Renunciar. Todo o bem que a vida trouxe, toda a expressão do humano sofrimento. A gente esquece assim como se fosse um voo de andorinha em céu nevoento.
Anoiteceu de súbito. Acabou-se tudo… A miragem do deslumbramento… Se a vida que rolou no esquecimento era doce, a saudade inda é mais doce.
Sofre de ânimo forte, alma intranquila! Resume na lembrança de um momento teu amor. Olha a noite: ele cintila.
Que o grande amor, quando a renúncia o invade fica mais puro porque é pensamento, fica muito maior porque é saudade.
Olegário Mariano Carneiro da Cunha, Recife-PE, (1889-1958)
A magia do ritmo alucinante do bumba-boi do Maranhão
Aqui e também acolá, já se ouve o som dos pandeirões e o ritmo alucinante das matracas e as letras tocadas e cantadas das toadas dos ensaios redondos do bumba-boi do Maranhão.
É simplesmente envolvente!
A Ilha, cantada nos pequenos versos mas significativos quase sempre é o tema central. Ruas, praças e palcos se enchem de pessoas, turistas ou não, contagiadas pelos encantos e pela magia da maior e mais importante manifestação cultural do Maranhão.
Anos se passam. Novas toadas são ditas e cantadas. Mas jamais conseguirão superar as duas obras-primas imortalizadas por Zé Raimundo Gonçalves e Chagas da Maioba:
Chagas, o Cantador da Maioba (Mudou para outro novilho)
Se Não Existisse o Sol
Se não existisse o Sol Como seria pra Terra se aquecer E se não existisse o mar Como seria pra natureza sobreviver
Se não existisse o luar O homem viveria na escuridão Mas como existe tudo isso meu povo Eu vou guarnecer meu batalhão de novo
É boi, rapaziada
Se não existisse o Sol Como seria pra Terra se aquecer E se não existisse o mar Como seria pra natureza sobreviver
Se não existisse o luar O homem viveria na escuridão Mas como existe tudo isso meu povo Eu vou guarnecer meu batalhão de novo
É boi, é boi, é boi
Esqueça
José Raimundo Gonçalves (falecido) imortalizou a “toada”
Esqueça aqueles momentos, felizes que você me deu Esqueça aquele juramento, que fizemos só você e eu Esqueça a noite, a madrugada, e a Lua que já se perdeu Esqueça a noite, a madrugada, e a Lua que já se perdeu
Esqueça que você me amou Esqueça esse amor que foi meu Esqueça que já me deixou Esqueça que não me esqueceu Esqueça que você me amou Esqueça esse amor que foi meu Esqueça que já me deixou Esqueça que não me esqueceu Esqueça essa felicidade que um dia fiz você viver
Mas não se esqueça de dizer amor Como é que eu faço para lhe esquecer Mas não se esqueça de dizer amor Como é que eu faço para lhe esquecer
Boi Pirilampo
A primeira semana tem a mesma emoção da última, com o encerramento, dia 30, dos festejos de São Marçal. Arraiais montados nos espaços públicos e praças dos bairros tornam o mês de junho na maior manifestação cultural do Maranhão.
A pobreza é esquecida, a situação política é esquecida e tudo é transformado num sorriso (ainda que momentâneo) produzido pela magia junina.
Os ensaios redondos dão a largada até os batizados e atingem o ápice com as apresentações.
O que se ouve no primeiro momento é o cantar da toada cantada por Coxinho, agora transformada em Lei estadual. Toda apresentação de bumba-boi, independente do sotaque, se curva diante da tradição e abre as apresentações cantando:
“O lombo do meu boi Tem um céu todo estrelado Ferro em brasa não encosta Meu boi é mimoso Meu boi é mimado”
Festejos de Santo Antônio, dia 13. A tradição toma conta das pessoas que fazem da crendice o seu desejar mais próximo. Água na bacia para ver o namorado, faca na bananeira, fogueiras, casamentos e batizados de fogueira perpetuam ao longo de décadas a magia junina.
Canjica, milho assado, pamonha, arroz doce, mingau de milho (macunzá) e a culinária nordestina em primeiro lugar. Quadrilhas portuguesas, casinhas da roça e….. claro, bumba-boi.
Ele mesmo admitiu. O “sincericídio” de Lula mostra a verdadeira cara e pensamento dele, quando diz em voz alta aquilo que o povo brasileiro já sabe.
O Brasil foi saqueado e continua sendo! pic.twitter.com/ujQKd73Vch
— Deputado Delegado Zucco (@DelegadoZucco) June 6, 2026
O mané anda, como se diz vulgarmente, puto dentro das calças…
Em condições normais a recomendação para gerenciamento de conflitos entre nações é cabeça fria e sensatez.
Problema é que Banânia não está em condições normais – aliás, nem sei se Banânia se classifica atualmente como nação – e o mané, que ora ocupa a cadeira de gerente, não é exatamente aquele tipo que os gringos chamam de “cool”.
Acho que, nas atuais circunstâncias, a melhor recomendação pro nosso gerente é o uso do Regulador Xavier, Número 1 (excesso) ou 2 (escassez), à venda em qualquer botica…
Antônio Bento de Souza e Castro nasceu em 17/2/1843, em São Paulo, SP. Promotor público, jornalista e juiz. Ficou conhecido como o “Fantasma da Abolição”, devido ao temor que causava nos fazendeiros escravocratas. Foi um dos líderes dos “Caifazes”, integrantes do movimento abolicionista paulistano.
Filho de Dona Henriqueta Viana e Bento Joaquim de Souza e Castro, médico homeopata. Estudou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco e formou-se em 1868. Foi promotor público das cidades de Botucatu e Limeira e juiz na cidade de Atibaia, onde foi responsável pela libertação dos escravos negros contrabandeados após 1831 para esta cidade.
Foi amigo de Luis Gama, líder do movimento abolicionista na década de 1870, e substitui-o após sua morte em 1882. Reorganizou a Confraria de Nossa Senhora dos Remédios, reduto dos “Caifazes”, a ala mais radical do movimento e foi redator do jornal A redempção, promovendo a expansão do movimento. Junto com os amigos juízes, foram atuantes no arbitramento das leis que garantiam a liberdade aos negros contrabandeados após a proibição do tráfico de escravos a partir de 1807 pela Inglaterra. No Brasil, a proibição definitiva do tráfico negreiro se deu apenas em 1851, com a Lei Eusébio de Queiroz.
Os “Caifazes” enviavam emissários ao interior do Estado para entrar em contato com os escravizados, incentivar a fuga e lhes garantir recursos para as viagens e refúgios. Os fugitivos eram acomodados nas casas dos membros do movimento, enviados ao quilombo Jabaquara, em Santos, e daí para o Ceará, que já havia decretado a abolição. Muitas cidades decretaram a libertação dos escravos antes da Lei Áurea.
Antonio Bento e seus colegas atuaram no sentido de conseguir que alguns fazendeiros contratassem os negros fugitivos como assalariados. Talvez seja um dos abolicionistas mais atuantes e menos conhecidos na história “oficial”. Diversas personalidades da época reverenciam seu nome destacado no movimento: Raul Pompéia, Julia Lopes de Almeida, Rui Barbosa, José do Patrocínio e Coelho Neto entre outros.
Florestan Fernandes, pesquisando sua história, declarou: “Somente Antônio Bento perfilha uma diretriz redentorista, condenando amargamente o engolfamento do passado no presente, através (sic) do tratamento discriminativo e preconceituoso do negro e do mulato. Em consequência, o mito floresceu sem contestação, até que os próprios negros ganharam condições materiais e intelectuais para erguer o seu protesto”.
Um protesto que ficou ignorado pelo meio social ambiente, mas que teve enorme significação histórica, humana e política. De fato, até hoje, constitui a única manifestação autêntica de populismo, de afirmação do povo humilde como gente de sua autoliberação.” Joaquim Nabuco chegou a chamá-lo de “o John Brow brasileiro” referindo-se ao líder do movimento abolicionista dos EUA, na década de 1850.
Faleceu em 8/12/1898 e seu esquecimento na historiografia brasileira levou seus bisnetos Luiz Antonio Muniz de Souza e Débora Fiuza de figueiredo em contar sua história e após 10 de anos de pesquisa, publicaram o livro A redenção de Antonio Bento: os bastidores da luta contra a escravidão, lançado em 2020 pela editora Reality Books. Trata-se de um documento recheado de fatos e conquistas no movimento abolicionista e que preenchem uma considerável lacuna na historiografia do Brasil.
Fui fazer uma faxina no armário Que há anos é depósito de ilusões Encontrei amarelas as canções Que saíram do meu mundo imaginário E das peças que já foram vestuário Tinham umas mofadas, outras pretas, Estouradas encontrei doze canetas Que narraram meus amores infantis Numa caixa entreguei para os garis As tristezas entulhadas nas gavetas.