Lydia Bastogi Giannoni Moschetti nasceu em 14/9/1888, em Fuceccheio, região Toscana da Itália. Atriz, cantora lírica, poeta, escritora, pintora, professora e filantropa. Criou o “Instituto Santa Luzia – Escola Profissional para Cegos e Surdos Mudos”, em 1941, a “Fundação Banco de Olhos de Porto Alegre”, em 1956 e foi homenageada com o título de “Mãe dos Cegos do Rio Grande do Sul”.
Descendente de uma família nobre, veio para o Brasil (Santos) aos 19 anos, junto com mãe e 8 irmãos. O pai veio antes e a vinda da família deu-se devido a problemas financeiros. 2 anos após, casou-se com o patrício Luiz Moschetti e foram morar em Porto Alegre. O marido, engenheiro eletromecânico formado em e Turim representante da FIAT Autmóveis no Brasil, logo mudou de atividade e em 1911 abriu uma fábrica de embalagens de papelão, obtendo certa ascensão social.
Dedicou-se às obras de caridade, com o dinheiro arrecadado da venda de suas joias e bens pessoais. Criou creches, orfanatos e transformou seu palacete residencial numa “pupileira”, que veio a se tornar um Banco de Olhos, hoje portentoso Hospital oftalmológico. Diversificou sua filantropia até a criação de suas instituições para cuidar de cegos e surdo mudos nas décadas de 1940 e 1950. O marido faleceu em 1967 e ela continuou mantendo as instituições de caridade, além de dedicar-se a escrever.
Amante da literatura, fundou a Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul e publicou diversos livros, entre os quais: A sobrinha do cardeal, Um baile e uma vida, No altar da caridade, A morte das ilusões, Poesias esparsas, A vida é um ponto de ?, Autobiografia e História das minhas fundações. A academia logo estabeleceu intercâmbio cultural com escritores da América Latina, Europa e Ásia, estabelecendo um sistema de permuta reunindo milhares de livros.
Assim, foi criada a biblioteca com acesso ao público e em 1949 foi realizada a 1ª Exposição do Livro Latino, nas dependências da Faculdade Católica de Filosofia da PUC/RS. Nas décadas seguintes, a Academia já contava com vasta produção de eventos, como lançamento de novos autores; recepção de personalidades ilustres; concursos literários de âmbito nacional; palestras sobre temas variados; cursos de atualização direcionados ao magistério; oficinas de criação literária etc.
Na década de 1970, a acadêmica Noemy Valle Rocha fez a doação de um sobrado no bairro Cidade Baixa, onde a Academia instalou sua sede própria. Em 1972 foi inaugurado, em Farroupilha, o Museu Municipal Casal Moschetti, formado a partir de objetos doados por Lydia Moschetti, como homenagem por ser esta cidade considerada berço da imigração italiana no Estado. Faleceu em 5/8/1982, aos 94 anos, e recebeu o título de cidadã honorária, além de ter seu nome dado à uma rua de Porto Alegre.
Linda a história de Lydia Moschetti.
Grato Valter pela visita ao memorial. Temos ainda muitos bons nomes para incluir