SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

ALEXANDRE GARCIA

A BLINDAGEM NA CPMI SEGUE FORTE

A CPMI que investiga a roubalheira gigantesca de bilhões dos velhinhos da Previdência recusou a convocação do Fábio Luís, filho de Lula, chamado Lulinha. O governo se mobilizou e, por 19 votos contra 12, recusou a convocação. Assim como o irmão de Lula, o Frei Chico, Lulinha perdeu a oportunidade de ir lá e deixar tudo claro, dizer que não tem nada a ver com coisa nenhuma. É tão simples: quem está limpo, não tem o que esconder, vai lá, faz questão de ir, se escala para ir e contar tudo. Mas não: o governo, morrendo de medo, mobilizou todo mundo que pôde para impedir a convocação.

Como válvula de escape para satisfazer a opinião pública, convocaram Daniel Vorcaro, do Banco Master. Também pode ser divertido, porque é claro que vão perguntar não apenas sobre o contrato do Master com a Previdência, sobre empréstimo consignado para aposentados e pensionistas, mas sobre todo o resto: sobre as ligações com ministros do Supremo, suas famílias… esse depoimento pode ir longe – se Vorcaro comparecer, porque de repente ele consegue ir para Dubai, como estava tentando quando foi preso.

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Economia empacou no terceiro trimestre, diz IBGE

Ontem mencionei o comércio sem fôlego, e agora saiu o PIB do terceiro trimestre, confirmando tudo aquilo que eu disse para vocês. O PIB cresceu 0,1%, ou seja, está estagnado. E isso que a indústria extrativa, a produção de petróleo e gás, teve um crescimento de 11,9%. Quer dizer que o resto foi muito mal, porque, se um setor cresceu quase 12% e o resultado final foi de só 0,1%, os demais puxaram para baixo. A construção civil até subiu 2%, mas a indústria de transformação caiu 0,6%. A indústria famosa é a indústria de produtos mesmo, a que faz sapatos, roupas, motores, ferramentas, máquinas, produtos químicos, é a indústria de transformação. É ela que está sofrendo concorrência dos produtos industriais feitos na China. Como a China é boazinha!

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Patrimonialismo petista destruiu as contas públicas

Falei dos problemas da economia brasileira, e o relatório do Tribunal de Contas da União sobre as contas públicas mostra que elas estão devastadas. Aí dizem que foi aprovado agora o orçamento do ano que vem, prevendo superávit. Mas o orçamento é um plano; a realidade de hoje qual é? Um déficit de dezenas de bilhões de reais. Tomaram o Estado brasileiro; apossaram-se do patrimônio do público e dos impostos do público. É o chamado patrimonialismo: a pessoa não está lá para administrar, mas para fazer o que bem entender.

Vejam esse caso dos Correios, que estão com um rombo bilionário. Como o Tesouro Nacional viu que não tinha como avalizar R$ 20 bilhões em empréstimos para os Correios, com juros de quase 20% ao ano, agora dizem para botar a Caixa Econômica no negócio. O Banco do Brasil já estava lá no pool; a Caixa entra para ver se puxa os juros para baixo. É órgão estatal, não precisa cobrar juros; o Banco do Brasil é uma empresa de capital aberto, não dá para fazer estripulias, tem acionistas, não é só o governo federal.

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Nova operação contra o PCC mostra como o crime toma conta do país

Uma operação da Polícia Civil de São Paulo contra o PCC bloqueou contas bancárias no valor de R$ 6 bilhões. Foram apreendidos 257 veículos! Eu vi a foto, os bandidos pelo jeito têm uma preferência pelos Porsche. Eles têm padarias, lojas de veículos, financeiras, 49 imóveis, três barcos. E vão dizer que o crime não tomou conta desse país? Quem deixou? Por quê? Não temos segurança pública? Não temos Justiça? Não temos políticos que fiscalizam tudo? O que estão fazendo com o nosso país? Aliás, será que ainda é nosso?

DEU NO JORNAL

DENTRO DOS CONFORMES

Lula (PT) mobilizou seus aliados e impediu a convocação de Fabio Luiz, seu filho “Lulinha”, para depor na CPMI que investiga o roubo aos aposentados.

