CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Chico Anysio e Capiba

São decorridos mais de 90 anos desde o meu Ontem até o Agora. Do meu nascimento à suposta velhice, o tempo voou. Constatei isso há poucos dias, revendo antigos recortes de reportagens, entrevistas, crônicas e livros do meu acervo.

Francisco Anysio Oliveira de Paula Filho, o fenomenal Chico Anysio, conversando descontraidamente com Lourenço da Fonseca Barbosa – Capiba – de repente ficaram rodeados de admiradores, amigos, escritores e jornalistas.

No ar, saudosas “passagens” que ambos viveram nos primórdios da PRA-8, a Rádio Clube de Pernambuco, na década de 1930, quando Chico participava com Aldemar Paiva, Mercedes del Prado e José Santa Cruz do infernal quadro: “Dona Pinóia e seus brotinhos”. Na mesma época em que Nelson Ferreira era o Diretor Musical e Sivuca (Severino Dias de Oliveira) estava chegando da Paraíba.

Capiba, quase noventão, contava suas memoráveis piadas e Chico dava “risadas dobradas”. De repente, surge uma frase séria do humorista, que me marcou bastante.

Aproveitando, transformei algumas falas em crônica. Vários colegas da Imprensa estavam no papo, o que mais parecia entrevista coletiva, numa tarde que antecedia a um Baile Municipal, no Clube Português do Recife.

Disse-nos Chico:

– O Hoje é tão rápido que mal dá para ser pensado!

E pensando sobre isto refleti que realmente vivemos um tempo muito louco, carregado de angústias, desejos, frustrações, necessidades supostamente inadiáveis, e apelos incessantes de compras de todos os tipos

O veloz progresso moderno acontece de tal forma rápida que força-nos a viver com vertiginosa intensidade. Quase não sentimos o gosto do Agora.

Portanto, guardar a História através de documentos, reter ensinamento e escrever livros é dar o testemunho de nossa preocupação com os que estão por vir à cena da vida abundante que estamos usufruindo agora.

É preciso entender que preservar o Ontem é alimentar um progresso menos penoso no futuro. Os dias que se foram, são relíquias que devemos sempre guardar de alguma forma: na memória, em papel, em fotografias, em fitas-magnéticas, em DVs ou em pendrives.

Nos meus vividos 90 anos o homem avançou muito em seu poder de colher conhecimentos. Primeiro veio o fogo, a roda, o eixo; daí, a tração por animais progrediu sob o impulso da água. Com o giro da roda de vários tamanhos, passamos a usufruir do elemento para tracionar, o tudo que hoje desfrutamos.

Pensemos na roda como tração mecânica, hidráulica, à vapor, óleo, elétrica, vento, jato propulsão e, finalmente, à fogo-propulsor que tem levado nossos foguetes a outros planetas.

E com a interligação de tudo isto, chegamos à época dos satélites extraterrestres. Tudo isso tendo por base técnica a roda, o eixo, a eletrônica, mas sobretudo, à inteligência humana.

Não nos esqueçamos que devemos ao homem das cavernas essa evolução, pois tudo começou com ele e homo-sapiens desenvolveu todos os mecanismos que conhecemos.

Porém, a Tecnologia da Informação, permite aos noventões – como o cronista – sem sair de casa, conseguem correr o mundo, ver imagens e ouvir falas e imagens dos seus bisnetos espalhados pelas américas.

E ampliando um pouco o assunto, vemos que se obteve a utilidade da roda no transporte de pessoas, tanto vertical, quanto aéreo: através dos trens, dos aviões, dos navios, dos submarinos e dos elevadores, agilizando as pessoas e diminuindo seu esforço físico.

É importante afirmar que houve um progresso ainda mais abrangente no início do século passado – década de 1930 – após a II Guerra Mundial, época em que nasci.

Os homens conseguiram obter conhecimentos de vários pontos do universo sem ao menos sair de sua escrivaninha. Assim ocorreu com o livro, o rádio, o cinema e a televisão, independe do transporte das pessoas para estudá-los nas fontes originárias do saber.

As informações são transmitidas tão rapidamente que mal sabemos definir o que chamamos de: Agora. Resta-nos guardar o acervo que dispomos, a fim de preservar o Agora, mesmo que signifique frações íntimas de um breve Ontem.

E somando tudo isto – eu que o diga – é importante admitir que foi um vertiginoso pulo do Ontem até o Agora.

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