SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

POR QUE O FILME DARK HORSE PREOCUPA TANTO O PT?

Cena do trailer do filme Dark Horse, cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)

Estou impressionado com a movimentação do PT e com a importância que o partido está atribuindo ao filme Dark Horse. Isso chama atenção, especialmente porque o cinema, que já foi a principal fonte de entretenimento audiovisual, desde os tempos do cinema mudo, vem perdendo espaço ao longo dos anos. Ainda assim, parece provocar receio.

Esse receio é visível a ponto de buscarem o Supremo e o TSE para investigar a origem dos recursos que financiaram o filme. No entanto, trata-se de uma relação entre particulares: a produtora e o investidor, no caso, Vorcaro, que firmaram contrato com expectativa de retorno via bilheteria, como, aliás, deveria ser regra.

Em contraste, temos o modelo da Lei Rouanet, que utiliza recursos públicos. Em tese, esses recursos deveriam incentivar orquestras do interior, grupos teatrais emergentes e companhias de balé em formação. Na prática, porém, quem frequentemente se beneficia são artistas consagrados, que cobram ingressos caros e não dependem desse tipo de incentivo. São celebridades que já têm mercado consolidado.

Aproveito para levantar essa questão: tudo isso sai do bolso do contribuinte. E, ainda assim, há contestação até sobre a entrada no Brasil do ator principal e do diretor do filme. Questiona-se até a situação migratória deles. É um nível de tensão que revela certo desespero.

Curiosamente, pesquisas recentes voltam a indicar Lula à frente de Flávio, especialmente após a divulgação de mensagens encontradas no celular de Vorcaro, nas quais Flávio cobrava o pagamento de valores devidos, conforme contrato. Esse documento, aliás, poderia ter sido tornado público à época em que Vorcaro patrocinava eventos que reuniam autoridades de alto escalão, como o procurador-geral da República e o chefe da Polícia Federal, com encontros em Londres regados a uísque Macallan, sem qualquer questionamento naquele momento, já que nada havia vindo à tona.

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R$ 20 milhões

Agora, o cenário muda. Há expectativa de uma delação premiada praticamente definida envolvendo o ex-presidente do Banco de Brasília, que participou da operação de aquisição do Banco Master e teria recebido imóveis de alto valor como contrapartida. Com isso, novos nomes começam a surgir, como o do atual ministro de Minas e Energia, que teria recebido R$ 20 milhões para sua campanha ao Senado em 2022. Vale lembrar que, à época, Vorcaro não era alvo de investigação.

Também chama atenção o fato de Lula ter reunido esse mesmo ministro com Vorcaro, em encontro articulado por Guido Mantega no Palácio do Planalto, com a presença de Gabriel Galípolo, já indicado para a presidência do Banco Central. O objetivo teria sido discutir alternativas para evitar a quebra de Vorcaro.

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Agronegócio

Por outro lado, uma notícia relevante para o setor agrícola. O Senado aprovou a securitização das dívidas de produtores, especialmente no Rio Grande do Sul, onde os débitos chegam a cerca de R$ 90 bilhões. O projeto segue agora para a Câmara e prevê juros entre 3,5% e 7,5% ao ano, três anos de carência e prazo total de dez anos para pagamento. Os recursos virão de um fundo abastecido com royalties do pré-sal.

DEU NO JORNAL

TORRANDO EM PARIS

Enquanto o governo sabota projetos para socorrer produtores rurais e até chama a renegociação das dívidas de “pauta-bomba”, Lula deu sinais de que vai manter o opulento padrão na viagem que inventou, diz que de última hora, a Paris (França) para participar do G7.

O pagador de impostos vai bancar fatura de R$ 480.542,20, isso só com carrões para a comitiva do petista zanzar por lá. Se por aqui a ANAC até parou atividades por falta de dinheiro, por lá, as limusines já estão até pagas.

O Itamaraty contratou a V&D Luxury, que só trabalha com modelos top de linha da Mercedes, sedans ou vans. Além do chofer, claro.

