ALEXANDRE GARCIA

INGLESES NÃO GOSTARAM DE FAIXA SOBRE MALVINAS EXIBIDA POR JOGADORES ARGENTINOS

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Governo britânico alegou que exibição da faixa sobre as Malvinas desrespeitou regra da Fifa de vetar manifestações políticas em suas competições

Os ingleses se queixaram da faixa aberta ao fim do jogo que terminou em 2 a 1 para a Argentina, dizendo “Las Malvinas son Argentinas”. Mais do que isso, a festa em Buenos Aires foi uma festa política. Os argentinos aprendem desde criancinhas na escola que “as Malvinas são argentinas”. Foi isso que o bêbado Galtieri tentou, invadindo as ilhas, e acabou derrotado. A guerra durou dois meses, matou muita gente e não adiantou nada, mas o desejo de retomar as ilhas permanece.

É como se uma nação europeia estivesse ocupando Fernando de Noronha, pertinho de nós, embora a história seja um pouquinho diferente. Fernando de Noronha sempre esteve do lado português; já as Malvinas começaram francesas – o nome original era “Malouines” –, depois houve interferências de Espanha, Reino Unido e Argentina, e por fim os ingleses tomaram conta.

Mas a Inglaterra devia agradecer, porque os argentinos descarregaram no futebol essa gana de retomar as Malvinas. A pressão da panela diminuiu, graças ao futebol. Quem dera as guerras todas fossem resolvidas em um campo de futebol. Na quarta-feira tivemos o aniversário da nossa derrota no Maracanã, em 1950: 2 a 1 para o Uruguai, que se tornou bicampeão do mundo – já tinha vencido a primeira Copa, realizada lá no Uruguai mesmo, e que foi jogada toda em Montevidéu.

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Procurador quer explicações sobre aumento da mistura de etanol na gasolina

E, assim como os argentinos reivindicam o direito sobre as ilhas, os proprietários de automóveis, que pagam caro pelo combustível, têm direito a receber um produto não adulterado. Mas a gasolina que está nas motos e carros brasileiros passará a ter 32% de etanol em agosto. Ou seja, de cada três litros que abastecemos, só dois são de gasolina. Isso é vergonhoso, um desrespeito muito grande. A decisão foi do Conselho Nacional de Política Energética, para dar mais força para o etanol. No entanto, o máximo possível é 11%; na Europa, é 10%.

Insisto nisso porque um procurador do Ministério Público junto ao TCU, Lucas Furtado, está pedindo que o CNPE comprove que essa mistura não faz mal para o carro nem para o bolso do proprietário do veículo. Dizem que fizeram testes, mas que testes? A mistura ficou quanto tempo dentro de um tanque de gasolina? Seis meses, um ano? Óbvio que não. O motor ficou funcionando por quanto tempo? Deu tempo para entupir os injetores, para afetar o sistema eletrônico de distribuição? Deu tempo de verificar os anéis, os cilindros, os pistões? É óbvio que não.

O Brasil está sendo tarifado, inclusive, por nossa política de exportação de etanol. O programa do álcool é uma maravilha, mas é preciso respeitar a população. Não é possível enfiar goela abaixo dos proprietários de automóveis qualquer mistura com gasolina para um motor que foi feito para um máximo de 11% de etanol. Imaginem os carros importados, ou os carros mais antigos.

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Eleitor precisa parar de pensar só em nomes e analisar o que cada um está fazendo

A eleição está quase aí e as pessoas não se informam sobre o que está acontecendo. Vejamos os dois principais candidatos: Flávio Bolsonaro, quem é? As pessoas sabem quem é ele realmente, o que está fazendo? E Lula, quem é? O governo dele está aí, exposto. Só neste ano, temos lojas C&A fechando, Pão de Açúcar com alto prejuízo, Land Rover fechando fábrica, a construção civil sentindo, rombo nas estatais, fuga de empresas para o Paraguai, recordes de recuperação judicial, inadimplência crescendo tanto nas famílias como nas empresas, endividamento público nas alturas. Por causa disso é preciso manter os juros altos, do contrário ninguém compra os papéis do governo. Cada vez mais desempregados – mas dizem que o desemprego está baixo, porque só é considerado desempregado quem está procurando emprego; quem recebe Bolsa Família não é desempregado. Essas coisas estão bem diante de nós, e o eleitor precisa se informar antes de ficar fixado apenas em nomes, sem examinar o que eles fazem. É preciso pensar no futuro de seus filhos, no que vai acontecer nos próximos quatro anos.

