Na fila da seção para votar, uma senhora toda metida em roupa vermelha, chegou e perguntou em voz alta:
– Onde fica a fila das buchudas?
Eu já ia lhe dizer que ela poderia seguir direto para a porta, quando uma menina, sua filha adolescente, resolveu repreender a mãe.
– Ô, mainha, deixe disso!
A mulher quis insistir e a filha não deixou a mentira prosseguir:
– A senhora não está buchada.
A mãe meio irritada acabou confessando que uma amiga, “que tem o bucho quebrado, como o meu, disse e passou na frente”, falando com a maior naturalidade.
Eu, não me aguentando, resolvi entrar na conversa.
– Sua amiga praticou um ato de corrupção. Depois não pode reclamar de corruptos. – acrescentei: – Já imagino em quem votou.
A mulher arregalou os olhos para mim, não sei se surpresa por minha intromissão, ou pela ansiedade de dizer em quem votará:
– Em Lula. Claro! Que a gente não sabe apertar outro além do 13.
Eu exclamei baixinho, só para mim, “está explicado”.
E sigo na fila para votar contra essas coisas.
Agora chegou outra, toda de vermelho, afirmando que deveria “ter tomado emprestado a filhinha da vizinha para se adiantar na fila”.
As três principais plataformas “preditivas” mundiais, Polymarket, Kalshi e Robinhood Prediciton Markets, apostavam, na sexta (23), que a chance de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) é de 77%.
* * *
“Preditivas”…
Essa eu não conhecia.
Já anotei aqui no meu caderno.
Anotei também o percentual exagerado, quase 80%, pra conferir depois.