No site, a empresa oferece limusines para clientes de alto padrão com a mensagem “Torne sua viagem tão luxuosa quanto seu destino”.

O Itamaraty também já mandou alugar “salas” de apoio para Lula, que ainda está a quase 9 mil quilômetros de Paris,

São dois espaços, a “Salle du Conseil”, para 10 pessoas, e a “Salle des Arcardes”, para 30 pessoas.

A fatura é nossa: R$ 38.687,35.

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Não há motivo para espantos.

Tá tudo dentro da normalidade esbanjanjadeira lulo-petralha.

E nós, os contribuintes, é que vamos pagar a conta.

Só isso.

Abram os bolsos.

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

DEPOIS DOS CRÉDITOS

O Dia dos Namorados sempre me traz à lembrança os grandes romances retratados pela arte.

As canções, o cinema e a literatura estão cheios de histórias de amor que nos emocionam.

Amores que superaram grandes obstáculos, como a de Ulisses e Penélope; que resultaram de encontros improváveis, como em “A Bela e a Fera”; histórias de personagens como Eduardo e Mônica, que, apesar de tão diferentes, descobriram um jeito de caminharem juntas.

Sei que nem todo mundo vive histórias assim, feitas de tramas espetaculares. Mas essa é talvez a principal utilidade dessas narrativas: inspirar as pessoas a perceberem o extraordinário escondido no cotidiano.

Porque muitas vezes o romance está menos nos grandes gestos que nas pequenas permanências; menos nas declarações memoráveis que na companhia silenciosa de quem escolhe ficar.

E há um detalhe importante a ser levado em conta nisso tudo: seja nos romances épicos, seja nas simples comédias românticas, a história costuma terminar exatamente quando o casal finalmente fica junto.

O beijo acontece. O reencontro ocorre. Os obstáculos são vencidos. Sobem os créditos.

Na vida real, é justamente aí que a história começa.

Com os desafios da convivência, com o exercício diário da tolerância, com o companheirismo dos dias fáceis e dos dias difíceis. E talvez seja justamente aí que o amor revele sua forma mais verdadeira.

Não é à toa que Belchior dizia que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa. Porque quem não atravessou oceanos e não venceu maldições ancestrais pode ter construído, dia após dia, uma história feita de conversas, paciência, afeto e presença.

E é aí que está a grandeza.

Então, o que tenho a dizer aos que estão juntos neste Dia dos Namorados é: olhem-se nos olhos e celebrem. Celebrem não apenas o amor que sentem, mas a história que construíram. Porque só vocês sabem o que enfrentaram para chegar até aqui, mas vocês chegaram.

Isso, por si só, já merece ser comemorado.

Com a vantagem que o seu filme pessoal não precisa terminar quando começarem a subir os créditos.

DEU NO X

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

DOM HELDER E O GENERAL

Mais histórias do passado. Já começo lembrando que Dom Hélder chegou, em 12/04/1964, para ser arcebispo de Olinda e Recife. E logo criou, por aqui, o Banco da Providência, reprodução de experiência no Rio. Para ajudá-lo, convidou as assistentes sociais Ana Maria Moraes e Lilia Guaraná, só que não tinha dinheiro para contratá-las. Dom Lamartine, seu anjo da guarda, encontrou-se casualmente com Paulo Guerra

– Dr. Paulo, o Arcebispo veria com muitos bons olhos a contratação dessas duas funcionárias, pelo governo, para ficar à disposição do Banco.

Guerra (PSD) foi eleito vice de Miguel Arraes (PST), em 1962, até quando a Redentora prendeu Arraes em Fernando de Noronha. O general Justino Alves Bastos, comandante do IV Exército, em seu livro de memórias escreveu

‒ Arraes socialmente confinado em seu palácio, já quase impossibilitado de nos trazer perturbações… O instinto herdado de meu pai, um caçador de onças, fez-me ver nele, desde a primeira hora, um inimigo… Declarei-lhe guerra desde que o conheci. E isolei-o, afinal, na solidão de um penhasco perdido no meio do Atlântico (a ilha de Fernando de Noronha).

