. Dizem que fizeram testes, mas que testes? A mistura ficou quanto tempo dentro de um tanque de gasolina? Seis meses, um ano? Óbvio que não. O motor ficou funcionando por quanto tempo? Deu tempo para entupir os injetores, para afetar o sistema eletrônico de distribuição? Deu tempo de verificar os anéis, os cilindros, os pistões? É óbvio que não.

O Brasil está sendo tarifado, inclusive, por nossa política de exportação de etanol. O programa do álcool é uma maravilha, mas é preciso respeitar a população. Não é possível enfiar goela abaixo dos proprietários de automóveis qualquer mistura com gasolina para um motor que foi feito para um máximo de 11% de etanol. Imaginem os carros importados, ou os carros mais antigos.

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Eleitor precisa parar de pensar só em nomes e analisar o que cada um está fazendo

A eleição está quase aí e as pessoas não se informam sobre o que está acontecendo. Vejamos os dois principais candidatos: Flávio Bolsonaro, quem é? As pessoas sabem quem é ele realmente, o que está fazendo? E Lula, quem é? O governo dele está aí, exposto. Só neste ano, temos lojas C&A fechando, Pão de Açúcar com alto prejuízo, Land Rover fechando fábrica, a construção civil sentindo, rombo nas estatais, fuga de empresas para o Paraguai, recordes de recuperação judicial, inadimplência crescendo tanto nas famílias como nas empresas, endividamento público nas alturas. Por causa disso é preciso manter os juros altos, do contrário ninguém compra os papéis do governo. Cada vez mais desempregados – mas dizem que o desemprego está baixo, porque só é considerado desempregado quem está procurando emprego; quem recebe Bolsa Família não é desempregado. Essas coisas estão bem diante de nós, e o eleitor precisa se informar antes de ficar fixado apenas em nomes, sem examinar o que eles fazem. É preciso pensar no futuro de seus filhos, no que vai acontecer nos próximos quatro anos.

ALEXANDRE GARCIA

FOTO COM “SICÁRIO” FOI APENAS UMA DAS BOMBAS DESTA QUARTA-FEIRA

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Suposta imagem de Flávio com capanga de Vorcaro

Nesta quarta-feira tivemos duas bombas; a maior delas foi produzida pela defesa de Jair Messias Bolsonaro, mas falaremos dela mais tarde. A primeira é a foto em que aparecem Flávio Bolsonaro e o “Sicário”. Muita gente deve estar conferindo para ver se é ou não inteligência artificial; já passaram um detetor, e não encontraram indícios. A foto foi conseguida e divulgada por um site de esquerda, o ICL Notícias, mas é uma bomba. Flávio diz que não o conhecia, e que tira foto com todo mundo. O senador está sem camisa, pelo jeito em ambiente de praia, e os dois estão fazendo sinais com as mãos.

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Explicações da defesa de Jair Bolsonaro acabam complicando Flávio

Muito mais grave é a manifestação entregue ao ministro Alexandre de Moraes pela defesa de Bolsonaro, que tinha sido instada pelo ministro a apresentar, em 48 horas, uma explicação sobre a desobediência à ordem de não se manifestar por redes sociais, diretamente ou através de terceiros, como uma das condições para manter a prisão domiciliar por causa de doença. Houve muitas comparações com Lula, mas ele não estava em prisão domiciliar e nem tinha essas cautelares; ele escreveu cartas que foram lidas na frente da Polícia Federal, mas era um caso diferente.

Flávio tem visitado o pai na condição de advogado de defesa, e imagino que ele acompanhe o que faz a defesa do pai e endosse o que está sendo enviado como explicação, já que faz parte da defesa. Pois a defesa disse o seguinte: “A defesa esclarece que o peticionário [ou seja, Jair Messias Bolsonaro] jamais soube que a carta seria publicizada. Tampouco houve qualquer orientação, ajuste ou combinação prévia acerca da utilização de redes sociais para esse fim”.

Ou seja, Bolsonaro escreveu uma mensagem cujo título é “Carta aos brasileiros”, mas, segundo a defesa, não era para sair em rede social, era só para entregar ao filho. Deveria ter escrito “Carta a meu filho pré-candidato”, então. Claro que a carta não seria postada no correio para todos os brasileiros, mas a defesa (da qual Flávio faz parte) está afirmando que não houve “orientação, ajuste ou combinação” acerca da leitura da carta nas redes sociais.

Isso é quase incompreensível, paradoxal. Flávio foi punido com a proibição de visitar o pai – que não foi punido e não perdeu a prisão domiciliar – por 90 dias, e a defesa praticamente afirma que Flávio fez o que não era para ter feito. E quem diz isso é a defesa de Bolsonaro, nem é Alexandre de Moraes; defesa essa da qual Flávio faz parte. Vocês conseguiram entender esse nonsense?

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Chanceler foge de convocação para explicar o tal “risco de invasão” dos Estados Unidos

O chanceler Mauro Vieira foi convocado para ir à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara e não foi. Ele foi convocado, não convidado; os ministros são obrigados a atender à convocação sob pena de crime de responsabilidade. Ele não foi lá explicar por que o Itamaraty (ou ele, pessoalmente), em resposta a um deputado, disse que a classificação de nossos bandidos – o PCC, que já é uma multinacional, e o Comando Vermelho – como terroristas abriria a possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil. Queriam que Vieira explicasse de onde tirou isso, mas ele não foi. Um assessor do Itamaraty que trata de assuntos parlamentares explicou que ele estará à disposição de 11 a 14 de agosto, mas agora é tarde: os deputados já tomaram a iniciativa de fazer uma queixa-crime para a Procuradoria-Geral da República por crime de responsabilidade.