Estamos vivendo um tempo estranho, quando tudo que parecia ficção transformou-se na crua realidade.
A esperança de tudo melhorar na vida do brasileiro virou utopia.
Os dias se alongaram e as madrugadas trazem um sono perturbado, diante do cenário político que assola o País, onde todas as notícias mostram exclusivamente perseguição para uns e impunidade para os culpados.
As notícias que, no século passado, só eram transmitidas pela Voz do Brasil”, hoje nos são transmitidas, ao vivo e a cores, durante as 24 horas do dia. Estamos vivendo em contato com a guerra, vivendo a guerra e respirando a guerra, presente da era cibernética.
O pavor à guerra, que aprendemos a ter desde criança, de repente tomou forma dentro da nossa casa, através da mídia televisiva.
A guerra sempre povoou, como um fantasma, os gibis e histórias em quadrinhos.
Assiste quem quer, e basta desligar o aparelho. É fácil dizer isso. Mas, se estamos vivendo a era digital, não há como retrocedermos no tempo, e vivermos isolados em cavernas, para não sabermos da maldade que se passa no mundo e da sua evolução.
A depressão nunca esteve tão presente na vida do homem. Fugir da realidade é impossível.
Estamos vivendo uma triste realidade, onde a vida humana nunca foi tão banalizada. Cada pessoa tem seu grau e seu suporte de sofrimento. O sentimento de solidariedade entra em nós, sem pedir licença.
Então, só nos resta enfrentar a realidade e assistir os horrores da guerra, da perseguição e da impunidade, que adentram à nossa casa, através da mídia. A outra opção seria nos trancarmos num casulo, à parte do que acontece no mundo, e criando para nós um mundo falso e fantasioso, onde só exista alegria.
O sofrimento da guerra nos dá a dimensão exata de que o homem é a fera destruidora do próprio homem. Não existe amor fraterno, solidariedade, nem desejo de paz no mundo em que vivemos.
A paz é e será sempre uma utopia. Os homens poderosos tem o estopim da bomba nas mãos, e cada bomba deflagrada representa para eles uma vitória. Isso é a destruição da humanidade, sob o comando dos maus.
Pouco importa o número de vidas humanas que se dizimam numa guerra. Os inocentes pagam pelos culpados e o sofrimento causado pelas guerras não comove os poderosos.
Os romances de amor, que tem a guerra como cenário, são pura ficção. Mas existe um, que trago sempre na memória: Adeus às Armas, de Ernest Hemingway.
