Antônio Bento de Souza e Castro nasceu em 17/2/1843, em São Paulo, SP. Promotor público, jornalista e juiz. Ficou conhecido como o “Fantasma da Abolição”, devido ao temor que causava nos fazendeiros escravocratas. Foi um dos líderes dos “Caifazes”, integrantes do movimento abolicionista paulistano.
Filho de Dona Henriqueta Viana e Bento Joaquim de Souza e Castro, médico homeopata. Estudou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco e formou-se em 1868. Foi promotor público das cidades de Botucatu e Limeira e juiz na cidade de Atibaia, onde foi responsável pela libertação dos escravos negros contrabandeados após 1831 para esta cidade.
Foi amigo de Luis Gama, líder do movimento abolicionista na década de 1870, e substitui-o após sua morte em 1882. Reorganizou a Confraria de Nossa Senhora dos Remédios, reduto dos “Caifazes”, a ala mais radical do movimento e foi redator do jornal A redempção, promovendo a expansão do movimento. Junto com os amigos juízes, foram atuantes no arbitramento das leis que garantiam a liberdade aos negros contrabandeados após a proibição do tráfico de escravos a partir de 1807 pela Inglaterra. No Brasil, a proibição definitiva do tráfico negreiro se deu apenas em 1851, com a Lei Eusébio de Queiroz.
Os “Caifazes” enviavam emissários ao interior do Estado para entrar em contato com os escravizados, incentivar a fuga e lhes garantir recursos para as viagens e refúgios. Os fugitivos eram acomodados nas casas dos membros do movimento, enviados ao quilombo Jabaquara, em Santos, e daí para o Ceará, que já havia decretado a abolição. Muitas cidades decretaram a libertação dos escravos antes da Lei Áurea.
Antonio Bento e seus colegas atuaram no sentido de conseguir que alguns fazendeiros contratassem os negros fugitivos como assalariados. Talvez seja um dos abolicionistas mais atuantes e menos conhecidos na história “oficial”. Diversas personalidades da época reverenciam seu nome destacado no movimento: Raul Pompéia, Julia Lopes de Almeida, Rui Barbosa, José do Patrocínio e Coelho Neto entre outros.
Florestan Fernandes, pesquisando sua história, declarou: “Somente Antônio Bento perfilha uma diretriz redentorista, condenando amargamente o engolfamento do passado no presente, através (sic) do tratamento discriminativo e preconceituoso do negro e do mulato. Em consequência, o mito floresceu sem contestação, até que os próprios negros ganharam condições materiais e intelectuais para erguer o seu protesto”.
Um protesto que ficou ignorado pelo meio social ambiente, mas que teve enorme significação histórica, humana e política. De fato, até hoje, constitui a única manifestação autêntica de populismo, de afirmação do povo humilde como gente de sua autoliberação.” Joaquim Nabuco chegou a chamá-lo de “o John Brow brasileiro” referindo-se ao líder do movimento abolicionista dos EUA, na década de 1850.
Faleceu em 8/12/1898 e seu esquecimento na historiografia brasileira levou seus bisnetos Luiz Antonio Muniz de Souza e Débora Fiuza de figueiredo em contar sua história e após 10 de anos de pesquisa, publicaram o livro A redenção de Antonio Bento: os bastidores da luta contra a escravidão, lançado em 2020 pela editora Reality Books. Trata-se de um documento recheado de fatos e conquistas no movimento abolicionista e que preenchem uma considerável lacuna na historiografia do Brasil.