Em abril/2026 estive a lazer no município de Barretos-SP, à beira do Rio Grande, na divisa com Frutal-MG. Nesse ponto o rio é represado pela Hidrelétrica de Marimbondo (uns 70 km abaixo) e apresenta vários ribeirões e córregos afluentes de grande volume e largura, quando originalmente eram pequenos cursos d’água.
Nessa ocasião o nível estava alto, próximo do máximo, tanto que semanas antes as comportas foram abertas. Mas esse lago é conhecido por variar muito de nível em razão de ser uma “Hidrelétrica de Contenção”, já concebida para armazenar água e servir às demais Usinas a jusante.
Marimbondo foi inaugurada no início dos anos 1970 e pode-se dizer que a Natureza ali pré-existente foi muito alterada e há muito tempo. Não se está em fase de adaptação à nova realidade, que já se tornou “velha” e consolidada.
Existem por ali centenas de “Ranchos” (construções de lazer voltadas à pesca e ao descanso à beira rio/lago), em verdade milhares se computarmos toda a extensão do Rio Grande no trecho que faz divisa SP/MG. Também milhares de pescadores amadores e uma boa parte de profissionais também. Milhares de canoas … etc.
A grande maioria pesca, amadoristicamente, com o intuito de consumir localmente. E NÃO FALTA PEIXE para ninguém. E olhem que na soma acaba sendo muito peixe, o ano todo, sem sinais de esgotamento.
Relatos de loucuras de pescadores 70 anos atrás, na própria Cachoeira de Marimbondo (que foi inundada pela Usina), pegando peixes enormes facilmente, todos de espécies nativas, são verdadeiros, mas não voltam mais. Atualmente o perfil de pesca é diferente, com participação expressiva de espécies exóticas (de outras bacias brasileiras e mesmo do exterior) e, seguramente, o volume pescado total deve ser dezenas de vezes superior ao do passado, basicamente porque tem muito mais gente pescando e não falta peixe.
Por um mesmo indivíduo, é provável que não ouçamos mais relatos do passado de quantidade pescada, mas no geral/soma é tremendamente maior. E se pega peixe o ano todo, já que as espécies não nativas são liberadas mesmo durante a Piracema.
Inúmeros fatores explicam o fato, como maior área e volume de água, maior suprimento de nutrientes para alimentar o sistema etc. Entretanto, para resumir, a Natureza reagiu, ainda que alterada.
Não é viável sonharmos em resgatar a paisagem que era em 1500, quando os Portugueses aqui pisaram. Não é possível ter volta. Porém é possível e desejável que compreendamos a “nova” situação e lidemos com ela da forma mais racional, científica e amorosa, legando às futuras gerações o que sobrou e melhorando até o que herdamos.
Ao invés de ficarmos discutindo os efeitos deletérios das Hidrelétricas, devemos entendê-los e melhorar o que pudermos. Exemplos: quase não se fez escadas para peixes (e está em tempo de fazer), as matas ciliares precisam ser melhoradas dentro do cenário legal já existente, apurar mais a fiscalização de não poluição dos afluentes (esgotos urbanos, rurais, químicos etc); além da fiscalização geral.
Sem o melhor manejo, a Natureza da região já respondeu muito, imaginem se melhorarmos tudo. Certamente, esse exemplo citado, de Barretos-SP, serve para várias regiões do Brasil e, mormente, para refletirmos e termos uma mentalidade mais pragmática e menos ideológica. Temos ciência e inteligência para tal missão.
Evaldo Peral Rengel, Eng. Agrônomo, Paulistano de nascimento e criação, radicado na cidade de Palmeiras de Goiás-GO há 40 anos e, portanto, Goiano de coração.
Lydia Bastogi Giannoni Moschetti nasceu em 14/9/1888, em Fuceccheio, região Toscana da Itália. Atriz, cantora lírica, poeta, escritora, pintora, professora e filantropa. Criou o “Instituto Santa Luzia – Escola Profissional para Cegos e Surdos Mudos”, em 1941, a “Fundação Banco de Olhos de Porto Alegre”, em 1956 e foi homenageada com o título de “Mãe dos Cegos do Rio Grande do Sul”.
Descendente de uma família nobre, veio para o Brasil (Santos) aos 19 anos, junto com mãe e 8 irmãos. O pai veio antes e a vinda da família deu-se devido a problemas financeiros. 2 anos após, casou-se com o patrício Luiz Moschetti e foram morar em Porto Alegre. O marido, engenheiro eletromecânico formado em e Turim representante da FIAT Autmóveis no Brasil, logo mudou de atividade e em 1911 abriu uma fábrica de embalagens de papelão, obtendo certa ascensão social.
Dedicou-se às obras de caridade, com o dinheiro arrecadado da venda de suas joias e bens pessoais. Criou creches, orfanatos e transformou seu palacete residencial numa “pupileira”, que veio a se tornar um Banco de Olhos, hoje portentoso Hospital oftalmológico. Diversificou sua filantropia até a criação de suas instituições para cuidar de cegos e surdo mudos nas décadas de 1940 e 1950. O marido faleceu em 1967 e ela continuou mantendo as instituições de caridade, além de dedicar-se a escrever.
Amante da literatura, fundou a Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul e publicou diversos livros, entre os quais: A sobrinha do cardeal, Um baile e uma vida, No altar da caridade, A morte das ilusões, Poesias esparsas, A vida é um ponto de ?, Autobiografia e História das minhas fundações. A academia logo estabeleceu intercâmbio cultural com escritores da América Latina, Europa e Ásia, estabelecendo um sistema de permuta reunindo milhares de livros.
Assim, foi criada a biblioteca com acesso ao público e em 1949 foi realizada a 1ª Exposição do Livro Latino, nas dependências da Faculdade Católica de Filosofia da PUC/RS. Nas décadas seguintes, a Academia já contava com vasta produção de eventos, como lançamento de novos autores; recepção de personalidades ilustres; concursos literários de âmbito nacional; palestras sobre temas variados; cursos de atualização direcionados ao magistério; oficinas de criação literária etc.
Na década de 1970, a acadêmica Noemy Valle Rocha fez a doação de um sobrado no bairro Cidade Baixa, onde a Academia instalou sua sede própria. Em 1972 foi inaugurado, em Farroupilha, o Museu Municipal Casal Moschetti, formado a partir de objetos doados por Lydia Moschetti, como homenagem por ser esta cidade considerada berço da imigração italiana no Estado. Faleceu em 5/8/1982, aos 94 anos, e recebeu o título de cidadã honorária, além de ter seu nome dado à uma rua de Porto Alegre.
O presidente Lula (ao centro) durante assinatura da MP que acaba com a taxa das blusinhas
A julgar pelo carnaval com que o governo anunciou (e com que os petistas comemoraram nas mídias sociais) o fim da “taxa das blusinhas” – a alíquota de 20% no Imposto de Importação para compras abaixo de US$ 50 –, em breve o óleo de peroba precisará de subsídio governamental devido à súbita alta na demanda. Desesperado por votos entre os setores mais pobres da população, que o petismo sempre viu como seu curral eleitoral por excelência, mas que vinha “se rebelando” ao sentir no bolso os efeitos da irresponsabilidade fiscal petista, Lula quer agora se vender como o presidente que “libertou” esses brasileiros de uma cobrança que seu próprio governo instituiu.
A ideia da “taxa das blusinhas” surgiu ainda no primeiro ano do terceiro mandato Lula, quando o governo já se via às voltas com a necessidade de aumentar a arrecadação para bancar a gastança que planejava fazer, em sua estratégia de fazer do gasto público o motor do crescimento da economia. Para disfarçar a verdadeira intenção, Lula e o ministro Fernando Haddad alegaram para uma premissa verdadeira: a isenção para compras de pequenos valores introduzia uma distorção que prejudicava a indústria e o comércio nacionais, sujeitos à pesadíssima carga tributária brasileira sobre a produção e o consumo. No entanto, entre reduzir e elevar impostos, o petismo sempre escolheu a segunda opção (a não ser em caso de desespero eleitoral); como na época não havia votos a caçar, em vez de tornar o produto nacional mais competitivo, que se taxasse o importado. Haddad virou meme, e até a primeira-dama Janja tentou defender a cobrança, exibindo todo o seu conhecimento da economia real ao afirmar que “a taxação é para as empresas e não para o consumidor”.
Não é, e nunca foi. A “taxa das blusinhas” entrou em vigor em 2024, após ser aprovada pelo Congresso como um jabuti inserido em outro projeto de lei; como acontece com qualquer criação ou elevação de impostos que afete o consumo, os mais pobres sentiram o baque: diante do aumento no preço final dos produtos, eles seguraram as compras – com o efeito colateral de agravar a crise nos Correios. O petismo, percebendo a insatisfação, correu para se livrar do filho feio. Ficou célebre o episódio em que o deputado Lindbergh Farias, debatendo com o colega Kim Kataguiri, afirmou que “se tem um brasileiro que foi contra aquela taxa das blusinhas, foi o Lula”, culpou o Congresso pela taxação, e disse que Lula não vetou o imposto para não criar uma crise com o Legislativo.
Era mentira, evidentemente. O presidente da República até demonstrou alguma hesitação diante da ideia da taxa das blusinhas, mas a bancada petista na Câmara e no Senado foi unânime no apoio ao imposto – a votação foi simbólica, mas nenhum parlamentar do PT encaminhou declaração de voto contrário, o que foi feito por parlamentares (poucos, é verdade; a oposição também não se esforçou para barrar a cobrança) de outras legendas. Depois, Lula não vetou a taxa – e, se o problema fosse uma possível crise com o Legislativo, o petista não teria vetado ou tentado reverter no STF vários outros projetos também aprovados pelo Congresso, como fez com o marco temporal (vetado vários meses antes da sanção da taxa das blusinhas), o aumento do IOF e a dosimetria.