A CPMI já sabia das suspeitas de envolvimento de Lulinha: depoimento à Polícia Federal revelou que ele recebia mensalão de R$ 300 mil pagos a Lulinha por Antonio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.

O relator, Alfredo Gaspar (União-AL), pediu que a Polícia Federal aprofunde investigações sobre as relações de Lulinha com o “Careca”.

De acordo com Alfredo Gaspar, há cerca de um ano, 8 de novembro de 2024, Lulinha fez viagem a Lisboa na companhia do “Careca do INSS”.

Alfredo Gaspar tem todos os detalhes, do número do voo às poltronas ocupadas pelo filho de Lula e seu alegado parceiro, o “Careca do INSS”.

Impedido de interrogar o filho de Lula, Gaspar sugeriu à PF investigar o voo de 8 de novembro: “os senhores vão encontrar uma quadrilha”.

“Não aguento mais essa blindagem despudorada”, desabafou o relator, “ninguém pode estar acima da investigação”, lamentou.

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Tem alguém aí surpreso ou espantado?

Tá tudo dentro do regulamento.

Normal, normal, normal.

Isso é cara da republiqueta banânica na atualidade.

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

UM CORDEL SOBRE VIOLÊNCIA

PELEJA DE DOIS POETAS FALANDO DE VIOLÊNCIA – Pedro Paulo Paulino

No sítio Bandeira Branca
Numa noite de viola,
Dois famosos repentistas
Puxaram pela cachola,
Pra falar da violência
Que o nosso Brasil assola.

Mangabeira e Curió,
Cada qual o mais batuta,
Para cantar qualquer coisa
Essa dupla não reluta,
Mais ou menos como segue
Foi começada a disputa.

* * *

Mangabeira

Há quem diga que museu
É que vive do passado.
Mas neste mundo moderno,
Cada vez mais avançado,
Vejo o homem mais confuso,
Como um velho parafuso
Por si próprio desgastado.

Curió

Com a ciência a seu lado
E a tecnologia,
Descobertas importantes
A gente vê todo dia,
Mas o homem não supera
Dentro dele a besta-fera
Do crime e da covardia.

Mangabeira

Com tanta sabedoria,
Com toda a sua potência,
O homem não se supera
Nessa brutal violência
Que de maneira infeliz
Domina todo o país,
Com a total resistência.

Curió

O crime e sua influência
Em nossa sociedade
É matéria tão comum
Que virou banalidade.
Perante a situação,
Hoje em dia o cidadão
É quem vive atrás da grade.

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COMENTÁRIO DO LEITOR

AGRESSÕES

Comentário sobre a postagem PAREM DE MATAR, SEUS BRUTOS!

João Francisco:

Chamou todos os homens de agressores em potencial.

Do total de mortes violentas no Brasil, 8% são mulheres, boa parte delas mortas por outras mulheres, boa parte em latrocínios.

– Ah, João, você está sendo condescendente com homens que batem em mulheres que apanham de homens só pelo fato de serem mulheres, diriam alguns comovidos.

Não, nenhuma mulher deveria apanhar de seus companheiros, como também nenhum homem deveria apanhar de mulheres (existe sim, em menor número, mas existe).

Eu acredito no amor, na compreensão, diálogo, na caridade.

Caso estes não prevaleçam, acredito na justiça, que deve julgar os crimes, cada um de acordo com sua gravidade, sem distinção..

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

CONVERSAS DE ½ MINUTO (48) ‒ CHARLAS PORTUGUESAS (Final)

Mais conversas, novamente sobre Portugal e afins, em livro que estou escrevendo (título da coluna). Homenagem hoje, como já dito, às Charlas (conversas) Portuguesas, romance epistolar de Soror Mariana Vaz Alcoforado e seu amor impossível com o cavaleiro francês Noel Bouton, Marquês de Chamilly, na Guerra da Restauração. Publicado, em 1669, por Lavergne de Guilleragges.

Ministro MARCELO NAVARRO RIBEIRO DANTAS, do STJ. Pastelaria Alcoa, do Chiado. Na mesa do lado, viu brasileiro pedir

‒ Um expresso, por favor.

E os demais, com ele,

‒ Dois.

‒ Três.

Após o que chegou o garçom com seis cafés (1 + 2 + 3 = 6), uma conta para ele matematicamente correta.

* * *

Cardápio do ótimo (segundo ele) restaurante Manjar do Douro (Lamego) tem, na capa,

‒ O melhor tempero é a fome.

Reproduzindo Cervantes (D. Quixote)

‒ La mejor salsa del mundo es el hamble.

Ou mesmo Cícero que, nos seus discursos, repetia o provérbio latino

‒ Optimun condimentun fames, positionis sitis.

MARCO PINA, político. Em campanha, seu lema foi

‒ Marco Pina por ti.

No Brasil não teria graça; mas, sim, na terrinha. Que pina, em português de lá, quer dizer fode. Ficaria, então,

‒ Marco Fode por ti.

Aqui, com esse lema, não ganharia eleição nem para síndico.

MARCOS BORGES, professor. Ao sair do tradicional Hotel do Chiado perguntou, ao motorista,

– Podemos ir à Fundação Calouste Gulbenkian?

– Claro.

Era perto e o táxi logo chegou. Marcos

– Está fechada, o senhor sabia disso?

– Sim, é terça-feira.

– E por que não disse antes?

– Porque o senhor não perguntou.

MARIA LECTÍCIA. Apontando, ao maître Gomes, prato no cardápio do Grémio Literário (Rua Ivens), com bela vista sobre as colinas de Lisboa e do próprio rio Tejo

– Eu gostaria de experimentar esse Bacalhau à Braz.

– Gostaria? E por que não experimenta?

MURO EM FOLGOSINHO (SERRA DA ESTRELA). Joaquim de Barros escreveu Serenata a uma pretensiosa com versos assim

– Nas tuas unhas condiz
Teu modo de ostentação
Por fora sobra verniz
Por dentro falta sabão.

Naquele muro vi o último quarteto desse longo poema

– Nem sempre uma linda cara
Traduz encanto no mundo
Ha mil fontes d’agua clara
Cheias de lôdo no fundo.

ONÉSIMO TEOTÓNIO ALMEIDA, da Universidade de Brown (Estados Unidos). O professor Aníbal Pinto de Castro, catedrático na Universidade de Coimbra, queria saber se leu um livro qualquer

– Não.

– Pois é, Onésimo. Você se preocupa só com livros de alto gabarito intelectual!

– Ó Aníbal, não diga isso, você sabe que já li toda sua obra!

* * *

Num restaurante da Madeira perguntou ao escritor Baptista-Bastos, jornalista e amigo próximo de Saramago,

‒ Dá-me licença que tire uma foto do casal?

‒ Claro, mas deixe-me pôr um ar inteligente na face.

‒ Não se preocupe, depois retoco a foto.

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No Teatro Sá da Bandeira (Porto), o Primeiro Ato da peça correu muito mal e grande parte do público se foi assim que encerrou. Artur Ribeiro, compositor de Amália (é dele o Nem às paredes confesso) e ator contou, a Onésimo, que começou o Segundo Ato a dizer

– Aqui estou, aqui estou, aqui estou!

Só para ouvir, na plateia, um espectador

– Também eu, mas muito arrependido!

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Na ilha Terceira (Açores), esporte preferido são touradas à corda. Uma grande festa, 250 por ano, em ilha com apenas 70 mil habitantes. Visitando familiares, Onésimo encontrou amigo com perna e braço quebrados e a explicação que recebeu dele foi cômica

– Vi o touro correr para mim; mas, como eu ‘tava c’os copos, vi dois touros. Fui esconder-me atrás de uma árvore. Mas, bêbado como eu ‘tava, vi duas árvores. A minha pouca sorte foi eu esconder-me atrás da árvore falsa e vir contra mim o touro verdadeiro.

* * *

Adriano Moreira lhe disse que era nome de rua em São Tomé, capital de São Tomé e Príncipe – Golfo da Guiné, costa ocidental da África Central, o menor país de língua portuguesa. Muito apropriada, essa homenagem, por ter sido ministro do Ultramar e presidente da Academia Internacional de Cultura. Depois da independência do país foi conferir se ainda estava lá seu nome e viu, na placa,

– Rua Ex-Doutor Adriano Moreira.

