XICO COM X, BIZERRA COM I

NUCA E CLÁUDIO

No meu sonho, Nuca e Cláudio dividem uma única dose do mesmo rum, em um só copo. Enquanto um toca o outro sorve um gole da cubana bebida e vice-versa. Isso não é e nunca será problema. Ao contrário, dois gênios da música, como eles, podem e devem repartir o único rum do meu sonho pirangueiro e, enquanto um bebe um gole, o outro puxa um acorde bonito. Depois, invertem os papéis. Ouve-se a trilha do bem viver, da paz sonora. E assim, se pressente a poesia, que se faz presente, presenteando os presentes, sem palavras, apenas com sons. Os anjos do bar em que eles estão decretam descanso e leveza, suspendem o voar e passam a admirar a beleza da música. De quando em vez trazem Coca-Cola e misturam-na com o que sobrou do rum no copo único dos dois. Felizes, sequer sabem o que é WatsZap. Nem precisam. Bastam-lhe uma dose de rum, um violão e uma canção bonita. Para que mais? Enquanto isso, falsos sertanejos enganam o povo nos palcos de São João. Alienada, a população alegre sorri tanto quanto os gestores municipais, bolsos cheios com a destinação que deram ao dinheiro daquela gente. Ainda bem que os Deuses me fizeram parceiro dos dois, de Nuca, o Sarmento e de Cláudio, o Almeida.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

EM DÓLAR

Três meses após assumir, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, já coleciona escândalos, além do seu “orçamento secreto” que beneficia aliados.

São dois contratos sob suspeita para adquirir insulina humana. Diz a denúncia ao Tribunal de Contas da União (TCU) que, em vez de contrato em reais, como determinava o edital do pregão 90104/24, a turma de Padilha o fez em dólares com uma GlobalX Technology Limited, registrada em Hong Kong.

A manobra poderá custar até R$ 50 milhões a mais ao Brasil.

O contrato do Ministério de Padilha utilizou a cotação de R$ 5,46 para a compra de 74,6 milhões de tubetes de insulina regular e NPH.

Além da exigência do edital, o pregoeiro confirmou, em resposta a uma consulta no sistema ComprasGov, que tudo deveria ser em reais.

Os contratos em dólar (US$ 52.2 milhões cada, cerca de R$ 600 milhões) fazem o Ministério pagar valores superiores aos previstos na licitação.

* * *

Quando a gente pensa que chegaram ao auge, eles sempre conseguem ultrapassar.

Uma presepada nova a cada dia.

Fico por aqui.

Deixo os comentários a cargo dos especialistas fubânicos nestes assuntos dolarizantes.

E delirantes.

DEU NO X

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

POEMA EM LINHA TORTA

Inspirado na obra Poema em Linha Reta, de Fernando Pessoa

Na normalidade dos dias, tudo está recrudescendo.

E eu, homem com nome de santo, mas voz, letras e atos de pecador;

Eu, que não tenho a mínima pretensão de me dizer perfeito;

Eu, que em minhas liturgias acabo pisando nas estolas da etiqueta cerimonial e escorregando no vômito de alguns nobres da vida social;

Que gargalho do sério, e choro com a alegre – apenas para ser diferente;

Eu, tantas vezes orquestrado como imundo, odioso e odiado;

Eu, que defendo ideias e mudo de opinião com a facilidade de quem respira bem;

Acabo descobrindo que a minha parte é muito pequena nesse mundo do faz de conta.

Quisera ser menos nocivo, porém, a fama que me põem não me permite ser leniente;

Quisera também ser melhor – talvez nem ter nome de santo -, no entanto os que me veem, de mim, dizem: “Louco!”

Muito ou pouco, em qualquer campo onde colho – às vezes sequer plantei ali – tenho tido sucesso e obtido lucros.

Mas logo eu? Tantas vezes abjeto para muitos, crítico de mal gosto para outros, escrevinhador de tolices para outros mais, intolerante, intolerável, abominado, abominável, tolo, vil, sujo… Três vezes exposto na mesa dos fracassados financeiramente.

Ora! Logo para mim, que nem mereço tanto, Deus foi olhar e dizer:

“Sofre, sofre, sofre até os quarenta. Mas sê feliz, sê feliz, sê feliz por toda a eternidade”.

Eu, que na normalidade dos dias vejo tudo recrudescer, como um santo de poucos milagres, ou nenhum; cuja devoção vem dos imperfeitos como eu, acabo percebendo que a minha incompreendida matéria jamais passará de um jornalzinho de igreja, daqueles que se abandona sob o banco e sem valor algum logo no domingo vindouro. No entanto, muitos cantaram segurando-o nas mãos, a uma só voz, alegres e satisfeitos (e eu pisava na estola das etiquetas cerimoniais nessas horas). Seu destino? O lixo direto! Sem passar por qualquer banheiro para fim mais próprio ao que nele esteja escrito.

Sim! Tenho sido feliz. Afinal, sou tão pequeno para contrariar uma ordem de Deus.

Esse tem sido o meu grande milagre. Recrudescente milagre: Ser imperfeito, não unânime e ao mesmo tempo feliz!

Do meu jeito recrudescente.

(“Sempre desconfiei que a perfeição é, na verdade, um poço falível de puro e total tédio.” – Jumento Solteiro, em sua obra Devaneios e Confabulações de Um Jumento que Dança).

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA