PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Tenho bem viva, na lembrança, aquela
tarde estival do derradeiro adeus,
o sol poente, com frágil vela,
cedia à noite as amplidões dos céus.

Pálida e triste, mas de face bela,
tendo o crepúsculo nos olhares seus,
por entre as brumas da distância, ela,
partiu saudosa entre um saudoso adeus.

E, a relembrá-la, estou no meu caminho,
arquitetando, em sonho, o nosso ninho
na frondosa palmeira da ilusão.

Mas ela, ingrata, não voltou mais nunca…
E o pesadelo que o meu sonho trunca,
É atroz ironia da desilusão.

Raimundo Yasbeck Asfora, Fortaleza-CE, (1930-1987)

Deixe uma resposta