CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

ISMÁLIA – Alphonsus de Guimaraens

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…

E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…

Afonso Henrique da Costa Guimarães, Ouro Preto-MG (1870-1921)

DEU NO X

DEU NO JORNAL

ARMADURA DE “BIGULINHO” EXISTIU MESMO?

Thiago Braga

Armadura do Imperador Ferdinand I (1503–1564). (Foto: Metropolitan Museum of Art/Wikimedia Commons)

Sim, você não está vendo errado! E nem é meme! Isso que você está vendo é uma armadura de “bigulinho” mesmo. O cavaleiro medieval levava muito a sério a proteção do seu corpo e, como pode ver na imagem, eles não deixavam nada desprotegido.

Esse tipo de armadura é chamado de braguilha, e não começou com a armadura, não. Na verdade, desde a Grécia Antiga, em Creta, os homens usavam algo parecido: uma proto-braguilha, que cobria apenas a parte genital, literalmente.

Milênios foram passando, e chegamos à Baixa Idade Média. A braguilha como conhecemos surge para lidar com o próprio design das calças, que ficavam cada vez mais populares: elas fechavam atrás, mas na frente ficavam abertas.

Mas, com o tempo, esse vestuário modesto passou a ser supervalorizado, até demais. Já pelo fim da Idade Média, ia ficando cada vez mais popular os homens exagerarem na braguilha; virou uma espécie de tendência da moda masculina.

E aí chegamos à armadura de braguilha que você pode ver na imagem desta coluna. Ela surge como uma evolução da braguilha de tecido e tem a intenção de proteger as partes, assim como mostrar “presença” no campo de batalha, se é que o leitor me entende.

Ela é mais popular a partir do século XVI, o auge das “plate armours”. Inclusive, essas armaduras tinham formatos bem originais e chamativos, a gosto do cliente. Fique à vontade para imaginar o desconforto de quem produzia e vestia essas armaduras. Acredito que não era fácil para ninguém, mas, pelo jeito, valia o preço.

De qualquer forma, as armaduras de braguilha mais famosas são as do rei inglês Henry VIII e de Ferdinand I, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, que podem ser vistas e admiradas na Torre de Londres e no Museu de Arte Metropolitano de Nova Iorque. Já estive nesses lugares, mas nunca tive curiosidade de ver. Se alguém já teve a experiência, deixem nos comentários aqui o que acharam…

DEU NO X

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

NÃO SE COMBATE PROTECIONISMO COM BRAVATAS

Editorial Gazeta do Povo

O protecionismo europeu está, mais uma vez, colocando entraves à assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Uma votação no Conselho da UE, que estava prevista para ocorrer na última sexta-feira, foi adiada, devido às resistências de França e Itália, e deve ficar para janeiro do ano que vem. Para o acordo ser assinado pelos europeus, seria preciso o apoio de pelo menos 55% dos países-membros, que, somados, representem no mínimo 65% da população do bloco. Com França e Itália fora desse grupo, a aprovação correria risco, apesar de Alemanha e Espanha serem favoráveis ao acordo.

A resistência do setor agropecuário europeu ao acordo é notória; as potências agrícolas do continente subsidiam pesadamente o agronegócio local para que ele seja competitivo, e a ampliação da entrada de produtos sul-americanos mais baratos nos mercados europeus seria um duro golpe contra os produtores rurais. No fim de semana, ministros franceses já haviam classificado o acordo como “inaceitável em sua forma atual”. Produtores na França e na Bélgica se manifestaram com bloqueios em cidades e estradas. De última hora, a Itália se juntou ao coro de descontentes, com a premiê Giorgia Meloni afirmando que precisa ouvir primeiro o agronegócio local.

Incapazes de competir de igual para igual com os produtos do Mercosul, os europeus usam a questão ambiental como pretexto para manter as vantagens oferecidas ao agronegócio local ou para limitar, de alguma forma, a entrada das exportações de itens do agronegócio sul-americano. Em outra frente, não diretamente relacionada à assinatura do acordo, mas com reflexos evidentes no futuro do comércio entre os dois blocos, o Parlamento Europeu aprovou um mecanismo de salvaguardas que dificulta importações do Mercosul caso a entrada de produtos agrícolas sul-americanos baixe demais o preço desses itens na Europa.

Durante a campanha eleitoral de 2022, Lula também criticou o acordo Mercosul-União Europeia e, uma vez eleito, impôs dificuldades às negociações para manter controle maior sobre as compras governamentais. No entanto, ele mudou de opinião por medo de perder o protagonismo para o argentino Javier Milei, libertário defensor do livre comércio, e passou a trabalhar pela assinatura do acordo. Frustrado com as recentes dificuldades impostas pelos protecionistas europeus, o petista bravateou: “eu já avisei para eles, se a gente não fizer agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente”, afirmou durante reunião ministerial no dia 17. Apesar disso, fontes diplomáticas afirmaram que os países-membros do Mercosul foram avisados do adiamento da votação no Conselho da UE e concordaram em discutir um novo cronograma.

Lula sabe, ou ao menos deveria saber, que esse tipo de ultimato infantil tem utilidade zero quando se trata de conseguir a conclusão de um acordo cujas negociações são extremamente complexas. Bravatas podem até incendiar a militância ou dar a impressão de que o país tem um líder forte, mas acabam revelando fraqueza quando a promessa não se torna realidade. É melhor deixar os adultos conversarem – especialmente se forem adultos convencidos de que o livre comércio é ferramenta poderosa para o desenvolvimento econômico de um país como o Brasil, ainda bastante fechado e que precisa de inserção comercial para superar gargalos como a baixa produtividade.

XICO COM X, BIZERRA COM I

FLAVINHO BEIRA-MAR…

… esse tal de Flavinho é gente muito boa. Será um bom Presidente. Será? Descendente de europeu, acho, pela cor da pele e dos ‘zói’. Cidadão do bem. Um exemplo de que tem algo a ver com hereditariedade, o caráter e a formação moral das pessoas. Mas ele é bonzinho. Problema é que o povo é que nem as manicures de Itabaiana: tem a língua quase do tamanho de um trem daqueles bem grande, da Great Western Railway of Brazil, de que fala o Poeta Quirino. Tudo isso, essa malandragem, esse jogo de cintura, tudo, tudim, ele aprendeu na casa da mãe. E daí? Quê que vocês têm a ver com a vida e a mansão do cabra. Saibam que chocolate sempre foi um produto que vende muito o ano todo e que o lucro é quase o mesmo de uma ‘lavanderia’, por exemplo. Aliás, sobre a mansão, nem é essas ‘mansão’ toda: dizem que as paredes são cheias de rachadinhas, frágeis como se de chocolate fossem. Ele, como mais velho, é exemplo pros outros irmãos, que seguem a mesma cartilha. Um outro, deixou a câmara, onde era deputado, e foi viver na Disneylândia, a lamber botas de um galego que por lá mora. Um Pateta. Não lembram as 700.000 vidas sumidas na COVID por falta de vacina, quando o chefe ria e se divertia imitando quem estava sem fôlego. Aliás, ele não era coveiro. Familiazinha unida e criativa. Só não se entenderam muito na hora de decidir onde usar a máscara, se no rosto ou … bem, deixa pra lá. Da madrasta eu nem falo. Que fale a Polícia e seu maquiador. E esse tal de Chico Buarque, que eles tanto abominam, sabe nada. Vive, pra cima e pra baixo dizendo que essa gripezinha VAI PASSAR. Azar deles, o AMANHÃ SERÁ OUTRO DIA e o amanhã já é hoje. Pra completar, só falta agora arranjar o motorista: o mano fujão já contratou o jipe, o soldado e o cabo. Acho que o Queirós sabe dirigir. O Malafaia deve ter carteira de motorista. Talvez o maquiador da madrasta também tenha. Ou ela própria, que vive a desfilar, com jóias árabes a adornar-lhe o pescoço … Te cuida, Alexandre! Cuidado, meu povo, que inveja mata. E se ela não matar por conta própria vem as ‘miliça’ e bota no teu furico, sem dó ou piedade. Vide o exemplo de Marielle. Vôte! Vade retro, Senador! O choro é livre, da Papuda ao Balneário de Camboriú, passando pelos States e pelo Rio de Janeiro. Tá Okei?