A magia do ritmo alucinante do bumba-boi do Maranhão
Aqui e também acolá, já se ouve o som dos pandeirões e o ritmo alucinante das matracas e as letras tocadas e cantadas das toadas dos ensaios redondos do bumba-boi do Maranhão.
É simplesmente envolvente!
A Ilha, cantada nos pequenos versos mas significativos quase sempre é o tema central. Ruas, praças e palcos se enchem de pessoas, turistas ou não, contagiadas pelos encantos e pela magia da maior e mais importante manifestação cultural do Maranhão.
Anos se passam. Novas toadas são ditas e cantadas. Mas jamais conseguirão superar as duas obras-primas imortalizadas por Zé Raimundo Gonçalves e Chagas da Maioba:
Chagas, o Cantador da Maioba (Mudou para outro novilho)
Se Não Existisse o Sol
Se não existisse o Sol
Como seria pra Terra se aquecer
E se não existisse o mar
Como seria pra natureza sobreviver
Se não existisse o luar
O homem viveria na escuridão
Mas como existe tudo isso meu povo
Eu vou guarnecer meu batalhão de novo
É boi, rapaziada
Se não existisse o Sol
Como seria pra Terra se aquecer
E se não existisse o mar
Como seria pra natureza sobreviver
Se não existisse o luar
O homem viveria na escuridão
Mas como existe tudo isso meu povo
Eu vou guarnecer meu batalhão de novo
É boi, é boi, é boi
Esqueça
José Raimundo Gonçalves (falecido) imortalizou a “toada”
Esqueça aqueles momentos, felizes que você me deu
Esqueça aquele juramento, que fizemos só você e eu
Esqueça a noite, a madrugada, e a Lua que já se perdeu
Esqueça a noite, a madrugada, e a Lua que já se perdeu
Esqueça que você me amou
Esqueça esse amor que foi meu
Esqueça que já me deixou
Esqueça que não me esqueceu
Esqueça que você me amou
Esqueça esse amor que foi meu
Esqueça que já me deixou
Esqueça que não me esqueceu
Esqueça essa felicidade que um dia fiz você viver
Mas não se esqueça de dizer amor
Como é que eu faço para lhe esquecer
Mas não se esqueça de dizer amor
Como é que eu faço para lhe esquecer
Boi Pirilampo
A primeira semana tem a mesma emoção da última, com o encerramento, dia 30, dos festejos de São Marçal. Arraiais montados nos espaços públicos e praças dos bairros tornam o mês de junho na maior manifestação cultural do Maranhão.
A pobreza é esquecida, a situação política é esquecida e tudo é transformado num sorriso (ainda que momentâneo) produzido pela magia junina.
Os ensaios redondos dão a largada até os batizados e atingem o ápice com as apresentações.
O que se ouve no primeiro momento é o cantar da toada cantada por Coxinho, agora transformada em Lei estadual. Toda apresentação de bumba-boi, independente do sotaque, se curva diante da tradição e abre as apresentações cantando:
“O lombo do meu boi
Tem um céu todo estrelado
Ferro em brasa não encosta
Meu boi é mimoso
Meu boi é mimado”
Festejos de Santo Antônio, dia 13. A tradição toma conta das pessoas que fazem da crendice o seu desejar mais próximo. Água na bacia para ver o namorado, faca na bananeira, fogueiras, casamentos e batizados de fogueira perpetuam ao longo de décadas a magia junina.
Canjica, milho assado, pamonha, arroz doce, mingau de milho (macunzá) e a culinária nordestina em primeiro lugar. Quadrilhas portuguesas, casinhas da roça e….. claro, bumba-boi.




Esse José Ramos, escrever de todo seu coração!!!! É um cronista arretado de bom. É nordeste em carne e osso.