CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

BATENDO BIELA

Biela, peça-irmã do pistão e do virabrequim

O ditado: “Fulano já está batendo biela!”, exprime semelhanças entre o homem e as máquinas automotoras. Melhor dizendo: o tempo de uso da máquina acaba provocando desgaste nas bielas, bronzinas e no virabrequim.

Nesta crônica – para ilustrar o tema – tenho que fazer referência a um dos grandes oradores que conheci: Álvaro de Souza Melo Filho, quando numa de suas falas mais significativas, durante as comemorações do aniversário dos 80 anos de Capiba, afirmou, com o entusiasmo dos grandes tribunos:

“´Éramos muitos iguais na variedade, variados na unidade e únicos na diversidade. Hoje somos poucos em pleno vigor da atualidade.

Os que continuam, agradecem a Deus esse crédito de vida para as continuadas celebrações que acontecem com frequência e que têm sabor de uma oração de agradecimento.”

E considerando que estou dobrando a principal curva da vida, uma espécie do Cabo da Boa Esperança – a plenitude dos 90 anos – os passos se tornam lentos, a memória vai arquivando em definitivo fatos importantes; e vejo a dificuldade para a execução de pequenas tarefas.

Aproveito este jornal para me despedir, após quase 10 anos de atuação semanal, com crônicas que poderão vir a compor vários livros.

Através destas folhas, dos leitores e colunistas, fiz amigos que vão compensando as grandes perdas dos muitos que já se foram.

Devo reconhecer que um “freio de arrumação” é necessário, porque estou começando a bater bielas, dando trabalho aos meus revisores e ao caríssimo editor, Luiz Berto Filho, que com paciência paternal tem suportado meus “escorregos”.

Não sou tolo para desconhecer que para a minha “carcaça” nem óleo 40 resolve mais.

Despeço-me, hoje, para dar mais atenção aos 4 filhos, 12 netos e 11 bisnetos, espalhados em várias glebas, com os quais comunico com frequência; além dos cuidados que me merecem a esposa, as noras e os adotivos que estão chegando.

É chegado o tempo de me aposentar das obrigações, posto que, a aposentadoria de bancário ficou lá no 8 de junho de 1980.

De lá pra cá, foi continuar dispensando todo o empenho à literatura, editando para terceiros mais de 20 livros, além de 34 títulos publicados e mais três com parceiros ilustres.

Há de ver-se que as pregas invadem meu rosto. Não sou mais aquele tipo hollywoodiano. Já começo a “engomar” (dar passos arrastando os pés, como todo aquele que se sente velho) e há receio de sair sem companhia.

Isto quer dizer que não adianta mais trocar o óleo, porque o virabrequim e as bronzinas já eram…

O que de fato ocorre é que, realmente, já estou, de fato, batendo bielas!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

RODRIGO CONSTANTINO

O CONGRESSO

A decisão de Alexandre de Moraes, que decidiu cassar o mandato de Carla Zambelli (PL-SP) mesmo após decisão da Câmara de mantê-lo repercutiu imediatamente nas redes sociais. Políticos de esquerda e de direita correram para comentar a atitude.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) chamou o ato de “usurpação”. “Quando um ministro anula a decisão soberana da Câmara e derruba o voto popular, isso deixa de ser Justiça e vira abuso absoluto de poder. O Brasil viu um ato de usurpação institucional: um homem passando por cima do Parlamento e da vontade do povo”, disse em sua conta no X.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) também deu destaque à interferência do judiciário no legislativo. “O art. 55, §2º da Constituição, é claro: em caso de condenação criminal, a perda de mandato depende de decisão do Parlamento, por maioria absoluta. Ao cassar o mandato por ato individual, o Judiciário usurpa competência exclusiva do Legislativo”, disse.

Alguns alegam que há uma jurisprudência do STF de 12 anos sobre o tema, mas se o Supremo está ignorando a própria Constituição há 12 anos, a coisa fica ainda pior! Afinal, o texto é claro. Cabe à Câmara decidir. Moraes, uma vez mais, atropela outro poder. E o presidente Hugo Motta não se mostra à altura do cargo.

A falta de reação do Parlamento tem sido um convite a novos abusos. Decisão ilegal de sancionado por abuso de direitos humanos não se cumpre. Em algum momento, o Congresso terá de peitar para valer o STF. Talvez esse momento já tenha passado e seja tarde demais.

A triste verdade é que a população percebe uma inutilidade crescente do Congresso, se todo poder emana de poucos ministros supremos. Enquanto isso, a esquerda petista quer retomar as ruas para fazer campanha contra… Hugo Motta e Alcolumbre, os dois presidentes que têm protegido o consórcio PT-STF! E ainda chamam o Congresso de “inimigo do povo”. Não é golpismo?

O Poder Legislativo é o que efetivamente representa a população, com milhões de votos espalhados pelo país todo. Mas ele vem se tornando irrelevante perante os abusos supremos em conluio com o Poder Executivo. Quando o Parlamento “morre” desse jeito, a democracia foi para o saco. São tempos sombrios que o Brasil vive…

PENINHA - DICA MUSICAL