Guerra, governador, desejava muito atender o Dom. Por ver, ali, uma chance de alargar suas relações com as oposições. Mas sabia da dificuldade representada pelo tal Justino, à época todo-poderoso em Pernambuco. Que mandava na própria sombra.

O amigo Carlos Moreira, advogado e poeta, estava batendo ponto no Bar do Valdemar (Recife antigo, toda gente sabe onde é) quando ele entrou para espanto dos presentes. Testemunha do fato foi o jornalista Aldo Camerino Paes Barreto.

Moreira pediu um papel a Aluízio Falcão e deixou registrado:

“‒ Cidadão guarda teu bolso
Comerciante a vitrina
Cachorro esconde o osso
Garçom feche a cantina.

Mas se tens o que perder
E ainda te resta tino
Bota as pernas pra correr:
Que está chegando o Justino!”

Dia seguinte, Guerra o foi procurar.

– Dom Helder está pedindo que eu contrate 20 assistentes sociais, general. Mas essa gente eu trato no pau e não vou contratar ninguém.

– Muito bem, governador.

Conversaram a manhã toda. Já indo embora, e como quem não queria nada, virou-se para ele

– Sabe o que estou pensando?, general. Que esse comunista sem-vergonha fez o pedido só prá gente negar e ele se dizer perseguido. O que o senhor acha de contratar duas, em vez das 20? Ele não iria poder falar em perseguição, afinal contratamos essas duas. Mas é o senhor quem manda.

– Grande ideia, governador, pode contratar.

No fim da tarde, um magote de meganhas veio reclamar. E o general, nos altos de sua vaidade,

– Fui eu que mandei.

Saudades de um tempo em que política, tão diferente do jogo bruto de hoje, ainda se fazia com engenho e arte.

DEU NO X

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

UM MOTE BEM GLOSADO

Mote e glosas do poeta paraibano José de Anchieta Batista.

Passa o tempo pregando honestidade,
Todo mundo sabendo que é ladrão.

Diz que é servo de Deus, mas o demônio
Deve ser o seu guia e companheiro.
Do Tesouro, roubou muito dinheiro,
Pra formar este enorme patrimônio…
Debaixo da camada de ozônio,
Não existe um sujeito mais vilão,
Procurar outro igual será em vão,
No grande lamaçal da improbidade:
– Passa o tempo pregando honestidade,
Todo mundo sabendo que é ladrão.

No domingo o safado está na Missa
Como um anjo aos pés do Criador,
Faz ofertas também a algum pastor,
Diz que a Deus sua alma é submissa,
Prega paz, prega amor, prega justiça,
Prega tudo o que traz a salvação,
Diz que Cristo foi sua redenção
E que vive na luz e na verdade:
– Passa o tempo pregando honestidade,
Todo mundo sabendo que é ladrão.

É comprando seus votos que é eleito,
E assim, nunca perde o seu mandato.
O safado é ligeiro igual a um rato,
E na arte do roubo ele é perfeito,
Pois aí ele encontra sempre um jeito
De burlar os caminhos da prisão.
Não vai longe uma só acusação…
“É coisa de inimigo, é só maldade!”
– Passa o tempo pregando honestidade,
Todo mundo sabendo que é ladrão.

É por isso que nossa humilde gente,
Sem remédio, sem médico, sem leito…
Nos hospitais mendiga seu direito,
Mas nada importa a dor que o povo sente.
E este bandido zomba impunemente
Da indigência da população…
Que sem comida, emprego e habitação
É por ele assaltada sem piedade…
– Passa o tempo pregando honestidade,
Todo mundo sabendo que é ladrão.

Porém Deus que não tem olhos fechados
E não deixa um pecado sem cobrança…
Vai fazê-lo subir numa balança,
Pra medir quanto pesam seus pecados…
Os tostões, um por um, serão cobrados…
Eu não sei de que jeito, mas serão!
Roubar do povo é crime sem perdão,
Pois só os pobres sofrem de verdade…
– Passa o tempo pregando honestidade,
Todo mundo sabendo que é ladrão.

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS