Biela, peça-irmã do pistão e do virabrequim
O ditado: “Fulano já está batendo biela!”, exprime semelhanças entre o homem e as máquinas automotoras. Melhor dizendo: o tempo de uso da máquina acaba provocando desgaste nas bielas, bronzinas e no virabrequim.
Nesta crônica – para ilustrar o tema – tenho que fazer referência a um dos grandes oradores que conheci: Álvaro de Souza Melo Filho, quando numa de suas falas mais significativas, durante as comemorações do aniversário dos 80 anos de Capiba, afirmou, com o entusiasmo dos grandes tribunos:
“´Éramos muitos iguais na variedade, variados na unidade e únicos na diversidade. Hoje somos poucos em pleno vigor da atualidade.
Os que continuam, agradecem a Deus esse crédito de vida para as continuadas celebrações que acontecem com frequência e que têm sabor de uma oração de agradecimento.”
E considerando que estou dobrando a principal curva da vida, uma espécie do Cabo da Boa Esperança – a plenitude dos 90 anos – os passos se tornam lentos, a memória vai arquivando em definitivo fatos importantes; e vejo a dificuldade para a execução de pequenas tarefas.
Aproveito este jornal para me despedir, após quase 10 anos de atuação semanal, com crônicas que poderão vir a compor vários livros.
Através destas folhas, dos leitores e colunistas, fiz amigos que vão compensando as grandes perdas dos muitos que já se foram.
Devo reconhecer que um “freio de arrumação” é necessário, porque estou começando a bater bielas, dando trabalho aos meus revisores e ao caríssimo editor, Luiz Berto Filho, que com paciência paternal tem suportado meus “escorregos”.
Não sou tolo para desconhecer que para a minha “carcaça” nem óleo 40 resolve mais.
Despeço-me, hoje, para dar mais atenção aos 4 filhos, 12 netos e 11 bisnetos, espalhados em várias glebas, com os quais comunico com frequência; além dos cuidados que me merecem a esposa, as noras e os adotivos que estão chegando.
É chegado o tempo de me aposentar das obrigações, posto que, a aposentadoria de bancário ficou lá no 8 de junho de 1980.
De lá pra cá, foi continuar dispensando todo o empenho à literatura, editando para terceiros mais de 20 livros, além de 34 títulos publicados e mais três com parceiros ilustres.
Há de ver-se que as pregas invadem meu rosto. Não sou mais aquele tipo hollywoodiano. Já começo a “engomar” (dar passos arrastando os pés, como todo aquele que se sente velho) e há receio de sair sem companhia.
Isto quer dizer que não adianta mais trocar o óleo, porque o virabrequim e as bronzinas já eram…
O que de fato ocorre é que, realmente, já estou, de fato, batendo bielas!
