DEU NO X

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

ÚLTIMO ADEUS – Raymundo Asfóra

Tenho bem viva, na lembrança, aquela
tarde estival do derradeiro adeus,
o sol poente, com frágil vela,
cedia à noite as amplidões dos céus.

Pálida e triste, mas de face bela,
tendo o crepúsculo nos olhares seus,
por entre as brumas da distância, ela,
partiu saudosa entre um saudoso adeus.

E, a relembrá-la, estou no meu caminho,
arquitetando, em sonho, o nosso ninho
na frondosa palmeira da ilusão.

Mas ela, ingrata, não voltou mais nunca…
E o pesadelo que o meu sonho trunca,
É atroz ironia da desilusão.

Raimundo Yasbeck Asfora, Fortaleza-CE, (1930-1987)

DEU NO X

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

PATINANDO NO GELO

O Brasil vive uma espécie de ciclo interminável de notícias repetitivas que – com toda franqueza – já encheu meu saco, tirou minha paciência e mudou meu humor, faz tempo. Hoje, dificilmente se discute outra coisa que não seja em torno dos mesmos temas: juros altos, inflação descontrolada, decisões polêmicas do STF e escândalos de corrupção. Não importa o governo, o partido ou o momento econômico, o roteiro parece sempre o mesmo. Deixei de ver TV aberta já faz um bom tempo, mas quando a gente abre qualquer site de notícias e lá estão eles: os analistas econômicos discutindo a taxa Selic, os economistas prevendo mais um aumento na inflação, os ministros do Supremo Tribunal Federal protagonizando manchetes, e, claro, mais um caso de corrupção sendo descoberto.

Essa repetição tem um efeito psicológico forte na população. Muitos brasileiros já nem prestam mais atenção nos detalhes das notícias. Outros, como eu, já jogaram a toalha por não ter a menor crença numa mudança de curto ou médio prazo. Atualmente, quando se menciona “inflação” ou “juros” já desperta um cansaço automático. O desinteresse cresce, a apatia se instala. Parece que o Brasil está preso em uma espécie de looping político-econômico do qual não consegue sair.

O problema da inflação, por exemplo, é uma constante há décadas. Seja nos anos 80 com a hiperinflação, nos anos 90 com os choques de planos econômicos ou agora, com a preocupação constante de que o poder de compra do brasileiro se reduz mês após mês. O preço do café cresceu mais de 100% num período de um ano. Outros alimentos também tiveram aumentos de preços de forma absurda. A quantidade de empresas que estão em Regime Judicial cresceu mais de 60% entre 2023 e 2024 e o IBJE divulga uma taxa de crescimento fantástica. A inflação dos últimos 12 meses, está fora da meta – e não é por décimos, não! – mas, ainda assim, o Brasil tende a crescer em 2025.

Tudo de esquisito que a gente vê é culpa da política de juros do Banco Central, quando, na verdade, é o descontrole absurdo das contas públicas que geram insegurança. Mas, ninguém assume que o governo procura compensar suas bobagens fazendo outras, em todos os campos. A polêmica do IOF, por exemplo, foi mais uma trapalhada de um governo sem rumo, sem freio e sem noção. Para recuperar alguma coisa da proposta, o presidente liberou R$ 500 milhões em emendas parlamentares e eu fico, novamente, sem entender: não tem dinheiro para sustentar as IFES, mas tem dinheiro para emenda parlamentar. Só faz isso para que os deputados aprovem suas barbeiragens.

A questão dos juros altos é outro capítulo repetitivo. Todo mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia sua decisão. Essa semana chegamos a uma taxa de 15% ao ano, a segunda maior taxa de juros no mundo. O efeito do aumento na taxa de juros é redução do crédito. Quando cai, a inflação ameaça voltar. É um eterno pêndulo. E no meio dessa oscilação, o consumidor paga a conta. O acesso ao crédito fica difícil, os investimentos diminuem e a economia patina.

No campo político, o Supremo Tribunal Federal tornou-se quase um personagem de reality show. Decisões monocráticas, disputas internas, embates com o Congresso e vista grossa para o Executivo. Tudo isso alimenta a polarização política e a sensação de que as instituições estão mais preocupadas com disputas de poder do que com o bem-estar do cidadão comum.

E como se não bastasse, sempre há um novo escândalo de corrupção. Quando a gente pensa o que houve no INSS – até o momento ninguém preso – somos levados à pensar que tudo aquilo é novo. Os amigos já protegidos pela lei, os demais são perseguidos. Todo dia, surge uma nova operação, um novo esquema, um novo nome de político envolvido em desvios. A cada denúncia, a indignação dura algumas horas nas redes sociais, mas logo tudo volta ao ciclo habitual. O brasileiro se tornou espectador cansado de um teatro mal encenado e previsível.

A monotonia é tanta que mesmo os comentaristas especializados já parecem repetir os mesmos discursos de anos atrás. As soluções sugeridas também são sempre as mesmas: reformas que nunca chegam, cortes de gastos que nunca acontecem, promessas de estabilidade que nunca se concretizam.

Esse ciclo de notícias não apenas entedia, mas mina a esperança. Muitos sonham em deixar o país. Quem fica deve se acostumar com pouca expectativa de mudança real. A sensação é de estar preso em uma narrativa que nunca avança para um novo capítulo.