O insulto final à inteligência do brasileiro veio na cerimônia organizada de última hora para a assinatura da medida provisória que abria caminho para o fim da taxa das blusinhas – fim que é provisório, pois a cobrança retornará no ano que vem. “Depois de três anos em que nós conseguimos praticamente eliminar o contrabando e regularizar o setor, nós podemos dar um passo adiante. Temos a satisfação de anunciar que foi zerada a tributação sobre a importação da famosa ‘taxa das blusinhas’”, disse o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron. Se o objetivo era meramente de fiscalização, nunca houve necessidade de uma alíquota de 20%. Quanto à defesa da indústria nacional, nem uma palavra, obviamente.
Lula e o petismo mentiram no passado, quando inventaram a taxa das blusinhas para arrecadar, disfarçando-a de proteção do produto brasileiro contra uma concorrência desleal de importados; e mentem quando tentam vender como grande feito o fim do que eles mesmos criaram, tirando da cartola um argumento sobre “combate ao contrabando” para não assumir os objetivos puramente eleitoreiros da medida. No fim das contas, tanto no surgimento quanto na extinção da taxa das blusinhas, o governo só estava pensando em si próprio.
Eu nasci pra ser alguém Com luz própria no trajeto E não pra ser objeto Pessoal de seu ninguém. Nunca mais serei refém Dos teus covardes papéis E dos teus atos infiéis Eu prefiro nem lembrar. Não pude mais aturar Os teus abusos cruéis.
Zé de França
Você pediu que eu ficasse, Contra a vontade, fiquei, Que nem um monge rezei Pra que tudo suportasse. Percebi que nosso enlace Constava só nos papéis Pode vender os anéis E a minha parte negar Não pude mais aturar Os teus abusos cruéis.
No seu livro O QUE É O ESPIRITISMO, o Codificador Allan Kardec escreveu: “Há duas coisas no Espiritismo: a parte experimental das manifestações e a doutrina filosófica. Ora, todos os dias sou visitado por pessoas que nada viram e creem tão firmemente como eu, apenas pelo estudo que fizeram da parte filosófica; para elas, o fenômeno das manifestações é acessório e o fundo é a doutrina, a ciência. Elas a veem tão grande, tão racional, que nela encontram tudo o que pode satisfazer suas aspirações íntimas, sem o fato das manifestações; de onde concluem que, supondo-se que as manifestações não existissem, a doutrina continuaria sendo aquela que resolve melhor uma multidão de problemas reputados insolúveis.”
Embasada na assertiva acima, uma espírita manauara, Procuradora do Ministério Público de Contas do Estado do Amazonas, resolveu instituir um Centro Espírita Online, com o objetivo de disseminar “o aprofundamento no estudo sério do Espiritismo, potencializando cada vez mais em cada íntimo uma reforma crescente”, segundo entrevista por ela concedida à RIE-Revista Internacional de Espiritismo, em abril passado.
No auxílio aos participantes do seu Centro Espírita Online, a Evelyn Freire de Carvalho redigiu alguns livros, tidos e havidos como significativos por iniciantes. Já li três:
A MORADA DOS ESPÍRITOS E SUAS LEIS, Evelyn Freire de Carvalho, Campos dos Goytacazes RJ, Editora Letra Espírita, 2020, 240 p.
DESCOMPLICANDO O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Evelyn Freire de Carvalho, Campos dos Goytacazes RJ, Editora Letra Espírita, 2025, 276 p.
DOUTRINA ESPÍRITA SEM SEGREDOS, Evelyn Freire de Carvalho, 2ª. edição, Campos dos Goytacazes RJ, Editora Letra Espírita, 2023, 246 p.
Para todos aqueles que buscam racionalmente iniciar-se nos princípios básicos da Filosofia Espírita, uma leitura bsementeira oportuna: FILOSOFIA MÍNIMA: LER, ESCREVER, ENSINAR, APRENDER, Luís Augusto Fischer, Porto Alegre RS, Arquipélago Editora, 2012, 336 p. O autor recebeu, em 2007, da Secretaria Municipal de Porto Alegre, o Prêmio Intelectual do Ano, tendo, em 2019, fundado a revista digital Parêntese.
O notável intelectual Antônio Cândido, em 1947, paraninfando uma turma de Filosofia, assim definiu a nossa principal missão terrestre: “Viver a aventura do pensamento, buscando enriquecer a nossa sensibilidade e a nossa visão das coisas”, cada um iluminando sempre mais o caminho das futuras reencarnações, ratificando o transmitido pelo Espírito Emmanuel, no livro A Caminho da Luz: “Os fluidos da vida foram manipulados de modo a se adaptarem às condições físicas do planeta, encenando-se as construções celulares segundo as possibilidades do ambiente terrestre, tudo obedecendo a um plano preestabelecido pela misericordiosa sabedoria do Criador, considerada as leis do princípio e do desenvolvimento geral.” Texto de um livro s cativantes do Chico Xavier, para gregos e troianos jamais ruminantes!!!
Sem um mínimo embasamento filosófico, jamais nos tornaremos integralmente pessoa, apesar dos gigantescos auxílios da Inteligência Artificial. Saibamos argumentar, sem nunca mentalmente apenas estupidificar.