DEU NO X

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

DAVI E GOLIAS

A história todos conhecem. Reunidos em Socó de Judá, cada qual em uma colina no vale de Elá, estavam filisteus e, com tropas menores, israelitas. A guerra estava por começar. Foi quando o campeão dos filisteus desafiou Israel para combate individual, com a vitória de um significado qual exército se tornaria servo do outro.

Esse guerreiro era Golias (em hebraico exilado), da cidade de Gate, com cerca de 3,51 metros (6 côvados e 1 palmo) de altura. Usava malha de bronze que pesava 57 quilos (5 mil ciclos), caneleiras de bronze, um grande escudo e lança cuja ponta pesava 6 quilos.

Por estarem com medo, todos os soldados, seu opositor acabou sendo Davi ‒ um jovem pastor ruivo e mirrado, irmão mais novo de Eliabe, Abinadade e Samá. Recusou a armadura que tentava o rei Saul lhe por, dado que com ela quase não podia se mover. Indo, ao combate, armado só com seu cajado e uma funda, a mais primitiva das armas de arremesso da humanidade, que usava no pastoreio contra leões e ursos que ameaçavam suas ovelhas; além de 5 pedras lisas que apanhou num rio próximo e guardou no alforge.

Ao se aproximarem, Davi usou sua atiradora e atingiu Golias de tal modo que a pedra ficou encravada em sua testa. Caindo, esse gigante, com a face na terra. Mas ainda vivo. Por pouco tempo. Que Davi usou então a espada, que tinha na cinta o gigante, cortando sua cabeça. E, com ela, entrou triunfante em Jerusalém. Mais tarde governou Israel por 40 anos, sendo sucedido por seu filho Salomão, mas essa é outra história.

Uso essa quase parábola ao refletir sobre a Copa do Mundo. Porque vimos jogos que lembravam o que aqui se contou. Com seleções que, por dinheiro e tradição, eram gigantes como Golias. Enquanto outros países, pequenos Davis, ali estavam apenas pela honra de defender suas bandeiras, o que os tornou muito especiais.

Para uma ideia das distâncias, o prêmio que Cabo Verde concedeu ao goleiro Vozinha, por sua participação na Copa, foi de apenas 10 mil dólares (dos quais 5 mil logo doados para instituições de caridade).

Só que, diferente da história bíblica, os fortes aqui vencem (quase) invariavelmente. No jogo contra a Argentina, o Egito teve anulado gol pois seu jogador teria pisado, 3 minutos antes, no pé de um argentino. A mesma jogada que já antes havia acontecido, umas 40 vezes, e nem faltas foram marcadas.

Em outro jogo, a Suíça empatava com a Inglaterra. Dominava e todos sentiam iminente o gol da vitória. Até que, em jogada no meio do campo, um jogador suíço se jogou no chão. Longe da área, sem perigo de gol, a bola já saindo pela lateral. E foi expulso. Por simulação. Dá para acreditar? O sistema é forte. Duvido que decisões como essas acontecessem no sentido contrário. Em favor dos Davis, contra os Golias.

Comparando com o Brasil, e para ficar só em um exemplo, nosso Supremo é guardião da Constituição. Deveria ser. Mas vejam o que diz o art. 37, XI: “A remuneração… da administração pública… não poderá exceder o subsídio mensal dos ministros do Supremo”. Pode haver dúvida? Quem quiser enriquecer, vá para a iniciativa privada.

Pois bem. O Supremo acaba de autorizar penduricalhos corporativos em até 35% a mais que esse limite. Mas, se era limite, como pode ser ultrapassado? E a Constituição?, senhores. Que se lixe!, parecem sugerir, com suas decisões monocráticas, nossos bravos ministros. Tornando atual a frase de Valery (Caderno B), “O poder sem abuso não tem charme”. A turma de Golias por aqui se considera virtuosa, invulnerável, eterna e onipotente. Deus, que protegeu Davi, tenha pena dos brasileiros.

DEU NO JORNAL

POLITICAGEM

O governo Lula (PT) esperou até os ‘45 minutos do segundo tempo’ para realizar qualquer negociação significativa com os Estados Unidos, no caso do tarifaço do governo americano.

Além de o próprio presidente Lula antagonizar o governo Trump sempre que podia, em seus comícios pré-eleitorais, até o Ministério das Relações Exteriores, responsável pela diplomacia, passou a fazer politicagem em comunicado oficial, insinuando que forças armadas dos EUA poderiam invadir o Brasil.

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Diz a nota aí de cima que o Ministério das Relações Exteriores “passou a fazer politicagem”.

Só esse ministério???

Que nada.

Politicagem é uma prática que se estende de canto a canto nesse gunverno lulo-petralha.

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

DEODATO, O ESCULTOR DOS SANTOS

Existem muitos talentos nordestinos fazendo artes pelo Brasil. Emigraram para ter sucesso no Sul Maravilha. Deodato, por exemplo, o maior escultor do Brasil, santeiro de alta cepa, Só tornou-se celebridade depois de se fixar em São Paulo

Meu amigo nasceu e se criou na Levada, tomou banho na lagoa Mundaú. Moleque andarilho na cidade de Maceió dos anos 40. Ainda menino, crescidinho, tinha apelido de varapau, por sua altura. Seu primeiro emprego, aos 12 anos foi no matadouro municipal como espantador de urubu. Passava o dia com uma palha correndo, enxotando urubus famintos nos restos de comida.

Despontou seu talento artístico nas brincadeiras. Deodato costumava moldar barro, construindo casinhas e bonecos. Certo dia foi vender sua escultura de barro na Feira de Passarinho, arranjou clientes e alguns trocados. Dr. Théo Brandão descobriu o menino escultor e incentivou-o a continuar seu belo trabalho em barro, depois esculpiu na madeira. Graças ao Dr. Théo seu trabalho começou a ser conhecido. Foi convidado para uma exposição em São Paulo, onde ficou. Foi entrevistado nos programas de TV, ficou famoso. Vez em quando retornava a Maceió, me procurava, eu amava as histórias de Deodato, sua maneira engraçada de conta-las.

Quando o Brasil entrou na II Guerra Mundial, Deodato prontamente se apresentou para lutar contra os Fascistas. Por sua infelicidade, aliás, felicidade, não foi escolhido pela Força Expedicionária Brasileira-FEB. Contudo, deixou seu nome na história do 20º Batalhão de Caçadores sediado em Maceió. Fez curso, foi promovido a cabo, ficou conhecido como Cabo Vareta, tornou-se uma lenda.

Durante a Guerra fez parte de um Pelotão Especial organizado pelo Sargento Madalena para patrulhar a zona do meretrício de Jaraguá. Resolviam os casos sem armas, acabavam brigas na porrada. Naquela época havia muitos soldados americanos destacados na base militar, os maiores encrenqueiros, mas, tinham medo do Pelotão Especial. Diz Deodato: “Dei muita porrada em americano folgado.”

Certa vez o quartel estava acampado perto da Lagoa Mundaú. Numa madrugada, Deodato e o soldado Zé Miguel estavam de serviço, faziam ronda numa noite escura de verão, Perto da margem da lagoa ouviram vozes, cantoria. Chegaram perto, era uma ladainha. As rezadeiras velavam o corpo de um rapaz afogado. Eles se aproximaram, foram recebidos pela família, tomaram alguns goles de cachaça. Zé ao verificar o sapato do morto ficou interessadíssimo, novinho em folha. Quando a reza acabou, os amigos do defunto se recolheram, ao amanhecer levariam o corpo para o cemitério, deixaram o cabo e o soldado à vontade. Zé Miguel ficou, de olho no sapato do defunto. Deodato continuou a ronda sozinho. Certo momento parou, ficou escondido atrás de um pé de pau, observando. Quando Zé Miguel iniciou a desatar o cadarço do sapato, Deodato atirou uma pedra, passou zunindo na cara do amigo. Zé ficou assustado, continuou a desatar o sapato. O cabo Vareta atirou outra pedra, acertou na barriga do defunto, Zé se assustou. Deodato lançou a terceira, a pedra maior apagou o candeeiro ao lado do corpo, Deodato aproveitou o escuro, gritou com voz cavernosa:

– Tire a mão do meu sapato cabra safado!!

