A magnânima colunista Violante Pimentel em sua coluna sobre o fim dos festejos juninos aborda a troca de nomes na Palestina a época de Jesus, fato muito comum.
Simão passou a se chamar Pedro e Saulo teve o nome modificado para Paulo.
Aqui em Banânia a situação é a mesma:
Um cidadão chamado Hilton passou a ter o nome de Erika.
São decorridos mais de 90 anos desde o meu Ontem até o Agora. Do meu nascimento à suposta velhice, o tempo voou. Constatei isso há poucos dias, revendo antigos recortes de reportagens, entrevistas, crônicas e livros do meu acervo.
Francisco Anysio Oliveira de Paula Filho, o fenomenal Chico Anysio, conversando descontraidamente com Lourenço da Fonseca Barbosa – Capiba – de repente ficaram rodeados de admiradores, amigos, escritores e jornalistas.
No ar, saudosas “passagens” que ambos viveram nos primórdios da PRA-8, a Rádio Clube de Pernambuco, na década de 1930, quando Chico participava com Aldemar Paiva, Mercedes del Prado e José Santa Cruz do infernal quadro: “Dona Pinóia e seus brotinhos”. Na mesma época em que Nelson Ferreira era o Diretor Musical e Sivuca (Severino Dias de Oliveira) estava chegando da Paraíba.
Capiba, quase noventão, contava suas memoráveis piadas e Chico dava “risadas dobradas”. De repente, surge uma frase séria do humorista, que me marcou bastante.
Aproveitando, transformei algumas falas em crônica. Vários colegas da Imprensa estavam no papo, o que mais parecia entrevista coletiva, numa tarde que antecedia a um Baile Municipal, no Clube Português do Recife.
Disse-nos Chico:
– O Hoje é tão rápido que mal dá para ser pensado!
E pensando sobre isto refleti que realmente vivemos um tempo muito louco, carregado de angústias, desejos, frustrações, necessidades supostamente inadiáveis, e apelos incessantes de compras de todos os tipos
O veloz progresso moderno acontece de tal forma rápida que força-nos a viver com vertiginosa intensidade. Quase não sentimos o gosto do Agora.
Portanto, guardar a História através de documentos, reter ensinamento e escrever livros é dar o testemunho de nossa preocupação com os que estão por vir à cena da vida abundante que estamos usufruindo agora.
É preciso entender que preservar o Ontem é alimentar um progresso menos penoso no futuro. Os dias que se foram, são relíquias que devemos sempre guardar de alguma forma: na memória, em papel, em fotografias, em fitas-magnéticas, em DVs ou em pendrives.
Nos meus vividos 90 anos o homem avançou muito em seu poder de colher conhecimentos. Primeiro veio o fogo, a roda, o eixo; daí, a tração por animais progrediu sob o impulso da água. Com o giro da roda de vários tamanhos, passamos a usufruir do elemento para tracionar, o tudo que hoje desfrutamos.
Pensemos na roda como tração mecânica, hidráulica, à vapor, óleo, elétrica, vento, jato propulsão e, finalmente, à fogo-propulsor que tem levado nossos foguetes a outros planetas.
E com a interligação de tudo isto, chegamos à época dos satélites extraterrestres. Tudo isso tendo por base técnica a roda, o eixo, a eletrônica, mas sobretudo, à inteligência humana.
Não nos esqueçamos que devemos ao homem das cavernas essa evolução, pois tudo começou com ele e homo-sapiens desenvolveu todos os mecanismos que conhecemos.
Porém, a Tecnologia da Informação, permite aos noventões – como o cronista – sem sair de casa, conseguem correr o mundo, ver imagens e ouvir falas e imagens dos seus bisnetos espalhados pelas américas.
E ampliando um pouco o assunto, vemos que se obteve a utilidade da roda no transporte de pessoas, tanto vertical, quanto aéreo: através dos trens, dos aviões, dos navios, dos submarinos e dos elevadores, agilizando as pessoas e diminuindo seu esforço físico.
É importante afirmar que houve um progresso ainda mais abrangente no início do século passado – década de 1930 – após a II Guerra Mundial, época em que nasci.
Os homens conseguiram obter conhecimentos de vários pontos do universo sem ao menos sair de sua escrivaninha. Assim ocorreu com o livro, o rádio, o cinema e a televisão, independe do transporte das pessoas para estudá-los nas fontes originárias do saber.