Enquanto isso, os problemas estruturais — como educação precária, saúde pública ineficiente e insegurança — continuam sendo pano de fundo, quase invisíveis diante da avalanche de manchetes econômicas e políticas. O Brasil, com sua rica diversidade cultural e seu potencial gigantesco, acaba reduzido a um país de manchetes previsíveis e crises recorrentes.

A monotonia nacional não é apenas uma questão de falta de novidades. É um sintoma profundo de um sistema que parece incapaz de se reinventar. E enquanto não houver uma ruptura real com esse ciclo, o brasileiro continuará preso nessa rotina cansativa de juros, inflação, STF e corrupção.

DEU NO JORNAL

AVUAMENTO BILIONÁRIO

O Portal da Transparência enfim atualizou o total de gastos do governo Lula (PT) com viagens, este ano: até o dia 13 de junho, o total bancado pelo pagador de impostos saltou para R$ 604,7 milhões.

A conta não inclui a fortuna gasta pelo presidente, Janja e outras autoridades autorizadas a usarem jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB), como presidentes dos Poderes e ministros do Supremo Tribunal Federal.

Na era da reunião virtual, o pagador de impostos brasileiro bancou R$ 368,6 milhões em diárias e R$ 232,7 milhões em passagens.

Quase R$ 92 milhões já foram destinados este ano para a bancar viagens internacionais no governo Lula.

Lula bateu recorde histórico em gastos com viagens nos dois primeiros anos do governo: R$ 2,36 bilhões em 2024 e R$ 2,28 bilhões em 2023.

* * *

E estamos apenas na metade do ano.

Preparem o bolso, senhores pagadores de impostos banânicos:

Vocês vão bancar com seu suado dinheirinho mais viagens e avuamentos do amostrado casal daqui até chegar dezembro.

A esbanjanjação vai ser histórica!!!

POLÍTICA - "Povofobia": Lula e Janja se tratam em avião e a dose vai aumentar / Jornal GV News - A notícia sem fronteiras

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O VAQUEIRO, O BERRANTE E O BOI

A chamada pelo berrante

A chuva fina que caíra por boa parte da noite, mesmo que neblina, dizia com odes poéticos, o que seria o amanhecer do dia seguinte. Vaqueiros, e talvez a boiada, conheciam bem o que aquela chuva significava.

A cena é rotineira onde se cria vacas e bois em rebanho. Quem viu por viver, sabe disso.

Pois, a madrugada chegou, trazendo aquele clima do conviver entre o homem e o boi que, inocente e desavisado, caminha para o abate – alguns bem que tentam fugir para o brejo. Mas, a sina será cumprida e, no outro dia acontece a transformação em costelas, alcatras, chambaris, rabadas, maminhas e filés – isso sem contar os pés , o bucho e as tripas que viram paneladas e mocotós, de acordo com cada região.

A claridade do dia, parecendo que fora combinado, aciona o berrante. Soprado com maestria mais que força, os bois que ainda dormitam se juntam numa manada a caminho do abate. Vã inocência.

O berrante chamou e juntou vaqueiros e bois

Assim como o ser humano, o animal, também tem o seu “anjo da guarda”. Bobagem pensar que Deus esquece os seres vivos da Terra. Pois é verdade que, vez por outra, através do que denominamos “percepção” – e, no caso de algumas espécies, o “faro e a audição” mais apuradas. É comum, algum boi – ou novilha – ser “avisado que está a caminho do abate, e não para o brejo, onde amainaria o calor matinal. E consegue fugir, tão logo escuta o ajuntador som do berrante. Embrenha-se mato à dentro, sem perceber que é um ato que nunca dá bom resultado.

O Vaqueiro vai atrás. Gibão de couro (do que outrora foi boi ou vaca), chapéu do mesmo material e um cavalo baio acostumado a correr entre espinhos, garranchos até que a presa desgarrada seja alcançada – laçada, para melhor definir.

Novilha em fuga sendo alcançada

Silêncio quebrado por um novo som do berrante. Na linguagem dos vaqueiros, a senha e o sinal denuncia a volta da novilha ao rebanho. Como sempre, vence o Vaqueiro, que contou com a ajuda do cão vira-latas acostumado a prestar aquele adjitoro nas fazendas.

O laço do Vaqueiro sinaliza o domínio – tanto quanto, o boné, o chapéu, a camisa com a propaganda, ou, um prato de comida significa o voto de quem nunca se alfabetiza e continua fazendo a assepsia com o sabugo.

Por meses, dias e horas o eleitor ouve também o som enganador do berrante – e desse som, poucos conseguem se livrar. Mesmo com montariua diferente, o “candidato” laça. Laça, soma ao rebanho e conduz ao abate.

Novilha alcançada e laçada

OBSERVAÇÃO: Tentei produzir uma parábola e me penitencio por não ter conseguido. A intenção era mostrar (ou tentar mostrar) o domínio que um Vaqueiro tem sobre o seu rebanho, que ao ouvir o som estridente, se reúne em manadas e caminha para o abate, em silêncio e cabisbaixo sem nunca reagir.

Provavelmente por falta de conhecimento (rotulado como analfabetismo), alguns bezerros e novilhas tentam fugir. Em vão. O Vaqueiro sempre conseguirá alcança-lo e o enfiará em meio a manada grande – virará picanha, chambaril ou alcatra.

Haverá necessidade de muito derramamento de sangue (sugestão e vaticínio de João Baptista de Oliveira Figueiredo) entre os garranchos e espinhos da mata seca da caatinga para que, um dia, a novilha ou o bezerro consigam fugir.

DEU NO X

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