O que lembra história que se conta de placa que a Prefeitura de São Paulo teria posto, no local, quando trocou o nome da Marginal do Rio Tietê

‒ Avenida Otaviano Alves de Lima (ex-marginal).

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Em Brown, cardápio do restaurante exibia o prato Sônia Braga Salmon. Perguntou, ao gerente do estabelecimento,

‒ Sônia Braga gostava de cozinhar salmão assim?

‒ Não, professor! Sabe? A gente pensa: Que é que gringo conhece de cozinha brasileira? Nada, né? Então a gente pensa de novo: Quem é que gringo conhece do Brasil?… Todo mundo conhece Sônia Braga, não? Então é isso ai! A gente bota o nome dela num prato… O negócio é assim, entende?

‒ Sim,… Mas então, para equilibrar, deveria também ter outros pratos como Feijoada Pelé…

‒ Professor, mas quem é que quer comer Pelé?

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DEU NO X

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

A FEIA DA PITANGUINHA

Rosa, Hortência e Margarida, as três, nome de flor, filhas da professora Jacira e de Seu Jeremias, funcionário público exemplar, morreu inesperadamente de um infarto em sua caminhada matinal Um grande choque para família e amigos.

Ulisses, amigo de Jeremias, inconsolável e prestativo tentou consolar a viúva desde o cemitério. Como dispõe de tempo, aposentado precocemente, tratou dos papéis da pensão da viúva. Foi um longo trabalho nos cartórios e repartições. Passaram-se quase três meses nesse vai e vem, o que consolidou uma amizade, um bem querer entre os dois. Jacira apesar de sessentona é conservada, bonita e desejável. Os dois terminaram se entendendo num motel da praia de Jacarecica. Passaram mais de um ano encontrando-se furtivamente. Até que resolveram contar à família. Afinal Ulisses é um homem livre, divorciado, sem filho. Mesmo sem a aprovação unânime da família, Ulisses juntou seus trapos e foi morar na casa da bela Jacira, viúva de seu amigo Jeremias, cujo retrato colorido enfeita a parede da sala, sorrindo aos visitantes.

As filhas mais novas, Hortência e Margarida, casadas, viviam com seus maridos e filhos. Jacira ficou morando na casa da Pitanguinha com a filha Rosa. Apesar de um corpo escultural, um traseiro atraente, Rosa é feiosa, tem a boca troncha e alguma dificuldade em falar, problema advindo de um parto complicado. Ela cresceu e estudou numa escola, sofreu humilhação, zombaria, hoje chamam de bullying. Obviamente tem complexo de inferioridade. Penou muito na escola e na rua. Durante a adolescência teve vontade de se matar. Rosa sempre aguentou calada sua amargura. Fez vestibular e formou-se em Assistente Social, a profissão que poderia ajudar aos outros, foi sua decisão.

Mesmo feia teve namorados quando descobriu um dom de nascença: enfeitiçar um homem na cama. Operária do amor, ela tem criatividade instintiva na cama; os namorados se extasiavam. Certo engenheiro propôs casamento, ela recusou, não queria ter decepção amorosa. Assim foi vivendo. Rosa fez concurso, e em pouco tempo, era uma das melhores funcionárias da Secretaria de Educação. Tem o prazer em chegar na hora e trabalhar com dedicação. Sente-se compensada com o trabalho.

Rosa tinha um quarto bem cuidado e trancado, escrevia poemas, não queria que alguém lesse. Quando soube da ligação amorosa entre Jacira e Ulisses, compreendeu a necessidade de a mãe ter um companheiro, não criou problemas como as outras filhas criaram. Jacira trouxe Ulisses para morar em sua casa. Rosa se deu bem com o “padrasto”. Ulisses lhe tem atenção e carinho especial. Ela gosta de servir uísque e preparar tira gosto para ele e amigos nos fins de semana na calçada de casa. Certo dia, Ulisses trouxe uma novidade. Contou, com certo receio, o assunto era tabu, ninguém comentava.

– Rosinha, eu conheci um doutor cirurgião plástico, mesmo sem consentimento mostrei-lhe sua fotografia. Ele afirmou convicto que poderá com uma cirurgia plástica dar um jeito em sua boca, vai melhorar bastante a aparência. Você topa?