Zé Miguel desembestou numa disparada sem parar, cabelos arrepiados. Uma hora depois Deodato chegou ao acampamento, perguntou com a cara mais lisa: “Que brancura é essa, Zé?”.

Zé Miguel estava ensanguentado, com o uniforme rasgado. Apavorado havia atravessado um obstáculo militar, cerca de arame farpado.

– Vareta, o defunto falou, me esculhambou!

Chorava o Zé ainda tremendo de medo, olhos arregalados.

– Bem feito, quem mandou mexer com almas do outro mundo!!!!

Disse Deodato, enquanto discretamente voltava para o local onde estava o velório vazio. Chegou sorrateiro, aliviou ο incômodo peso do sapato no defunto, experimentou.

– Era número 43, caiu como uma luva em meus pés.

Contou-me Deodato às gargalhadas. Saudades de meu amigo que hoje deve estar no céu esculpindo e os santos posando.

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VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

UM TEMPO ESTRANHO

Estamos vivendo um tempo estranho, quando tudo que parecia ficção transformou-se na crua realidade.

A esperança de tudo melhorar na vida do brasileiro virou utopia.

Os dias se alongaram e as madrugadas trazem um sono perturbado, diante do cenário político que assola o País, onde todas as notícias mostram exclusivamente perseguição para uns e impunidade para os culpados.

As notícias que, no século passado, só eram transmitidas pela Voz do Brasil”, hoje nos são transmitidas, ao vivo e a cores, durante as 24 horas do dia. Estamos vivendo em contato com a guerra, vivendo a guerra e respirando a guerra, presente da era cibernética.

O pavor à guerra, que aprendemos a ter desde criança, de repente tomou forma dentro da nossa casa, através da mídia televisiva.

A guerra sempre povoou, como um fantasma, os gibis e histórias em quadrinhos.

Assiste quem quer, e basta desligar o aparelho. É fácil dizer isso. Mas, se estamos vivendo a era digital, não há como retrocedermos no tempo, e vivermos isolados em cavernas, para não sabermos da maldade que se passa no mundo e da sua evolução.

A depressão nunca esteve tão presente na vida do homem. Fugir da realidade é impossível.

Estamos vivendo uma triste realidade, onde a vida humana nunca foi tão banalizada. Cada pessoa tem seu grau e seu suporte de sofrimento. O sentimento de solidariedade entra em nós, sem pedir licença.

Então, só nos resta enfrentar a realidade e assistir os horrores da guerra, da perseguição e da impunidade, que adentram à nossa casa, através da mídia. A outra opção seria nos trancarmos num casulo, à parte do que acontece no mundo, e criando para nós um mundo falso e fantasioso, onde só exista alegria.

O sofrimento da guerra nos dá a dimensão exata de que o homem é a fera destruidora do próprio homem. Não existe amor fraterno, solidariedade, nem desejo de paz no mundo em que vivemos.

A paz é e será sempre uma utopia. Os homens poderosos tem o estopim da bomba nas mãos, e cada bomba deflagrada representa para eles uma vitória. Isso é a destruição da humanidade, sob o comando dos maus.

Pouco importa o número de vidas humanas que se dizimam numa guerra. Os inocentes pagam pelos culpados e o sofrimento causado pelas guerras não comove os poderosos.

Os romances de amor, que tem a guerra como cenário, são pura ficção. Mas existe um, que trago sempre na memória: Adeus às Armas, de Ernest Hemingway.

PENINHA - DICA MUSICAL

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