As informações são transmitidas tão rapidamente que mal sabemos definir o que chamamos de: Agora. Resta-nos guardar o acervo que dispomos, a fim de preservar o Agora, mesmo que signifique frações íntimas de um breve Ontem.
E somando tudo isto – eu que o diga – é importante admitir que foi um vertiginoso pulo do Ontem até o Agora.
O presidente Lula e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, no lançamento do Desenrola Adimplentes, em 29 de junho
A cartola de Lula, o mágico que acredita ser capaz de fazer dinheiro surgir espontaneamente do nada, ainda tem mais alguns truques finais antes que o espetáculo seja interrompido e o presidente-candidato não possa mais fazer anúncios públicos, nem usar a publicidade oficial para vender seus programas eleitoreiros. Depois do Novo Desenrola Brasil, o repeteco de um programa para devedores inadimplentes que conseguiu a proeza de gerar ainda mais dívidas no médio prazo, é a vez do Desenrola Adimplentes, voltado a trabalhadores informais que estão em dia com suas obrigações, mas pagam juros altos e poderiam renegociar os seus empréstimos.
Com o Desenrola Adimplentes, o governo pretende convencer 500 mil trabalhadores informais a renegociar suas dívidas de até R$ 15 mil, passando a pagar no máximo 1,99% ao mês de juros, podendo ampliar em até seis meses o prazo do contrato original, e reduzindo o valor da prestação a no máximo 90% do que pagavam antes de aderir. O truque, neste caso, está em abrir uma linha de crédito adicional correspondente a 50% do saldo devedor original – ou seja, mais estímulo para que o trabalhador pegue dinheiro para consumir e manter a economia artificialmente aquecida. Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, estatais, já confirmaram participação, se é que tinham alguma escolha; bancos privados ainda estudam, mas precisariam de argumentos muito bons para aceitar renegociar dívidas com quem está pagando em dia.
Além disso, foi anunciado o Fies Empreendedor, para ex-estudantes universitários que estão em dia com seus contratos de financiamento estudantil e precisam de dinheiro para iniciar ou impulsionar sua carreira profissional abrindo ou ampliando negócios. Esta linha de crédito terá juros de até 11% ao ano, com financiamentos de até R$ 180 mil para pessoas jurídicas, pagos em até 96 meses, e de até R$ 80 mil para pessoas físicas, com prazo de até 60 meses. Quem aderir a qualquer um dos dois programas recém-lançados terá seu CPF bloqueado por seis meses em sites de apostas on-line (as “bets”). As novas bondades governamentais custarão R$ 4 bilhões ao Tesouro Nacional: R$ 3 bilhões correspondem ao Desenrola Adimplentes e R$ 1 bilhão, ao Fies Empreendedor.
De bilhão em bilhão, o pacote eleitoreiro em que Lula aposta para conseguir a reeleição vai fazendo seu estrago nas contas públicas e na economia do país, que os estímulos mantêm aquecida além de suas capacidades. Isso gera pressão inflacionária, o que por sua vez leva a juros altos – seja a taxa básica, a Selic, seja aquela cobrada pelos bancos para emprestar dinheiro. Quando promete renegociações de dívidas em termos camaradas, o governo critica esses juros altos, embora seja o principal responsável por eles, quando adota uma política fiscal expansionista e amplia indiscriminadamente o crédito – ou seja, ou estamos diante de um espetáculo de ignorância, ou de pura hipocrisia.
Um dia, a conta da irresponsabilidade vem. No caso do gasto público desenfreado, todo o país pagará o preço, de várias formas possíveis: inflação, juros ou uma retração da economia, quando o motor superaquecido fundir de vez. E, se a experiência do primeiro Desenrola tiver algo a ensinar, há outros motivos de preocupação. Segundo o Banco Central, 15 milhões de pessoas renegociaram R$ 53 bilhões em dívidas em 2023, mas cada real renegociado naquela ocasião gerou R$ 1,15 em novas dívidas. Os adimplentes de hoje, uma vez aderindo ao Desenrola ou ao Fies Empreendedor, se tornarão os inadimplentes de amanhã caso algo saia errado? Com o governo incentivando essas pessoas a pegar emprestado mais e mais dinheiro, difícil saber quando o passo acabará maior que as pernas, inflando ainda mais os números de inadimplência, que já batem sucessivos recordes.