No dia seguinte Rosa foi à consulta com o doutor, fez os exames necessários, raspou suas economias do banco e submeteu-se à operação delicada de longa duração. Dentro de um mês, foram retiradas as ataduras de seu rosto. Ela ao se olhar no espelho irradiou sua alma de felicidade. Não que estivesse bonita, havia melhorado bastante sua feição. E falava normalmente.

Rosa ficou agradecida, tornou-se amiga íntima e confidente de Ulisses. O tempo passou e a amizade entre os dois se estreitou cada vez mais, até que certo dia aconteceu o inevitável. Agora, um ou dois dias na semana eles passam momentos de amor num motel. Rosa, lascívia, ótima no serviço, capricha no que sabe fazer de melhor; deixa Ulisses extasiado, relaxado, feliz. Jacira começou a desconfiar da amizade entre Ulisses e Rosa, hoje certeza; generosa, faz que nada sabe e deixa a vida repartir seu homem com a filha sofrida, Rosa, a feiosa da Pitanguinha.

DEU NO X

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

O GALANTEIO

O antigo galanteio nada tem a ver com o moderno e despudorado Assédio sexual, definido no Art. 216 do Código Penal, como o ato de “Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente de sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função”.

Tempos atrás, não se falava em assédio sexual, como hoje. O que havia era galanteio. As cantadas “sadias”, saudáveis, galanteios e elogios despretensiosos não eram crimes e podiam até envaidecer a alma feminina, aumentando-lhe a autoestima.

As propostas indecentes sempre existiram, sem que caracterizassem, de fato, crime de assédio sexual, como nos tempos atuais.

Pois bem. Dr. Minora, um conhecido advogado, recebeu em seu escritório uma senhora, bonita e insinuante, 50 anos, que queria contratá-lo para fazer o seu divórcio.

Depois de ouvir os motivos que estavam levando a cliente a pedir a separação, o advogado elogiou a sua beleza e comentou que existia homem idiota, que não enxergava a mulher que tinha ao seu lado.

Na verdade, o advogado era galanteador por natureza e não podia ver uma mulher bonita, que tentava conquistá-la, mesmo que fosse sua cliente.

Sentia um certo fascínio por mulheres casadas, em fase de separação. Sentiu-se atraído pela cliente e os elogios eram verdadeiros.

A mulher sentiu-se gratificada, pois vinha atravessando uma fase de desprezo do marido, que há meses não tinha com ela qualquer relacionamento conjugal. As palavras do advogado massagearam seu ego..

Ao sair do escritório, o Dr. Minora foi com um amigo, Dr. Rildo, também advogado, até o café mais próximo, onde fizeram um lanche e conversaram sobre sua nova cliente. Contou ao amigo os elogios que lhe tinha feito, e se justificou, dizendo que toda mulher gosta de receber elogios, principalmente quando já está entrando na idade madura.

De repente, de surpresa, a esposa do Dr. Minora chegou ao café e sentou-se para lanchar também, junto com o marido e o amigo. Muito bonita e elegante, Rosilda despertou a atenção de quem estava por perto, e o amigo do seu marido. não conseguia deixar de admirar a sua beleza. Teceu-lhe elogios e parabenizou Dr. Minora, pela bela mulher que ele tinha. Disse, ainda, que o Dr. Minora era um felizardo, por ter se casado com uma mulher tão bonita, elegante e simpática.

Ele sempre ouviu Dr. Minora dizer que um homem educado, quando está diante de uma mulher atraente, tem o dever de fazê-la sentir-se admirada. Isso massageia o ego feminino, pois a mulher gosta de elogios.

A indiferença do homem diante de uma mulher bem vestida, perfumada e elegante é humilhante para ela, principalmente quando se trata de uma mulher na idade madura. Vem logo o complexo de velhice, que é o pavor de todas as mulheres.

Baseado no que sempre ouvia o Dr. Minora dizer, o amigo se desmanchou em elogios à sua esposa, que ficou muito envaidecida.

Entretanto, Dr. Minora ficou sério e não gostou do excesso de elogios à sua esposa. Teve uma inesperada crise de ciúme. O amigo se justificou:

– Sempre escutei você dizer que o homem educado tem que elogiar as mulheres.

– É verdade. Mas a minha mulher está fora dessa lista. Somente eu, posso elogiar!!!