DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ALEXANDRE GARCIA

LANÇAMENTO COMERCIAL DE FOGUETES

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A base de lançamento de Alcântara (MA): latitude privilegiada coloca o Brasil em boa posição para atrair interessados em lançar foguetes

Falo como brasileiro orgulhoso, que torce para dar tudo certo: nesta quarta-feira teremos o primeiro lançamento comercial de um foguete na base de Alcântara, no Maranhão. Houve aquela explosão 22 de agosto de 2003, que matou 21 pessoas no lançamento de um foguete. Desde então houve outros lançamentos, mas nenhum comercial. Nós já tínhamos contratos para fazer lançamentos para a Ucrânia, para a Rússia, para Israel; quando houve a explosão perdemos tudo isso. Agora, o foguete é um Hanbit, da Coreia do Sul, que vai lançar cinco microssatélites, além de experiências da Universidade Federal de Santa Catarina e da Universidade Federal do Maranhão.

Será um avanço tecnológico. Que tudo dê certo, e devem estar tomando muitos cuidados para que o Brasil passe a entrar nesse mercado de lançamentos em órbita. Porque, lançando em Alcântara, a economia de combustível chega a 30% na comparação com outras bases famosas como o Cabo Kennedy, na Flórida, que é o que os norte-americanos têm de mais próximo do Equador. Alcântara está muito melhor posicionada, a apenas dois graus de latitude sul do Equador. Isso dá uma vantagem enorme para nós, brasileiros. Se é assim, vocês perguntarão por que não se faz uma base em Macapá, bem onde passa o Equador. Mas não é apenas questão de latitude; Alcântara reúne condições de espaço, de solo, de clima e de sol ideais para lançamentos. Vamos torcer para que essa experiência dê certo.

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O Brasil desperdiça seu enorme potencial

Esses detalhes sobre Alcântara mostram que até nisso nós fomos sorteados pela natureza. Nesse país, o potencial para tudo é imenso. Com esse litoral, nós poderíamos ser o maior país pesqueiro do mundo. Com esse território, poderíamos ser o maior produtor de alimentos do mundo. Com esse subsolo, poderíamos ser o país mais rico de minérios do mundo. Com essa Amazônia, com essa biodiversidade, poderíamos ser o país mais completo do mundo. Mas estamos nos arrastando no chão, por quê? Será que é a nossa cultura que atrapalha?

Eu tenho dito em palestras que, se fossem os japoneses morando aqui, esta seria a primeira potência do mundo, óbvio, longe dos Estados Unidos. É bom que lembremos disso e olhemos para dentro de cada um de nós. Qual é o nosso problema? Por que tantos brasileiros fogem para Portugal? Há uma questão mais próxima, que é a insegurança. Mas todos querem um país organizado, que funcione, que dê bem-estar, tudo limpinho, tudo bonitinho. Por que não temos isso?

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Uma dica simples para termos um Brasil um pouco melhor a partir de 2027

Vamos votar no ano que vem. E, se queremos um país melhor, há uma receita simples. Na terça-feira eu estava em uma reunião com políticos e empresários em Porto Alegre. E os políticos me avisaram: basta não eleger deputados e senadores que tenham pendências no Judiciário, o popular é “rabo preso”. Comecemos por aí.

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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

DESENCANTO – Padre Antônio Tomás

Muitas vezes cantei, nos tempos idos,
Acalentando sonhos de ventura;
Então da lira a voz suave e pura
Era-me um gozo d’alma e dos sentidos.

Hoje vejo esses sonhos convertidos
Num acervo de penas e amargura,
E percorro da vida a estrada escura
Recalcando no peito os meus gemidos.

E, se tento cantar como remédio
Às minhas mágoas, ao sombrio tédio
Que lentamente as forças me quebranta,

Os sons que arranco à pobre lira agora
Mais parecem soluços de quem chora
Do que a doce toada de quem canta.

Padre Antônio Tomás de Sales, Acaraú-CE (1868-1941)

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CAPACIDADE

O que espanta nas pesquisas é a incapacidade de Lula (PT) de crescer.

Empacou nos 48%, generosamente atribuídos pela Quaest ontem, mesmo após prender o principal rival e encurralar os opositores, seguindo o modelo do amigo ditador venezuelano Nicolas Maduro.

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“Incapacidade de crescer” nas pesquisas.

Curiosa esta expressão contida na nota aí de cima.

Já a capacidade de crescer na bazófia, na mentiraria e na presunção, essa ninguém segura.

Sobe mais a cada dia que passa!!

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

O COMEDOR DE CHIMANGO

Foto de Marco Haurélio

As malas ele arrumou.
Fez o que a mente pedia
Pegou logo um avião
E se mandou pra Bahia
Para matar as saudades
Que sem dó lhe consumia.

Um chimango bem gostoso
Ele queria comer
Do jeito que ele gostava
Só Maria pra fazer
Quem come o chimango dela
De outros não quer saber.

Era grande seu desejo
Fervia a imaginação
Chegava a lamber os lábios
Ruminando a tentação
Contava cada segundo
Suspirando de emoção.

– Maria você me aguarde
Que não demoro a chegar
Pra comer o seu chimango
Eu vou a qualquer lugar
Meu desejo lhe garanto,
Dessa vez eu vou matar.

Não demorou muito tempo
Chegou ao alto sertão
A viagem não foi longa
Pois ele foi de avião
Com chimango na cabeça
Não perdeu a direção.

Parecendo um menino
Já na casa de Maria
O biscoito de polvilho
Sem parar ele comia:
– Sem comer o seu chimango
Eu não saio da Bahia.

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O TERROR ANTISSEMITA NA AUSTRÁLIA

Editorial Gazeta do Povo

australia antissemitismo

Memorial em homenagem às vítimas do ataque terrorista na Praia de Bondi, em Sydney, na Austrália

Neste fim de semana, dois atiradores, pai e filho, levaram o terror à Praia de Bondi, uma das mais populares de Sydney, na Austrália, matando 16 pessoas (até o momento; ainda há feridos em estado crítico), incluindo uma menina de 10 anos, um sobrevivente do Holocausto, e dois rabinos. A tragédia poderia ter sido ainda maior, se não fosse pela coragem de algumas pessoas que lutaram contra os terroristas para tirar-lhes as armas: um deles, Ahmed al-Ahmed, foi ferido; outro, o sexagenário Boris Gurman, acabou morto junto com a esposa. Um dos atiradores, Sajid Akram, o pai, foi morto pela polícia; o filho, Naveed, foi ferido e está hospitalizado – ele já tinha sido investigado por suspeita de ligações com organizações extremistas.

Não há dúvida alguma de que se tratou de um ato claramente antissemita. O atentado ocorreu em uma praia movimentada, mas os atiradores não atacaram indiscriminadamente; seu objetivo era uma festa judaica, pois o domingo era o primeiro dia do Hanukkah, ou “festival das luzes”. O feriado instituído na Antiguidade para celebrar uma importante vitória dos judeus em uma época de perseguição foi o dia escolhido pelo terror para mostrar aos judeus da atualidade que eles continuam a ser alvo simplesmente por serem quem são, independentemente do que pensem ou deixem de pensar sobre o conflito entre israelenses e palestinos.

O terror em Sydney é a aplicação do slogan “globalizar a intifada” – referência a sucessivos levantes palestinos contra Israel, que não raro recorrem à violência contra civis. É ingenuidade acreditar que esse clamor para levar ao mundo inteiro um conflito que é territorialmente localizado significa apenas reunir apoio global à causa palestina ou à solução de dois Estados: os ataques a judeus têm crescido em número e intensidade desde que Israel iniciou sua contraofensiva na Faixa de Gaza, em resposta à barbárie terrorista do Hamas em 7 de outubro de 2023. Só na Austrália, a média anual de ataques antissemitas (incluindo vandalismo, agressões e incêndios em sinagogas e outras instalações da comunidade judaica) quintuplicou desde a ação do Hamas.

Chamar a atenção para a espiral de antissemitismo, no entanto, não pode levar a generalizações infundadas, como a que associa o ataque em Sydney ao fato de a Austrália ter reconhecido o Estado palestino em setembro deste ano. Defender a solução de dois Estados como forma de encerrar o conflito israelense-palestino é uma posição legítima que nem de longe significa apoiar, incentivar ou mesmo tolerar o terrorismo islâmico, ou defender que judeus sejam expostos à violência; associar este reconhecimento diplomático ao terror antissemita, como fez o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, é uma acrobacia lógica que não faz sentido – até porque o governo australiano, em seu comunicado, defendeu a necessidade de os palestinos reconhecerem o Estado de Israel e afirmou que “a organização terrorista Hamas não pode ter papel algum na Palestina”.

A apologia do genocídio nas universidades norte-americanas; as manifestações de rua no Brasil que incluem a defesa dos terroristas do Hamas; a caça a torcedores de um time de futebol israelense em Amsterdã; os tumultos causados por militantes para impedir que palestrantes exponham o ponto de vista de Israel em debates em faculdades brasileiras (o caso mais recente ocorreu na Faculdade de Direito da USP, em que os vândalos da liberdade de expressão calaram André Lajst, da StandWithUs Brasil); os mapas que indicam os locais de instituições ou negócios ligados a judeus em grandes cidades dos Estados Unidos – tudo isso é a tal “globalização da intifada”. Um discurso inaceitável, mas que ainda está longe de receber a ampla condenação merecida.