PROMOÇÕES E EVENTOS

O COMERCIAL DO EDITOR

Quando do seu lançamento, em outubro de 1984, este livro ganhou dois prêmios de Melhor Livro do Ano:

Prêmio Literário Nacional – Instituto Nacional do Livro/MEC

Prêmio Guararapes – União Brasileira de Escritores

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SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO X

DEU NO JORNAL

TÁ PERDOADO

Viralizaram imagens de Lula conferindo se a aliança continuava no dedo, após dar a mão a apoiadores.

Eleitores de oposição não perdoaram, pedindo nas redes sociais “100 anos de perdão” para o mão leve.

* * *

É lei antiga e que é obedecida há tempos.

Ladrão que rouba ladrão, tem 100 anos de perdão.

Se um militante petralha de fato levou a aliança do Descondenado, já está perdoado por um século.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

ARREPENDIMENTO – Olegário Mariano

Deste amor torturado e sem ventura
Resta-me o alívio do arrependimento.
O pouco que me deste de ternura
Não vale o que te dei de encantamento.

Abri para o teu sonho o firmamento,
Semeei de estrelas tua noite escura.
Dei-te alma, exaltação e sentimento.
Fiz de um bloco de pedra uma criatura.

Hoje, ambos à mercê de sorte avessa,
Se para te esquecer luto e me esforço,
Manda-me o coração que não te esqueça.

Padecemos idêntico suplício:
Tu – corroída de pena e de remorso,
Eu – com vergonha do meu sacrifício.

Olegário Mariano Carneiro da Cunha, Recife-PE, (1889-1958)

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

DEPUTADO QUE TINHA DE SER EXEMPLO DE CONDUTA CONSEGUIU FAZER TUDO ERRADO

marcelo aguiar

O cantor gospel e deputado estadual Marcelo Aguiar estaria bêbado, sob efeito de medicamentos e importunando mulheres em casa noturna onde sua arma disparou

Um deputado estadual de São Paulo, Marcelo Aguiar, do PL, cantor gospel, integrante da bancada evangélica da Assembleia Legislativa, está sendo investigado em um caso de disparo de arma Glock 380. Ele até tem porte, mas não podia estar com a arma, tendo bebido e estando em um clube noturno. Segundo relatos, ele estava importunando mulheres e alguém foi chamar sua atenção; parece que ele foi reagir e caiu. Não sei se o deputado estava com a arma na mão ou se ela estava guardada, mas a Glock disparou, ou seja, ele não estava cuidando direito da arma, que tinha um cartucho na câmara, mas não estava com as travas de segurança. Estava todo errado, estava bêbado, e a defesa ainda disse que ele havia tomado medicamento e estava alterado – mais uma agravante, ainda por cima.

Descobriram também que o carro do deputado, um BYD chinês, estava com uma placa da Assembleia Legislativa, mas aquela placa, na verdade, era de um Toyota Corolla; então, estava todo irregular. Provavelmente ele fazia isso para poder cometer infrações com o BYD e a multa acabar na Assembleia, que talvez tenha algum tipo de acordo com o Detran. Agora estão pedindo a cassação dele; o eleitorado, no dia 4, já o havia cassado quando não lhe deu votos necessários para se reeleger. Mas a bancada evangélica também tem de expulsá-lo, porque é um vexame, é muita hipocrisia um cantor gospel, de bancada evangélica, importunando mulheres, bêbado, com arma na cintura, sob efeito de medicamento e com carro com placa ilegal.

O eleitor tem de considerar se as pessoas que estão pedindo voto realmente obedecem à lei, que é igual para todos: para o mais humilde dos eleitores, para um presidente da República, para um governador, e também para um legislador – que faz as leis, e por isso tem de ser um modelo ainda maior de respeito às leis. É básico, para quem tem porte de arma, não estar com ela se vai frequentar aglomerações ou festas e beber álcool, nem se estiver sob o efeito de algum medicamento. É preciso estar absolutamente lúcido para poder usar uma arma.

* * *

Se os jornalistas estão entregando trabalho à IA, podiam ao menos revisar antes de publicar

Em véspera de eleição, praticamente tudo gira em torno de eleição e política, mas queria fugir um pouquinho disso e falar sobre assuntos críticos do nosso trabalho jornalístico, em dois casos de pessoas que fizeram o Brasil passar vergonha mais uma vez.

Uma certa Malévola Alves foi ao Egito e gravou um vídeo na frente das pirâmides (acho que foi diante das pirâmides de Quéops e de Miquerinos). Ela foi presa por fazer gestos obscenos. E percebe-se que o texto noticiando a prisão foi feito por inteligência artificial. Um portal de notícias escreveu: “Mariana Alves, conhecida como Malévola Alves, as duas aparecem fazendo gestos sexuais”. A IA não sabe a diferença entre “sensuais” e “sexuais”, e ainda interpretou os dois nomes como se fossem duas pessoas diferentes; não sei se já corrigiram. Mas o fiasco da brasileira que foi presa foi enorme.

Nos Estados Unidos, Rômulo Ferreira de Oliveira foi preso vendendo green card – o documento que permite ao portador ficar permanentemente nos EUA; Eduardo Bolsonaro tem um desses – e o cartão de social security, que seria mais ou menos como o nosso CPF. A notícia dizia que ele estava vendendo os documentos em troca de dinheiro, mas reparei que o site (o mesmo do caso da brasileira no Egito) escreveu o nome dele como os americanos fazem: “Rômulo Ferreira De Oliveira”, com D maiúsculo. Os americanos escrevem assim, mas nós não.

DEU NO JORNAL

FORA DE ÓRBITA

Jornalistas presentes no estúdio da Band, na noite do debate, afirmam que Janja e Sidônio Palmeira, muito nervosos, conseguiram atrapalhar mais a Lula que Flávio Bolsonaro.

O marqueteiro parecia fora de órbita.

* * *

Num é só o marqueteiro.

Todo o bando de Lula, a começar por ele próprio, anda fora de órbita.

Não vivem no mundo real.

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

CAMINHÃO DE MUDANÇA

Vai pela estrada um caminhão repleto de mudança
Levando a herança de herdeiros de poucos herdados:

Os engradados de uma cama finalmente em pé
Arca e Noé prisioneiros desse esfaqueado
Encaixotados os tecidos, mimos e quebráveis
E os incontáveis cacarecos soltos remexidos
Dois falecidos num retrato olham pra paisagem
Guardando imagens e lembranças dos seus tempos idos.

Um velho espelho já trincado mostra o azul do céu
E o mundaréu ensolarado se faz de carona
Uma meia-lona sobreposta com o melhor arrojo
Se faz de estojo pra relíquia da velha sanfona
Uma poltrona escancarada de pernas pra cima
Fazendo esgrima com cadeiras, bancas e tramelas
De sentinela dois pilões de bojo carcomido
E um retorcido pé de bucha de flor amarela.

Em dois colchões almofadados dorme a bicicleta
E duas setas de uma caixa mostram dois achados:

Um emoldurado de retrato com um Jesus sereno
E o último aceno de saudade de um cortinado.
Desbandeirado segue o carro rumo a seu destino
Um peregrino pitombado de grande esperança
Vai, na boleia, um passageiro carregando sonhos
Vai, na traseira, dez carradas de velhas lembranças.

DEU NO JORNAL