MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

O Dia dos Namorados sempre me traz à lembrança os grandes romances retratados pela arte.

As canções, o cinema e a literatura estão cheios de histórias de amor que nos emocionam.

Amores que superaram grandes obstáculos, como a de Ulisses e Penélope; que resultaram de encontros improváveis, como em “A Bela e a Fera”; histórias de personagens como Eduardo e Mônica, que, apesar de tão diferentes, descobriram um jeito de caminharem juntas.

Sei que nem todo mundo vive histórias assim, feitas de tramas espetaculares. Mas essa é talvez a principal utilidade dessas narrativas: inspirar as pessoas a perceberem o extraordinário escondido no cotidiano.

Porque muitas vezes o romance está menos nos grandes gestos que nas pequenas permanências; menos nas declarações memoráveis que na companhia silenciosa de quem escolhe ficar.

E há um detalhe importante a ser levado em conta nisso tudo: seja nos romances épicos, seja nas simples comédias românticas, a história costuma terminar exatamente quando o casal finalmente fica junto.

O beijo acontece. O reencontro ocorre. Os obstáculos são vencidos. Sobem os créditos.

Na vida real, é justamente aí que a história começa.

Com os desafios da convivência, com o exercício diário da tolerância, com o companheirismo dos dias fáceis e dos dias difíceis. E talvez seja justamente aí que o amor revele sua forma mais verdadeira.

Não é à toa que Belchior dizia que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa. Porque quem não atravessou oceanos e não venceu maldições ancestrais pode ter construído, dia após dia, uma história feita de conversas, paciência, afeto e presença.

E é aí que está a grandeza.

Então, o que tenho a dizer aos que estão juntos neste Dia dos Namorados é: olhem-se nos olhos e celebrem. Celebrem não apenas o amor que sentem, mas a história que construíram. Porque só vocês sabem o que enfrentaram para chegar até aqui, mas vocês chegaram.

Isso, por si só, já merece ser comemorado.

Com a vantagem que o seu filme pessoal não precisa terminar quando começarem a subir os créditos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *